6 de out de 2007

Filme que valeu a pena esperar!


"Tropa de Elite"

Vamos pular essa pseudo-polêmica se o filme e fascista ou não, falô! Os críticos ficam alvoroçados quando uma platéia aplaude uma cena de violência e batem na mesma tecla com teses antropológicas e sociológicas, façam-me o favor! No meu tempo de office boy quando assistia a filmes no Marabá lotado (1200 lugares as 12h e meia platéia as 10h30 da manhã!!!!) isso era fichinha, o mocinho morria era gritaria e aplauso o vilão matava outro era pipoca do mezanino e uivos desafinados! Platéia de espetáculo violento é catártica desde a Grécia antiga, isso não é fascismo e purgação, expiação.

O Estadão de sexta-feira deu a melhor cobertura da estréia do filme (comparando com “O Globo” e “Folha”), mesmo desconsiderando a opinião do sempre vaidoso Luiz Carlos Merten (desisti deste senhor!), o jornal abriu para opiniões divergentes e chamou Bráulio Mantovani, roteirista do filme e outros colaboradores da casa.
Apenas uma observação ao excelente artigo do crítico Luiz Zanin Oricchio (que não cai nessa falsa polêmica carioca) quando ele mancheteia “Triunfo do espetáculo, mas não da reflexão”, sugerindo uma “pitatinha de Brecht” à trama para que o público tire suas próprias conclusões.

Pois qual Brecht Zanin quer salpicar no excelente prato que José Padilha nos oferece? O Brecht corrosivo e crítico da sociedade capitalista (este tempero está lá!), o Brecht dialético ou o épico (ambos dosados e fervidos em banho maria durante todo o filme para não ‘explodir’ antes do final, também está lá), acredito que Zanin tenha achado que um pouco mais de ‘distanciamento’ (tempero caro pra quem estuda artes cênicas!) equilibraria o paladar do espectador. Respeito seu gosto mas acho equivocado seu pedido.

Brecht faz do seu teatro uma armadilha moral - como bem defende os estudiosos de sua obra Sérgio Carvalho e Roberto Schwarz, para citar apenas os mais próximos - que desconcertava a expectativa de identificação ou de repúdio ao caráter das personagens, de comoção com as paixões dos protagonistas. Sua estratégia era sugerir perguntas morais impossíveis de serem respondidas sem uma maior reflexão sócio-política. Criava no espectador o sentimento da ausência, de que faltava alguma coisa ao qual estava habituado.

Esse sensação de desconcerto as vezes aparece no filme e outras é diluída pela urgência da própria ‘gramática cinematográfica’, como encerra Bráulio Mantovani no seu texto: “Quem são os fascistas?”

Se joga véio, mesmo se você já viu a versão piratex com qualidade péssima!

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