11 de nov de 2007

Nem Brioches nem Macaxeira (ou: “não é relativismo é relatividade”*)

Alexander Rodchenko, artista construtivista russo, fazia suas produções de cartazes de peças simples, com mensagens claras, trabalhando com imagens e seus significados. Sempre é bom lembrar que a maioria das pessoas que via os cartazes era analfabeta.(Fonte:Design em Cartaz)

Todo presidente que entra, quando vai montar seu ministério, pensa sempre num nome que funcione como - uma espécie de - ‘grife' de salão. Foi assim com Pelé como Ministro do Esporte do governo FHC e é assim com Gil no Ministério da Cultura.
Ambos personalidades bem sucedidas que construíram suas carreiras com reconhecimento internacional livrando seus governos do foco da ‘política-de-corja’ que estamos acostumados a acompanhar pela imprensa.

Pois bem, Pelé instituiu uma lei que ficou conhecida com seu nome que regulamenta o desporto e serve de exemplo para vários Países.
Gil teve como grande marca do seu Ministério (morro agora se algo acontecer até o, aguardado, final do seu mandato!) impor para a sociedade uma stalinista Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (rejeitada!) no pior estilo ditatorial, que aliás, rege este governo quando o assunto é comunicação.

Se estivéssemos na Venezuela tudo bem mas acontece que amadurecemos um pouco quando o assunto é democracia.
Já comentei aqui sobre Gil, e seus desvarios prolixos, mas é que com a entrevista que ele deu ontem para a “Folha”, cuja manchete é: “Preciso de tempo para continuar fazendo o que mais gosto na vida: cantar”, eu só tenho um pedido a fazer:
- PELO AMOR DE JAH, SAIA JÁ DAÍ!

Já que eu sou elite (para este governo quem come 3 refeições e fala plural definitivamente é elite!) e artista eu digo: façam uma pesquisa rápida e vejam quais foram os governos que estabeleceram que cultura tem de ser popular e o resultado invariavelmente será ‘personalista e totalitário’.

Stalin acabou com os últimos anos de Stanislavski tirando seu teatro (confiado depois a Gorki, que aliás tem esse nome por ‘sugestão’ do ditador!) matando seus opositores (Meyerhold, apenas um exemplo, claro!) e criando um Centro de Cultura e Arte Popular que seria o “catalisador da verdadeira Arte”.
Hitler era um artista amador e frustrado que criava salões de pintura e saraus de musicas para apresentar a “Verdadeira Arte” para uma nova raça ariana e popular.
Fidel, Mao, Chaves, Pol Pot (do Cambodja, lembram?), Hu Jintao e tantos outros sempre tiveram o sonho de mostrar a “Verdadeira Arte” para a plebe ignara.

Amigos, ‘a massa’ de todos os governos precisa, prioritariamente, de SAÚDE e EDUCAÇÃO.
Arte e Cultura eles terão secundariamente com uma vida melhor e não será nenhum governo que decidirá o que é ou não é Arte.
...

*Frase do doce ministro baiano sobre seu sai-não-sai do ministério. Ele se deu um prazo até 2008, mas não fixou uma data definitiva e nem tratou com o presidente sobre a sua substituição. Contagem regressiva, aguardamos ansiosos!

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