31 de out de 2007

Cultos e Selvagens!

O amor começa quando uma pessoa se sente só e termina quando uma pessoa deseja estar só. (Tolstói)

Existem autores que precisam ser lidos numa idade certa, pois só assim conseguem realizar ‘pequenas revoluções interiores’. Thoreau é um deles, seu manual anarquista pacifista light “Desobediência Civil” quando lido aos 16/17 anos é capaz de enlouquecer e tornar rebeldes filhos de todas as castas! Aconteceu comigo.

Bem compreensível que Sean Penn tenha se encantado com o projeto de filmar “Into the Wild”, mais compreensível ainda que a trilha original venha assinada por Eddie -Pearl Jam- Veder, ambos ‘anarquistas pacifistas’ de primeira linha!

O filme vem da biografia de Christopher McCandless que tendo terminado a faculdade joga tudo para o alto, assume o pseudônimo de Alex Supertramp e se joga numa trip de auto-conhecimento revivendo uma espécie de Kerouac bem comportado.

O filme é narrado as vezes por Chris-Alex e outras por sua irmã, que ficou segurando a barra dos pais. Família aparentemente bem sucedida e problemática cujo american way of life pode nos remeter a abertura de um clássico de Tolstói (“Anna Kariênina”, apenas para ficarmos num autor que é tão caro ao protagonista):
- “Todas as famílias felizes se parecem, cada família é infeliz à sua maneira”.

Enfim, não quero ser estraga prazeres (como o Merten, que conta final de filme no “Estadão”) mas nessas andanças Chris-Alex topa com figuras arquetípicas que vão deixando um rastro de melancolia que só termina quando perde aquilo que ele mais procura:
- A Liberdade.

É provável que o filme entre em circuito comercial logo, já que esta legendado.
Veja o filme, compre a trilha, leia o livro e se você já passou da fase adolescente e não leu Tolstói, Kerouac, Thoreau ou Salinger o que você está esperando véio?
Desliga a televisão e leia, depois a gente se fala!

"PERSÉPOLIS" é tudo!

Deixei meu preconceito de lado com filmes de animação e me joguei em “Persépolis”, cine-biografia de Marjane Satrapi, que já é quadrinhos lançado aqui pela Cia. Das Letras! Waall, e eu que pensava que o Richard Linklater com sua animação existencialista “Waking Life” já era tudo! Errado, “Persépolis” é tuuuuuudo e mais um pouco.

Marjane, mais seu parceiro na direção Vincent Paronnaud, conta sua vida no Irã, a destruição de sua cidade durante o período da guerra, sua ida para Europa, sua volta e novamente seu exílio. A relação com sua avó é hilária e tocante.
Quando menina se encanta com os ‘revolucionários’ da sua família que lutam contra o regime do Xá, adolescente, engana os ‘guardiões-da-revolução’ com sua paixão pelo rock do ocidente (que evolui com a idade passando de Bee Gees à Iron Maiden!).

Um filme incrível como linguagem, mesmo se tratando de uma bio - digamos dramática - em nenhum momento resvala para o piegas ou o panfletário!

Se puder se joga:
Dia 31 no Cinesesc as 21h10
Dia 01/11 na Cinemateca as 15h10

30 de out de 2007

Eles são ou não são? SIM, SÃO!

Alex Turner, vocalista dos Macacos, simplesmente um luxo!

Então, teve a “Björk”(falei aqui embaixo), “Hot Chip”(som gay e gostoso), a “Juliette” (louca e gostosa), soube que os “Killers” arrasaram (fiz a véia e não agüentei, além do mais já sabia como seria), mas quer saber quem valeu a noite? Eles mesmos, os moleques do “Arctic Monkeys”.

Numa segunda qualquer no “Folhetim", da Folha, o odiado (não por mim!) Álvaro Pereira Junior sentenciou que o que os macacos cantavam era incompreensível até para os ingleses! Waall, vou dizer uma coisa, num giro de 360 graus da onde eu estava TODOS cantavam as letras no melhor inglês da terra de Shakespeare como se estivessem no festival de Glastonbury ou coisa assim! Incrível! E não era decoreba não senhor, cada um tinha uma relação com alguma música cantada! Isso tudo eu ouvia de orelhada, fiquei bege e amei!!


Muito antes dos meninos com cabelos beatlenianos lançarem seu primeiro disco já estava na internet um monte de músicas que a gurizada baixou e começou a bombar a banda! Daí pro primeiro disco foi uma histeria só no mundo do rock. Agora vamos combinar, é difícil resistir ao lançamento de um primeiro disco cujo título diz: “Whatever People Say I Am, That's What I'm Not”.

TUDO foi lindo e mágico desde o coro dos impúberes adolescentes ao meu redor gritando:
“- Kick me out, kick me out” em resposta a: “I don't want to hear you” em “Fake Tales Of San Francisco”.
Ou fazendo um air drums em “Fluorescent Adolescent” (do segundo álbum), chorando em “A Certain Romance” com gritos de:
“- Essa é a música da minha vida!!!”
Ouvir isso de um cara com não mais de 20 anos foi lindo e engraçado. Valeu a noite!

Que novela que ela faz?

Björk, uma saltenha Boliviana ou uma espécie de Turandoida?

Dei mais uma cabulada na Mostra e fui ver minha musa Björk no Tim Festival; e não é que eu não gostei! Quer dizer, se fosse no Auditório Tim - onde foi o show do Antony - eu ia amar do começo ao fim, mas naquele espaço (onde eu já tinha assistido os meninos dos Strokes em 06) não rola o tipo de espetáculo que a fofa propõe. Como ela teve a coragem de cantar acompanhada apenas por um cravo! E outra, precisava cantar “Jóga”, a única faixa que TODOS nós pulamos do álbum “Homogenic”?

Vestida com um parangolé multi-étnico, parecia uma Boliviana para uns (gracias Andréia!) e uma espécie de Turandoida para outros (Franco! Ahahahah) com cenários pseudo-antropológico influenciado nitidamente pelo seu marido (Matthew Barney, que consegue ser mais conceitual do que a própria!) Björk se trumbicou ao não seguir a máxima do Velho Guerreiro e deixar de se comunicar com um público tão diverso e louco por diversão. Acabou o show sendo taxada de chata (o que foi!) pela maioria e só agradou seus fãs mais fundamentalistas, né Marcelinho?!

Fica pra próxima!

28 de out de 2007

Louis Garrel em "Les Chansons d'amour"

"Canções de Amor" começa com um ménage a trois e termina com uma relação gay. Evidentemente estou sendo grosseiro e simplificando o filme, que usa dos recursos musicais para contar uma história de desejo, encontros-desencontros, crises, dor, perda...

Louis Garrel em "Dans Paris"

Este é o início de "Em Paris", Garrel faz o prólogo do filme acompanhando o relacionamento de seu irmão, que está na fossa total, depois de um fora da namorada.
Ah, Garrel fica nu boa parte deste início, mas isso é um detalhe né? Hehehehe.

Declaração de Amor à LOUIS GARREL!

Poderia simplesmente escrever JE T’AIME, me mudar para Paris e começar uma caçada louca em tua procura. Sua sorte é que estou chegando nos 40 e certas loucuras a gente faz aos vinte e depois num outro nível aos 50, então me aguarde mais uns 10 anos! Você provavelmente estará com uns 30 e poucos... huummm.

Te vi pela primeira vez em “Os Sonhadores”, retrato delicado de 68, feito pelo mestre Bertolucci. Que perturbador!
Pouco depois enfrentei mais de 3 horas de “Amantes Constantes”, dirigido pelo seu pai num retrato um pouco mais complexo sobre o mesmo período.

E agora numa sessão dupla saio da Mostra de Cinema hipnotizado com “Em Paris” e “Canções de Amor”! Desço a rua Augusta, desviando de garrafas atiradas das saunas, com a última frase de “Canções...” martelando na minha cabeça:
- “Eu não quero que você me ame tanto, quero que você me ame para sempre!”
Isso dito em cima de uma marquise no maior malho com um garotinho bretão !!!!

Você quer acabar comigo Garrel?

27 de out de 2007

E aí mano, vai encarar?

O Estadão do dia 25 deu que “A Defensoria cria serviço para gays”, a transa é a seguinte, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo criou um órgão para orientar e oferecer assistência gratuita (a quem ganha até 3 salários mínimos) para casos de discriminação sexual, que antes eram atendidos no âmbito administrativo e não criminal.

As vítimas são encaminhadas ao Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia (tel. 11-3106.8780), que dá assistência psicológica e jurídica. Grava o número no celular bee!!!

...

Outra coisa que chamou a atenção nesta semana foi uma campanha na Itália contra a discriminação de homossexuais mostrando a foto de um recém nascido com uma etiqueta “homossexual" no pulso. “A orientação sexual não é uma escolha”, diz o cartaz, o que você acha disso?

Juventude Transviada e Paranóica

Gus Van Sant é um cara incrível mesmo, acerta até quando erra feio (lembra de “Até as Vaqueiras Ficam Tristes”, com a deduda da Uma Thurman?) e acerta mais ainda quando fica no seu seara que é retratar o mundo adolescente.
Com “Paranoid Park” volta com a garotada amadora e descabelada, que mal articula suas frases em cima de um skate, que perde a virgindade e se aventura na tentação de um mundo adulto e desconhecido.

Está lá a sua marca registrada nas cenas em câmera lenta, das quebras de narrativa e como no superior “Elefante” o tratamento especial que ele dá ao Som. Não confunda com a trilha incidental ou as músicas que aparecem no filme, eu estou falando do Som como efeito de linguagem! Um exemplo é a cena em que o moleque toma um banho e o que era uma simples água caindo do chuveiro para limpar a culpa do garoto se transforma num surreal gorgear de pássaros coberto por uma tempestade ensurdecedora.
Mesmo efeito em “Sindicato de Ladrões” com Marlon Brando sendo encoberto pelo som de um trem, se você não viu se joga na locadora mané!

O filme está programado para estrear por aqui - em SP - apenas em janeiro, mas como “Last Days” (seu último filme que é sobre Kurt Cobain), também estava previsto para estrear e entrou direto no mercado de vídeo, se liga!

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PS: O Ismael Caneppele me enviou o Blog do Blake Nelson que é o autor do livro no qual o filme foi baseado, se liga: http://www.blakenelsonbooks.com/

26 de out de 2007

Sobreviveremos!

Dei um tempo na Mostra e me joguei no show do "Antony and the Johnsons" no Tim Festival! Waall, vamos combinar que o cara tem um mood mais pro sarcástico do que pro deprê! Pelo menos quando ele nos entretem com histórias engraçadas sobre os músicos (com suas aventuras em SP) ou com discursos feministas (tipo, "fale com sua mãe!").
Já quando Antony senta no piano e abre a boca ... humm, meu amigo...

Acompanhado de 4 músicos o show estava mais para um concerto de câmara e antecipo que das músicas conhecidas a mais tocante foi a versão apresentada de "Twilight" (daquele álbum em que na capa ele representa uma espécie de Iemanjá Hare Krisna).
O momento, sem dúvida, mais surpreendente foi sua interpretação beeeeeeeemmm particular de "I Will Survive"!!!
Pasmem, vocês nunca ouviram(ão) nada parecido!
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Bom, antes teve também a maluca da Cat Power num momento, vamos dizer, um pouco "quimicamente alterada" (do you know what I mean?).
A queridinha instituiu uma postura cênica que mistura um quê de Mick Jagger (sempre com as mãos no quadril, lembram-se?) com outro tanto de mãe-de-santo!

Cantava para as caixas de retorno (beeemmm lôka!) e vivia entrando na coxia pedindo som mais alto. Mas o produto que ela aspirou era do bem (ao contrário do da Macy Gray, quando veio pra cá!) e ela fez a fofa, mas, claro tinha aquela atitude nonchalance que a gente já conhece dos roqueiros! Ai que preguiça...
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Ah, teve uma apresentação antes dela também, foi o... aquele cara, o... ah, deixa pra lá!

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Coisinhas chatas:
- a iluminação do Antony! Gosh, please me contrata que eu até emagreço a bee!
-
uma bitch que roubou da mão de um groupie o set list que a Cat deu pra platéia no final.
- se minha avó viva fosse eu a apresentaria para o Toni Platão. Ela lhe ensinaria que as vezes é preciso dizer não para algumas oportunidades que a vida nos oferece! Falei.
- o bis para o Toni, puxado APENAS pela sua entourage, tipo Monique Gardenberg (que passou boa parte do show do Antony falando no celular!), Debora Colker (sua mulher, a única que cantava tudo e que foi sentar nas escadas no show do Antony e começou a praticar um alongamento básico! Estranha...)
- alguém pode me dizer quem teve a infeliz idéia de colocar o Zuza Homem de Mello narrando antes de cada atração? O melhor foi Cat, a lôka, dublando a narração que falava dela mesma. Impagável!

Curiosidade:
- Afinal, que karai tinha naquela bolsa que o Antony carregava?

24 de out de 2007

Fuja, baby, fuja!

Bom, a Mostra de Cinema taí e pretendo fazer um resumão depois. Desisti de recomendar filmes já que tem sempre um xiita cultural que me tira do sério com os "imperdíveis" da vez, então não quero passar carão e perder a amizade!
Mas como me provocaram eu vou falar! hauahuahauahau

Simplesmente PERCA, FUJA, DURMA, no último filme de David Lynch "Império dos Sonhos", este senhor de penteado esquisito já tinha acabado com a carreira da Laura Dern (se é que ela realmente começou alguma), mas desta vez ele se superou e simplesmente jogou a pá-de-cal no que restou! Será que ela estava devendo condomínio? Clima...

Mais, depois...

18 de out de 2007

Há limites, meu caro senhor!

Que coisa essa história do padre Júlio Lancelotti hein!!!
Agora vem cá, santa ingenuidade né padre, o cara dá um carnê com 30 prestações de uma Pajero, o padre paga cerca de 20 no valor de R$2.200,00 por mês e diz que só queria ajudar o cara a se regenerar!!!
Olha padre eu tenho um carnezinho com umas prestações de um terreninho que comprei na Serra e preciso de uma forcinha. Sabe o que é, eu tenho umas vontades estranhas quando passo na frente do Mackenzie e vejo aquela playboyzada saindo da faculdade! Mas acho que posso me regenerar com a sua ajuda, topas?

Falando sério essa história do padre é "clássica" e todo mundo sabe como termina, embora este final esteja mais pra filmes do Almodóvar do que Pasolini.
E o padre, na sua fé, não deveria levar tão a sério os ensinamentos de Santo Agostinho como:
"A medida do amor é amar sem medida".

14 de out de 2007

O Acontecimento do Ano!


Estou ainda sob o efeito paralisante das 7 horas que “Lês Éphémères” provocou em mim! Danilo (SESC) Miranda, com certeza contribuiu para o maior acontecimento cultural do ano de 2007 (e olha que o ano nem acabou e teve concorrentes fortes como Anish Kapoor, para ficarmos num só exemplo!).

O Théâtre du Soleil dirigido há mais de 40 anos por Ariane Mnouchkini pode, hoje, parecer pouco ‘libertário’ se pensarmos nas experiências arrojadas que Pina Baush propõe atualmente com seu grupo, por exemplo, mas sem sombra de dúvida o resultado do que vemos em cena é de uma pesquisa tão requintada que fica difícil simplificar suas ações no contexto de uma ‘simples peça teatral’.

Embora esteja dividido em duas partes o espetáculo só funciona como ‘exercício de linguagem’ na sua versão integral, assim quem conseguiu apenas ingressos para a segunda parte com certeza terá todo o direito de detestar ou achá-lo massante!
Já quem optou pela primeira parte sairá bastante satisfeito com as histórias ‘efêmeras’ que se cruzam e se bifurcam, apresentando pequenas jóias como o comovente episódio “O aniversário de Sandra”, última cena antes do primeiro intervalo da Parte 1.

Interpretado dolorosamente por Jeremy James este episódio foi o primeiro a arrancar aplausos em cena aberta de uma platéia sinceramente comovida. James interpreta um travesti que sozinho no seu apartamento comemora seu aniversário, surpreende algumas crianças que sempre o observa pelo buraco da fechadura mas apenas uma menina tem coragem de aceitar o seu convite e entrar. Sabemos então que a menina não conheceu sua mãe, que morreu num acidente e Sandra, a travesti, além de ter uma relação cordial e telefônica com a sua mãe não consegue ter um diálogo com seu pai. Sem frescuras, maneirismos fáceis ou sentimentalismo barato a cena é desenvolvida com uma humanidade que nos deixa com um nó na garganta e mostra o quanto ‘Prêt-a-Porter’, do CPT, e seus atores tem de aprender ainda!
Aliás humanidade é um bom termo para resumir os temas apresentados em cada história desenvolvida e que numa carta a Eugênio Barba, Mnouchkini resume como “nossos pequenos apocalipses”.

Cada cena apresentada desliza em pequenos praticáveis com rodas, operados por atores da companhia (revezando-se), que com movimentos circulares (180 ou 360 graus) às vezes contínuos funcionam como se o público tivesse uma câmera na mão não perdendo um detalhe ‘naturalista’ que compõe a ação!
Talvez essa opção tchecoviana pelo naturalismo desagrade alguns que tenham visto outros espetáculos do Théâtre du Soleil. Há quem prefira a aridez da trilogia “Oresteia”, por exemplo, mas a evolução de Mnouchkini, hoje, passa por razões e questionamentos dos que são efêmeros.

Vamos combinar que cobrar de Mnouchkini, Peter Brook ou Antunes Filho a cada espetáculo uma revolução soa um pouco irresponsabilidade, já que a sociedade evolui bem lentamente nos seus paradigmas enquanto os mestres, bem os mestres nos mostram que rumo seguir quando nem sabíamos que havíamos errado o caminho. É essa a verdadeira lição que levamos para os nossos travesseiros.

Agora durma com um barulho desses!

P.S 1: Nem vou mandar você se jogar porque os ingressos estão esgotados faz tempo, mas tá rolando uma mostra de documentários sobre Mnouchkini e seu grupo no Cinesesc, corre que é de graça e tem muito close na fila.

P.S 2: Óbvio que Juliana Carneiro da Cunha esta fantástica, deslumbrante e tem cenas emocionantes mas carregando os mesmos adjetivos (ou até mais) tenho de destacar a iraniana Shaghayegh Beheshti que interpretando Perle faz uma composição irretocavelmente bufonesca de uma velha nos seus últimos dias que sonha em conhecer a Mesopotâmia. Impagável!

12 de out de 2007

Rock This Party (ou: liberte o seu erê!)

Essa é para o dia das crianças!
Eu era igualzinho esse pivete, ficava dublando e imitando tudo o que via na tv! E é claro que sei a coreo de "Triller" inteirinha!
Pede que eu faço depois de umas 4 gim-tônica! hauahauahauahuah

P.S: Se você gostou deste video se liga neste "Love Generation", também do Bob Sinclar e com o mesmo moleque!

PAULO AUTRAN (1922-2007)

Que os Deuses do teatro reservem um bom lugar para ele!

A "Foca" da vez

Os jornais de hoje estão precipitadamente deliciosos! Motivo: o afastamento no nobre colega alagoano.
Para não enfrentar o ‘excesso de democracia’ dos jornalistas de plantão “A Foca Alagoana” (Renan, do francês = foca) preferiu fazer um pronunciamento pela TV Senado exortando a sua honra e honestidade: “- O poder é transitório, enquanto a honra é um bem permanente(...)”. E por outras vezes numa métrica torta revela-se um pseudo-Kundera: “- A minha trincheira de luta sempre foi a inflexível certeza da inocência (...)

Ora, me poupe! O que a gente tem de ouvir pra ter 45 dias de folga deste senhor! Pior mesmo foi a opinião dos aliados, insuperavelmente resumida pela frase do anacrônico senador Wellington Salgado: “ – (...) É um momento triste, em que a democracia, tudo o que estudamos, tudo o que aprendemos nesse mundo moderno, não esta adiantando”.

Como assim?! Onde esse cabeludo tem estudado? Sei qual é o receio deste senhor, é que nenhum dos aliados quer a pecha de Brutos do Senado Federal a sair recitando Shakespeare e seu “Julio César” pelas planícies:
- “(...)ainda és poderoso! Teu espírito vaga pela terra e faz virar nossas espadas contra nossas próprias entranhas.
O resumo do dia vem com a coluna, de Vinicius Torres Freire (tal qual Funes, o Memorioso!) na Folha, “Renan na poeira da história”, que remonta mais uma vez a gênese da sempre ‘crise institucional’. Sua pergunta no final é "isso é crise ou é rotina?

E sabe o que A Foca de Alagoas disse aos jornalistas que o aguardavam?
- “Vocês não foram gentis comigo”.

Depois entra em extinção e não sabe o porquê!

Jabá das Arábias!

Passei os últimos dias me atualizando no cinema e antes dos filmes assistia a uma propaganda da Emirates Airlines (em cinemas diferentes, diga-se) com uma velhinha oriental no topo de um hotel blade runner dando 'close' num helicóptero pela primeira vez. Acho que vi isso umas quatro vezes só nesta semana!

Pois não é que Estadão e Folha desta quinta dão destaque para a tal companhia aérea. No Estadão a cobertura é para a visita do Sheik Ahmed bin Saeed Al-Maktoum e a abertura oficial da ponte aérea São Paulo-Dubai. Já a Folha deu capa no Caderno de Turismo com pilhas de serviços sobre os Emirados Árabes e a cidades de Dubai.

Bem, a gente sabe como funcionam essas coisas mais que é um puta marketing das arábias isso é hein!

11 de out de 2007

O IPhone já era...

O NYTimes de hoje no seu caderno de tecnologia BITS (Business- Innovation-Technology-Society), traz um artigo sobre a mais esperada novidade do último minuto: o Google’s Phone!
Começou a febre coletiva que ataca como uma virose a nação geek que estressada, amplia a rede de discussões sobre o maldito celular! A manchete de outra matéria, no mesmo caderno no dia 10, era: “One Reason We Need a Google Phone: Free GPS”.

Só isso já vale 10 IPhones! Representantes da Fundação Mozzila anunciaram realmente que o grupo está trabalhando em uma versão móvel do seu navegador de código aberto Firefox (que eu uso no meu IBook companheiro e que você deveria testar viu).

O bom dessa jogada toda é que com o lançamento do IPhone deu pra ter um panorama dos dispositivos utilizados e como que o consumidor interage com sua interface simples e moderna. Claro que existem algumas funções abertas em alguns telefones, mas elas são muito rudimentares e pouco atraentes.

Putz, com isso acalmaremos os geeks até o primeiro semestre do próximo ano, aguardem notícias e se souberem de algo peloamordedeus me contem antes! Hauahauahauhaua.

2 judeus e 1 cristão na frente da merda que fizeram!

Acabei de assistir “A Breve Interrupção”, no Satyrianas, mais um surto unplugged de Gerald Thomas! Texto hilário e cortante que segue a linha “meta-personalidade” com os críticos Sérgio Salvia Coelho (Folha) e Alberto Guzik (que nos últimos anos faz mais o tipo “Homem de Teatro”! E nos prova que podemos sempre reinventar nossa carreira).
O que se vê na tenda de circo, que abriga a série “Drama Mix” do evento, é um pequeno tablado com três microfones, três marcas de fita crepe simbolizando duas estrelas de David e uma Cruz (na frente de cada microfone) e no centro uma caneca com um... cocô.

Logo após a apresentação oficial de Gerald ("- eu esperei 30 anos para virar amador"! Hauhauhaha), os críticos são empurrados para cena, amarrados, colocados de joelho de frente para o microfone e inertes nesta posição, quase que becktiana, são inquiridos por um ator-alter-ego-do-Gerald, Edson Montenegro (claro que negro!) que antes de começar o 'julgamento' põe uma kipá na cabeça e tentar acender um cigarro Gitanes!

O que se ouve em seguida é uma série de acusações, depoimentos e auto-crítica que estamos acostumados a ouvir do próprio Gerald, seja no seu maravilhoso Blog, ou em peças recentes. Mas ouví-las da boca de um crítico as tornam muito mais saborosas! E que surpresa ver a 'atuação' de Sergio Coelho que como crítico mostra-se um ótimo ator (sorry, não resisti!).

Num dos melhores momentos da “tortura” dos críticos um outro ator (Pancho Capeletti), inquirindo Sergio, aponta para o Guzik e solta:
-“Tá vendo ele? Ele é mais velho que você 20 anos! E ele era de uma época em que a crítica era Crítica!”
E a cara do Guzik, com um sorriso de satisfação pelo seu legado, é impagável e só que viu, viu!

Ou no momento em que o Sergio provoca Guzik perguntando quantas vidas ele tinha destruído, matado mesmo! Hahahahaha
Isto quando o próprio Sergio não estava em surto recebendo o karma do presidente do Irã Ahmadinejad! Repetindo sempre: Ahmadinejad! Ahmadinejad! Hahahahaha

Valeu o dia! Parecia tudo meio surreal saindo daquela tenda no meio daquela praça em pré-reforma, tudo ganhava ares de um grande bunker e quem saia da prisão era nós, artistas!
Gracias señor Gerald!

Te amo.

10 de out de 2007

O Rolex da discórdia

O assunto do Rolex do Luciano Huck já deu o que tinha de dar mas não resisti a gargalhada quando li a coluna do Elio Gaspari hoje na Folha. Como tenho amigos-leitores do Norte (e eles tem mais com o que se preocupar do que assalto de celebridades!) resumo a história assim:
- a doce Angélica presenteou seu marido, e também apresentador com um relógio Rolex, pois bem, o maridão bobeou e perdeu o mimo para um assaltante de moto. Huck se revoltou, ao contrário de dezenas de amigos seus, e tascou uma carta desabafo na "Folha de S.Paulo". Isso faz 2 semanas! Foi um tsunami de cartas indignadas na redação, deu nas Páginas Amarelas da “Veja” e culminou essa semana com um artigo do escritor, sensação da favela, Ferréz que acha que entre perdas e danos os dois (burguês e bandido) saíram no lucro! Waalll

E não é que o brilhante Gaspari me vem com essa pá de cal da fina ironia, resumo o final do texto:
- "Quis o Padre Eterno que esse debate indigente acontecesse logo na semana do 40º aniversário da execução de Ernesto Che Guevara, o Guerrilheiro Heróico. Se Angélica dissesse que deu o Rolex a Huck como parte dessas celebrações, a discussão ganharia um denso conteúdo ideológico.
Quando Che foi assassinado, no mato boliviano, tinha dois Rolex. Um, modelo GMT Máster, era dele. O outro, marcado com um X, era uma lembrança que tirara do pulso de um combatente agonizante".

Pode?! Hauahauahauahuahau, o titulo da coluna de hoje é “O socialismo precisa de um Rolex”, vale a pena ler!
Dá uma visitada também no que o Tony Goes escreveu aqui no Blogspot!

No fim do Arco-Íris há...

Claro que você já ouviu, já tem, já sabe de cor as letras!
Claro que você ainda está com dúvida se será primeiro os pulsos, a garganta ou...


Se joga véio: www.inrainbowns.com

8 de out de 2007

Maratona Teatral "Satyrianas-2007"

Amigos e curiosos segue abaixo a programação completa do evento "Satyrianas" do multiplicador teatral Grupo Satyros.
Tem pra todos os gostos, enjoy!

Dia 11/10, Quinta-Feira

16h00 – "Panteon dos Orixás" (dança), Grupo Ilú Obá de Min – local: Praça Roosevelt
17h00 – "As árveres somos nozes" (teatro), Grupo Kd eu, local: Espaço dos Satyros Um
17h00 – "Coração do Boxeador" (teatro), Grupo Paidéia, local: Espaço dos Satyros Dois
17h00 – "Nada de Novo" (teatro), Grupo Parlapatões, local: Praça Roosevelt
17h30 – "Massa" (dança), Célia Gouveia Grupo de Dança, local: Praça Roosevelt
18h00 – "Vestir o Pai" (teatro), Grupo Pequeno Teatro das Inquietações, local: Satyros Pantanal
19h00 – "Diários da Sede" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
19h00 – "Quando as Máquinas Páram" (teatro), Grupo TUSP, local: Teatro TUSP
20h00 – "Assim é" (vídeo), local: Satyros Pantanal
20h00 – "Orestéia - o canto do Bode" (teatro), Grupo Folias, local: Galpão do Folias
21h00 – "Sexo Oral" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
21h00 – "Delicadeza" (teatro), Grupo Kuringa, local: Espaço dos Satyros Dois
21h00 – "Eu Odeio Kombi" (teatro), local: Espaço Parlapatões
21h00 – "As histórias dos Amores Difíceis" (teatro), Grupo Simples de Teatro, local: Teatro do Ator
21h00 – "Cadeira Falando" (teatro), local: Teatro da Vila
21h30 – "Fuga Fora do Tempo" (dança), Cia. Corpos Nômades, local: Companhia Corpos Nômades
22h30 – "Lesão Cerebral" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
23h00 – "Abo" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
23h00 – "Prego na Testa" (teatro), local: Espaço Parlapatões
24h00 – "Primeiro Amor" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
24h00 – "Uma Lição Difícil de Esquecer" (teatro), local: Teatro do Ator


Dia 12/10, Sexta-Feira

01h00 – "Assim é" (vídeo), local: Satyros Pantanal
01h00 – "Noite da Panelada" (teatro), local: Espaço Parlapatões
01h30 – "Psicose 4h48" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
01h30 – "Trinta Anos, Três Anas" (teatro), local: Teatro do Ator
02h00 – "Deve ser do Caralho o Carnaval em Bonifácio" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
02h30 – "Ajeitando o Saccro" (teatro), local: Espaço Parlapatões
03h00 – "Beckett in White" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
03h00 – "Sinfonia Patética" (teatro), Cia.de Orquestração Cênica, local: Espaço dos Satyros Dois
03h00 – "Um Año de Amor" (teatro), local: Teatro do Ator
03h30 – "O Homem que queria ser Rita Cadilac" (teatro), local: Espaço Parlapatões
04h30 – "O Homem do Beijo Diferente" (teatro), Cia. Artera, local: Espaço dos Satyros Dois
05h00 – "Cântico dos Cânticos" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
05h30 – "Inevitável" (teatro), Cia Nem Nome Tem, local: Espaço dos Satyros Dois
10h00 – Café Literário (encontro literário), local: Espaço dos Satyros Um
15h00 – "Visitando Arrabal" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
15h00 – "Ensaio Aberto" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
16h00 – "Amor e Traição: um Olhar Sobre o Tema" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
16h00 – "HIV" (teatro), local: Satyros Pantanal
16h00 – "Eu Experimento" (teatro), local: Praça Roosevelt
17h00 – "Negro de Estimação" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
18h00 – "Memórias da Rua" (teatro), Cia Barracão, local: Espaço dos Satyros Um
19h00 – "Moscarda" (teatro), local: Teatro do Ator
19h00 – "Navalha na Carne" (teatro), Grupo TUSP, local: TUSP
20h00 – "Assim Parece" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
20h00 – "Cidadão de Papel" (teatro), local: Teatro da Vila
20h00 – "Orestéia – O Canto do Bode" (teatro), Grupo Folias, local: Galpão do Folias
21h00 – "Delicadeza" (teatro), Grupo Kuringa, local: Espaço dos Satyros Dois
21h00 – "Eu Odeio Kombi" (teatro), local: Espaço Parlapatões
21h00 – "Quatro Num Quarto" (teatro), local: Studio 184
21h30 – "Só as Gordas São Felizes" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
21h30 – "Fuga Fora do Tempo" (dança), Cia Corpos Nômades, local: Companhia Corpos Nômades
22h00 – "Textículos" (teatro), local: Next
22h30 – "Carina está Viva" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
22h30 – "Comediantes em Pé de Guerra" (teatro), local: Espaço Parlapatões
23h00 – "Caetaneando" (teatro), local: Teatro do Ator
24h00 – "O Santo Parto" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
24h00 – "Últimas Notícias de uma História só" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
24h00 – "O Holandês" (teatro), local: Teatro da Vila


Dia 13/10 Sábado

01h00 – "Documentário" (teatro), local: Satyros Pantanal
01h30 – "Tânato e Afrodite" (teatro), local: Teatro do Ator
02h00 – "Atos de Violência" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
02h00 – "As Feras" (teatro), Cia. Sujeitos de Cena, local: Espaço dos Satyros Dois
02h00 – "Proibido para Menores" (teatro), local: Espaço Parlapatões
03h30 – "Um Pilha de pratos na Cozinha" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
04h00 – "CEP 20.000" (teatro-música-literatura-poesia), local: Espaço dos Satyros Dois
04h00 – "Hotel Lancaster" (teatro), local: Espaço Parlapatões
04h00 – "Imagine se o Céu fosse Vermelho" (teatro), local: Teatro do Ator
05h00 – "Coração Dark Room" (teatro), Cia. Artera, local: Espaço dos Satyros Um
10h00 – Café Literário (encontro literário), local: Espaço dos Satyros Um
12h00 – Brunch Literário (encontro literário), local: Teatro da Vila
15h00 – "Retratos" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
15h00 – "Ensaio de Marat Sade" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
15h00 – "Almanaque de Araque" (teatro), local: Teatro da Vila
16h00 – "Folclore" (dança), Cia. Embu das Artes, local: Praça Roosevelt
16h00 – "Tem Gato na Tuba" (teatro), local: Espaço Parlapatões
16h00 – "O Dia das Crianças" (teatro), local: Teatro Bibi Ferreira
16h00 – "Contrário da Dor" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
16h00 – "Domingo no Parque" (teatro de rua), Grupo Núcleo Experimental do Faroeste, local: Praça Roosevelt
16h30 – "Armadilha" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
17h00 – "Comendo Ovos" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
17h00 – "Ervilha Sapo Júnior" (teatro), local: Teatro da Vila
18h00 – "Pater" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
18h00 – "El Truco" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
18h00 – "Achados e Perdidos" (teatro), local: Teatro da Vila
18h00 – "Banda Paralela" (teatro), local: Espaço Parlapatões
18h00 – "Eduardo, Mônika, Renato e Etc e Tal" (teatro), local: Studio 184
18h00 – "Tia" (teatro), local: Teatro do Ator
19h00 – "Bate Papo" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
19h00 – "Quando as Máquinas Páram" (teatro), local: TUSP
20h00 – "A Lente" (teatro), local: Satyros Pantanal
20h00 – "Cidadão de Papel" (teatro), local: Teatro da Vila
20h00 – Sarau de Poesia, local: Espaço Parlapatões
20h00 – "A Casa do Gaspar" (teatro), local: Teatro Vento Forte
20h00 – "Duo Jazz", com Silvia Altieri (música), local: Next
20h30 – "Roxo" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
20h30 – "Os 120 Dias de Sodoma" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
21h00 – "Chorinho" (teatro), local: Espaço Parlapatões
21h00 – "Quatro Num Quarto" (teatro), local: Studio 184
21h00 – Homenagem a Paulo Autran, local: Espaço dos Satyros Um
21h30 – "Os Pais" (teatro), local: Next
21h30 – "Fuga Fora do Tempo" (dança), Cia. Corpos Nômades, local: Companhia Corpos Nômades
22h00 – "Moritz, Eletrodomésticos" (teatro), local: Teatro da Vila
22h30 – "As Gêmeas" (teatro), local: Espaço Parlapatões
23h00 – "Disk Ofensa" (teatro), Cia. Milionária de Teatro, local: Espaço dos Satyros Um
23h00 – "Hébigode" (performance), local: Espaço dos Satyros Dois
23h00 – "Poemas" (teatro), local: Satyros Pantanal
24h00 – "O Santo Parto" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
24h00 – "Últimas Notícias de uma História só" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
24h00 – "O Holandês" (teatro), local: Teatro da Vila
24h00 – "A Refeição" (teatro), local: Espaço Parlapatões
24h00 – "Eduardo, Mônika, Renato e Etc e Tal" (teatro), local: Studio 184
24h00 – "Rir é o Melhor Remédio" (teatro), local: Teatro do Ator


Dia 14/10 Domingo

02h00 – "I(n) Pessoa(l)" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
02h:00 – "Marinheiros" (teatro), Cia Anjos Pornográficos, local: Espaço dos Satyros Dois
02h00 – "Nada de Novo" (teatro), local: Espaço Parlapatões
03h00 – "Uma Noite com Tchekov" (teatro), local: Teatro do Ator
04h00 – "O eu e o Nada" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
04h00 – "Show de Boate" (show de bizarrices), local: Espaço dos Satyros Dois
04h00 – "Hotel Lancaster" (teatro), local: Espaço Parlapatões
10h00 – Café Literário (encontro literário), local: Espaço dos Satyros Um
11h00 – "A Pipa e a Flor" (teatro), local: Teatro da Vila
12h00 – Brunch Literário (encontro literário), local: Teatro da Vila
13h00 – "Retratos" (teatro), local: Satyros Pantanal
15h00 – Leitura dramática – autor: Luciano Mazza – local: Espaço dos Satyros Dois
15h00 – "Almanaque de Araque" (teatro), local: Teatro da Vila
16h00 – Homenagem a Lauro César Muniz, local: Museu da Língua Portuguesa
16h00 – "Domingo no Parque" (teatro), local: Praça Roosevelt
15h00 – "Montagens Enlouquecidas" (teatro), Equipe Técnica dos Satyros, local: Espaço dos Satyros Dois
16h00 – "Amores Dissecados" (teatro), Teatro Insano, local: Espaço dos Satyros Um
16h00 – "O Dia das Crianças" (teatro), local: Teatro Bibi Ferreira
17h00 – "Ervilha Sapo Júnior" (teatro), local: Teatro da Vila
18h00 – "El Truco" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
18h00 – Apresentação da Orquestra Arte Nobre (música), local: Satyros Pantanal
18h00 – "Cidadão de Papel" (teatro), local: Teatro da Vila
18h00 – "Nosso Lar" (teatro), local: Teatro do Ator
18h30 – "Bate Papo" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
19h00 – "Samba Canção", com Silvia Altieri (música), local: Next
19h00- "Navalha na Carne" (teatro), local: TUSP
19h00 – "Achados e Perdidos" (teatro), local: Teatro da Vila
19h00 – "A Casa do Gaspar" (teatro), local: Teatro Vento Forte
19h00 – "Risadas Gravadas" (teatro), local: Teatro Alfredo Mesquita
20h00 – "Roxo" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
20h30 – "Os 120 Dias de Sodoma" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
20h30 – "Quatro Num Quarto" (teatro), local: Studio 184
20h30 – "Fuga Fora do Tempo" (dança), Cia. Corpos Nômades, local: Companhia Corpos Nômades
21h00 – "Esvaziamento" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
21h00 – Vanessa Bumagny e Nô Stopa (música), local: Next
22h30 – "Deve ser do Caralho o carnaval em Bonifácio" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
23h00 – "Eles não usam Camisa de Força" (teatro), local: Espaço dos Satyros Dois
23h30 – "Jandira" (teatro), local: Espaço dos Satyros Um
24h00 – Festa de Encerramento – local: Next


E no DramaMix...

Quinta-Feira, 11 de Outubro

18h00 - "A Breve Interrupção", de Gerald Thomas

19h00 - "O Amor em Tempos de Câmera", de Ana Rüsche

20h00 - "Cansei de Tomar Fanta", de Alberto Guzik

21h00 - "A-MA-LA", de Adelvane Néia e Naomi Silman

22h00 - "Olerê! Olará!", de Dionísio Neto

23h00 - "Feliz Aniversário, Fabinho", de Sergio Roveri

24h00 – "Os Digitadores", de Leo Lama


Sexta-Feira, 12 de Outubro

01h00 - "O Resto de nossas Vidas", de Alex Gruli

02h00 – "A Memória dos Meninos", de Lucianno Mazza

03h00 – "Efeito Fantasma", de Roberto Alvim

04h00 – "O Prazer foi todo meu", de Ed Anderson

05h00 – "Lá Fora", de Nicolás Monastério

06h00 – "Fugindo", de Rodrigo Contrera

07h00 – "Vinho Grego", de Beatriz Vilas Boas

08h00 – "Vinte e Cinco Comprimidos", de Sabina Anzuategui

09h00 – "Vende-se", de Jucca Rodrigues

10h00 – "Ressaca", de Bosco Brasil

11h00 – "Céu no Cio", de Zita Woulpe

12h00 – "Duelo", de João Nunes e Maurício de Almeida

13h00 – "Ela não é Loira", de Milton Morales

14h00 – "Dia de Visita", de Noemi Marinho

15h00 – "Ponta de Caneta", de Solange Dias

16h00 – "Alguém Escreveu Isso", de Bráulio Mantovani

17h00 – "Pivete", de Renata Pallottini

18h00 – "Por Favor, Deixem-me Tentar Novamente", de Antonio Rocco

19h00 – "Bordel Neon", de Michel Fernandes

20h00 – "Maquiagem", de Rafel Rocha Daud

21h00 – "Bem no Meio de Tudo", de Hugo Possolo

22h00 – "Bico Fino", de Celso Cruz

23h00 – "Passagens Noturnas", de Vera de Sá

24h00 – "Alternativa", de Célia Forte


Sábado, 13 de Outubro

01h00 – "Depois da Chuva", de Otávio Martins

02h00 – "Édipo Rei", de João Andreazzi

03h00 – "Tarcísio", de Veronica Stigger

04h00 – "Ímpares", de Gero Camilo

05h00 – "Sem Título", de Joseph Sivieri

06h00 – "Vinte e Um", de Lucia Carvalho

07h00 – "Charutos", de Sergio Mello

08h00 – "Corpo Nu", de Sergio Pires

09h00 – "Hora Extra", de Marcos Gomes

10h00 – "Complexo Sistema de Enfraquecimento da Sensibilidade", de Ruy Filho

11h00 – "Na Cozinha com a Autora", de Paula Chagas

12h00 – "Alice", de José Simões

13h00 – "Medo dos Vivos", de Andréa Bassitt

14h00 – "Respeitável Público", de Fabio Torres

15h00 – "Quando eu era Criança", de Duílio Ferronato

16h00 – "E Pode?", de Alexandre Caetano

17h00 – "Literatura Contemporânea". de Fernando Bonassi

18h00 – "Laranja Vermelha", de Germano Pereira

19h00 – "O meu Vira-Latas só ouve Be-Bop", de Jarbas Capusso

20h00 – "Meu Segredo", de Marta Góes

21h00 – "Segredos", de Marici Salomão

22h00 – "Querida Filha", de Cristina Mutarelli

23h00 – "Cine Bijou", de Mário Viana

24h00 – "Folheto", de Érika Riedel


Domingo, 14 de Outubro

01h00 – "Playmobil", de Beatriz Carolina Gonçalves

02h00 – "Cavalo", de Eduardo Sterzi

03h00 – "Bem de Longe eu Ouço esse Bolero", de João Fábio Cabral

04h00 – "Sad Christmas", de Mário Bortolotto

05h00 – "Sem Gelo", de Zen Salles

06h00 – "Safári na Favela", de Eduardo Duó

07h00 – "Um Chá", de Priscila Nicolielo

08h00 – "Uroborus", de Rui Xavier

09h00 – "Abre Alas", de Marilia Toledo

10h00 – "Beatriz", de Renato Andrade

11h00 – "Entre com Cuidado no Amarelo Piscante", de Roberto Moreno

12h00 – "Fotografia Rasgada", de Luis Marra

13h00 – "Foi no Carnaval que Passou", de Paulo Ribeiro

14h00 – "Ruído", de Rubens Rewald e Priscila Nicolielo

15h00 – "Amália, Camille, Evita e as Duas Sargentas", de Mauricio Paroni de Castro

16h00 – "Fragmento de um Naufrágio", de Claudia Vasconcellos

17h00 – "A História Dela", de Gabriela Mellão

18h00 – "Ensaio para Quarta de Cinzas", de Claudia Pucci

19h00 – "Milos e Evic", de Rogério Toscano

20h00 – "Trancado no Camarim", de Marcos Ferraz

21h00 – "Pequenos Furtos", de Contardo Calligaris

22h00 – "Tosca", de João Luiz Sampaio

23h00 – "A Deliciosa Boca do Inferno", de Lauro César Muniz


Locais:

– Espaço dos Satyros Um - Praça Roosevelt, 214 Consolação – Tel. 3258 6345
– Espaço dos Satyros Dois - Praça Roosevelt, 134 Consolação – Tel. 3258 6345
– Espaço dos Satyros Pantanal - Rua Vistosa Madre de Deus, 40B Jardim Pantanal – Tel. 3258 6345
– Teatro da Vila - Rua Jericó, 256 Vila Madalena – Tel. 3258 6345
– Espaço Parlapatões – Praça Roosevelt, 158 Consolação – 3258 4449
– Teatro do Ator – Praça Roosevelt, 172 – Tel. 3257 2264
– Teatro Studio, 184 – Praça Roosevelt, 184 – Tel. 3259 6940
– Galpão do Folias – Rua Ana Cintra, 213 Santa Cecília – Tel. 3361 2223
– Teatro Bibi Ferreira – Av. Brig. Luiz Antonio, 931 Bela Vista – Tel. 3105 3129
– Next – Rua Rego Freitas, 454 Vila Buarque – Tel. 3106 9636
– Teatro Vento Forte – Rua Brig. Haroldo Veloso, 150 Itaim Bibi – Tel. 3078 1072
– Tusp – Rua Maria Antonia, 294 Vila Buarque – Tel. 3255 7182 ramal 41 e 42
– Teatro Alfredo Mesquita – Av. Santos Dumont, 1770 Santana – Tel. 6221 3657
– Companhia Corpos Nômades – Rua Augusta, 325 Consolação – Tel. 3237 3224
– Museu da Língua Portuguesa – Praça da Luz, s/no. Centro – Tel. 3326 0775
– DramaMix – Tenda armada na Praça Roosevelt - Tel. 3258 6345

6 de out de 2007

Apenas uma andorinha


"Um Dia, no Verão"


O sempre suspeito crítico de teatro da Folha, Sérgio Coelho, e o crítico convidado do Estadão, Jefferson Del Rios concordam em vários pontos sobre o novo espetáculo protagonizado por Renata Sorrah e dirigido por Monique Gardenberg acompanhada da mesma equipe de criação que nos ofereceu o deslumbrante épico “Os 7 Afluentes do Rio Ota”.

Atores perdidos em cena, cenários lindos, ótima luz, musica inapropriada quando não excessiva, Sorrah fantástica, produção requintada, isso tudo é repetido em ambas as criticas, só não precisava do golpe baixo do senhor da Folha, que sempre sofreu de incontinência narrativa, citar como exemplo de melhor estratégia custo benefício que com um centésimo de recursos, os atores de “Roxo”, outro texto do mesmo dramaturgo norueguês, se saem melhor em cena.

Que “Roxo” pode ser melhor eu não duvido, mas que foi inapropriado e deselegante isso foi, ainda mais quando toda a classe sabe do ‘rabo preso’ do critico com grupos de teatro do entorno de uma certa praça paulistana. Leia o manual da firma moço!

Voltando ao espetáculo de Jon Fosse, acho que o grande erro foi ter entregue a tradução a uma poeta (sabemos do ‘caso de amor’ que é a palavra para um poeta mas essa reverência quando transposta para o palco resulta sempre ineficaz e soporífero), já sobre a opção da direção em ‘materializar’ dois elementos que funcionam como metáforas do estado de espírito da protagonista (o mar e as intempéries da natureza, como vento e chuva) transformou a peça num meio termo entre o realismo e o falso naturalismo, perdendo o caráter simbólico e poético da representação do ‘nada’ do texto de Fosse.

Como bem encerra Del Rios na sua crítica, esse nada subsiste apenas na máscara dramática de Renata Sorrah.

Se joga: "Um Dia, no Verão"
Sesc Anchieta (3234-2000), até 21/10

Filme que valeu a pena esperar!


"Tropa de Elite"

Vamos pular essa pseudo-polêmica se o filme e fascista ou não, falô! Os críticos ficam alvoroçados quando uma platéia aplaude uma cena de violência e batem na mesma tecla com teses antropológicas e sociológicas, façam-me o favor! No meu tempo de office boy quando assistia a filmes no Marabá lotado (1200 lugares as 12h e meia platéia as 10h30 da manhã!!!!) isso era fichinha, o mocinho morria era gritaria e aplauso o vilão matava outro era pipoca do mezanino e uivos desafinados! Platéia de espetáculo violento é catártica desde a Grécia antiga, isso não é fascismo e purgação, expiação.

O Estadão de sexta-feira deu a melhor cobertura da estréia do filme (comparando com “O Globo” e “Folha”), mesmo desconsiderando a opinião do sempre vaidoso Luiz Carlos Merten (desisti deste senhor!), o jornal abriu para opiniões divergentes e chamou Bráulio Mantovani, roteirista do filme e outros colaboradores da casa.
Apenas uma observação ao excelente artigo do crítico Luiz Zanin Oricchio (que não cai nessa falsa polêmica carioca) quando ele mancheteia “Triunfo do espetáculo, mas não da reflexão”, sugerindo uma “pitatinha de Brecht” à trama para que o público tire suas próprias conclusões.

Pois qual Brecht Zanin quer salpicar no excelente prato que José Padilha nos oferece? O Brecht corrosivo e crítico da sociedade capitalista (este tempero está lá!), o Brecht dialético ou o épico (ambos dosados e fervidos em banho maria durante todo o filme para não ‘explodir’ antes do final, também está lá), acredito que Zanin tenha achado que um pouco mais de ‘distanciamento’ (tempero caro pra quem estuda artes cênicas!) equilibraria o paladar do espectador. Respeito seu gosto mas acho equivocado seu pedido.

Brecht faz do seu teatro uma armadilha moral - como bem defende os estudiosos de sua obra Sérgio Carvalho e Roberto Schwarz, para citar apenas os mais próximos - que desconcertava a expectativa de identificação ou de repúdio ao caráter das personagens, de comoção com as paixões dos protagonistas. Sua estratégia era sugerir perguntas morais impossíveis de serem respondidas sem uma maior reflexão sócio-política. Criava no espectador o sentimento da ausência, de que faltava alguma coisa ao qual estava habituado.

Esse sensação de desconcerto as vezes aparece no filme e outras é diluída pela urgência da própria ‘gramática cinematográfica’, como encerra Bráulio Mantovani no seu texto: “Quem são os fascistas?”

Se joga véio, mesmo se você já viu a versão piratex com qualidade péssima!

Filmes que deveria ter perdido


"Bem Vindo a São Paulo"


Criação coletiva com diversos cineastas presentes numa Mostra de Cinema recente resulta num caleidoscópio pouco lisonjeiro para uma cidade tão complexa. Talvez o maior erro seja ter Caetano Veloso como narrador dos episódios. Não se sabe se por reverência ou falta de modéstia o cantor acaba sendo o maior homenageado do filme, já que o seu ‘hino torto’ “Sampa” é tocado, dedilhado e interpretado (Maria de Medeiros num episódio obvio e amador) até a náusea. Chato para Caetano, pior para São Paulo.

Agora vem cá o Leon poderia ter se poupado de ‘livrar a barra’ do Kiarostami em tentar ir atrás de um briefing que o iraniano lhe passou para o filme! Embarrassing, para dizer o mínimo! E só existe o centro e adjacências, cada zona norte, sul, leste, oeste... hummmm

Coeficiente Morfeu*: 10 minutos! Acordando 20 minutos depois com Sampa e voltando a dormir 15 minutos depois, novamente despertando com Sampa no final!

*P.S.: Adorava quando Paulo Francis classificava assim os espetáculos ou livros que lia, era só ele cair no sono que ele tascava o tal do coeficiente Morfeu! ahahahahahah
...

"O Grande Chefe"

Direção do ‘dogmático’ Lars von Trier, não, não tem cenário desenhado com giz para a tchurma do teatro alternativo copiar, mas é tão chato, tão chato que a metalinguagem é indecentemente infantil! Gosh, que pasa hombre?!
Parece que Von Trier tomou uma pancada na cabeça e esqueceu como se desconstrói uma história.

Coeficiente Morfeu: 5 minutos! Sendo acordado pelo vigia no final da sessão!!!

5 de out de 2007

O Parlamento Universal* (Ou: como fazer uma arte exigente, resistente e intransigente?)

Ainda umas coisinhas sobre o tema abaixo, preferi outro post para não me tornar muito prolixo, já que o assunto me interessa e tenho estudado constantemente.

O intelectual Edward Said, em “Cultura e Política” (‘minha bíblia’ editada pela Boitempo Editorial), defende lá pelas tantas num artigo intitulado “O Papel Público de Escritores e Intelectuais” que:
- “Todo intelectual carrega algum esboço mental ou entendimento do sistema global (...), mas é durante os encontros diretos com uma geografia ou configuração especifica ou outra que os confrontos ocorrem e talvez sejam vitoriosos (...) elaborando-se hipóteses de situações a partir de fatos conhecidos, históricos e sociais.

E completa, com o que é a meu mantra em qualquer concepção que assino:
- “O papel do intelectual é, antes de mais nada, o de apresentar leituras alternativas e perspectivas da historia outras que aquelas oferecidas pelos representantes da memória oficial e da identidade nacional (...) o lar provisório do intelectual é o domínio de uma arte exigente, resistente e intransigente, dentro da qual não é possível, infelizmente, nem se esconder nem procurar soluções. Mas é apenas nesse precário mundo solitário que se pode verdadeiramente compreender a dificuldade daquilo que não pode ser compreendido e ir em frente e tentar assim mesmo”.

...

Faltando umas três páginas pra acabar o já citado “O Vulto das Torres” o jornalista Lawrence Wright nos dá a exata dimensão desta tragédia moderna:
- “ Em muitos aspectos, os mortos do WTC formavam uma espécie de *parlamento universal, representando 62 países e quase todos os grupos étnicos e religiosos do mundo. Havia um corretor de ações ex-hippie, o capelão católico gay do corpo de bombeiros de Nova York, um jogador de hóquei japonês, um sub-chefe de cozinha equatoriano, um colecionador de bonecas Barbie, um calígrafo vegetariano, um contador palestino... As várias maneiras como se apegavam à vida corroboravam a prescrição corânica de que tirar uma só vida destrói o universo. A Al-Qaeda voltara os seus ataques contra os Estados Unidos, mas atingira toda a humanidade.”

4 de out de 2007

"Tudo que é profundo precisa de uma máscara”*

O velho e bom *Nietzsche poderia com essa frase ter entitulado a entrevista do escritor Don Delillo na Folha de hoje, ele fala sobre o seu novo livro “Homem em Queda”, trata-se de um personagem marcado pela tragédia de 11/9 que tenta refazer sua vida com esse trauma impossível de ser esquecido. Entrevistado por Sylvia Colombo, Delillo vai ao ponto com a declaração:
- “Os EUA não se sentem preparados para discutir artisticamente o 11/9”

Obras recentes lançadas no cinema - como “Vôo 93” de Paul Greengrass ou “Torres Gêmeas” de Oliver Stone – e na literatura – “O Vulto das Torres” de Lawrence Wright, “Os Últimos Dias de Mohamed Atta” de Martin Amis ou o que seria a gênese da história, o portentoso estudo do jornalista Robert Fisk “A Grande Guerra Pela Civilização” - tem obtido maior ou menor exposição na mídia mundial mas uma coisa ninguém pode negar, basta usar o acontecimento fatídico como expressão artística para os 'xiitas culturais' (você encontra dezenas deles agora nas filas da Mostra de Cinema, cuidado!) reagirem inflamados com reações violentas e quase sempre passionais. Cocô de touro, como diria Paulo Francis!

Senti isso na pele quando dirigi em 2005 “The Fall of House of Usher/A Queda da Casa de Usher”, ópera de Philip Glass adaptada de um conto de Edgar Allan Poe (ao lado Fernando Portari e Paulo Szot numa cena). Trata-se de um conto de terror, com uma morta-viva assombrando seu irmão, um artista que não consegue mais criar aterrorizado pelos uivos do cadáver insepulto.
Minha interpretação deste tema foi extremamente expressionista, já que para mim só fazia sentido representar o terror de Poe como um terror psicológico que prende a paralisa um homem incapaz de criar arte.
Para piorar o clima dos ensaios o ataque terrorista em Londres aconteceu durante este período reforçando o final do espetáculo, que já estava decidido há tempos: a imagem da CNN no exato momento em que os aviões destroem as Torres... com a orquestra em silêncio.

Bem, 2 criticas implicaram com a imagem e parte da concepção e me acusaram de ser ingênuo e leviano! Waaall, leviano foi ‘troppo forte'...
Ambas achavam que acontecimentos de maio de 68,
Torres Gêmeas, Jimi Hendrix, e otras cositas mas, fugiam um pouco do tema, o lance é que o tema O ARTISTA é que propõe, cabe ao espectador embarcar na história à partir daquele ponto de vista e não aquilo que ele gostaria que fosse a obra! E não importa se é inédito ou releitura é a visão do ARTISTA!

Voltando ao livro a crítica, que segue ao lado da entrevista do escritor, acha que De Lillo já fez coisas melhores (ainda não li o livro mas conheço "Ruído Branco" e "Os Nomes" que são fantásticos), talvez, mas o que me irritou vem depois, o crítico (Adriano Schwartz) diz que talvez o problema do livro seja: "a ânsia com que a ficção norte-americana vem tentando reconstruir esse capítulo tão difícil da sua história recente (...), não há nada da urgência da rememoração que ocorreu no pós-guerra. As razões são bem diferentes e, ao que tudo indica, menos relevantes".
Mas o ARTISTA escolheu este tema para o seu livro e desenvolveu toda a narrativa à partir dele, você pode não gostar do estilo ou da linguagem mas não tem como isolar o atentado da narrativa do livro ou dizer que ela é menos ou mais relevante, ela é a história!!!! My gosh, que preguiça...

O mega-diretor teatral polonês Tadeusz Kantor, dividiu a sua vida em antes e depois da Guerra, e claro sua obra só fazia sentido à partir deste acontecimento. Quando começou a se interessar por teatro a Polônia estava sob ocupação das tropas nazistas, Kantor, junto com outros artistas de diversas áreas formou um grupo que batizou de “Teatro Underground” (logo depois fundaria o Cricot 2, onde trabalhou até o último suspiro) montando “O Retorno de Odisseu”, onde o herói grego se transformava num soldado nazista. Leviano ou ingênuo , diria alguns, o fato é que até morrer em 1990 aos 75 anos o velho Kantor só nos oferecia a sua genial (e copiada!) arte monotemática com visões de uma guerra bem particular que assistida com um olhar contemporâneo enxerga-se com clareza uma grande sombra de duas torres imponentes.

A mesma sombra que paira sob a arte de De Lillo, Wright, Fisk, Stone e quem mais quiser entender ou simplesmente expiar o acontecimento mais importante deste século!
Quanto a mim, tenho certeza que voltarei ao tema em alguma ópera ou peça de teatro, aguardem.

1 de out de 2007

Eu quero esse abacaxi pra mim!

Esse moleque aí se chama Chris Garneau, descobri ele numa entrevista pra "Junior", fofo, fofo, fofo, fazendo beeeeeemmm a "bee" meiga e tímida este americano está arrasando corações de um novo movimento gay beeeeeeeeemmm mais cool e que não tem nada a ver com emos e afins, please!
No seu perfil no MySpace ele se declara assim: "je suis un ananas". Hummmmm, as fofices musicais já estão na rede com títulos como: "We don't Try", "So Far", "Baby's Romance", este video da música "Relief" é um dos meus favoritos e tem um monte de outras.
Tá pra ti, então se joga véio!

Extra! Extra!

A revista "Imprensa" completou em setembro 20 anos nas bancas, trouxe na capa Otávio Frias Filho que em 1987 teve destaque no número de estréia, hoje Frias, que além da Folha de S.Paulo, divide seu tempo escrevendo textos para teatro, já encenou 4 dos 6 textos escritos.

Uma revista que ressuscita o publico GLS é a "Junior", com um ar meio “adolescente” não faz a ousada como a G, mas é ‘fresca’ (em todos os sentidos) o suficiente para concorrer com ela, ainda que sem nudez frontal. É mais fraca que a finada “Sui Generis”, lembram, talvez por contar com uma equipe enxuta falta material mais diversificado para um público tão hedonista e histérico. Salve André Fisher, parabéns e vida longa!

Uma estréia ótima nas bancas é a edição do esquerdista “Le Monde” no Brasil, trata-se do “Diplomatique Brasil”, jornal com edição mensal publicado pelo Instituto Pólis, o exemplar de agosto trouxe uma excelente entrevista com o intelectual americano e enfant terrible Noam Chomsky, já o mês de setembro (que ainda não terminei de ler!) traz uma análise sobre o voto e a América Latina (A Batalha do Voto) e uma reportagem densa sobre o poder da ‘ultra-direita’ americana e seu “esforço deliberado para destruir a democracia social americana” (O Desmonte do Ideal Democrático).
Este artigo, sobre o sistema universitário norte-americano, é o primeiro de uma série de 3, os próximos serão sobre a crise na universidade européia e o último sobre a universidade brasileira. Na próxima semana chega às bancas o exemplar de outubro, veremos.


Não morra em outubro!

Então, outubro chegou e você está proibido de ficar doente!
A tradicional Mostra de Cinema ultrapassa a crise dos 30 chegando aos 31 sem tanto Manoel de Oliveira (graças a deus!) e com menos iranianos poeirentos (deixa esse boom agora para a literatura) para alegria de muitos, mas tem os tailandeses e coreanos de gosto duvidoso e duração soporífera em alta.
E você sabe que a Mostra Mix Brasil é praticamente na sequência né?

E como se não bastasse ainda temos o último épico do Théâtre du Soleil, "Les Éphémères", 7 horas de espetáculo dirigido por Ariane Mnouchkine (ao lado) no Sesc Belenzinho, que com sua estrutura em construção reproduz a sede francesa do grupo, a famosa Cartoucherie. Duro mesmo vai ser aguentar os nossos 'alternativos' copiando tudo durante um tempo! Você já viu por aqui surtos de butô logo depois da visita de Kazuo Ohno, ataques pseudo-violentos depois de turnês dos catalães do La Fura Dels Baus e muita chatice travestida de 'pesquisa teatral' após visitas de discípulos de Eugênio Barba, Grotowski e outros mestres. Ah, essa nossa classe...

Tim Festival vem arrombando tudo com a über-musa-alternativa Björk (abaixo, picumã ao vento) e o esquisito da vez com a voz mais poderosa dos últimos tempos Antony and the Johnsons, isso fora bandas in como Arctic Monkeys e The Killers. Waaallll!!!!!