5 de nov de 2007

KURT COBAIN – “About a Son”

Até hoje apenas 3 cantores me fizeram chorar e ficar prostrado quando soube de suas mortes.
Eu estava na véspera do meu aniversário de 10 anos quando vi na tv que Elvis havia morrido, choque! Chorei horrores e passei o dia seguinte, já na minha festa, com a cara fechada e um chapéu ridículo de cone de papelão na cabeça! Sempre fazia gracinha para os parentes imitando “O Rei do Rock”, mas depois desse dia nunca mais ousei imitar seus passos de dança.

Já com 14 anos, chegando em casa depois da escola, minha mãe escolhia as palavras com cuidado para me dizer que Elis Regina havia morrido. Ela sabia que eu adorava Elis e não queria que eu assistisse televisão, já que era apenas isso que passava em qualquer canal. Não tive dúvidas, peguei meu walkman com minha fita cassete de “Transversal do Tempo” e fui até o Teatro Bandeirantes me despedir.

Um pouco mais velhinho, agora com 26 anos, fiquei estarrecido com a morte de Kurt Cobain, me arrependi de não ter ido ao seu show quando ele esteve no Brasil com o “Nirvana” (o pior show que ele teria feito, segundo o próprio!) e me contentei em assistir pela tv aquele insano cuspir nas câmeras e rodopiar pelo palco até cair! Fiquei com ódio do cara quando soube do suicídio, como pode? Ele tinha tudo e todos e se mata!?
...

Fiquei arrepiado e com os olhos marejados assistindo “About a Son” documentário realizado pelo jornalista musical AJ Schnack, que somou mais de 20 horas de fitas com conversas com Kurt gravadas. As entrevistas formaram material para a publicação de um livro, “Come As You Are: The Story of Nirvana” (o máximo, já leu?!).

O Documentário tem somente a voz de Kurt, em sua casa (com choro da sua filha e eventualmente alguns amigos e, claro, Courtney) falando sobre sua vida, as injustiças do mundo, o ódio que tem dos jornalistas, sua família, o peso que carrega nas costas de ter sempre de fazer sucesso, etc...
As imagens são da cidade onde ele cresceu Aberdeen e a mítica Seattle, fundindo com fotos de shows e alguns amigos. Kurt só aparece em fotos p&b no final do filme.

As imagens ilustrando as falas de Kurt são óbvias e ilustrativas demais, mas isso não tira a força do filme, pelo contrário você fica hipnotizado com aquela voz débil, rouca e debochada contando casos e casos.

Um deles eu não resisto e tenho de contar: Kurt na adolescência se queixava em não ter uma ‘identidade própria’, ou por não ser um cara marcante que as pessoas gostem numa primeira vista e acham engraçado. Seu melhor amigo nessa fase era um gay que ele andava pra cima e pra baixo e, claro, sempre se metia em brigas e apanhava junto com a bee. Kurt, sem nunca ter ‘experimentado’, se sentia gay e disse que a única vez na vida que ele sentiu que tinha uma ‘personalidade’ era nessa época e com esse amigo! Depois vieram os ensaios de garagem e...

Tocante o final do filme (não falarei tá, já disse que não ‘faço o Merten’!) mostrando numa frase que o cara que foi “O” nome dos anos 90 não passava de um bom pai que só queria ser feliz com a sua família.

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