6 de jun de 2007

Eu sou do setor quinário* e você?

O Valor Econômico publicou no seu caderno de fim de semana uma matéria sobre os profissionais que trabalham com a inovação, design, imaginação e idéias, apontando que “gente criativa e cultura empreendedora é que fazem acontecer”. Pois lembrei da matéria depois de um jantar delicioso na casa do meu querido videasta (tb do mesmo setor, hehehe) Raimo Benedetti, que recebia tb um amigo que estava voltando de Melbourne, Austrália, onde tinha acabado de participar de um festival de graffiti (http://www.stencilfestival.com/). Claro que a minha primeira pergunta foi:

- Porra que legal, adoro graffiti! É verdade que os brasileiros fazem um puta sucesso la fora?

- É fazem sim ... mas eu não grafito nada! Eu sou musico e escrevo poesia e fui convidado pra escrever umas coisas la e os caras iam grafitar em cima do que eu escrevesse.

Encurtando o assunto, ja que nem estamos degustando o delicioso molho quatro formaggio feito pelo pai do Raimo, o cara não so foi pra la com tudo pago como escrevia em português mesmo, hahaha. Dai ele mostrava as fotos do evento, da cidade (insuportavelmente limpa!), dos cafés, dos parques (sabia que um antigo governador bolou uma lei em que TODO cidadão australiano deve estar a 10 minutos de um parque. A PÉ! Isso mesmo que vc leu, o cara vai caminhando e so gasta 10 minutos seja do seu local de trabalho, escola ou casa!!!!!).

O que chama a atenção do lugar é que todo mundo é aquela classe média boa praça que a gente costuma ver nos filmes sem ostentação e pedantismo. Mas de volta ao começo, o lance da tal matéria do jornal fala sobre essa classe criativa que hoje ja responde por 30% da força de trabalho nos EUA, são os tais profissionais que fazem acontecer. No Brasil, a parcela de criativos é de 10,9%, perto de Portugal (13,1%) e da Itália (13,2%), na matéria não diz mas imagino que na Austrália esse percentual deva ser um pouco maior.

“Os criativos tem o mesmo poder dos operários na primeira metade do século XX”, diz Richard Florida, autor do livro “A Ascensão da Classe Criativa”, segundo ele: “é o capital cultural que define a classe” e estabelece a metodologia dos três “Ts”: tecnologia, talento e tolerância. E diz mais:
- “Com a expansão do mundo virtual, as pessoas não fazem mais suas escolhas apenas pelas companhias que as cidades tem, mas, sim pelo que elas oferecem em termos pessoais e de estilo de vida. Uma cidade precisa atrair pessoas talentosas de todos os sexos, raças, gays, casados, homens e mulheres solteiras. Isso faz uma economia crescer.”


Não acho que estamos ruim na foto não e nem estou pensando em me mudar pra Austrália, das dezenas de viagens que fiz pelo Brasil com espetáculos teatrais dou como exemplo a cidade de Recife com seu Porto Digital, que recuperou seu porto com empresas de tecnologia de ponta dando exemplo de urbanismo e investimento tecnológico transformando a cidade numa espécie de Vale do Silício brasileira. Hummmm e vamos combinar que o projeto que “Os Satyros” estão propondo para a Praça Roosevelt, aqui mesmo em SP, esta encapado neste novo conceito de Inovação Urbana!

Richard Florida estará em São Paulo no “I Forum Internacional de Criatividade e Inovação”, que acontecera nos dias 19 e 20 de junho.

* -setor quinário: inclui o mais alto nível de inovação, conhecimento e criatividade, incluindo software, internet web 2.0, modas, design, universidades, serviços de saúde high-tech, mídia, robótica, biotecnologia, engenharia genética, nanotecnologia, entretenimento, fármacos de primeira linha, etc.
- setor quaternário: tecnologia da informação e atividades de alto valor agregado em termos de conhecimento intelectual

Créditos: a reportagem do Valor foi escrita pela jornalista Cinthia Rodrigues, com complemento de Ricardo Neves, autor de “O Novo Mundo Digital”/Ediouro.

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