14 de nov de 2007

C'est la guerre

Estreou na semana passada, e com certeza será um fracasso de bilheteria, o filme “Leões e Cordeiros”, uma trinca de respeito brilha no ‘filme-debate’: Tom Cruise (está de Tom Cruise e também produtor), Robert Redford (está de Redford e também dirige) e Meryl Streep (que tenta não parecer Meryl Streep mas está mais Meryl Streep do que nunca!).

As criticas que saíram na semana passada comparam-no ao novo Brian De Palma (“Redact”, estréia em breve, por enquanto só quem viu na Mostra sabe) eu prefiro compará-lo a “No Vale das Sombras” que estreará na semana que vem. Trata-se do novo filme do canadense, que mais entende os E.U.A., Paul Haggis (você sabe, ele dirigiu “Crash” e tem uma parceria oscarizada com Clint Eastwood, para quem escreveu o roteiro de “Menina de Ouro”, “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima”)

Pois bem, “Leões...” não é todo mau, divide sua 'narrativa-blá-blá-blá' em três situações que se cruzam, um Senador (Cruise), que ambiciona a presidência, dá uma entrevista exclusiva para uma Jornalista (Streep) que um dia acreditou nele e que ele quer que continue acreditando, já que precisa vender esta entrevista ‘chapa-branca’ para defender a ocupação das tropas americanas no Afeganistão.
Enquanto isso na ‘sala-de-justiça’ de uma universidade, um Professor carismático (Redford, of course), convoca um aluno-problema, mas muito inteligente, e tenta mudar seus conceitos sobre os E.U.A. exigindo dele uma participação mais ativa no conflito americano.
Na outra ponta da história (a melhor, diga-se), outros dois alunos (‘da cota’!) do tal professor provam que podem mudar o mundo com menos blá-blá-blá e vão para onde? Isso mesmo para o Afeganistão!
Fecha o ciclo.

Já “No Vale...” um pai (Tommy Lee Jones), ex-militar parte em busca de seu filho, que deveria ter voltado para a casa depois de ter servido na Guerra do Iraque. Ele vai descobrindo um filho que ele desconhecia e que nem tinha idéia que pudesse tê-lo criado.

Os E.U.A. mudaram seus filhos numa Guerra entre ‘Davi e Golias’, que o pai vai descobrindo através de vestígios de uma câmera de um celular (e viva a tecnologia!). Boas sacadas, excelentes diálogos, acho que não precisava da ‘metáfora’ da América com a bandeira (você vai ver!), mas o que fica na memória é a mãe (Susan Sarandon, quem mais?!) vendo o seu filho atrás de uma persiana que vai ‘fechando’ seu olhar. Incrível!

Enfim, que bom que Cruise (cada vez mais psico) acredita em projetos arriscados e dá a cara pra bater num filme difícil como “Leões...”, mas quem sai ganhando mesmo é o ‘painel’ americano que Haggis traça sem psicologismo, com pouca ladainha e excelentes cenas.
...

Como cantou Bowie:
"(...)Im afraid of americans
Im afraid of the world
Im afraid I cant help it
Im afraid I cant(...)"

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