5 de nov de 2007

BOB DYLAN – “I Not There”

Tenho Bob Dylan como um arauto da minha juventude, sou apaixonado pela sua história e pela sua música. Sempre carreguei na memória os versos de “Like a Rolling Stone”, a primeira coisa que fiz quando comprei meu apartamento foi cravar na parede acima das contas do mês o trecho do refrão: “How does it feel, to be on your own?”.
Me sinto muito bem, obrigado!

Pois falando nisso esqueçam os recentes roteiros aristotélicos de “Ray”, “Johnny&June” ou “Piaf” por exemplo, porque o que Todd Haynes põe nas telas é tão complexo quanto as músicas que Bob Dylan interpreta.
Filme difícil que exige uma certa intimidade com a vida e obra de Dylan, é até surpreendente que tenha sido tão badalado, claro que os elogios e prêmios dados a Cate Blanchett ajudaram bastante.

Todo o frege em cima de Blanchett obnubilou não só o filme mais também as aparições dos “outros Dylans” como:

- Ben Whishaw, num depoimento em que soletra “seu” nome:
R-i-m-b-a-u-d!

- Heath (Brockback) Ledger, faz um astro de cinema com problemas conjugais. Tipo Dylan no auge do sucesso.
- Richard Gere, vivendo um estranho caipira que tem suas terras ameçadas pela construção de uma estrada. Veja o filme ''Pat
Garrett and Billy the Kid'', de Sam Peckinpah, que Dylan trabalhou
como ator.



- Christian (Batman) Bale, encarna o começo nos terríveis anos 60.



- Marcus Carl Franklin, um moleque negro encarnando Dylan na esperança de ver seu ídolo Woody Guthrie de perto. Coisa que realmente ele (Dylan) conseguiu fazer.

- Ah, tem também a nossa mais recente paulistana Julianne Moore, que faz a Joan Baez, em depoimentos sobre a época em que cantavam e moravam juntos.

O filme multifaceta o que Dylan é e o que a sua música representa para a América, você verá passagens importantes da vida e obra deste grande trovador urbano:
- Sua eterna contestação da guerra, o conflito com o seu sucesso, a inabilidade em se relacionar com os que o cercam, seu encontro com beatnik Allen Ginsberg, a conversão ao catolicismo, o acidente de moto, seu afastamento do show biz, seu encontro com os Beatles (todos loucos de taba, que Dylan ‘apresentou’ para eles!), etc, etc...

Como o filme não está legendado e vai demorar um pouco pra entrar em cartaz eu aconselho você a assistir primeiro o documentário lançado recentemente, feito pelo Scorsese, “No Direct Home”. Tem um monte de coisa lá que o filme reproduz fielmente, como os gritos de ‘judas e traidor’ gritado por fans desapontados ao ver um Dylan com guitarras elétricas, a entrevista com Baez também está lá, e muito mais.
Outra coisa boa é o primeiro volume da sua biografia, “Crônicas” assinada pelo próprio que promete ser uma trilogia. A Editora é a Planeta. Eu digo, é imperdível!

Se nem assim você se convencer compre antes (ou faça como eu, baixe pela internet!) a trilha do filme. Trata-se de um álbum duplo com gente insuspeita dando suas versões das músicas do cara, gente como Cat Power, Jack Johnson, Willie Nelson & Calexico, Yo La Tengo, Eddie Vedder, Charlotte Gainsbourg e tenho de destacar um incrível Antony & The Johnsons numa versão pra lá de triste de “Knockin' On Heaven's Door”, e olha que pra mim o Gun’s já era definitivo!

E para terminar tem também o Dylan mais ‘acessível’ (se é que se pode dizer isso dele) do Acústico MTV, um clássico para iniciantes!

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