6 de out de 2007

Apenas uma andorinha


"Um Dia, no Verão"


O sempre suspeito crítico de teatro da Folha, Sérgio Coelho, e o crítico convidado do Estadão, Jefferson Del Rios concordam em vários pontos sobre o novo espetáculo protagonizado por Renata Sorrah e dirigido por Monique Gardenberg acompanhada da mesma equipe de criação que nos ofereceu o deslumbrante épico “Os 7 Afluentes do Rio Ota”.

Atores perdidos em cena, cenários lindos, ótima luz, musica inapropriada quando não excessiva, Sorrah fantástica, produção requintada, isso tudo é repetido em ambas as criticas, só não precisava do golpe baixo do senhor da Folha, que sempre sofreu de incontinência narrativa, citar como exemplo de melhor estratégia custo benefício que com um centésimo de recursos, os atores de “Roxo”, outro texto do mesmo dramaturgo norueguês, se saem melhor em cena.

Que “Roxo” pode ser melhor eu não duvido, mas que foi inapropriado e deselegante isso foi, ainda mais quando toda a classe sabe do ‘rabo preso’ do critico com grupos de teatro do entorno de uma certa praça paulistana. Leia o manual da firma moço!

Voltando ao espetáculo de Jon Fosse, acho que o grande erro foi ter entregue a tradução a uma poeta (sabemos do ‘caso de amor’ que é a palavra para um poeta mas essa reverência quando transposta para o palco resulta sempre ineficaz e soporífero), já sobre a opção da direção em ‘materializar’ dois elementos que funcionam como metáforas do estado de espírito da protagonista (o mar e as intempéries da natureza, como vento e chuva) transformou a peça num meio termo entre o realismo e o falso naturalismo, perdendo o caráter simbólico e poético da representação do ‘nada’ do texto de Fosse.

Como bem encerra Del Rios na sua crítica, esse nada subsiste apenas na máscara dramática de Renata Sorrah.

Se joga: "Um Dia, no Verão"
Sesc Anchieta (3234-2000), até 21/10

Um comentário:

Blog do Massa disse...

Meu gato, eu sim é que adorei seu comentário sobre a peça. Como adoro todo o resto que você escreve. Sem falar que seu blog é um luxo só... O meu parece o fome zero...