15 de nov de 2007

Vinicius Torres Freire já disse tudo!

Amigos, eu ia encher o saco de vocês e escrever algo sobre esta patacoada que é/foi a Proclamação da República, mas depois de ler a coluna do Vinicius Torres Freire no caderno Dinheiro da "Folha" de hoje desisti, para o bem geral da Nação.
Apenas peço um pouquinho do seu precioso tempo para que deem uma lida, já que é só para assinante eu fiz o favor de copiá-la abaixo. Enjoy!
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VINICIUS TORRES FREIRE/Caderno Dinheiro - Folha de S.Paulo (15.11.2007)

"Eia, pois, brasileiros, avante!"

Diz o Hino à República. Eia! No dia da República, lembremos, eia!, os feitos dos Poderes da República neste novembro

UM BOA DIA para avacalhar os poderosos da República é este dia 15 da Proclamação da nossa mambembe República. Trata-se de tradição republicana, mesmo que a tradição republicana ainda precise ser inventada entre nós.
É de qualquer modo melhor do que se render à nostalgia monárquica que se abate sobre o país nestes meses de idiótico revisionismo histórico que antecedem a festa pelos 200 anos da instalação da real e fugida família Bragança no Rio, episódio que transformou o Brasil em colônia terceirizada da Inglaterra.
Afinal, quase todos somos livres e podemos eleger os imprestáveis que nos governam em vez de aturar quase 50 anos de um Pedro 2º, o Soneca. Esse "rei filósofo" largou o povo em cruel ignorância enquanto fazia gracinha racista com Gobineau e brincava de inspetor escolar do colégio imperial. Foi o "imperador cidadão" da mais renitente escravidão do mundo ocidental e que ajudou a negar terras e meios de progresso ao miserê que não estava na senzala, o fundador da pátria da desigualdade.
Mas, como se dizia, hoje é dia de avacalhar a República. "Eia, pois, brasileiros, avante!", falemos dos atos que neste novembro da festa republicana lembram o destino da coisa nossa, ou melhor, do que deveria sê-lo, a coisa pública.
Comecemos pela véspera, com o presidente, que ontem elogiou o regime de Hugo Chávez, o ditador "wannabe" da Venezuela, onde "não falta democracia", segundo Lula.
Passemos ao Judiciário nada judicioso, ora grande legislador da ética na política e instituidor do tribunal da fé partidária. Tratemos em especial do Supremo Tribunal, onde os ministros se acusam de não ter honra, casa onde se tolera a chicana judicial a ponto de não se mover uma palha para dar fim à recurseira e às manobras indecentes que deixam livres e impunes todos os amigos da "coisa nossa" (da "cosa nostra", não da coisa pública) ou até pistoleiros e homicidas confessos, como esse ex-governador-senador-deputado Cunha Lima. Aliás, "eia!", senadores como Arthur Virgilio (PSDB) e Eduardo Suplicy (PT), que fizeram mesuras para o pistoleiro renunciante.
Falemos do Congresso, onde podemos ver os efeitos da ética na política restaurada pelo Judiciário legislador. Onde o deputado Mozarildo Cavalcanti, do PTB que mama na coalizão governista, mas um recalcitrante em termos de voto de bancada, diz em público que seu conterrâneo e senador do PMDB, Romero Jucá, líder do governo, é "corrupto", "com certeza", e não acontece nada.
Eta falta de vergonha na cara!
Eia, PSDB! Que tem em seus quadros um governador, Téo Vilela, ativo na falange de Renan Calheiros (PMDB) e um senador no córner e na mão do PT por ser príncipe do mensalismo, Eduardo Azeredo, do PSDB que negociava siderúrgica para o Ceará de Tasso Jereissatti quando se discutia imposto sobre finanças. Eia, caciquismo tucano!
Eia, PT e seus senadores também falangistas, como o abstêmio arrependido Aloizio Mercadante e da renitente Ideli Salvatti, PT que vai "renovar" seus líderes tendo varrido para baixo da camada de sal a refundação da sua vergonha na cara, que virou gás liquefeito no mensalão.
Eia!, enfim, pefelês e "demos", pelo conjunto da obra do atraso!

vinit@uol.com.br

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