1 de ago de 2007

Inferno Astral!

Pois é, agosto chegou e como estou quase chegando nos ‘enta’ fico meio que naquela obrigação em fazer avaliações sobre o que fiz e o que farei da outra metade da minha vida. Jogo duro né?

Engraçado como minhas convicções foram se relativizando (se é que existe esta palavra!) e a minha paciência foi diminuindo na proporção em que foi aumentando a minha intolerância. As contradições de certas ações também ficam mais evidentes, mas como sou artista a contradição está intrinsicamente ligada as minhas atitudes; o que eu detestava, aprendi a adorar, o que eu adorava agora detesto e quem sabe amanhã... Claro que com todo o ‘drama’ e intensidade que rodeiam os artistas!

Também procurar um pouco de sossego e fugir da cidade para pensar mais na horas e menos nos minutos faz sentido. Quando comprei meu apartamento no centro e comecei as reformas não tinha uma loja em que eu ia cujo mote para a venda era: “ah, mas leva isto que vai durar a vida toda!”. E eu pensava comigo, mas eu não quero que dure a vida toda!!! Eu posso mudar de idéia e quebrar tudo de novo, ou reconstruir a parede que destruí, ou mudar o acabamento do banheiro (coisa que aliás fiz 2 vezes em menos de 1 ano!), ou posso simplesmente vender e sair daqui. Aliás isso já está decidido e é uma questão de tempo, perdi o ‘timing’ do centrão, deixo pra molecada-skinny, eles precisam ficar mais perto dos ‘after-hours’.

Esse mês será meio assim, me agüentem!

...

Direto de Belém:

E não é que a cidade tem um monte de lugar incrível! Não fosse minha intolerância para esse calor ‘dos emirados’ eu teria vontade de sair mais do hotel e descobrir os encantos do ‘bafo-do-norte’ pela tarde, já que a noite o dever me chama.

Tenho jantado todos os dias na “Estação das Docas”, um trabalho magnífico de recuperação do antigo porto da cidade e todo o seu entorno, transformado num lugar cinematográfico com dezenas de restaurantes, bares, barcos e uma paisagem linda! Fiquei com inveja e raiva lamentando termos o Porto de Santos com um projeto semelhante prometido há anos e que nunca sai do papel e a estupidez carioca em querer uma filial do Guggenheim no seu Porto (acho que se trata da maquete mais cara da historia!) num deslumbre terceiromundista!


Almocei outro domingo num lugar chamado “Manjar das Garças”, Um restaurante-mirante também com vista para o rio, com garças passeando pelos jardins e lagos próximos. Depois do almoço você pode caminhar dentro de um “Borboletário”, uma estufa que recebe vapores de água e tem dezenas de espécies de borboletas e pássaros raros voando ao seu redor. Se você toma ácido então vai se sentir no paraíso com direito a arco-íris e tudo! Incrível!

As obras que mais chamam a atenção na cidade foram feitas pelo ex-secretario da Cultura, e também arquiteto, Paulo Chaves, ele simplesmente mudou a cara da cidade recuperando muitos casarões antigos em áreas antes degradadas e pouco valorizadas. Claro que cansamos de ver coisas do gênero, principalmente quando viajamos para fora, mas o que se fez aqui não foi aquela reforma ‘caça-turista-trouxa’, foi algo pensado para quem mora aqui e usufrui dos serviços e, claro, atrai o turista que se sente respeitado e gasta com prazer.

Tomara que São Paulo siga o exemplo e transforme realmente a ‘nova Luz’ em um bairro que atraia novos moradores e, por quê não, turistas também! Dinheiro não falta e exemplo temos de monte, além de Belém temos também Recife e se não quiser ir muito longe que tal Bogotá? Por falar em Bogotá, além da recuperação da cidade poderíamos seguir também o exemplo da ‘politização’ dos colombianos, um povo extremamente participativo e inteligente e que há muito tempo não é só favela-tráfico-máfia (você lembrou do Rio?).

Abrindo um parênteses, num ‘momento Forrest Gump’, quero dizer que conheci boa parte da Colômbia numa época em que ela vivia em estado-de-sítio com toque de recolher e tanques nas ruas. Passei por Manizales, Bogotá, Pereira e Medellín e era a mesma coisa, tanques, segurança máxima, guerra entre chefões do tráfico e juizes, prisão-fuga de Pablo Escobar, granadas, etc. Fico feliz em saber que uma nova geração não se deixou abater e reagiu a tudo isso, enquanto nós...

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