10 de jun de 2007

Uma Noite Transfigurada!

Gerald Thomas com seu “Luar Trovado”, estupro cênico, baseado na obra “Pierrôt Lunaire” de Arnold Schonberg, mostra que ainda continua um mestre em dissimulação cênica (isto é um elogio!). Você consegue imaginar num espetáculo lírico duas cantoras de opera junto com uma funkeira e uma diva underground? Pois bem, Adélia Issa junto com Lucila Tragtenberg (em dois momentos brilhantes que valem metade do espetáculo), foram ‘invadidas’ na segurança do seu seara lírico por Deize Tigrona (mega-aplaudida em cena aberta com seu funk desbocado: “-...a porra da buceta é minha!”) e Elke Maravilha (parecia uma pintura de Klint em preto e branco, se isto for possivel!)!!!!

Se você quer ver e ouvir um espetáculo lírico, fuja, mas se você quiser presenciar um punk-happening, que faz junção destes elementos mais a costumeira dramaturgia de Gerald, desfrute como um aperitivo provocativo. E ainda teve um Tom Zé, literalmente içado da platéia para nos brindar com um inspirado discurso.

Ao final do espetáculo Gerald levou Tom, como num programa de auditório, e este ia chamando os artistas ao palco, um a um para receber os aplausos do publico, e depois de umas gracinhas com Deize, decifrou o enigma da noite com a frase:
- Vocês aplaudiram muito (No meio da cena, repito!) a transgressão do novo (funk) e ignoraram a transgressão do passado que mudou tudo o que esta ai hoje!

Pois é Tom, transgressão precisa estar casada com transgressão (a “parte operistica” ficava estática num canto direito do palco, enquanto atores, projeção, Deize, Elke e -num apêndice ao espetáculo- Lucila, movimentavam-se timidamente é verdade, do outro lado), infelizmente Gerald teve pouco tempo para trabalhar com a orquestra e Adélia (que dois dias antes estava num concerto em Recife!), mas isso não desmerece o espetáculo (segundo Gerald: -“isto não é uma peça de teatro, nem uma opera, isto é um happening!”), muito pelo contrario foi bem “fresh” para animar as conversas dos bares da semana pré-parada-gay.

“Luar Trovado”, como um happening, usa o funk num dialogo aberto com o simbolismo do inicio do século passado para nos fazer enxergar os nossos valores acerca da ética e da guerra. Isso faz mais sentido em cena se levarmos em consideração a dramaturgia geraldiana, ja que a justificativa musical soa muito frágil (sorry Livio!) em tentar descobrir, no funk, um parente distante na arvore genealógica atonal Schonberguiana.

Como diria Gerald: LOVE!

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