9 de jun de 2007

Sincronia

No NYTimes de ontem saiu uma matéria sobre a estréia de mais uma cine-biografia: “La Vie en Rose”, dirigida por Olivier Dahan’s, mostra a vida da diva da musica francesa Edith Piaf.
Seu pai trabalhava como contorcionista num circo e sua mãe era uma alcoólatra, Piaf (vivida por Marion Cotillard) que foi criada pela avó paterna - dona de um bordel - sempre adorou a boemia, vivia entre prostitutas, cantores de cabaré, escritores e poetas até ser descoberta por um empresário (no filme interpretado por Gerard Depardieu) cantando num clube. E claro manteve uma estreita ligação com o submundo parisiense, se envolvendo com drogas e amantes que lhe causaram alguns problemas profissionais.

Sua morte, trouxe uma comoção geral no mundo, imortalizando para sempre sua interpretação, sempre teatral, de clássicos como “Non, Je Ne Regrette Rien”, “Au Bal De La Chance”, “Hymne A L’Amour” e claro o titulo do filme!

Muito amiga de Jean Cocteau, gravou em disco sua interpretação para“Lê Bel Indifferent”,que também interpretou no teatro, aliás uma historia muito triste, que não sei se o filme mostra, diz que Cocteau ao saber da morte da amiga sentiu-se muito mal, e morreu no mesmo dia, uns dizem que foi um edema cerebral outros um ataque cardíaco fulminante.
...

Em meados de fevereiro fui chamado pelo maestro Abel Rocha para dirigir duas operas num mesmo programa em setembro, no teatro S.Pedro/SP, primeiro “O Telefone” de Menotti (com meus queridos amigos Rosana Lamosa e Leonardo Neiva), depois do intervalo teremos “A Voz Humana” de Poulenc, baseada na peça de Cocteau, que será interpretada pela terceira vez pela nossa diva Celine Imbert, que este ano comemora impecáveis 20 anos de carreira!

Tive o privilégio de trabalhar como assistente de direção e iluminação nas duas ultimas montagens desta opera, ambas dirigidas pelo mestre Iacov Hillel. Quando o maestro me fez este convite passou um filme na minha cabeça de como, sem planejar minha carreira, os laços profissionais se estreitam com os pessoais! Decidi junto com o maestro fazer um prólogo para “A Voz...”, ja que se trata de uma opera de apenas 40 minutos, e como a Celine ja tinha feito este personagem outras vezes queria algo que fugisse da sua segurança. Dai me veio esta historia da morte da Piaf com o Cocteau; resolvi selecionar umas 2 ou 3 musicas que Piaf cantava e transformar esta mulher, que espera desesperada um telefonema do seu amante, numa cantora de cabaré. Oxalá o filme resgate a mulher extraordinária que foi Piaf e que eu consiga fazer uma montagem tão boa quanto as que eu participei!

Aceito cobranças no final de setembro, ja o filme não tem previsão de estréia no Brasil, mas tem um trechinho no site do jornal:
(http://movies2.nytimes.com/2007/06/08/movies/08vie.html?8mu&emc=mua1)

Um comentário:

Carmen disse...

Que louco, aposto que será maior sucesso... Sincronia perfeita! Quando é para ser, não há escapatória...
Investe na idéia, vai ser demais e o filme promete, não? Ao menos, os vídeos são ótimos.
Que as musas te inspirem sempre!