5 de out de 2007

O Parlamento Universal* (Ou: como fazer uma arte exigente, resistente e intransigente?)

Ainda umas coisinhas sobre o tema abaixo, preferi outro post para não me tornar muito prolixo, já que o assunto me interessa e tenho estudado constantemente.

O intelectual Edward Said, em “Cultura e Política” (‘minha bíblia’ editada pela Boitempo Editorial), defende lá pelas tantas num artigo intitulado “O Papel Público de Escritores e Intelectuais” que:
- “Todo intelectual carrega algum esboço mental ou entendimento do sistema global (...), mas é durante os encontros diretos com uma geografia ou configuração especifica ou outra que os confrontos ocorrem e talvez sejam vitoriosos (...) elaborando-se hipóteses de situações a partir de fatos conhecidos, históricos e sociais.

E completa, com o que é a meu mantra em qualquer concepção que assino:
- “O papel do intelectual é, antes de mais nada, o de apresentar leituras alternativas e perspectivas da historia outras que aquelas oferecidas pelos representantes da memória oficial e da identidade nacional (...) o lar provisório do intelectual é o domínio de uma arte exigente, resistente e intransigente, dentro da qual não é possível, infelizmente, nem se esconder nem procurar soluções. Mas é apenas nesse precário mundo solitário que se pode verdadeiramente compreender a dificuldade daquilo que não pode ser compreendido e ir em frente e tentar assim mesmo”.

...

Faltando umas três páginas pra acabar o já citado “O Vulto das Torres” o jornalista Lawrence Wright nos dá a exata dimensão desta tragédia moderna:
- “ Em muitos aspectos, os mortos do WTC formavam uma espécie de *parlamento universal, representando 62 países e quase todos os grupos étnicos e religiosos do mundo. Havia um corretor de ações ex-hippie, o capelão católico gay do corpo de bombeiros de Nova York, um jogador de hóquei japonês, um sub-chefe de cozinha equatoriano, um colecionador de bonecas Barbie, um calígrafo vegetariano, um contador palestino... As várias maneiras como se apegavam à vida corroboravam a prescrição corânica de que tirar uma só vida destrói o universo. A Al-Qaeda voltara os seus ataques contra os Estados Unidos, mas atingira toda a humanidade.”

Nenhum comentário: