24 de jun de 2007

Como se acaba um relacionamento?


Putz difícil né... se terminar um relacionamento é dificílimo pior é terminar algo que nem começou. Uma “ficada”, uma “aposta”... ainda não aprendi esse código de conduta de como, quando e com quais palavras encerrar, romper, por um ponto final. Tenho amigos que simplesmente desaparecem e dão por encerrado namoros de anos, “ficadas” então nem satisfação, parece que é assim mesmo. Hummmm...

Acabei de receber um e-mail de uma “aposta-que-não-deu-certo” (desde o começo de 2006 eu não sabia dele!), ele queria saber como eu estava e tal, foi muito gentil e querido, simplesmente bateu aquela saudade. Aquelas que batem quando já é de madrugada e você repassa sua agenda de endereços inteira para ver quem já foi importante na sua vida e hoje não faz mais parte dela. Ou talvez, sei lá, quem sabe o cara ainda tá solteiro e ...

Bom o lance é que com aquele e-mail veio um anexo com as ultimas correspondências que a gente trocou (sim, ele tinha guardado!) e claro que quando se re-lê esse tipo de coisa você começa a lembrar do que poderia ter dito e não disse, do que não fez e deveria ter feito e outras coisas do gênero. Fiquei com uma sensação boa em saber que alguém com quem eu tinha ficado ainda guardava boas recordações e se preocupava em saber como eu estava. Devo confessar que não consigo manter contato com ex, sei lá, acho meio estranho, não rolou, não quero saber, seja feliz e eu serei feliz e “everything’s gonna be alright”.

A ultima resposta que mandei pra ele foi do “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa, que me acompanha em centenas de noites mal dormidas e muitas vezes mal resolvidas. Pessoa costuma ser meu porta voz em muitas ocasiões “desassossegadas”, fui honesto acho que agi certo e pelo menos desta vez somei um amigo.

" - Saber encontrar a cada sensação o modo sereno de ela se realizar. Fazer o amor resumir-se apenas a uma sombra de ser sonho de amor, pálido e tremulo intervalo entre os cimos de duas pequenas ondas onde o luar bate. Tornar o desejo uma coisa inútil e inofensiva, no como que sorriso delicado da alma a sós consigo própria; fazer dela uma coisa que nunca pense em realizar-se nem em dizer-se. Ao ódio adormecê-lo como a uma serpente prisioneira, e dizer ao medo que dos seus gestos guarde apenas a agonia no olhar, e no olhar da nossa alma, unica atitude compatível com ser estética."
Fernando Pessoa - Livro do Desassossego

3 comentários:

DionBoy disse...

Olá.
Realmente não é fácil encerrar algo que nem se teve a chance de começar. Acho que o que pesa mais não é este momento, mas o que antecedeu ao encontro. O que foi dito, esperado, definido, mesmo sem a certeza do que encontraria. Mas fez certo, foi sincero. Não há melhor maneira. Que bom que foi assim...

ER disse...

Super fácil, Beeee!

- Bye.

xoxo

Olintho disse...

Ai Caetano... ai Caetano... ai Caetano... porque fui entrar nesse blog hoje... ainda curtindo momento Shania qdo vc espera que dê tudo certo e já sabe inclusvie que o brejo é logo ali... Literalmente trazendo Luz e isso já provou que é o mestre...
Só prá avisar que vou roubar o Pessoa, tenho dito!