19/11/2009

Mais um ano com este feriado estúpido

De Paris - Não retiro nenhuma frase do que escrevi aqui 1 ano atrás sobre este feriado da "Consciência Negra". http://caetanovilela.blogspot.com/2008/11/meu-feriado-consciente.html
- "O politicamente correto não permite que se discutam seriamente certos temas hoje em dia sem causar celeumas, processos judiciais, antipatias ou até mesmo crimes passionais, mas seria de bom tom para a sanidade geral da nação questionar algumas decisões políticas tomadas para agradar entidades, ongs e minorias loucas para 'dar visibilidade' a certos temas."
E por aí vai...

Agência Senado - 18/11/2009 - Adiada votação de proposta que criminaliza a homofobia

Agência Senado - 18/11/2009 - Adiada votação de proposta que criminaliza a homofobia

15/11/2009

Paris est gris

Jardim de Luxemburgo/Paris

De Paris - Nesta temporada parisiense farei alguns álbuns de fotos tentando fugir (difícil) um pouco das 'fotos de postal' que estão na nossa memória. Conforme o passeio avançar o álbum vai aumentando.
Espero que gostem da minha visão 'daltônica' da cidade, é que com este final de outono o céu e o contraste das folhas caídas nas calçadas molhadas me 'machucam a vista'.


O resto das fotos você pode ver no meu Flickr, aqui!

14/11/2009

Só falta combinar com os 'franceses'

De Paris - OLHAR URBANO

Diretamente do 4º Arrondissement ao lado do Museu Beaubourg o meu, o seu, o nosso Garrincha repousa tranquilo num 'sticker' em uma esquina.

10/11/2009

O Vampiro de Curitiba mostra a sua casa

O Blog que o Gerald Thomas tinha no Ig fechou mas o "Blog do Vamp" (seu fiel e polêmico escudeiro daquelas bandas largas) começa abrindo generosamente as portas para os orfãos de plantão. 'By the way' começa com uma entrevista com o próprio Gerald, vai lá!

13/10/2009

"(...) que você construa uma escada até as estrelas e suba todos os seus degraus..."

Sai com o meu sobrinho de 6 anos para que ele escolhesse os presentes que queria e devo confessar que não resisti em frente da estante infantil da livraria, comprei para mim (e li para ele) "Forever Young" de Bob Dylan com ilustrações de Paul Rogers, lançado pela Martins Fontes. Dylan escreveu esta letra, clássico dos anos 70, rapidamente pensando num dos seus filhos e nada mais natural que tenha virado, ainda que tardiamente, um lindo livro para ler com os pimpolhos na cama.
O livro vem com a letra da música (bilíngüe!) dividida em várias páginas com as ilustrações enormes e de bom gosto.

Rogers ainda 'decifra' as ilustrações (as crianças não precisam saber desta parte), que são passagens da vida de Dylan, identificando também vários ícones de diversos movimentos culturais, como: Woody Guthrie, William Burroughs, Allen Ginsberg, Kerouac e outros do mesmo quilate.
Então, que tal prepararmos um 'jovem revolucionário' para o mundo!

...

Aqui embaixo a letra e ouça também aqui várias versões de "Forever Young" no lindo site oficial de Bob Dylan

Forever Young

May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

May you grow up to be righteous,
May you grow up to be true,
May you always know the truth
And see the lights surrounding you.
May you always be courageous,
Stand upright and be strong,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.

Copyright ©1973 Ram's Horn Music

...

Dentre dezenas de videos no Youtube, existe este 'duo' de Dylan com o seu súdito (e meu ídolo também) Bruce Springsteen


Se Joga:

"Forever Young" de Bob Dylan, Ilustrações Paul Rogers. Editora Martin Fontes

Eu sou o Iluminador na Cidade Luz!

Agora é oficial, já está tudo certo (passagens, contrato, visto de trabalho e divulgação francesa) para a minha 'saison française'!
Como já havia comentado por aqui assinarei a iluminação de uma produção nova do musical "A Noviça Rebelde/The Sound of Music/La Mélodie du Bonheur" no Théâtre du Châtelet, em Paris, esta semana findou toda a parte burocrática de meses de negociações e até já enviei um pré-mapa de luz. Chego a tempo de assistir aos ensaios, dirigido por Emilio Sagi, e uma semana depois começo a montagem.

Levo o meu assistente Roberto Borges, que trabalhou comigo neste ano na assistência de "Les Troyens" em Manaus. Ficarei hospedado num studio chamado "Cœur des lions" (como um autêntico leonino achei um bom presságio) a poucas quadras da "Place de la Bastille" e na bagagem, todo o meu talento!
Abaixo, o cartaz da produção assinado pela 'über' dupla hypada Pierre&Gillet (alguma dúvida de que vou conhecê-los?) e a ficha técnica do espetáculo já com os devidos créditos de 'lumières' do espetáculo. Pois é, como já havia falado, nesta produção 'je suis le éclairagiste'

12/10/2009

Uma nota uma chance, qual é a música (ou: MJ x MJ)


Poucos dias depois do enterro do Rei Michael Jackson um dos seus súditos, o maestro Marcelo de Jesus prestou uma baita homenagem bem ao seu estilo erudito sofisticado, juntou num mesmo programa Mozart e Jacko.
Numa manhã de domingo, lotou o Teatro Amazonas com jovens da Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica e solistas locais para interpretar a abertura da ópera "A Flauta Mágica" e o "Concerto para piano Nº24 K.491/Allegro (com Cadenza escrita e defendida ao piano pelo próprio Marcelo de Jesus).



O que também motivou Marcelo na execução deste Concerto foi:
- "Resolvi fazer essa homenagem ao MJ pelo fato de ser um concerto com uma Orquestra Jovem, e que precisam de estímulos, mesmo os não convencionais."
Pra quem já fez 'crossover' entre Björk, Radiohead, Djs e Orquestra ou mesmo num divertidíssimo "Barbeiro de Sevilha" (dirigido por mim sob a sua regência), que mesmo fidelíssimo a Rossini ainda teve um trecho 'mixado' com Richard Wagner, esses rompantes 'não convencionais' na verdade são muitíssimo bem vindos pelo público tornando tanto a ópera quanto a música clássica menos sisuda para os 'ouvintes de primeira viagem'.

Antes que alguns se apressem em achar nisso um certo 'populismo' antigo e que muitos já cansaram de fazer a mesma coisa (veja aqui, por exemplo a Cadenza que o violinista Appal faz também com Mozart) sem renovar seu público eu digo por experiência própria que o público em Manaus tem se renovado cada vez mais com jovens que passaram a gostar de música erudita acompanhando também programas 'mais difíceis' até para platéias treinadas ao sul do País. Renovação, diga-se, sempre lembrada pela imprensa européia (Alemanha e Espanha, para dar exemplos recentes) e em épocas de Festival de Ópera pela nacional também!

Entra aqui e tente descobrir qual a música que 'está contida' em Mozart e notem a discreta reação da platéia quando eles se dão conta de que estão ouvindo alguma coisa bem familiar, 'enjoy'.

02/10/2009

Façam as suas apostas, a BRAVO já fez

A revista "Bravo" deste mês de outubro faz um perfil sobre a minha carreira e minha nova empreitada em assumir a direção da Cia. de Ópera Seca junto com o seu fundador Gerald Thomas. A seção da revista é Primeira Fila em "Nossa Aposta".
Leia abaixo a matéria na versão online.
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Caetano Vilela - Nossa Aposta
Depois de virar referência entre os iluminadores do país, o ator paulistano se torna codiretor da Cia. de Ópera Seca, o grupo de Gerald Thomas

Por Gabriela Mellão/Foto João Wainer

Caetano Vilela ao lado da foto de Gerald Thomas. O iluminador tem 15 tatuagens; uma delas traz o lema da cidade de São Paulo: "Não sou conduzido, conduzo"

Ele se sente como quem pinta um quadro ou escreve um conto. No entanto, não usa pincéis nem softwares de texto. Prefere recorrer à luz. O paulistano Caetano Vilela é hoje um dos mais talentosos iluminadores do país. Especializado em montagens líricas, já assinou 53 produções do gênero. Construiu sua reputação sobretudo depois que virou o responsável por iluminar as encenações do prestigioso Festival Amazonas de Ópera, em Manaus.

Desde que assumiu a função, há 11 anos, deixou praticamente de lado as peças teatrais - universo em que se formou não só como iluminador, mas também como ator (participou das trupes de Ulysses Cruz, Antunes Filho, José Celso Martinez Corrêa e Gerald Thomas). No primeiro semestre de 2010, porém, deverá fazer um retorno ousado às origens. Capitaneando a Cia. de Ópera Seca, fundada por Gerald, vai dirigir e iluminar Travesties, comédia de viés político escrita pelo britânico Tom Stoppard. Será a primeira vez que o encenador carioca entregará seu grupo a outro profissional. "Caetano sugeriu dividir comigo o comando da Ópera Seca", conta Gerald, que diz atravessar uma fase de profunda crise existencial. "A sugestão chegou em boa hora. Ele dispõe de grande inteligência e criatividade. Não sei explicar como alguém se torna um gênio. Sei apenas que Caetano é genial."

De início, no festival amazonense, o artista limitava-se a conceber a iluminação dos espetáculos. Foi somente depois de 2001 que passou também a atuar como diretor. Nessa dupla condição, destacou-se com Ça Ira, ópera do inglês Roger Waters, ex-líder da banda Pink Floyd. "Quando me debruço sobre uma montagem", afirma Vilela, "não penso propriamente em iluminar os atores ou os cantores. A primeira coisa que busco descobrir é onde se desenrola a ação - em que atmosfera o elenco estará mergulhado. A partir daí, tento elaborar uma narrativa com a luz. Desejo que a plateia compreenda o espetáculo por meio da iluminação. Talvez seja essa a chave do meu trabalho: aquilo que chamo de 'dramaturgia da luz', algo difícil de traduzir em palavras. Ao contrário de um cenógrafo, que lida muito com o concreto, o iluminador lida principalmente com o abstrato. Acredito que, por isso, eu tenha uma memória e um raciocínio bastante visuais." Tal raciocínio costuma acompanhá-lo até mesmo fora do palco. Certa vez, ficou 45 minutos de pé em um restaurante com mesas vagas à espera de um espaço numa área mais bem iluminada.

Filho de comerciantes, Vilela começou a vida como office boy e, até os 17 anos (atualmente está com 41), nunca escutara ópera. Perambulando pelos sebos da praça da Sé, em São Paulo, ouviu um trecho de Lakmé, do francês Léo Delibes (1836-1891), e se enfeitiçou. Logo perguntou a um vendedor que música era aquela. O clique para a profissão, porém, veio mais tarde, em 1990, quando viu Suor Angelica, do italiano Giacomo Puccini (1858-1924), dirigida por Bia Lessa e protagonizada pela soprano Céline Imbert. "O cenário e a luz não realistas me impressionaram. Pensei: 'Meu Deus, pode-se fazer isso com um espetáculo lírico?!'."

Decidiu, então, rejeitar definitivamente o sonho dos pais, que o queriam à frente dos negócios familiares, e adotou como lema pessoal o da cidade de São Paulo: Non ducor, duco, frase em latim que significa "Não sou conduzido, conduzo". Levou a divisa tão a sério que acabou por estampá-la nas costas. É uma das 15 tatuagens que possui e que lhe conferem um ar de roqueiro. Ele, aliás, se confessa fã das guitarras. "Nas horas livres, o que escuto mesmo é rock'n'roll."

20/09/2009

Parole, parole, parole

No caderno de Esportes no "Estadão" de hoje Ugo Giorgetti é preciso no título da sua crônica dominical: "Entrevista não é para principiante" em que conta sobre a infeliz frase dita por Hélio dos Anjos, técnico do Goiás, quando perguntado se o "grupo" sentia ciúmes do jogador Fernandão. Resposta do técnico: "Homem com ciúmes de homem é viadagem. Não trabalho com homossexual."! Waall, isso é que é 'finesse'.
Sem entrar no mérito da estupidez da frase (sinceramente, dá até preguiça) o bom da crônica do Giorgetti é fazer-nos perceber que quando você se sente o 'rei da cocada' na frente de jornalistas quase sempre diz besteiras e completa:
- "(...) O que queria analisar é a armadilha que são as entrevistas (...) é sempre um momento de suprema insegurança e você quer parecer inteligente diante do jornalista..."

Foi um prazer ler as ideias claras de Nuno Ramos em duas páginas para o caderno Mais! da "Folha", também deste domingo, entrevista feita por Noemi Jaffe. Nuno é o artista plástico brasileiro que não se limita somente no terreno 'plástico' e invade a literatura, escultura e performance confundindo não só a classificação da sua obra mas também quem a interpreta, no caso os críticos. Sabendo das suas influências e admirações que incluem Paulinho da Viola, Carlos Drummond, Hélio Oiticica ou os mais óbvios Beuys e Frank Stella dá para entender perfeitamente quando ele diz:
- "(...) Na verdade, ao invés de buscar o que em nós é contemporâneo, talvez fosse mais rico procurar o que em nós é extemporâneo, deslocado no seu tempo, mas sem qualquer arcaísmo."

Me considero um cara bastante articulado (por vezes até prolixo) na defesa das minhas crenças e teses artísticas mas devo confessar que acho dificílimo 'explicar' o que faço nos palcos seja na direção, iluminação ou, embora afastado um pouco, atuação. Quando dou uma entrevista sobre o meu trabalho sempre acho que não fui claro ou que o entrevistador não entendeu o que eu quis dizer. Quando é em outro idioma então, o caldo entorna de vez, embora entenda, por exemplo inglês, não 'penso' neste idioma e em nenhum outro além do português.
Recentemente dei uma entrevista para uma revista de artes (em outubro conto mais) que traçou um perfil sobre as minhas atividades e a diferença que há na Luz que faço para óperas. Falei, falei, falei e não comuniquei absolutamente nada. Recebi um e-mail depois da paciente jornalista (a pedido do seu editor) para que eu explicasse novamente de forma 'menos abstrata'.
Difícil falar sobre Luz, acho até mais fácil 'defender' um cenário ou uma interpretação do que explicar o meu processo de criação de uma Iluminação.

Fui destaque numa publicação alemã (link aqui ao lado em C.V. by C.V.) que analisou minhas luzes para óperas e lá eu defini o meu trabalho como um "Dramaturgo da Luz". à partir daí comecei uma tese de como 'enxergo' a luz desde as influências de Appia, Craig, Meyerhold, Gerald Thomas, Bob Wilson até a "história" que ela deve contar no palco. Difícil. E abstrato também para quem não é da área, mas como já disse outras vezes Arte é difícil mesmo!

...

P.S.: Só uma pequena observação no excelente texto do Ugo Giorgetti ('na rede' só para assinantes, infelizmente) quando ele diz: "esse assunto de homossexualismo no futebol parece tão velho e gasto quanto o próprio futebol".
Concordo plenamente com ele, mas o termo correto é homossexualidade. Não custa nada lembrar que o 'ismo' traz a conotação de doença e patologia e nós, homossexuais, não somos doentes. Alguns como eu são por futebol, mas isso não tem cura, heheheh

11/09/2009

Eu acredito em "Travesties"!!!

Queridos, para quem anda acompanhando a minha saga em montar "Travesties" de Tom Stoppard com a Cia. de Ópera Seca eu digo o seguinte: A PEÇA VAI SAIR!!!
O que passa é que contra a minha vontade demorará um pouquinho mais, explico: Estava com o projeto pronto desde dezembro-08, corri em busca de patrocinadores (consegui 1 que com a '#crise' adiou temporariamente), deixei num teatro para análise, fiz minhas óperas em Manaus (março-maio), viajei para Espanha à trabalho (junho), voltei e comecei a cobrar respostas... 7 meses depois o teatro recusou o projeto e se desculpou pela demora! Isso para resumir 'elegantemente' minha decepção.

Fiquei com uma mão na frente outra atrás. Não começo a ensaiar sem um mínimo de infra-estrutura e muito menos sem saber onde vou estrear. Talvez eu tenha sido ingênuo em ter deixado apenas em um teatro para análise, mas acreditei que a constante 'parceria' deste teatro com a Cia. de Ópera Seca seria o suficiente para credenciar o projeto como 'executável' , afinal de contas é um puta texto de Tom Stoppard inédito no Brasil. Bom, mas vá lá, renovei os direitos do espetáculo, inscrevi-o em leis de incentivo e estamos aí com reuniões e ótimas perspectivas pela frente.

A estréia está agendada agora para o primeiro trimestre/2010 (em novembro viajo à trabalho para França voltando em janeiro) e começarei agora os contatos com festivais de teatro do Brasil e América do Sul. É isso aí, um extenuante trabalho mas que tenho certeza será recompensador.

Ontem saiu no "Estadão", na coluna da Chris Mello mais uma nota sobre a montagem o que aumenta a curiosidade e a expectativa sobre o meu trabalho na Cia., aguardem mais um pouco, prometo não decepcioná-los!




04/09/2009

Carlos Angelo Cafalli (ou: o Iluminado)

Faleceu ontem Carlos Angelo Cafalli chefe de Iluminação do Teatro Municipal de São Paulo, tratado por todos, que já trabalharam no Municipal algum dia, carinhosamente como 'seu' Carlinhos.
Sempre fui muito bem recebido no Municipal e muitíssimo bem tratado por todos, 'seu' Carlinhos , por exemplo, contava sempre a mesma história de quando me viu pela primeira vez trabalhando como assistente de Iacov Hillel naquele palco e de como eu 'cresci' e me tornei um bom profissional. Isso me enche de alegria! Ter o reconhecimento das pessoas que 'realmente fazem o espetáculo acontecer' é de uma responsabilidade maior até do que a de qualquer crítico. Por que? Porque são estas pessoas que você não consegue enganar com os eternos e fáceis 'mesmos truques' e são elas que lembram exatamente a última coisa que você fez e querem saber qual vai ser a novidade. Só quem é ou foi técnico teatral um dia sabe do que eu estou falando, é uma 'cobrança' eterna e uma responsabilidade imensa.

Lembro de quando assinei a iluminação de "Olga" dirigida por William Pereira, 'seu' Carlinhos ficou um pouco mais do que o habitual do seu horário e assistiu a um ensaio em que a luz ainda estava no processo de gravação, me chamou num canto e me disse com aquele inconfundível sotaque 'apaulistanado' que ali eu tinha me superado, que aquela luz era tecnicamente mais bonita e difícil que a de "Condor" (que eu havia dirigido e iluminado anos antes), ainda mais pensando na falta de recursos com que eu estava trabalhando. Agradeci a gentileza e concordei com ele, e que embora não estivesse pronta, aquela iluminação estava me consumindo realmente muitas ideias e a única coisa que me guiava era não repetir o que eu já havia feito com sucesso em outros espetáculos na casa.

Soube que foi um câncer recente que o levou, também não sei a sua idade mas presumo que passava um pouco dos 70.
A única coisa que eu sei é que ele viveu toda a sua vida para a Luz e que não só por causa disso era um homem ILUMINADO! Para mim, um exemplo.

Minha homenagem para o 'seu' Carlinhos é esta foto (by Jefferson Pancieri) da cena final da ópera "Olga", segundo ele "onde eu me superei". O velório e o enterro serão no Cemitério do Araça/SP neste dia 05/09 às 10h

P.S.: Atualizei o post com a foto do 'seu' Carlinhos que foi gentilmente enviada por Eliane Lax, produtora do Municipal/SP, obrigado querida!

27/08/2009

"Be Brave"

Recebi da minha amiga carioca Danusa Moojen esta linda propaganda da multinacional de medicamentos Pfizer, fundada em Nova York no século 19 por imigrantes alemães e presente no Brasil desde os anos 50. Foi a Pfizer que tirou Fleming do anonimato ao produzir em grande escala a penicilina e o resto é história.

Além de fugir das propagandas frias de laboratórios farmacêuticos e medicamentos a agência que criou este filme (infelizmente não tenho o crédito) se alinha aos jovens dialogando com 'street art' e grafitti e deixa uma mensagem que interessa para todas as idades, não importa a doença: "sometimes it takes more than medication".

Também acho! 'Enjoy':

video

P.S: Este post foi escrito antes desta notícia: "Pfizer vai pagar U$ 2,3 bi por fraude na venda de remédios".
Um amigo me disse que 'pegava mal' eu fazer 'propaganda' para a empresa depois deste anúncio. Como por aqui só escrevo o que quero e não sou remunerado por ninguém, mantenho o post pois acho que este filme ultrapassa esta questão, sem contar que ainda acho brilhante e humano o tom da propaganda.

26/08/2009

"Se você pretende saber quem eu sou eu posso lhe dizer..."*

Começo a entender o fascínio que o automóvel e a velocidade exercem sobre os homens. Por absoluta necessidade tive de começar a dirigir faz bem pouco tempo (apaguei da memória a habilitação tirada aos 18 anos, e usufruída apenas por 3 meses, e me entreguei pacientemente às aulas práticas de direção aos 40 anos), tempo suficiente para entender que comecei a fazer parte de outra categoria de ser humano, com uma nova ética e códigos próprios. Estou aprendendo rapidamente também uma nova linguagem de gestos e 'sinais motores' (piscadas de luzes, buzinas curtas, longas, semi-breves,...) que me põe numa categoria camarada de comunicação imediata com meus novos pares.

Gente como o 'über' arquiteto Paulo Mendes da Rocha por exemplo não consegue imaginar estupidez maior quando uma pessoa prefere ficar dentro de uma carcaça de ferro do que utilizar os transportes públicos (ok, esta é uma longa discussão e não me esqueci que temos um PÉSSIMO transporte público), eu por necessidade, sempre preferi. Minha experiência como 'boy' na adolescência me diplomou como um pedestre de primeira, conheço o centro da cidade e suas periferias muitíssimo bem, aliás esta minha nova condição de motorista me faz guiar na cidade como se eu ainda fosse pedestre. Nem preciso dizer que na imensa maioria das vezes eu fico dando voltas e voltas de frente para ruas sem saída, contra-mão e certos desvios que ainda não estou acostumado.

O que tenho visto do comportamento de motoristas, principalmente em estradas afastadas e rodovias é estarrecedor e dá medo. Dia sim, dia não vejo acidentes terríveis e estúpidos por pura falta de civilidade. Uma das contradições do 'aprendizado desta nova linguagem' que descobri é que se há uma placa em que a velocidade permitida é 40 km você deve andar a 60 e assim por diante, li mais de uma vez sobre pessoas que morrem simplesmente porque desaceleraram diante de uma lombada na periferia da cidade.

Ainda não me sinto seguro o bastante para desafiar certas leis do trânsito, como por exemplo enfiar o pé no acelerador para testar todo o rendimento do meu motor 1.8, mas acho que sei a sensação que teve James Dean com o seu fatídico Porshe Spyder. É muito fácil perder os limites com um motor silencioso e ótimas caixas de som pelas curvas de uma paisagem deslumbrante como a da Mata Atlântica (meu deus como São Paulo é complexamente linda!), para não cair em tentação programei o meu computador de bordo para sempre apitar quando eu chego a 120 km/h e também preferi perder uma conexão USB do meu IPod para poder instalar Air-Bags para motorista e passageiro.

Melhor assim, não quero que os meus amigos pensem que:
- " eu não gosto nem mesmo de mim. E que na minha idade só a velocidade anda junto a mim..."*
...

* "As curvas da Estrada de Santos"/Roberto Carlos e Erasmo Carlos
...

Esta é uma foto do Foto Repórter Estadão Fabio Damiani Fuso de um capotamento na Rodovia Fernão Dias (sentido SP, km 81), rodovia que agora faz parte da minha rota semanal Atibaia-São Paulo.

24/08/2009

Você é uma "Pessoa Politicamente Exposta"?

Clique para ampliar, leia melhor e me responda: você é uma PPE?

Na semana passada tirei um dia para resolver pequenos assuntos burocráticos em cartórios, bancos e outros estabelecimentos que todos nós fugimos mas não há como escapar. Uma das pendências era abrir uma conta corrente na Caixa Econômica Federal, pois bem, enquanto esperava uns 20 minutos minha solícita gerente me resgatar da maldita porta giratória (estava com meu precioso MacBook e obviamente me recusei a deixá-lo nos armários arrombados do lado de fora da agência!) presenciava uma verdadeira 'batalha' de uma jovem que parecia ter 'kriptonita' na bolsa tamanha a insistência dos apitos de bloqueio. Talvez com pena da pobre mulher o guarda liberou a passagem discretamente apertando o botão do controle escondido no bolso da sua calça. Pois não é que depois de passar pela porta a jovem mulher sorri e saca um pequeno guarda-chuva escondido sabe-se lá em qual compartimento de sua bolsa e num sorriso vitorioso (já dentro da agência) diz: "- Achei, era isso!"
Fiquei pasmo, ela poderia ter tirado uma arma, mas parece que situações como esta não assustam mais ninguém.
...

Minha gerente me deu uma senha nova para internet (o site da Caixa é horrível, inseguro e sempre com algumas funções "em manutenção") e alguns papéis para assinar, dentre eles uma "Declaração - Pessoa Politicamente Exposta".
'What a hell..?!' Me espantei, e soube que é um termo em que você declara se desempenhou algum "cargo, emprego ou função pública relevante", ou ainda se tenho parentes ou secretário particular vinculado a algum cargo no governo. E ao assinar NÃO em todas as opções sou alertado de que digo a verdade e tenho de me comprometer "a comunicar a CAIXA, de imediato, eventuais alterações nas informações acima prestadas".

SÓ PARA LEMBRAR

A Circular BACEN 3.339 de 22/12/2006 é, segundo a minha gerente, exigência imprescindível para todas as contas a serem abertas após esta data, cujo motivo é dar maior 'transparência' e evitar fraudes e lavagem de dinheiro.
No dia 16 de março do mesmo ano da Circular o ex-ministro Antônio Palocci ordenava o então presidente da CAIXA, Jorge Mattoso, a violar o sigilo bancário do (hoje arrependido) caseiro Francenildo Costa, num quiprocó que expunha também o ex-ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos e outros menos 'graúdos' que foram eclipsados pela divulgação da participação de Palocci no caso.
Antônio Palocci é hoje um discreto deputado federal pelo PT e 3 anos depois aguarda por estes dias o julgamento deste único processo em que ainda não foi absolvido. Eu não tenho nenhuma dúvida de que será absolvido por esse 'deslize', afinal ele é um autêntico petista e como todos os outros companheiros 'imune as leis dos homens'.

Penso que o pobre e infeliz Francenildo seja a única "pessoa politicamente exposta" que eu conheço... pensando bem têm as secretárias Lina Vieira, Fernanda Karina Somaggio (aquela do Marcos Valério, lembram-se?),... nossa estou me lembrando de mais gente, melhor parar por aqui antes que "a porta giratória comece a apitar"!

20/08/2009

Futebol, livros e rock'n roll

Soube que um dos meus ídolos do rock acabou de assumir a vice presidência de um time de futebol. Robert Plant (ao lado, vocês sabem de quem eu estou falando não?) agora é 'cartola' do Wolverhampton, que subiu da segunda divisão para a "Premier League". Nem mesmo 'a água na Guiness,' da derrota por 2 x 0 para o West Ham foi capaz de desanimar 'os lobos' que compareceram em peso para prestigiar o astro.
Será uma briga dificílima, já estou com o meu guia dos campeonato europeus que me acompanhará na minha viagem para a França no final do ano e com uma relação de jogos para assistir, espero que eu possa dar 'um pulinho' na Inglaterra para prestigiar 'os lobos' mas quero deixar claro que na terra da rainha eu seu 'red' desde criancinha (exceto naquele mundial contra o São Paulo óbvio!) e torço para os brasileiros Fábio Aurélio, Lucas e Diego se darem muito bem no Liverpool.

Até mesmo quem não acompanha futebol sabe o significado da palavra 'hooligans' para a torcida inglesa. Pois foi exatamente por causa deste fanatismo que a UEFA baniu o Liverpool por 6 anos (e TODOS os outros clubes ingleses por 5) de participar das competições européias em meados dos anos 80. O motivo foi uma final entre os não menos fanáticos torcedores da Juventus x Liverpool, ao perder por 1 x 0 os torcedores 'reds' começaram um quebra-quebra no estádio, encurralaram parte da torcida adversária que se refugiou atrás de um muro. Pois o muro caiu, matou 39 torcedores e deste então um sistema mais rígido de controle de torcidas foi instituído em toda a europa, que se não eliminou o problema pelo menos criou-se leis severas para punição. E por lá, meus amigos, estas leis funcionam; enquanto isto no Brasil...

Já assisti a uma partida dos 'reds' na Inglaterra 'pós-massacre', achei tudo muito inflamado mas felizmente sem sinal de violência, ao contrário de partidas que vejo do meu tricolor no Morumbi em que tenho de esperar mais de 1 hora para sair do estádio sempre com brigas e confusões não importa o adversário.
...

Falando em ingleses e futebol estou terminando de ler "Frenesi Polissilábico" de Nick Hornby, torcedor alucinado do Arsenal. Gosto de Hornby, já comentei por aqui sua 'derrapada' com "Slam" mas ainda assim curto seu estilo, "Alta Fidelidade" e "Febre de Bola" (totalmente sobre futebol!) são ótimos, populares e muitíssimo bem escritos.
"Frenesi..." é um livro sobre livros, de quando Hornby escrevia para uma revista de literatura ("The Believer") sobre os livros que leu, comprou para ler ou não leu. Daí vem as famosas 'listas' que são tão caras ao autor (quem leu "Alta Fidelidade" ou "O Grande Garoto" já viu muitas por lá) divididas e catalogadas por mês, como só um bibliotecário sabe fazer. Na abertura de cada capítulo (mês) vem descrito em colunas: 'Títulos Comprados' e 'Títulos Lidos', daí segue a lista de livros e o texto com observações sobre as obras e uma ou outra 'espinafrada' no melhor estilo inglês, como neste trecho:

- "O último refúgio do crítico picareta é qualquer versão da seguinte sentença: "Em última análise, esse livro é sobre a própria ficção/esse filme é sobre o próprio filme." Eu mesmo já usei essa frase, na época em que escrevia críticas sobre vários livros, e posso dizer que é tudo balela: invariavelmente o negócio significa apenas que o filme ou o romance chamou a atenção para o seu próprio estado ficcional, o que não nos leva a lugar nenhum, e é o motivo pelo qual o crítico nunca nos diz exatamente o que o romance tem a dizer sobre a própria ficção. (Da próxima vez que você se deparar com a frase, o que é provável de acontecer nos próximos sete dias caso você leia muitas resenhas, escreva para o crítico e peça que ele esclareça o que quer dizer.)"
...

Se joga:
"Frenesi Polissilábico", Nick Hornby/Editora Rocco R$ 33,00
Também acompanho os Blogs sobre literatura:
"Tudo Sobre Livros" e o ótimo "Razbliuto" do Daniel Lopes

12/08/2009

Eu também não sou ladrão!

Podem falar o que quiserem do Antônio Fagundes mas uma coisa é certa: ele é e sempre foi um sério homem de teatro.
Assisti a muitos espetáculos da sua "C.E.R" (Cia. Estável de Repertório) em meados dos anos 80, eram super produções assinadas pela nata do teatro nacional: Flávio Rangel, Antônio Abujanra, Ulysses Cruz (com o lindo "Fragmentos de um Discurso Amoroso" que vi muitas vezes) e até mesmo Gerald Thomas ("Carmen com Filtro").
Pois foram mais ou menos uns 10 anos de uma empreitada produtiva e com excelentes temporadas pelo Brasil, coisa que poucos artistas são capazes de realizar com tamanha seriedade.

A C.E.R. (e vários outros grupos importantes, como o Boi Voador onde comecei) poderia estar na ativa até hoje se não fossem os desmandos burocráticos e a falta de uma política cultural de vários governos. Fagundes hoje monta o que quer e quando quer sem preocupações trabalhistas ou muito menos ter que precisar passar por reuniões em departamentos de marketing para obter patrocínios. Ele mesmo banca!

Por que? Está cansado de ser chamado de ladrão! Nesta entrevista para a "TV Estadão" ele também diz porque dispensou a Lei Rouanet e deixa no ar uma pergunta que já cansei de me fazer:
- "(...) Será que lá na Lei Rouanet têm alguém que já tenha feito teatro na vida?"

Eu sei a resposta Fagundes e é um redondo: claro que não!
Se para ocupar o Ministério das Minas e Energia (considerado de muito mais 'prestígio') não precisa entendar NADA da área imagina os 'kafkianos' burocratas do Ministério da Cultura?
Pensando bem, tivemos um ministro 'do meio' que, para mim, foi uma decepção vergonhosa. Este assunto me irrita deveras, só digo uma coisa antes: o meu sonho num futuro breve é também produzir os meus próprios espetáculos e NÃO PRECISAR DEPENDER DE LEI DE (DES)INCENTIVO NENHUMA!

Bem, fiquem com a entrevista:

09/08/2009

Figura da Hora/"Revista da Folha"



09/08/2009

( figura da hora )

ATOR, DIRETOR E ILUMINADOR, CAETANO VILELA ASSUME A DIREÇÃO DE NOVO ESPETÁCULO DA CIA. DA ÓPERA SECA, DE GERALD THOMAS

Caetano Vilela em ação no teatro São Pedro, onde dirigiu um espetáculo em junho passado

na contramão

por Leticia de Castro / foto Jefferson Coppola

Ele é um sujeito inquieto e um tanto ambivalente. Ganhou dois prêmios como iluminador de teatro. Em sua casa, as lâmpadas pendiam do teto por um fio até há bem pouco tempo.

Caetano Vilela, 40, dirigiu mais de 50 óperas. Nas horas livres, só ouve rock. Considera-se um ser urbano, morou mais de 20 anos no centro de São Paulo. Agora, está construindo uma casa na serra da Cantareira, para onde vai se mudar em busca de tranquilidade.

"Não confio em pessoas muito decididas e lineares. O artista é um ser contraditório por natureza", diz o ator, diretor e iluminador de teatro, que desponta como um dos grandes nomes da ópera no país.

Acaba de assumir a direção da Companhia da Ópera Seca, criada por Gerald Thomas em 1986. A primeira empreitada começa na próxima semana com os ensaios de "Travesties", adaptação do texto do dramaturgo britânico Tom Stoppard.

Será seu primeiro grande trabalho como diretor de teatro e também a primeira vez que outra pessoa assume a companhia. "Já era mais que hora de diversificar", afirma Gerald. "E ele é o mais indicado pra colocar ideias novas ali."

O polêmico diretor é só elogios a Caetano. "Ele é simplesmente genial", derrama-se. "Passamos grande parte do tempo das nossas vidas confidenciando fraquezas, verdades, seguranças e inseguranças, ideias etc."

"Travesties" mostra um encontro fictício entre três personalidades do século 20: o escritor James Joyce (1882-1941), o líder comunista Vladimir Lênin (1870-1924) e o poeta dadaísta Tristan Tzara (1896-1963). No texto, o trio -que na vida real chegou a morar na mesma cidade, mas nunca se conheceu- se reúne durante a Primeira Guerra Mundial. Discute a função política do artista e o papel da arte em regimes totalitários.

"Tudo o que faço tem uma conotação política", diz Caetano. "Não sou de levantar bandeiras, mas o artista tem que refletir o seu tempo."

Em dezembro, ele faz sua estreia em uma produção europeia. Assina a iluminação do musical "A Noviça Rebelde", que ficará em cartaz no teatro do Chatelet, em Paris, com direção do renomado Emilio Saggi, diretor que ele conheceu em Manaus.


Santíssima Trindade
A possibilidade de transitar entre ópera, teatro, direção, atuação e iluminação é resultado de mais de 20 anos de uma carreira iniciada no grupo Boi Voador.

Passou ainda pelo que chama de "Santíssima Trindade" do teatro paulistano. Trabalhou com José Celso Martinez Corrêa, do grupo Oficina, na montagem de "Ham-let". Depois, foi a vez de Antunes Filho. "A primeira coisa que ele me falou foi que eu tinha que esquecer o teatro que fazia. Porque eu não sabia andar, não sabia falar, não sabia nada."

Para pagar as contas, foi garçom de um restaurante e gerente de casa noturna. Ficava da meia noite até 7h no clube. Às 10h, tinha que estar no teatro. "Era o máximo! Mas depois de dois anos e meio não conseguia mais."

Exausto, Caetano deu um tempo no teatro e abriu uma produtora de eventos com uma amiga. Foi quando conheceu Gerald Thomas, fechando a "Trindade". Nessa época, o iluminador da companhia estava se desligando do grupo e abriu espaço para Caetano, que ficou três anos na função. "Criava luz, era ator, diretor adjunto. Fazia de tudo."

O artista passou a se dedicar às óperas após um convite do diretor Iacov Hillel. Nos últimos 11 anos, iluminou mais de 50 espetáculos e fez a direção cênica de alguns deles.

Mesmo em montagens eruditas, ele não perde a oportunidade de misturar o universo pop. Em "La Cenerentola", de Rossini, em 2007, Caetano homenageou Michael Jackson, colocando o coro para dançar a coreografia de "Thriller".

No ano passado, montou "Ça Ira", ópera de Roger Waters, líder do Pink Floyd, e conseguiu levar o músico a Manaus para acompanhar os ensaios e a apresentação. "Foi a experiência mais incrível da minha carreira."

Roqueiro de formação e de coração, Caetano teve o primeiro contato com a música erudita por acaso, em uma loja de discos na praça da Sé. Tinha 15 anos e trabalhava como office-boy. "Entrei na loja e estava tocando 'Lakmé' [ópera de Léo Delibes]. Fiquei encantado", lembra.

O disco era caro. O vendedor falou de uma rádio especializada em ópera, que virou ponto obrigatório no dial do então adolescente.

Além do centro
Filho de comerciantes do Brás, Caetano é o único artista da família. Quando percebeu que não iria assumir os negócios, tomou rumo próprio. Saiu de casa aos 22 anos para dividir um apartamento na avenida São Luís com quatro colegas do teatro.

"O centro sempre foi o meu QG. Todos os teatros e salas de ensaio estão lá", diz. Agora, se prepara para abrir mão do caos criativo da cidade. Vendeu seu apartamento na rua Nestor Pestana e comprou um terreno na Cantareira. "Ninguém está acreditando que vou sair", conta. "Se eu sentir falta, volto. Não dependo mais do centro para criar."

Apesar do desejo de isolamento, Caetano não se desconecta. Há quatro anos criou um blog (www.caetanovilela.blogspot.com). Também está no Twitter, no Facebook, no Myspace e no Orkut. Gosta de repetir uma frase do Marcelo Tas: "A internet dá coerência". Em meio ao caos cibernético, ele se entende.

"A primeira coisa que o Antunes Filho me falou foi que eu tinha que esquecer o teatro que fazia"


02/08/2009

E a história se repete, em ouro e descaso

Cielo mostrando o "V" da vitória, quem chora agora é você! Mais, aqui

Em agosto/setembro do ano passado escrevi aqui 3 posts sobre o ouro de César Cielo nas Olimpíadas, minha opinião reiterava com a de vários colunistas que davam a vitória única e exclusivamente ao lindo e emotivo atleta paulista:

Em 16/08/08: "Ouro del Cielo"

- "(...) Cielo será agora um exemplo (ainda que fugaz) como o foi Guga para o tênis após conquistar Roland Garros, pena que o Brasil trate tão mal atletas de ponta como eles! Já estou até vendo os discursos costumeiros de autoridades esportivas (se é que temos alguma confiável) e 'papagaios-de-pirata' de plantão prometendo mundos e fundos para a natação no país, tudo 'tiro n'água'.
Para continuar na linha de frente dos melhores do mundo César Cielo continuará competindo e estudando em universidades estrangeiras e faz muito bem, aliás acho errado dizer que ele "deu o primeiro ouro ao Brasil" neste nosso ufanismo egoísta, essa medalha é única e exclusivamente dele e de sua equipe americana, mérito próprio que jamais tirará o brilho deste lindo paulista emocionado."


Em 28/08/2008: "Você também pensa assim?"

Comentei a crônica na "Folha de S.Paulo" de Contardo Calligaris que dizia:
- "A performance dos atletas é um exercício de clareza e de controle de si. Certo, para a maioria, o caminho até lá é uma gincana de sacrifícios, conflitos familiares, dramas íntimos e buscas de patrocínio."

Em 02/09/2008: "Conta outra agora"
Cielo declarava:
- "Continuo com a mesma conta bancária de antes. Desde que me tornei profissional, em março, paguei tudo: alimentação, hospedagem e até o meu técnico [o australiano Brett Hawke]."

No caderno de Esporte do "Estadão" de hoje o narrador da Sport TV Milton Leite novamente toca no tema crucial que marca este governo e batiza seu artigo com um título objetivo e direto, "A falta de uma política esportiva":
- "(...) Claro que acontecerá uma visita ao presidente - com seu ministro do Esporte sorridente ao lado. Tapinhas nas costas, milhares deles, de cartolas e oportunistas de plantão. Mas a família Cielo sabe bem o trabalho que deu transformar César em campeão olímpico em Pequim e agora campeão e recordista mundial em Roma. (...) A política do governo é determinar que companhias estatais (...) gastem verbas cada vez maiores para bancar seleções de diversas modalidades, sempre no alto da pirâmide (...) o esporte brasileiro deveria começar na escola ... não só porque contribuiria para a formação de uma população mais saudável e educada, mas também para garimpar os talentos esportivos (...)"
...

E daí vai no mesmo modelo a "Bolsa Cultura", mas isso já é uma outra história, embora tenha o mesmo final que eu já conheço.

31/07/2009

Uma Certa Melancolia e uma Infinita Tristeza

Fecho o mês de julho mais triste do que contente.
A morte de um grande amigo e as mortes de grandes artistas deixaram este chuvoso inverno paulistano bem mais melancólico e insuportável. Sim aconteceram coisas boas: viagens (exterior), mudança (interior, digo no sentido literal - Atibaia - e físico - introspecção) e lançamento de novos projetos. Mas tem uma coisa que só pode ser uma espécie de antecipação do meu inferno astral que me paralisa e exige de mim uma força hercúlea para que meu ócio não sucumba numa inércia depressiva.
Não acontecerá, mas que é forte, ah isso é!

Enquanto isso, para mandar este julho nebuloso embora de uma vez, ouça uma música que tem tudo a ver com estes dias. Do melhor álbum do mundo ("Mellon Collie and the Infinite Sadness"), "Take me Down", com uma das melhores bandas de rock do planeta: "The Smashing Pumpkins".

18/07/2009

"Sobre a Brevidade da Vida": os ensinamentos de Sêneca

"Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu talvez te espantes, a vida é um aprender a morrer"/Sêneca

De Madrid - Quando eu era adolescente minha literatura de 'auto-ajuda' era os filósofos e pensadores da Antiguidade, tenho meu volume de "Sobre a Brevidade da Vida", de Sêneca já bem gasto e repleto de grifos e anotações de uma adaptação para teatro que fiz quando dava aula de interpretação para adolescentes em 'Casas de Cultura' municipais. Indicava este e outros filósofos para que eles descobrissem que o que foi escrito séculos atrás também poderíamos aplicar no nosso cotidiano. Coisas como:
- "O homem vive preocupado em viver muito e não em viver bem, quando na realidade não depende dele o viver muito, mas sim o viver bem".

Sêneca discordava em linhas gerais de que "a vida é breve", pois acreditava que o homem 'ocupado', aquele que só pensa no trabalho, é que 'abreviava' a vida. O verdadeiro 'elixir' estava na dedicação sábia em cultivar o ócio (coisa que o escritor italiano Domenico de Masi dois mil anos depois transformou no best seller "Ócio Criativo").
Às vezes (re)avaliamos nossas vidas depois que somos abalados por catástrofes ou tragédias em algum lugar do mundo, seja a queda de um avião ou a destruição de uma cidade por uma enchente ou furacão. Em situações assim nos damos conta de que não somos e nem representamos absolutamente nada no Universo e que se trabalhamos para acumular riqueza e propriedades de nada nos servirá com um destino assim trágico.

Minha natureza me põe sempre em transformação constante, quando me sinto muito seguro na minha vida me sinto também de uma certa forma 'acomodado'. Coisa que já narrei por aqui em diversas situações pessoais e profissionais.
Neste exato momento, pela primeira vez na minha vida, aproveitei uma reunião de trabalho na Espanha e me estendi por mais 10 dias simplesmente para repensar minha vida (como já disse, vendi meu apartamento e começo a construir uma nova casa), carreira (na Europa e no Brasil com a Cia. de Ópera Seca) e simplesmente não fazer nada, conhecer novas pessoas, ir a museus, etc...
Daí soube da morte de um grande amigo, Franco Bueno, tão jovem aos 29 anos! Mesmo sabendo da gravidade do seu estado, notícias assim me parecem um tanto irreais e torno eu, mais uma vez, a reavaliar a minha vida!

Amanhã a noite volto para o Brasil num longo voo, e como nunca sei o que pode acontecer, fico muito feliz por ter conhecido pessoas como Franco Bueno.
Para Sêneca só somos livre quando aceitamos nosso destino e encaramos a morte como uma coisa natural, não sei se é o momento mas por enquanto para mim a morte tem me parecido um pouco injusta.
Acho que ainda tenho muito a aprender!

Franco e Eu testando fotos pelo 'photo booth' do meu Mac
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Se Joga:
"Sobre a Brevidade da Vida"/Sêneca: L&PM Editores/R$ 8,00

17/07/2009

FRANCO BUENO (1980-2009)

De Madrid - Ia escrever mais sobre os meus dias aqui na Espanha quando soube que o pianista, e meu grande amigo, Franco Bueno faleceu esta tarde no Brasil, vítima de câncer aos 29 anos!
Estou desolado e chocado com esta injustiça tão grande do destino.

Eu fazia parte de um grupo muito pequeno de amigos que acompanhava a batalha do Franco contra um linfoma que surgiu em seu corpo há quase 2 anos.
Quando nos conhecemos 4 anos atrás, por conta do Festival Amazonas de Ópera (ele era o braço direito do maestro Luiz Fernando Malheiro na preparação musical dos cantores) houve um sintonia imediata, nosso humor era muito parecido, por vezes 'agressivo' demais para quem não nos conhecia muito bem.

Por conta também do seu tratamento este ano ele não pode ir para o FAO, embora insistisse que estava bem, seu médico não recomendou a viagem e disse que seria arriscado para a sua frágil saúde. Ligava para ele e contava como iam os ensaios e os 'fuxicos' da semana para distraí-lo, pois sabia que ele estava muito triste em não estar conosco. Sua voz já estava bem diferente, resultado de sessões de químio e radioterapia e ele se cansava rápido... mesmo assim, juro que achava que ele venceria essa luta.

Para mim era (e ainda é) inadmissível que uma doença sorrateira possa destruir tão rápido uma pessoa jovem e talentosa de forma tão avassaladora!
A última vez que nos falamos foi quando o Michael Jackson morreu. Ele sabia que eu era fã de 'MJ' e me ligou do hospital para me consolar, como eu ia viajar logo em seguida combinamos de nos encontrar na minha volta.
Infelizmente eu não estarei no seu velório nesta noite (ele será cremado na Vila Alpina) mas meu coração e as minhas lembranças são dele!
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Franco sempre lia este Blog e me ligava rindo das coisas que escrevia, por vezes ele comentava assinando com a abreviação do seu nome "FB". Foi assim que ele comentou um post que fiz em fevereiro sobre o diretor alemão Christoph Schlingensief (leia aqui!) também vítima de câncer mas que conseguiu sobreviver ao tratamento. Lá eu falava da experiência diferente que tive em trabalhar com o diretor e de como ele queria a luz do espetáculo, "A luz é como a vida, se modifica a cada dia".
Daí o comentário:

- "FB disse...
Arrasou peeee!!!!
Bonito mesmo isso da vida eh como a luz, se modifica a cada dia. Levo sempre como exemplo a sua luz, um dia melhor que o outro. Vc sabe do que estou falando.
Assim a gente aprende!
Love"
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Arrasou você "peeeee" (sempre nos tratávamos assim, era uma 'private joke'), sim eu sei do que você está falando. Nunca me esquecerei da sua amizade, talento, beleza, humor e inteligência! Love

15/07/2009

Gaudí (ou: quando a Arquitetura se transforma em Obra de Arte)

De Barcelona - Antoni Gaudí (1852-1926) era um maluco visionário, homem que elevou a arquitetura para a categoria ARTE. Se existisse alguma dúvida sobre isso, ela se dissiparia quando se entra dentro da "Casa Milà" - mais conhecida como "La Pedrera" - aqui, você tem certeza que está dentro de uma escultura!
"La Pedrera" é um conjunto de apartamentos residenciais construído entre 1906/10 e foi o 'cartão de visitas' de Gaudí. Uma exposição dentro do prédio mostra sua fonte de inspiração: esqueletos de animais, conchas marítimas, árvores, etc... o mais louco é que você vê a inspiração e a reconhece nas formas construídas. Nem precisa dizer que o próprio catalão foi também 'fonte de inspiração' para centenas de arquitetos do planeta, em São Paulo alguns prédios assinados por Artacho Jurado (Edifício Bretagne/Higienópolis ou Edifício Viadutos/Centro) tentam chegar perto do Mestre.

Abaixo, algumas fotos desta verdadeira 'masterpiece':

POR FORA


POR DENTRO

POR CIMA






Aqui, a "Sagrada Família" vista do terraço da Pedrera

CASA BATLLÓ

Já exausto de tanto caminhar, me contentei apenas com a fachada da "Casa Batlló", outra construção de Gaudí. Preferi gastar os 17 euros (!!!mais caro que qualquer museu que fui¡¡¡), numas 'tapas' na esquina
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Leia também no "Viralata Reloaded" mais sobre os meus dias na Espanha:
- Teatro Liceu, "o gelo que incendeia" a Ópera

Uma cidade precisa de "mas amor" e nada mais

De Barcelona - OLHAR URBANO

Embora atravessar as ruas de Barcelona seja um 'esporte arriscado' (o arquiteto símbolo da cidade, Gaudí, morreu atropelado) o melhor que recomendo na cidade (aliás, em qualquer cidade que você seja turista pela primeira vez) é se perder pelas ruas estreitas, seguras e cheia de história. Sempre faço isso, é a melhor forma de conhecer qualquer lugar, nada de guias chatos e um monte de turista enclausurados num ônibus. Apenas para não me perder do hotel, identifiquei onde está a praia e a montanha e elegi um 'prédio símbolo' bem alto ("El Corte Inglés") para localização e pronto, caminhei por mais de 4 horas até me cansar. Fiquei tão orgulhoso de mim que até dei informação para uns turistas perdidos (3 no total, 1 casal de dinamarqueses e 1 argentino 'guapíssimo'), tá!

De repente é assim, você está caminhando e 'topa' com uma muralha romana do século IV d.c., claro que com um guindaste gigante ao fundo. Parece que 'guindastes' são o símbolo da cidade, sempre em reforma e construção, estão presente em simplesmente TODOS os lugares por onde você passa.

Mesmo com imóveis milenares, você ainda encontra espaços reservados para propaganda de shows, produtos, lambe-lambe, 'stickers', etc

E até agora o meu preferido e sério candidado a 'calendário do próximo mês' no Blog, afinal só precisamos de "mas amor", não importa onde vivamos!

"Sagrada Família": Nem subi!

De Barcelona - Das minhas viagens pelo mundo sei que não subi na "Torre Eifell", nem no "Empire State Building" ou "Estátua da Liberdade", muito menos na "Space Needle" (Seattle). Desta vez não subi na "Sagrada Família" em Barcelona.
Bom, depois de 30 minutos numa fila imensa, debaixo de um sol escaldante, paguei 11 euros para entrar dentro do templo inacabado de Gaudí e ícone de Barcelona. Já dentro vi um exército de trabalhadores em ação isolados por telas e 'guarda-corpos' do exército de turistas. Havia uma outra fila que serpenteava, imensa, na frente de um pequeno elevador (4 a 5 pessoas por vez) que custava mais uns 3 euros. O único acesso era por este elevador já que por questão de segurança não se pode subir pelas escadas, resultado: 120 minutos de espera! Juro que tentei, mas depois de uns 15 minutos me senti meio idiota no meio daquela fila babélica e faminto - e já cansado de 'bater perna' - desisti.

Para quem não sabe, ainda levará mais uns 30 anos para que tudo esteja pronto. Sendo assim me contentei em ficar observando todos os detalhes daquele 'work in process' todo. Só imaginava que espetáculo o Antônio Araújo podia fazer por aqui, seria genial uma 'intervenção artística' neste lugar!
Abaixo, as fotos que pude tirar. 'Enjoy':

FACHADA
Devo confessar que só pensava no "Batman" do Tim Burton.


PORTAS DE ENTRADA


VITRAIS


WORK IN PROCESS

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- Leia também no "Viralata Reloaded": "Enquanto isso em Barcelona"
- Todas as fotos by Viralata

14/07/2009

Zico Corrêa: O replicante furista do "Le Parkour"

De Barcelona - Já havia visto uma entrevista dos caras que fizeram este curta metragem sobre o "Le Parkour" em São Paulo, daí vem o meu amigo 'twitter' Julio Cesar Borges e 'linka' o video "Samparkour" dirigido por Wiland Pinsdorf. Em uma palavra: VERTIGEM!



Com uma edição de som e uma trilha sonora fantástica Pinsdorf registra a cidade de São Paulo como se ela fosse uma sequência, sem chuva, da futurista Los Angeles de "Blade Runner". O detetive Deckard (Harrison Ford), teria um trabalhão danado em alcançar o 'replicante futurista' Zico Corrêa pela cidade!
Voando, escalando e saltando por entre viadutos, prédios, paredes e praças que são cartão postal do centro de São Paulo, Corrêa nos assombra e chega até a provocar taquicardia, como na impressionante sequência de uma 'parada-de-mão' no topo do Edifício Copan, sem nenhuma rede de segurança, veja abaixo nesta sequência de fotos que tirei do video:


Waall, não tentem fazer isto na sacada do seus prédios 'guys'!
Abaixo o video na íntegra, 'enjoy':

SAMPARKOUR from Wiland Pinsdorf on Vimeo.

09/07/2009

Juan Muñoz, uma retrospectiva plástica e teatral

De Madrid - Sei que o termo 'instalação' pode parecer um pouco saturado hoje em dia para artistas conceituais exporem suas obras, mas como classificar as experiências de Joseph Beuys, ou do multidisciplinar (e sempre subestimado) Wharhol, ou a arquitetura escultural de Richard Serra, ou..., ou..., ou a Retrospectiva do grande artista espanhol Juan Muñoz (1953-2001) no "Museo Reina Sofia/Madri" até 31 de agosto.
Quando houve a grande exposição na Pinacoteca/SP "de Picasso a Barceló", algumas obras de Muñoz foram expostas também como num painel das artes espanholas até os anos 90, quem viu não esqueceu, eu vi e guardei este nome. E claro que na minha peregrinação pelos museus de Madri o primeiro que estava na minha lista era justamente o Reina Sofia, menos pela "Guernica" 'picassiana' (ordas de turistas no segundo andar deixou estreito a grande sala) e muito mais pelas 'instalações' espalhadas por todos os espaços do museu.

Dos acessos pelas escadas (com 'homens enforcados' pendurados), jardins, salas, alas, mezaninos e outros esconderijos que descobríamos e nos surpreendíamos aos poucos, esta retrospectiva de Juan Muñoz mostrou 'um pouco de tudo' do seu imenso talento. Claro que empre falta alguma coisa, e para mim, faltou sua produção dramatúrgica. Textos ora beckettianos, ora pirandellianos escritos para rádio, orquestra e solos interpretados por ele mesmo. A sorte é que encontrei estes textos numa edição única na livraria do museu!
Quem sabe não está nascendo outro projeto por aí?

Para quem não pode ir mando algumas fotos para ter uma ideia da teatralidade do cara. 'Enjoy'!





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Todas as fotos acima by Viralata

07/07/2009

Uma "Bodas..." bem 'sevilhana' em Madrid

De Madrid - Ainda zonzo pelas quase 11 horas de viagem, com 1 hora de atraso, 5 horas de fuso horário e mais 30 minutos de entrevista na polícia do aeroporto espanhol (sim, eu 'levantei suspeita'!), cheguei em Madrid e fui direto para o Teatro Real onde Emílio Sagi ensaiava o primeiro pré-geral com o segundo elenco da ópera "Le Nozze di Figaro/As Bodas de Fígaro" de Mozart.

O que vi, e compartilho com vocês, foi um espetáculo elegantíssimo de muitíssimo bom gosto, como o são todas as produções de Sagi, como por exemplo: "Pan y Toros", Zarzuela que vi em Santiago e comentei aqui e a abertura deste ano do XIII FAO com "Sansão e Dalila", que também já cansei de repetir que foi estupenda!
Sagi, que tem uma alma 'gitana' deu ao espetáculo um tom 'sevilhano' que muitos encenadores ignoram (a história se passa em Sevilha) e que só fez enriquecer uma ópera que é tão representada pelo mundo. Em Manaus mesmo fizemos uma "Nozze..." dirigida por William Pereira (moderna, com as ações no interior de uma mansão neo-clássica entre a ala nobre e a lavanderia dos 'plebeus') e iluminada por mim que foi um sucesso tendo sido repetida no Teatro S.Pedro pouco depois.

Pois a montagem de Sagi é clássica e sensorial (sobretudo o IV Ato), com figurinos de época e um cenário que evoca a arquitetura espanhola de séculos passados. Descortinando o libreto 'setecentista' de Beaumarchais e revelando ações paralelas do 'povo sevilhano' em pequenos detalhes em segundo plano a encenação consegue prender a atenção mesmo considerando que a ópera é realizada na versão integral (quase 3h30), sem cortes, com todos os recitativos e 'árias perdidas ao acaso' de reedições pouco críticas (é amigos, ópera tem destas coisas).

Abaixo cenas do ensaio geral da ópera. 'Enjoy'!

Cortina de Abertura do espetáculo "Le Nozze di Figaro". Pintada numa tela 'Rosco', aquelas que se iluminadas por trás se torna transparente, esse 'telão de cortina' revela sutis mudanças de cenas

I Ato, o exterior (ensolarado num segundo plano) atrás das imensas portas e a 'ala dos empregados' com Fígaro (Fabio Maria Capitanucci) num primeiro plano com uma luz mais contrastada

II Ato, Quarto da Condessa (Eva Mei)

III Ato, Cena Casamento, Conde (Mariusz Kwiecien) e Susanna (Cinzia Forte) acima e abaixo Suzanna e Figaro carregada pelos bailarinos

IV Ato, O Jardim, primeiro plano Condessa e Conde com todos os outros casais e 'co-primários' da história na cena final. Infelizmente esta foto não tem o som dos grilos e da água da fonte, ao fundo, e muito menos o cheiro que exala por todo o teatro de essência de flor de laranjeira (truque possível usando a saída de ar da central do 'ar condicionado' da sala)

video

E por fim, um pequeno video da cena do casamento de Fígaro e Suzana onde Emilio Sagi, numa licença poética, com anuência do maestro Jésus Lópes Cobos acrescenta à cena castanholas e uma coreografia típica de casamento espanhol. Tudo a ver!
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Se joga:

Ópera: "Le Nozze di Figaro"
Direção Musical e Regência: Jésus Lópes Cobos
Direção Cênica: Emilio Sagi
Cenografia: Daniel Bianco
Iluminação: Eduarto Bravo
Figurinos: Renata Schussheim
Coreógrafa: Nuria Castejón

Teatro Real Madrid/Espanha (11 a 27 de julho)
www.teatro-real.com
infoteatro@teatro-real.com
...

Todas as fotos by Viralata, realizadas no primeiro pré-geral no dia 06/07 e o vídeo no ensaio do dia 07/07 com Ludovic Tézier (Conde) e Luca Pisaroni (Fígaro) no Teatro Real/Madrid

02/07/2009

"Sonrisas y Lagrimas" ou "The Sound of Music" ou "La Mélodie du Bonheur", ou...

... "A Noviça Rebelde" em Paris!

Depois de trabalhar em importantes teatros no Brasil, Portugal, Inglaterra, Chile, Espanha, Argentina, Colômbia e Uruguai apresento minha 'nova casa' na França: o Théâtre du Châtelet

Começo a arrumar as malas, neste domingo embarco para Madri para uma reunião de trabalho. Assinarei a luz de uma nova produção do musical "A Noviça Rebelde" que estreará no Théâtre du Châtelet em Paris, um dos mais importantes teatros da Europa. A direção será do espanhol Emilio Sagi que me convidou depois que trabalhamos juntos na abertura do XIII FAO deste ano, onde ele dirigiu "Sansão e Dalila".

Como eu sou o único brasileiro da equipe de criação e todos os outros profissionais envolvidos são da França ou Espanha, decidiu-se que Madri era o 'meio do caminho' para uma apresentação do projeto (maquete, croquis, etc...) antes dos ensaios de palco que acontecerão em Paris no final de outubro. A estréia está prevista para o dia 06 de dezembro em temporada até 03 de janeiro de 2010.
Fico duas semanas na Espanha, uma em Madri para as reuniões e outra em Barcelona ('dando close' que eu não sou de ferro), depois vou direto para Paris no começo de novembro e fico até final de janeiro.

Para estas duas semanas na Espanha não planejei nada além do trabalho, vou perambular pelos museus (Prado e Reina Sofia que eu já conheço de cor e de trás pra frente de uma temporada madrilenha em cartaz com o Grupo Macunaíma do Antunes Filho), ruas, bares, estádios de futebol, teatros e, claro, ópera; Emilio Sagi dirige para o Teatro Real em Madri "Le Nozze di Figaro"/Mozart e eu estarei presente na estréia, dia 12.

Segundo Sagi, "el musical ‘The sound of music’ (Sonrisas y lágrimas). “Me parece una partitura maravillosa aunque es muy complicada. Existen otras producciones como las de Londres o Viena pero espero que la nuestra ofrezca una visión particular”.
É o que eu também quero oferecer, uma visão particular de um espetáculo bastante conhecido num teatro que prima por produções bastante requintadas e com um nível de exigência acima da média.

Como disse anteriormente estou numa fase ótima da minha carreira e esta viagem veio bem a calhar. Afinal não é sempre que podemos passar natal e réveillon trabalhando... 'dans Paris, évidentement'!
...

* O título deste post traz as traduções para "A Noviça Rebelde" da forma como ela é conhecida na Espanha, EUA e França respectivamente.

30/06/2009

PINA BAUSCH (1940-2009)

O mundo não perdeu apenas uma coreógrafa moderna com a morte de Pina Baush, perdeu uma ARTISTA que era uma 'filósofa' do corpo, ou mais: uma poeta, visionária, esteta, radical e muitos outros adjetivos que só engrandecem o seu trabalho.
Não é à toa que Pina é uma ARTISTA super-imitada por atores, diretores, coreógrafos, cineastas, pintores e todo e qualquer artista que "pensa" a ARTE.

Os espetáculos que não pude assistir pessoalmente vi em video e sempre ficava boquiaberto! Suas criações sempre carregavam aquela 'simplicidade complexa' e não era incomum ouvir de outros artistas frases do tipo: "por que não pensei nisto antes?"
Pois é, como não pensavamos antes dela então era mais fácil imitá-la para descobrir nossa própria identidade.

Como por exemplo: um campo de cravos, uma fila de bailarinos correndo para um microfone num pedestal e ao invés de falar algo se expressavam na linguagem dos surdos-mudos, uma mulher vestida de bexigas de gás, água, fogo, terra e ar, cadeiras, bailarinos 'que falam', cenas de guerra, antropologia teatral captada de vários Países por onde passou, etc, etc, etc,...

Saí coberto de lama de uma apresentação sua anos atrás no Municipal de S.Paulo, anos depois assisti a um ensaio de "Para as Crianças de Ontem, Hoje e Amanhã" no Teatro Alfa/SP e ela não parava de fumar na platéia, sentada atrás de uma mesinha compenetradíssima. Juro que quase não olhava para o palco, ficava encarando aquela figura frágil e pálida reagindo aos passos e gestos dos seus bailarinos.

Para quem nunca teve oportunidade de assistir ao vivo a "Pina Bausch Tanztheater Wuppertal" o mesmo Teatro Alfa traz agora em setembro, dentro de sua série de assinaturas, dois importantes espetáculos dos anos 70 que ajudou a imprimir a 'marca' Bausch no mundo: "A Sagração da Primavera" música de Igor Stravinsky e de 1975 e "Café Müller" de 1978.
Não percam por nada deste mundo!
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P.S.: Que desgraçado mês de junho interminável este!