25 de jun de 2007

Estamos em Manutenção!

No caderno de Economia do Estadão deste domingão saíram duas reportagens que de certa forma se complementam, falando da primeira: a falta de projetos executivos* para infra-estrutura do País. Apenas nas áreas de transporte rodoviário, de produção de energia elétrica e de saneamento representam 65 bilhões de novos investimentos no setor. A falta de projetos executivos vem desde os anos 80, resultado de um descaso no setor de infra-estrutura brasileira – o que explica o caos em portos, rodovias, ferrovias, energia, saneamento e habitação nos últimos anos.

Depois que o governo apresentou o PAC, que prevê investimentos de 503 bilhões em infra-estrutura, é que começou a perceber a falta de estudos e projetos para vários setores, e o pior é que Lula pode nem colher os louros dessa jogada de marketing já que um projeto para o setor de energia, por exemplo, leva de 2 a 3 anos e no de transporte 6 a 12 meses para ser elaborado, dai conta-se o tempo de licitações e execução.

Correr contra o relógio, é o que o governo tem feito agora, e começa a implorar para governadores e prefeitos enviarem projetos em áreas já divulgadas para somar um “estoque de projetos”, como pretende a ministra Dilma Rousseff. O problema é antigo e já foi infinitamente divulgado: não temos planejamento. O PAC, por exemplo, é um programa de realização de obras e não de planejamento. Não temos planejamento na pasta da Cultura, Educação, Trabalho... nada. Será que foi pra isso que Lula nomeou o bufão arrependido Mangabeira Unger para o SEALOPRA (Secretaria de Planejamento de Longo Prazo)?

Sabemos que não, mas para não sermos pessimistas reconheçamos que o governo assumiu a falta de projetos específicos para áreas muito importantes e não saiu por ai distribuindo verbas para empreiteiras loucas para realiza-las. Não que isso não aconteça, é esperar pra ver.


A outra reportagem é sobre um grupo de cientistas brasileiros que lutam desde os anos 70 para tornar o álcool combustível, “As Mentes Brilhantes do Etanol Brasileiro”. Hoje Lula sai pelo mundo pregando a necessidade de uma nova fonte de energia, não poluente e barata. Os Estados Unidos, por exemplo, fazem o combustível a partir do milho e por meio de energia tirada do carvão ou gás natural – processo duas vezes mais caro que o brasileiro.

A matéria é reveladora quando nos resume os mandos e desmandos da época do regime militar, o surgimento e a morte do Proalcool, desvios de verbas para usineiros, descrédito, projetos abandonados, enfim o Brasil em sua melhor cor.

Encerra a reportagem uma entrevista com José Walter Bautista Vidal, físico, com um humor involuntário nos brinda com varias frases deliciosas:
-“ Fui professor de metade da cúpula da Petrobras e posso dizer que alguns cérebros brilhantes do Pais estão ali. (...) O cérebro deles não é flex, não se pode colocar ali gasolina e álcool.(...)”

Enquanto Lula sai pelo mundo com um discurso monoglota sobre as maravilhas da energia alternativa o físico observa a falta de “projetos de infra-estrutura” para o setor e estranha que dentro da composição do governo Lula “não tenha um único ministro que entenda de etanol”. Segundo ele, há paises como Alemanha e Japão interessados em ver o Brasil com um projeto alternativo, mas ele é reticente quando se trata de Lula e seus ministros. Bautista Vidal teve, há 2 meses, um encontro com o presidente e achou ele “até inteligente”, mas saiu de lá como entrou: crítico.

*Projeto Executivo: composto de desenhos desenvolvidos para orientar a construção da obra. É o guia de toda construção, nele estão reunidos o projeto arquitetônico e projetos complementares. Tem todo o detalhamento da obra, inclusive o valor do investimento.

Fonte: Jornal Estado de S.Paulo (24/07), repórteres: Renée Pereira e Angélica Santa Cruz

24 de jun de 2007

Como se acaba um relacionamento?


Putz difícil né... se terminar um relacionamento é dificílimo pior é terminar algo que nem começou. Uma “ficada”, uma “aposta”... ainda não aprendi esse código de conduta de como, quando e com quais palavras encerrar, romper, por um ponto final. Tenho amigos que simplesmente desaparecem e dão por encerrado namoros de anos, “ficadas” então nem satisfação, parece que é assim mesmo. Hummmm...

Acabei de receber um e-mail de uma “aposta-que-não-deu-certo” (desde o começo de 2006 eu não sabia dele!), ele queria saber como eu estava e tal, foi muito gentil e querido, simplesmente bateu aquela saudade. Aquelas que batem quando já é de madrugada e você repassa sua agenda de endereços inteira para ver quem já foi importante na sua vida e hoje não faz mais parte dela. Ou talvez, sei lá, quem sabe o cara ainda tá solteiro e ...

Bom o lance é que com aquele e-mail veio um anexo com as ultimas correspondências que a gente trocou (sim, ele tinha guardado!) e claro que quando se re-lê esse tipo de coisa você começa a lembrar do que poderia ter dito e não disse, do que não fez e deveria ter feito e outras coisas do gênero. Fiquei com uma sensação boa em saber que alguém com quem eu tinha ficado ainda guardava boas recordações e se preocupava em saber como eu estava. Devo confessar que não consigo manter contato com ex, sei lá, acho meio estranho, não rolou, não quero saber, seja feliz e eu serei feliz e “everything’s gonna be alright”.

A ultima resposta que mandei pra ele foi do “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa, que me acompanha em centenas de noites mal dormidas e muitas vezes mal resolvidas. Pessoa costuma ser meu porta voz em muitas ocasiões “desassossegadas”, fui honesto acho que agi certo e pelo menos desta vez somei um amigo.

" - Saber encontrar a cada sensação o modo sereno de ela se realizar. Fazer o amor resumir-se apenas a uma sombra de ser sonho de amor, pálido e tremulo intervalo entre os cimos de duas pequenas ondas onde o luar bate. Tornar o desejo uma coisa inútil e inofensiva, no como que sorriso delicado da alma a sós consigo própria; fazer dela uma coisa que nunca pense em realizar-se nem em dizer-se. Ao ódio adormecê-lo como a uma serpente prisioneira, e dizer ao medo que dos seus gestos guarde apenas a agonia no olhar, e no olhar da nossa alma, unica atitude compatível com ser estética."
Fernando Pessoa - Livro do Desassossego

19 de jun de 2007

Até tu Rufus!

Alguém conhece o rapaz aí ao lado? Rufus Wainwright, nasceu em N.Y. e foi criado no Canada, gay, fino, cantor, sofisticado, excelente compositor e tão fácil de se apaixonar.
Ele acabou de lançar um disco novo, "Release the Stars", que tá embalando meus dias de flâneur pela cidade.
Ouça: "Not Ready To Love" sentado em algum café vendo as pessoas passarem e me diz se está faltando alguma coisa na sua vida.

http://www.myspace.com/rufuswainwright
http://www.last.fm/music/Rufus+Wainwright

17 de jun de 2007

Ritual de Passagem

Este ano para mim esta sendo bastante fértil em realizações profissionais, depois de um ano inteiro mergulhado no universo russo (historia e idioma!) para dirigir “Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk”, opera de Shostakovitch, estou me dedicando também a entender as múltiplas facetas de Cocteau (já falei lá embaixo em “Sincronia”) e, last but not least, Strauss e sua deslumbrante “Ariadne Auf Naxos” para breve. E ainda tem critico que diz que encenador é despreparado, senta aqui pra ver...

Estudando o mito de Ariadne (vocês sabem, ela é aquela que deu a idéia do novelo de lã para o jovem Teseu voltar do labirinto são e salvo depois de enfrentar o Minotauro), reli as aventuras do herói Teseu e todo o seu ritual de passagem de um menino intrépido para um homem destemido. O herói teve de se travestir de mulher para enfrentar o inimigo e aniquila-lo, teve de dosar a sua fúria e canaliza-la estrategicamente para algo construtivo e produtivo e só após ter sofrido para vencer os seus “defeitos da juventude” é que ele ficou pronto para conhecer o seu pai e se preparar para o reinado.

Isso tudo se assemelha muito as nossas tribos indígenas, cada uma tem o seu próprio ritual. Em muitas o inicio deste encaminhamento se da na observação do corpo das crianças, já que a adolescência não é uma “fase social ou psicológica”. Para os homens (não só os indios e os heróis gregos) os rituais de transformação são, muitas vezes, rígidos e com certa dose de crueldade e violência. A formação do homem adulto e sua incorporação ao universo masculino exige diversos testes de virilidade, força física, domínio das emoções, em particular do medo, assim como assimilação das regras e valores culturais.

Revendo tudo isto entrei num “vácuo de criação”. Me afastei um pouco dos meus estudos e repensei boa parte da minha vida (crise pré-40?!), será que eu pulei alguma etapa do meu processo de amadurecimento? Fiz as escolhas certas, deixei para trás algo que podia ser maior ou melhor para mim? (Teseu, abandona Ariadne, na maldita ilha de Naxos, dizendo que vai voltar e tempos depois Baco/Dioniso a encontra sozinha e casa com ela).

Lembrando dos meus tempos de terapia, depois do processo de mudança deste estado da infância para a maturidade, encerra-se apenas um processo de "educação básica", uma fase. Só que para o adulto esse processo (que muitos chamam de “crise”) de socialização é contínuo, até a morte. Para um artista então, nem se fale, é morte e ressureição!

Pensando bem eu consigo entender porque esse ritual seja tão cruel! E você, ja pensou se pulou alguma etapa do seu ritual?

10 de jun de 2007

Sou gay, e está bem assim*

Pois é, hoje é dia da 11ª Parada do Orgulho GLBT, até esta hora os organizadores contaram 3 milhões e 300 mil pessoas!!! Somos agora a maior “Parada” do mundo! Como diria Paulo Francis, as vezes em divertidos ataques contra a bicharada: Waall!!!

Para os dois maiores jornais do Pais, Estado e Folha, somos apenas bichas ricas, fúteis e engraçadas. Os dois jornais publicaram reportagens entrevistando bichas que gastam horrores nos jardins, que gastam horrores em hotéis, que se drogam em boates, que so querem lazer e Prada! Bem, somos assim também ... mas quando se fala de uma “Parada” como esta poderiam ser menos maniqueístas e mudar um pouco o foco não acham?

Ja faz algum tempo que tenho uma preguiça enorme em “desfilar” neste tipo de evento – a ultima vez, acho que na quarta ou quinta, eu ja não agüentava mais a voz da Gloria Gaynor nos trios berrando que tava “chovendo homens” ad libitum! Preguiiiiiiiiça... Hoje ouço da janela da meu ap - uma quadra da Pça Roosevelt - o funk animando centenas de “bees” usando apenas sunga e asa de anjo. Arrasou!

Numa reportagem “não-gay” no Estado de S.Paulo vem o exemplo que poderia constar em algumas linhas daquela sobre a “Parada”, trata-se de uma matéria sobre a “nova” Berlim, cidade Alemã com guindastes espalhados por tudo quanto é lugar numa reconstrução tão impressionante que até esquecemos que foi totalmente destruída na 2ª Guerra Mundial!

Como toda cidade européia, com uma infra estrutura exemplar, Berlim também sofre por ter atraído tanto dinheiro, turistas, imigrantes legais e ilegais. Segundo o sociólogo Sergio Costa, brasileiro que vive la desde 1988:
- “...existe uma convivência mais ou menos horizontal das diferenças étnicas, culturais e morais. Você vai a um parque e vê, lado a lado, uma família muçulmana, com mulheres usando véu, e um casal gay se beijando, quase pelado.”

O sociólogo ressalva que existem tensões, sim, mas nada que abale a “cultura da convivência” entre os diferentes. So pra lembrar, a cidade é governada há 6 anos por *Klaus Wowereit, gay assumido, autor da frase que da titulo a este post.

Temos 3 vezes mais habitantes que Berlim, a maior “Parada” do mundo, a maior renda per capita do Pais, estamos recuperando o nosso centro velho num projeto admiravel, convivemos bem com nossos imigrantes locais e estrangeiros sem guerra ou separatismo e somos lindos!

Vive la différence!

Irreplaceable

Domingão pra mim sempre foi dia de família e futebol, pré-adolescente então não desgrudava o olho das corridas de F1, nem preciso dizer o impacto que foi assistir ao vivo aquele acidente com o Senna! Pela primeira vez um triste silêncio tomou conta daquele almoço de domingo quebrado apenas pelo choro, as vezes da minha mãe outras meu mesmo. Perdi o prazer em acompanhar corridas, nem a empolgação dos meus queridos Marcelos (Tas e Pellegrini) me fizeram acordar mais cedo para ouvir aqueles motores barulhentos novamente.

Pois bem, eis que surge nesta temporada um moleque inglês de apenas 22 anos - que se empolga com Beyoncé e não larga o PlayStation - com uma historia de vida incrível e dando um baile em muita estrela deste circo milionário. Seu nome é Lewis Hamilton, ele nunca esteve no Brasil mais sabe que pode se identificar com a situação em que vivem a maioria das nossas crianças.

Numa entrevista para a Folha de hoje Hamilton se surpreende em ser “a novidade” e num bom mocismo incrível diz: -“...espero que eu possa servir como um bom exemplo para essas crianças e que tome as atitudes certas”.

Hoje Hamilton conquistou seu sexto pódio, um fato inédito até agora na F1, vencendo em primeiro lugar o GP do Canadá na 6ª etapa do Mundial, esta agora com 48 pontos na frente do espanhol Fernando Alonso (40) e do brasileiro Felipe Massa (33).

Acordarei mais cedo aos domingos!

Uma Noite Transfigurada!

Gerald Thomas com seu “Luar Trovado”, estupro cênico, baseado na obra “Pierrôt Lunaire” de Arnold Schonberg, mostra que ainda continua um mestre em dissimulação cênica (isto é um elogio!). Você consegue imaginar num espetáculo lírico duas cantoras de opera junto com uma funkeira e uma diva underground? Pois bem, Adélia Issa junto com Lucila Tragtenberg (em dois momentos brilhantes que valem metade do espetáculo), foram ‘invadidas’ na segurança do seu seara lírico por Deize Tigrona (mega-aplaudida em cena aberta com seu funk desbocado: “-...a porra da buceta é minha!”) e Elke Maravilha (parecia uma pintura de Klint em preto e branco, se isto for possivel!)!!!!

Se você quer ver e ouvir um espetáculo lírico, fuja, mas se você quiser presenciar um punk-happening, que faz junção destes elementos mais a costumeira dramaturgia de Gerald, desfrute como um aperitivo provocativo. E ainda teve um Tom Zé, literalmente içado da platéia para nos brindar com um inspirado discurso.

Ao final do espetáculo Gerald levou Tom, como num programa de auditório, e este ia chamando os artistas ao palco, um a um para receber os aplausos do publico, e depois de umas gracinhas com Deize, decifrou o enigma da noite com a frase:
- Vocês aplaudiram muito (No meio da cena, repito!) a transgressão do novo (funk) e ignoraram a transgressão do passado que mudou tudo o que esta ai hoje!

Pois é Tom, transgressão precisa estar casada com transgressão (a “parte operistica” ficava estática num canto direito do palco, enquanto atores, projeção, Deize, Elke e -num apêndice ao espetáculo- Lucila, movimentavam-se timidamente é verdade, do outro lado), infelizmente Gerald teve pouco tempo para trabalhar com a orquestra e Adélia (que dois dias antes estava num concerto em Recife!), mas isso não desmerece o espetáculo (segundo Gerald: -“isto não é uma peça de teatro, nem uma opera, isto é um happening!”), muito pelo contrario foi bem “fresh” para animar as conversas dos bares da semana pré-parada-gay.

“Luar Trovado”, como um happening, usa o funk num dialogo aberto com o simbolismo do inicio do século passado para nos fazer enxergar os nossos valores acerca da ética e da guerra. Isso faz mais sentido em cena se levarmos em consideração a dramaturgia geraldiana, ja que a justificativa musical soa muito frágil (sorry Livio!) em tentar descobrir, no funk, um parente distante na arvore genealógica atonal Schonberguiana.

Como diria Gerald: LOVE!

9 de jun de 2007

E que tudo mais vá pro inferno!



Sei que o dia dos Namorados esta chegando, então se você ja esta aquecido neste inverno ok, se não me acompanhe e chore até a chegada do príncipe encantado ouvindo "Antony and the Johnsons".




http://www.4shared.com/file/13030762/56033289/2004_I_Fell_in_Love_with_a_Dead_Boy.html

Sincronia

No NYTimes de ontem saiu uma matéria sobre a estréia de mais uma cine-biografia: “La Vie en Rose”, dirigida por Olivier Dahan’s, mostra a vida da diva da musica francesa Edith Piaf.
Seu pai trabalhava como contorcionista num circo e sua mãe era uma alcoólatra, Piaf (vivida por Marion Cotillard) que foi criada pela avó paterna - dona de um bordel - sempre adorou a boemia, vivia entre prostitutas, cantores de cabaré, escritores e poetas até ser descoberta por um empresário (no filme interpretado por Gerard Depardieu) cantando num clube. E claro manteve uma estreita ligação com o submundo parisiense, se envolvendo com drogas e amantes que lhe causaram alguns problemas profissionais.

Sua morte, trouxe uma comoção geral no mundo, imortalizando para sempre sua interpretação, sempre teatral, de clássicos como “Non, Je Ne Regrette Rien”, “Au Bal De La Chance”, “Hymne A L’Amour” e claro o titulo do filme!

Muito amiga de Jean Cocteau, gravou em disco sua interpretação para“Lê Bel Indifferent”,que também interpretou no teatro, aliás uma historia muito triste, que não sei se o filme mostra, diz que Cocteau ao saber da morte da amiga sentiu-se muito mal, e morreu no mesmo dia, uns dizem que foi um edema cerebral outros um ataque cardíaco fulminante.
...

Em meados de fevereiro fui chamado pelo maestro Abel Rocha para dirigir duas operas num mesmo programa em setembro, no teatro S.Pedro/SP, primeiro “O Telefone” de Menotti (com meus queridos amigos Rosana Lamosa e Leonardo Neiva), depois do intervalo teremos “A Voz Humana” de Poulenc, baseada na peça de Cocteau, que será interpretada pela terceira vez pela nossa diva Celine Imbert, que este ano comemora impecáveis 20 anos de carreira!

Tive o privilégio de trabalhar como assistente de direção e iluminação nas duas ultimas montagens desta opera, ambas dirigidas pelo mestre Iacov Hillel. Quando o maestro me fez este convite passou um filme na minha cabeça de como, sem planejar minha carreira, os laços profissionais se estreitam com os pessoais! Decidi junto com o maestro fazer um prólogo para “A Voz...”, ja que se trata de uma opera de apenas 40 minutos, e como a Celine ja tinha feito este personagem outras vezes queria algo que fugisse da sua segurança. Dai me veio esta historia da morte da Piaf com o Cocteau; resolvi selecionar umas 2 ou 3 musicas que Piaf cantava e transformar esta mulher, que espera desesperada um telefonema do seu amante, numa cantora de cabaré. Oxalá o filme resgate a mulher extraordinária que foi Piaf e que eu consiga fazer uma montagem tão boa quanto as que eu participei!

Aceito cobranças no final de setembro, ja o filme não tem previsão de estréia no Brasil, mas tem um trechinho no site do jornal:
(http://movies2.nytimes.com/2007/06/08/movies/08vie.html?8mu&emc=mua1)

6 de jun de 2007

Me!

Eu sou do setor quinário* e você?

O Valor Econômico publicou no seu caderno de fim de semana uma matéria sobre os profissionais que trabalham com a inovação, design, imaginação e idéias, apontando que “gente criativa e cultura empreendedora é que fazem acontecer”. Pois lembrei da matéria depois de um jantar delicioso na casa do meu querido videasta (tb do mesmo setor, hehehe) Raimo Benedetti, que recebia tb um amigo que estava voltando de Melbourne, Austrália, onde tinha acabado de participar de um festival de graffiti (http://www.stencilfestival.com/). Claro que a minha primeira pergunta foi:

- Porra que legal, adoro graffiti! É verdade que os brasileiros fazem um puta sucesso la fora?

- É fazem sim ... mas eu não grafito nada! Eu sou musico e escrevo poesia e fui convidado pra escrever umas coisas la e os caras iam grafitar em cima do que eu escrevesse.

Encurtando o assunto, ja que nem estamos degustando o delicioso molho quatro formaggio feito pelo pai do Raimo, o cara não so foi pra la com tudo pago como escrevia em português mesmo, hahaha. Dai ele mostrava as fotos do evento, da cidade (insuportavelmente limpa!), dos cafés, dos parques (sabia que um antigo governador bolou uma lei em que TODO cidadão australiano deve estar a 10 minutos de um parque. A PÉ! Isso mesmo que vc leu, o cara vai caminhando e so gasta 10 minutos seja do seu local de trabalho, escola ou casa!!!!!).

O que chama a atenção do lugar é que todo mundo é aquela classe média boa praça que a gente costuma ver nos filmes sem ostentação e pedantismo. Mas de volta ao começo, o lance da tal matéria do jornal fala sobre essa classe criativa que hoje ja responde por 30% da força de trabalho nos EUA, são os tais profissionais que fazem acontecer. No Brasil, a parcela de criativos é de 10,9%, perto de Portugal (13,1%) e da Itália (13,2%), na matéria não diz mas imagino que na Austrália esse percentual deva ser um pouco maior.

“Os criativos tem o mesmo poder dos operários na primeira metade do século XX”, diz Richard Florida, autor do livro “A Ascensão da Classe Criativa”, segundo ele: “é o capital cultural que define a classe” e estabelece a metodologia dos três “Ts”: tecnologia, talento e tolerância. E diz mais:
- “Com a expansão do mundo virtual, as pessoas não fazem mais suas escolhas apenas pelas companhias que as cidades tem, mas, sim pelo que elas oferecem em termos pessoais e de estilo de vida. Uma cidade precisa atrair pessoas talentosas de todos os sexos, raças, gays, casados, homens e mulheres solteiras. Isso faz uma economia crescer.”


Não acho que estamos ruim na foto não e nem estou pensando em me mudar pra Austrália, das dezenas de viagens que fiz pelo Brasil com espetáculos teatrais dou como exemplo a cidade de Recife com seu Porto Digital, que recuperou seu porto com empresas de tecnologia de ponta dando exemplo de urbanismo e investimento tecnológico transformando a cidade numa espécie de Vale do Silício brasileira. Hummmm e vamos combinar que o projeto que “Os Satyros” estão propondo para a Praça Roosevelt, aqui mesmo em SP, esta encapado neste novo conceito de Inovação Urbana!

Richard Florida estará em São Paulo no “I Forum Internacional de Criatividade e Inovação”, que acontecera nos dias 19 e 20 de junho.

* -setor quinário: inclui o mais alto nível de inovação, conhecimento e criatividade, incluindo software, internet web 2.0, modas, design, universidades, serviços de saúde high-tech, mídia, robótica, biotecnologia, engenharia genética, nanotecnologia, entretenimento, fármacos de primeira linha, etc.
- setor quaternário: tecnologia da informação e atividades de alto valor agregado em termos de conhecimento intelectual

Créditos: a reportagem do Valor foi escrita pela jornalista Cinthia Rodrigues, com complemento de Ricardo Neves, autor de “O Novo Mundo Digital”/Ediouro.