22 de jul de 2007

Um lance de dados

Já dentro da aeronave (Tam) que me traria para Belém, ouvi pelas comissárias que o vôo teria uma escala no aeroporto de Confins-MG. Todos chiaram um pouco e queriam saber o por quê, já que o vôo estava previsto para ser direto e sem escalas, ela disse que a parada era técnica e que o comandante iria dar uma explicação em poucos minutos.

Pois bem, o comandante nos informou que como o avião estava lotado (realmente, contei apenas 6 lugares vazios), muito pesado e a pista molhada (estava chovendo em São Paulo), não poderia sair com a capacidade total de combustível para uma viagem sem escalas e visando a segurança de todos faria uma parada em Minas para completar o combustível restante e seguir viagem. A viagem que era de três horas e quarenta minutos passaria para aproximadamente 5h! Um ‘ohhhhhh’ geral tomou conta e todos começaram a telefonar irritados para parentes, amigos e caronas que os esperavam! Já que ninguém me esperava no aeroporto mesmo, me contentei em pegar um livro na mochila e torcer pro ipod agüentar a bateria até o fim da maratona.

Chegamos bem. Dias depois chego no hotel e ligo a tv e vejo tudo aquilo que já sabemos. Triste. Me perguntei se caso aquele comandante não tivesse tomado aquela decisão por medida de segurança o que teria acontecido. Talvez nada... talvez.

Só tive medo de viajar de avião uma única vez: a primeira (e olha que foi pra Colômbia pela Avianca!), nas outras vezes – e foram (e serão) muitas - simplesmente ignorei instabilidades, enjôos e turbulências. Pra dizer a verdade não há o que fazer! Sento numa poltrona no corredor, já que detesto ver ‘paisagem’, e como não consigo dormir e detesto também conversar com estranhos meto os fones nos ouvidos e leio sem parar. A única coisa que mudou na minha rotina aérea é que, antes de embarcar, ligo para os meus pais, falo qualquer bobagem pra eles não se preocuparem, peço para falar com meu sobrinho e depois digo que ligo quando chegar em casa. Tenho chegado sempre. Espero continuar chegando sempre!

...

Direto de Belém:

Não, isto não é uma instalação de algum artista vanguardeiro neo-nazista! Inaugurado em 1878 o Theatro da Paz (lindo nome para um teatro, não?!) – traz em seus corredores um verdadeiro mostruário de madeiras amazônicas disponíveis na época formando diferentes e dificílimos mosaicos que nos guiam para a entrada de sua sala. Como o nazismo e seus símbolos ainda não existiam na época, óbvio que minha primeira pergunta foi sobre o significado da suástica, achava então que era por causa de alguma influência oriental, a resposta veio num cadenciado sotaque despreocupado:
- Não mano, isso foi feito aleatório mesmo! Como são vários tipos de diferentes desenhos eles procuravam um que tivesse uma dinâmica de movimento para ser realizado numa escala maior!

Simples assim, tá!

Paz&Amor

15 de jul de 2007

Não me deixem só!


Então queridos, estou de partida hoje para a doce cidade de Belém/Pa, sendo assim as próximas news serão tipo 'enviado especial direto de...'! Depois de 9 anos participando do Festival Amazonas de Opera, em Manaus, este ano será minha estréia no Festival de Opera do Theatro da Paz, em Belém.

Vou assinar a luz de uma produção inédita de "O Guarani", com direção de William Pereira e regência do maestro Roberto Duarte, em seguida dirijo e ilumino "La Cenerentola" , opera de Rossini regida por Luiz Fernando Malheiro. Volto em setembro com novidades em São Paulo, me aguardem.

Desejem-me sorte e mando noticias quentes do 'bafo do norte'!

Paz&Amor

12 de jul de 2007

Mister Tumura

Puccini sempre foi um compositor pop, talvez por isso duas de suas operas mereceram adaptações para musicais da Broadway, “La Boheme” virou "Rent" (que já vimos por aqui, antecipando a leva das super-produções) e “Madama Butterfly” (não chore se for capaz!) se transforma em “Miss Saigon” que estréia agora em São Paulo numa versão em português do über adaptador-tradutor Cláudio Botelho.

O espetáculo é lindo, bem produzido, bem realizado, com um ‘ensemble’ do maior nível, atores e cantores ótimos, mas... você precisa antes esquecer a personagem titulo! Sorry, o desequilíbrio em cena é gritante com Lissah Martins interpretando Kim, falta de carisma e um timbre vocal bem feio, para sermos elegantes e encerrarmos o assunto por aqui.

Who cares?

Esqueça a vietnamita e não pisque os olhos com Marcos Tumura (acima, foto by: Reinaldo Marques) comemorando 20 anos de carreira com o papel do Engenheiro! Aliás ele é o protagonista do musical, fique para o segundo ato e me conta depois, ovação seria o termo apropriado para dizer como o publico o recebe ao final do espetáculo! Antes de comprar seu ingresso procure saber na bilheteria se Tumura não será substituído neste dia - prática muito comum entre protagonistas, ele por exemplo tem 2 substitutos! Para não ser injusto com os outros solistas vale destacar Nando Prado (Chris, soldado americano por quem Kim se apaixona) e Mauro Souza (Thuy, o primo que ama Kim) que estão excelentes.

Ah, ia me esquecendo, o famoso efeito do helicóptero pousando na aldeia para resgatar os soldados americanos é uó! Animação de quinta para uma produção tão cara, vale mais pelo som dolby que se espalha pela sala dando um efeito incrível (feito pela brasileira Loudness, é claro, a melhor equipe de sonorização do Brasil!). E eu que tinha visto a montagem inglesa e já tinha achado cafona aquele trambolho descendo do urdimento paguei a língua! Parece que agora todas as montagens serão assim mesmo, tipo virtual.

Se joga: Teatro Abril (av. Brig. Luís Antônio, 411, Bela Vista, região central, tel. 6846-6000). 1.533 lugares. Qua. a sex.: 21h. Sáb.: 17h e 21h. Dom.: 16h e 20h. Em cartaz por tempo indeterminado. 140 min. 12 anos. Ingr.: R$ 65 a R$ 200.

11 de jul de 2007

Estourou no Norte!

Terceira no ranking de jeans mais vendidos no mundo a marca italiana Replay quer conquistar o Brasil superando as duas primeiras marcas do podium: Miss Sixty e Diesel.

No quesito ‘luxo só’ já superou faz tempo! Seu jeans é muito mais transado que os da ‘mauricia’ Diesel, por exemplo, e segue no páreo com outra marca italiana: Energie. Ao contrário das concorrentes, antes de instalar suas flagship stores (loja-conceito queridinho!) por aqui, passou dois anos pesquisando o país e as condições para investimento. Parece que esta pesquisa ainda continua a cada coleção, pois não é que a Replay pegou um bateau em direção ao Amazonas e subindo o Rio Negro mostra toda a coleção Verão-2007 num clima “Fitzcarraldo” com instrumentos, vitrola e sonzinho de água batendo no casco!!! Tuuuudo!!! O site é meio carregado mais vale a pena ir ‘trocando as páginas da revista-de-bordo’ e dar uma sapeada na ‘catigoria’ do lançamento très exótico.

Se joga: http://www.replay.it/

9 de jul de 2007

Quantos livros você leu neste semestre?

A Folha de ontem trouxe o resultado de uma pesquisa realizada pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), vale a pena dar uma olhada. A pesquisa traça o perfil de alunos de 48 carreiras e segundo sua avalição sabe-se que os jovens universitários lêem menos de 2 livros por ano, não falam inglês, acham que o curso poderia ter exigido mais deles, que os futuros médicos são os que mais estudam além do horário das aulas e por causa desta carga puxada 66% deles leram apenas um, dois ou nenhum livro no ano!

Os cursos mais 'difíceis' são os que tem menor numero de estudantes negros ou pardos (os que aparecem com menor renda também) , eles optam por Normal Superior (51,3), Biblioteconomia (45,9) ou Historia (41,1) a Engenharia (11,4) ou Odontologia (12,3). Obviamente o maior índice de leitura extra-curricular vem da área de humanas como filosofia, teatro, ciências sociais, letras e historia.

A disparidade dos alunos de baixa renda em cursos de formação de professores é preocupante, a ex secretaria municipal de Educação de São Paulo, Guiomar Namo de Mello lamenta que alunos com um maior nível sócio-econômico não se sintam atraídos por cursos de professores:
-“Professores com pouca base vão formar mal alunos na educação básica. Esses estudantes mal formados terão chances de entrar no ensino superior somente nos cursos menos competitivos, o que cria um círculo vicioso.”


Lição de casa:


Acendam uma vela! Quarta feira passada, dia 4, morreu José Agrippino de Paula, um infarto fulminou o nosso autor 'beat' em Embu onde vivia recluso e meio maluco. Autor do seminal “PanAmérica” (1967), que você é obrigado a ler, influenciou meia geração hippie tropicalista, ou você acha que é gratuito aquele trava-lingua caetanistico em “Sampa”:
“Eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços
tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulos do samba
Mas possível novo quilombo do zumbi(...)”




Pois é crianças, aproveitem então o embalo 'odara' e se deliciem com a publicação dupla “Torquatália” de Torquato Neto, poeta, jornalista e compositor que se suicidou em 1972, deixando inúmeros textos dispersos, poesias e correspondências. E o melhor, tem a integra de suas contribuições para o jornal “Ultima Hora” (engraçadas e beligerantes, pra dizer o mínimo!), os dois livros são: “Geléia Geral” e “Do Lado de Dentro”, ambos organizados por Paulo Roberto Pires e publicados pela Rocco.


Vê lá:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u310330.shtml
http://www.inep.gov.br/

8 de jul de 2007

Pode vir quente que eu estou fervendo!


"London calling upon the zombies of death
Quit holding out - and draw another breath"
London Calling -J.Strummer/M.Jones/1979

Hoje eu tô atacado!

Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA no período Clinton e idealizador do documentário “Uma Verdade Inconveniente”, marcou o cabalístico dia 07/07/07 com o mega-evento Live Earth, um alerta para o mundo sobre a praga que é o aquecimento global. Uma maratona de 24 horas com shows de mega-stars em diversos Paises, incluindo o Brasil, com show em Copacabana para 400 mil pessoas, abençoado pela terceira maravilha do mundo! Ai que preguiça!

Quer saber... bullshit! Estados Unidos e Austrália se recusaram a assinar o protocolo de Kyoto, o tratado internacional que prevê a redução das emissões de gases no meio-ambiente. Em contrapartida os EUA resolveram desenvolver tecnologias menos poluentes (o que significa bem pouco perto do estrago!), já a Austrália... bom ela deu o ponta pé inicial do Live Earth em virtude do seu fuso horário.

Sou bem cético com relação a esses mega-eventos, ou alguém acredita que em 1985 o “Live Aid” e o “We are the World” acabaram com a fome e a miséria na Etiópia e na África? Para mim que já era apaixonado por Michael Jackson, só serviu pra descobrir tardiamente Bruce Springsteen!

Alguém lembra da causa do “Live 8”? Pois bem, era pressionar os lideres mundiais a perdoar as dividas dos Paises do terceiro mundo. Eu só me lembro dos óculos-mosca do Bono! Bom nem preciso falar dos “live-qualquer-coisa” pela aids no mundo né? Nem conscientizou nem diminuiu o numero de contaminados, mas chamou atenção para o problema... ah bom, sei!

Duvido que algum mega-star convidado toque alguma coisa do "Clash", soaria como um bálsamo ouvir Lenny Kravitz entoando a sempre apropriada "Safe European Home", pensando bem poderia ser um pesadelo já que ele esta mais pop do que nunca. Bem, nem os punks mudaram com o politizado "Sandinista" e o genial "London Calling". Nem os punks nem os políticos, apenas o rock mudou, mas quem se importa nao é mesmo...
Infelizmente John Lennon e Bob Dylan não foram os responsáveis pelo fim da guerra do Vietnã mas eu não me canso de ouvir pela milionésima vez “Imagine”/Lennon e “Whith God On Our Side”/Dylan.

Estou acompanhado de mais alguns ilustres céticos, hoje em dia o próprio Bob Geldof, organizador dos citados “Live Aid” e “Live 8”, diz que o mundo já sabe dos efeitos negativos do aquecimento global e que falta um objetivo final ao “Live Earth” - hummm o mundo em 85 não sabia onde ficava a África e nem passava fome né?!. Já Roger Daltrey do “The Who” é bem sombrio:
“- A ultima coisa que o mundo precisa hoje é de um show de rock”- huummm, nem mesmo o volta-não-volta do “Who” em mega-campanhas né?!. Opa, sabe qual é o lance meu caro: $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$

Já já teremos campanha eleitoral para presidência americana e pago um doce como Al Gore terá mais do que cacife político e artístico (meu, o véio tem um Oscar!) para encarar a Casa Branca. Isso todo mundo sabe mas aguardem as resmas de papéis não reciclados, dossiês, fitas de vídeo e conversas gravadas contra o cara! Essa ‘triagem de poluentes’ já começou com a prisão do seu filho Albert Gore III, preso na Califórnia com maconha, Vicodin, Valium, Xantax e Adderal!!! Quando Al Gore visitar a familia precisa ter uma conversinha com seu pimpolho ‘tarja-preta’.

Por falar em ceticismo a Revista Exame desta semana traz uma matéria sobre Energia intitulada “Dinheiro sujo”*, assinada pela repórter Luciene Antunes, trata da maior mineradora de carvão do mundo a “Peabody Energy” sediada, claro, na cidade de Saint Louis/EUA, vendeu só no ano passado 248 milhões de toneladas de carvão, suprindo atualmente 10% da demanda energética dos Estados Unidos como uma fonte abundante e barata. Até 2030, o carvão continuara sendo responsável por um quarto da energia gerada no planeta. Live Earth? O presidente da mineradora Gregory H. Boyce se entusiasma é com outras coisas:
-"Estamos caminhando para uma nova era, em que vamos dirigir veículos e voar em aviões movidos a combustíveis derivados de carvão."

Confere aqui a relação dos 50 Paises que mais poluem o ambiente segundo a Carbon Dioxide Information Center, esta relação data de 1997, ano da assinatura do Protocolo de Kioto, o valor ao lado do Pais esta expresso em milhares de toneladas de carbono (o “C”, do “CO2″):

1 Estados Unidos 1.489.648
2 China 913.768
3 Rússia 390.616
4 Japão 316.164
5 Índia 279.899
6 Alemanha 227.364
7 Reino Unido 142.096
8 Canadá 133.890
9 Coréia do Sul 116.701
10 Itália (incluindo San Marino) 111.323
11 Ucrânia 100.427
12 México 99.964
13 Polônia 95.413
14 França (incluindo Mônaco) 92.878
15 África do Sul 86.532
16 Austrália 86.336
17 Brasil 78.666
18 Irã 78.585
19 Arábia Saudita 72.616
20 Coréia do Norte 68.794
21 Espanha 66.584
22 Indonésia 65.103
23 Tailândia 56.992
24 Turquia 54.042
25 Taiwan 53.475
26 Venezuela 51.144
27 Holanda 44.256
28 Argentina 37.629
29 Malásia 35.710
30 República Tcheca 33.495
31 Cazaquistão 33.471
32 Egito 29.829
33 Romênia 29.390
34 Bélgica 28.127
35 Usbequistão 27.936
36 Argélia 25.973
37 Paquistão 25.588
38 Iraque 24.916
39 Nigéria 22.435
40 Grécia 22.027
41 Singapura 21.909
42 Emirados Árabes 21.697
43 Filipinas 20.249
44 Colômbia 18.551
45 Noruega 18.470
46 Belarus 16.757
47 Áustria 16.557
48 Chile 15.884
49 Hungria 15.874
50 Israel 15.581

• *Como comprei a Revista Exame na banca disponibilizo minha senha para você acessar, ao longo desta quinzena, além desta matéria citada outros gráficos, tabelas e vídeos, basta digitar a palavra-chave LUXEMBURGO
Vê lá: http://www.exame.com.br

7 de jul de 2007

O Cânone da Razão Pura e Otras Cositas Mas

Todo artista sabe, ou pelo menos tem noção, da importância da Estética em seu trabalho. Para quem foi um pouco mais a fundo fatalmente caiu em nomes como Aristóteles, Kant ou Schiller em busca de teorias que embasassem suas atividades artísticas conceituais. Pois bem, Schiller não se baseia em Aristóteles e sua “Poética” para elaborar a sua teoria sobre a estética da arte e sim em Kant, o filosofo frágil e atormentado tão caro para a modernidade.

“Sobre a Arte Trágica”, escrito e 1792, Schiller faz um estudo sobre a modernidade e as características da cultura de uma época em que envolve a relação da arte com a moral e questiona filosoficamente, com base em Kant, a liberdade na arte. Mesmo com uma importante produção filosófica Schiller se destacou para o mundo como em dos maiores dramaturgos alemães, e olha que ele era contemporâneo de Goethe – aliás tem um livro ótimo com as cartas que eles trocavam com freqüência.
Fiz esta introdução depois que vi no “NYTimes” de hoje uma matéria sobre o espetáculo “Wallestein” que estreou em Berlim (foto acima) com direção do über-director Peter Stein. Satisfazendo o desejo de Schiller a montagem do espetáculo conta com as suas 10 horas originais na íntegra e com 4 intervalos. Stein nem se surpreende com a duração da peça, ele que já dirigiu em 1971 um “Peer Gynt” genial com 6h30, uma “Oresteia” de 9h de duração em 1980 e numa tacada olímpica assinou em 2000 o épico Goethiano “Faust”, com 21 horas de duração!!! Sempre envolvido em mega-projetos Stein nem pestaneja em declarar:
- “I have a certain experience with them.”

Quem somos nós para duvidar né?! Ancorada pelo astro Klaus Maria Brandauer (“Mephisto”, “Out of África”, etc.), “Wallestein” consumiu 4.9 milhões de euros - cerca de 6.6 milhões de dólares – numa produção do Berliner Ensemble, o antigo teatro de Bertold Brecht, o espetáculo foi deslocado para uma fábrica próxima da sede do Berliner devido ao gigantismo da encenação, com mais de 80 atores em cena e uma estrutura cenográfica bem complexa.

Para quem não leu este catatau - cânone da língua alemã - eu digo que se trata de um evento especifico da historia européia que deixou uma cicatriz profunda na Alemanha, trata-se da Guerra dos 30 anos (1618-1648), uma série de desentendimentos entre católicos e protestantes envolvendo metade dos europeus, reinados e toda uma política internacional em busca de acordos que mudaram o comportamento social e econômico de toda a Europa.

Só pra não dizer que sou pedante temos sim o nosso “gênio-pau-brasil” Zé Celso com seus 5 dias de “Sertões” e que também ‘causou’ na terra de Schiller. A diferença é - como comecei lá em cima - Estética (com “E” maiúsculo por favor, para não confundirem com “bonitinho”). Ao contrário do teatro do Zé, Stein não transforma toda a sua carreira em homem de um espetáculo só, repensando em cada montagem a nossa existência, responsabilidades, erros, escolhas, falhas e fragilidades. Para Stein o que importa não é sua personalidade mas os fragmentos da historia a ser contada e como contextualizá-la nos nossos dias.

Sua crise é a mesma que deveria nortear todo artista maduro.


Também no "NYTimes" tem a estréia da nova peça do diretor Anthony Minghella, você sabe ele dirigiu no cinema “Cold Mountain”, “O Paciente Inglês” dentre outros filmes e você não sabe ele assinou a ultima produção no Metropolitan da opera de Puccini “Madama Butterfly”.

Minghella não só dirigiu como também escreveu “Politics of Passion” (foto acima), trata-se de dois textos curtos: “Hang Up” e “Cigarettes and Chocolate”, o primeiro era uma peça de radio dos anos 80 da BBC, ambos tem como tema a incapacidade de comunicação e a inadequação das palavras em situações cotidianas. “Politics of Passion: Plays of Anthony Minghella" esta no Atlantic Stage 2, no distrito de Chelsea/Nova York.

Tá aí minha dica para as férias caso você pretenda visitar Nova York ou Berlim, enjoy and auf wiedersehen!

Vê lá: http://theater.nytimes.com/pages/theater/index.html

5 de jul de 2007

Play/Pause/Stop

Tenho umas manias esquisitas mesmo... antes de colocar meu ipod no modo shuffle converso com ele (ou comigo mesmo, vai saber!) às vezes pergunto o que ele vai cantar pra mim, outras faço umas perguntas que me inquietam, tipo: “- Por que eu agi assim naquela hora?”

Aperto o play e lá vem a resposta, uma Nina Simone aqui, um dueto de opera deslocado do contexto ali, outras vezes um roquinho básico pra dizer que a vida é tranqüila e passageira, just enjoy!

Hoje perguntei pro meu 'branquinho' se ele me achava triste e ele respondeu:

“(...) Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
que a gente vai passar (...)
Abre a janela agora, deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem”
(Los Hermanos/Marcelo Camelo)

Acho que estou bem... 'em eclipse' mas bem.

4 de jul de 2007

A Liberdade é Azul (e a “elite” também!)

Acabei de voltar de um fim-de-semana em Parintins. Fui a convite da Secretaria de Cultura de Manaus, que tem como secretario da cultura Robério Braga, que já conheço há 9 anos desde o III Festival Amazonas de Opera. O festival de Parintins, para quem não conhece é uma espécie de carnaval com apenas duas escolas e duas cores: Caprichoso/Azul e Garantido/Vermelho.
Na foto ao lado temos a "tropa-de-elite" em ação!

Ao contrário do clima de disputa que estamos acostumados a assistir em desfiles de escola de samba o que vemos no “bumbodromo” é uma guerra acirrada que divide todo o estado do Amazonas em azul e vermelho e desperta a mais profunda paixão nos admiradores como se fosse um clássico futebolístico ou uma questão de sobrevivência! Juro, não estou exagerando, a primeira coisa que eles querem saber é se você já se decidiu pelo “povo”/Garantido ou pela “elite”/Caprichoso! Huuummmm difícil...

Pior ainda pra mim que não me sinto atraído por manifestações folclóricas de nenhuma espécie, prefiro ter comigo os estudos que Mario de Andrade fez nas suas temporadas pelos quinhões do Brasil afora descobrindo a origem de quem realmente somos sem tomar partido de nada e ninguém.

Devo confessar que fiquei impressionado com a dedicação que os discipulos tem com seu boi mostrando em 3 dias apresentações extremamente trabalhosas e participativas, até mesmo com a cidade em black-out e embaixo de uma tempestade diluviana tanto o “povão” quanto a “elite” não arredaram o pé da segunda noite do evento (que por decisão do júri e das escolas foi cancelada para pontuação, valendo apenas a abertura e o encerramento).

O Festival - que acontece desde 1966, em 1965 não houve disputa - esta um pouco “engessado” em dezenas de regras que seria bom alguém aplicar um “choque de gestão” (termo tão caro para muitos políticos hoje em dia) na sua estrutura de apresentação. Explico melhor:

- a apresentação se passa dentro de uma arena (que fiquei sabendo depois seria em formato de boi! Huuummmm, não passou! Alguém precisa avisar o arquiteto urgente, nunca é tarde demais! Niemeyer esta até hoje construindo os piores teatros e museus do Brasil e as vezes – poucas!- assume que errou, ou seja existe esperança) mas os bois focam é onde estão os jurados, reduzindo um espaço de 360˚ para um apertado palco italiano!

- com isso tanto o “povão” quanto a “elite” que ensaiam durante um ano coreografias e musicas (a “galera” conta pontos também, aliás enquanto um boi desfila a torcida adversária fica sentada em silêncio e no escuro durante 2h30!!!!!Disciplina budista perde!!!!) não vê mais da metade das alegorias do seu boi! Isso é o que na yoga chamamos de desapego da matéria, mas no meio da folia é um pouco demais né?!

- outra coisa é a presença de um narrador que vai animando tudo e todos aos berros, como se estivesse em um rodeio, e antecipando os “efeitos” da cena: uma alegoria que entra, um destaque que desce preso por cabos do alto de uma serpente de 15 metros e, como se fosse uma reecarnação do Rei Leônidas conduzindo seus 300 soldados espartanos, beeeeeeerrrrrrrrraaaaaaa até não lhe restar mais fôlego para a galera bater palmas!!! Sorry, no primeiro dia tive que procurar abrigo longe das caixas de som e fugi feito um persa condenado a ter os tímpanos estourados!

A solução para essas pequenas coisinhas sem descaracterizar a festa, que é de origem popular mesmo, é cênica! Fazer um roteiro dramaturgico mais conciso, utilizar melhor o espaço de arena, redimensionar alegorias, redistribuir músicos, etc. Ou seja, o difícil já esta feito e o publico ama e aprova, mais tenho certeza que pode ser muuuuuuiiiiiiiiito melhor galeeeeeeeeeeeeera!

O placar do “jogo” deste ano deu “elite”, depois de 42 anos de enfrentamento temos o seguinte resultado:
- Garantido(26) x Caprichoso(17)