31 de ago de 2007

Livros (ou, nada mais que a verdade)


Fugindo um pouco dos meus estudos líricos pelo Norte, trouxe para ‘refrescar’ o ultimo livro de Thomas Friedman, foto ao lado, “O Mundo é Plano”, que acabei de ler, fala sobre o ‘achatamento do mundo’ e de como a evolução tecnológica somada a pequenos acontecimentos histórico-culturais serviram para aproximar o planeta e quebrar fronteiras. Mostrando como “a queda dos muros, o nascimento do Windows, a digitalização de conteúdo e a difusão do navegador da Internet” nos aproximaram a ponto de romper dificuldades lingüísticas e culturais. Estabelecendo um novo código de conduta ético-trabalhista Friedman amplia a discussão sobre o satanizado processo de globalização. Não temos como fugir baby!

Direto de Belém:

Vi numa notinha no “Diário do Pará” que a “Livraria da Braz” estava com descontos, inclusive nos lançamentos! Pertinho do hotel fui caminhando, desviando das mangas verdes que caem aos montes dos inumeros mangueirais espalhados pelas ruas, tornando uma simples caminhada numa bem possível fratura craniana! Um lugarzinho pequeno e simpático num corredor comercial; fui atendido pelo dono, Antonio Moura, figuraça, que me contou horrores sobre a crise cultural da cidade e os ‘novos-velhos-falidos’ culturais. Comprei o ‘bloco’ de Robert Fisk “ A Grande Guerra da Civilização – A Conquista Do Oriente Médio”, umas 1500 paginas pra eu entender direitinho o que se passa naquela região que ninguém sabe onde fica e nem o que eles querem! Daqui uns meses darei o resumo, hummmm.

Tem uma livraria-padaria-café incrível aqui, a “Nobel”, que conhecemos, ocupou um casarão fazendo de seus anexos um bistrô e um estacionamento. No meio das estantes de livros tem um balcão com frios e pães, que são feitos nos fundos da livraria, num outro ambiente tem mesinhas para tomar um café e jogar conversa fora. Comprei e terminei de ler “Foucault: A Coragem da Verdade”, resumo dos dois últimos cursos ministrados por Foucault entre 1983 e 1984. Abordando sobre a noção da parrhesia (falar francamente) e suas conseqüências numa sociedade moderna.
Descartes, por exemplo, acha normal que um sujeito imoral tenha acesso à verdade: “- Posso ser imoral e conhecer a verdade”. Já para a filosofia grega, encarnada por Sócrates, “um indivíduo notoriamente imoral não pode conhecer o verdadeiro” e mais, a parrhesia é uma atividade verbal na qual um falante exprime sua relação pessoal com a verdade e arrisca sua vida, pois considera que o dizer verdadeiro é um dever em vista de melhorar ou ajudar a vida dos outros (...), o falante faz uso de sua liberdade e opta por falar francamente em vez da mentira e do silêncio, pelo risco de morte, em vez da vida e da segurança, pela critica, em vez da bajulação, pelo dever moral, em vez de seus interesses e da apatia moral.”
Bem apropriado para algumas figuras políticas, não acham?

O Sr. Jinkings, emoldurando uma janela à esquerda, vendia livros na linda Praça Batista Campos, como todo bom mascate com sangue estrangeiro, comprou uma casinha nas proximidades e foi ampliando o negócio, que hoje é a maior livraria de Belém, até transformar seu espaço numa ‘livraria-café-jam’, com musica de boa qualidade e uma variedade incrível de livros e comes e bebes. Numa casa anexa fica o acervo que será aberto como sebo aumentando as opções de títulos disponíveis. A Livraria hoje é administrada pelos filhos (o Sr. Jinkings faleceu faz uns 10 anos) e conta com uma funcionaria que já trabalha por lá há uns 17 anos, quando ela viu meu cartão de crédito ‘das Casas Bahia’ (sim eu tenho mesmo e adoro!!!) seus olhos brilharam. Me disse que tinha dois sonhos: visitar uma “Casas Bahia” e conhecer o Silvio Santos!!! Pode? Até a biografia do Samuel Klein ela já tinha lido! Vai ver era inspiração do sucesso do seu ex-patrão, pra ela agora só resta lamentar o boicote das redes varejistas daqui em gongar as ‘super-redes’ do sul.
Almocei no café, nos fundos da livraria, emoldurado por uma pintura do rosto de Karl Marx (isso é que é idealismo!), pra não ficar fora do contexto, comprei “Cultura e Política” de Edward W. Said, foto ao lado, intelectual palestino especialista nos conflitos do Oriente Médio. Já havia lido “Orientalismo” e “Paralelos e Paradoxos” escrito em parceria com o maestro Baremboim, infelizmente Said morreu de leucemia em 2003.

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Você já leu?: “O Mundo é Plano”/Thomas L. Friedman, editora Objetiva
“Foucault: A Coragem da Verdade”/Organização: Frédéric Gros, editora Parábola
“Cultura e Política”/Edward W. Said, editora Boitempo
“A Grande Guerra da Civilização – A Conquista Do Oriente Médio”/Robert Fisk, editora Planeta

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Se Joga: “Livraria da Braz”
Av. Braz de Aguiar, 431- Galeria D’Alessandro/Tel. 91-3225-0726
“Nobel Belém”
Travessa Quintino Bocaiuva, 1696A Nazaré/Tel. 91-3222-4080
“Livraria Jinkings”
R: dos Tamoios, 1592/ http://www.jinkings.com.br

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