31 de dez de 2007

Whitman pra encerrar o ano!

O último livro que comprei no ano, e já li como num doce sopro, foi “Folhas de Relva/Leaves of Grass” de Walt Whitman (acima) numa preciosa edição bilíngüe editada pela Iluminuras, então esqueça aquela edição pocket que você deve ter escondido por aí. Se você não conhece esse autor que foi ‘redescoberto’ pelos beatniks, deve ter pelo menos ouvido falar dele naquele filme “Sociedade dos Poetas Mortos” quando o professor declama o patriótico “O Captain, my Captain” (lembra no final da molecada subindo nas carteiras? Na verdade o poema foi feito em homenagem ao Presidente dos EUA Abrahan Lincoln. Engraçado como esse filme ‘causou’ teve também o maior ‘surto’ de tattoos com a frase “Carpe Diem” de que se têm notícia!)

Voltando a “Folhas de Relva”, o livro é dividido em doze poemas e foi escrito em 1855 numa época em que a América ainda estava em ‘formação’ e a voz de Whitman representava não só uma revolução artística mas era a voz de uma nação que acreditava em um Novo Homem.

Meu penúltimo post me entristeceu e me levou para os poemas que ainda estão frescos em minha memória (terminei de ler o livro no dia seguinte que o comprei, sexta da semana passada!) e que divido com vocês, no mais é correr para a livraria no raiar do primeiro dia de 2008.

Paz & amor!

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Pensar no Tempo (To Think of Time) Walt Whitman

Pensar no tempo... pensar retrospectivamente,
Pensar no hoje... e nas eras que estão por vir.
Teve a impressão que não seguiria em frente? (...)
Teve medo do futuro não ser nada pra você? (...)
Pensar que você e eu não vemos sentimos pensamos nem fazemos nossa parte,
Pensar que agora e aqui estamos fazendo a nossa parte. (...)
Pensar no quanto somos ansiosos quando construímos nossas casas,
Pensar que outros são tão ansiosos quanto... e nós tão indiferentes.(...)
Ele que foi Presidente foi enterrado, e aquele que agora é Presidente será certamente enterrado.
Alguém tapeando você, ou você tapeando alguém... pra frente... homem atrás e homem na frente, (...)
O vulgar e o chique... o que você chama de pecado e o que você chama de bondade... pensar quão grande a diferença (...)
Pensar em como você é ocupado (...)
Ele é um desses caras bonitos e felizes... daqueles que só de paquerar e ficar junto é o bastante (...)
Sonhei que não havíamos mudado muito... nem nossa lei interna tinha mudado (...)
Não sei definir minha satisfação... e no entanto a sinto,
Não sei definir minha vida... e no entanto a sinto (...)
Juro achar que só a imortalidade existe!
E que este estranho esquema é por ela, e a flutuação nebulosa é por ela, e a atração é por ela,
E todo preparativo é por ela... e a identidade é por ela... e a vida e a morte, por ela.


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Se joga:
“Folhas de Relva”, Walt Whitman. Editora Iluminuras, edição bilíngüe com tradução e pósfacio de Rodrigo Garcia Lopes

OLAIR COAN (1959-2007)

Luiz Damasceno e Olair Coan (na cadeira) em "A Última Viagem de Borges", dirigido por Sérgio Ferrara.

Tristeza e dor ainda marca este ano que teima em não terminar.
Estou consternado com a notícia da morte do meu amigo Olair Coan, diretor, excelente ator e homem de teatro! Tive o prazer de desfrutar de sua companhia em dois espetáculos que assinei a luz ambos com direção de Sérgio Ferrara, sua interpretação de uma travesti a beira da morte em "Pobre Super-Homem" era comovente, assim como o seu Funes em "A Última Viagem de Borges".
Olair ia passar o fim de ano com seus familiares no interior quando bateu numa carreta (já acidentada) parada na Rodovia Castello Branco. Sua morte foi imediata.
Para quem cuida das criminosas rodovias brasileiras Olair vai virar estatística, para nós amigos, artistas e público sempre teremos sua imagem brilhando num foco de luz!

PS: A divulgação no dia 26 das mortes nas estradas brasileiras na semana de natal foi de 78% a mais do que no ano anterior! Até quando?

27 de dez de 2007

BENAZIR BHUTTO (1953-2007)

Publiquei ontem na minha retro-07 "Internacional" que um dos destaques da imprensa de conflito era as 'patacoadas' de Musharraf, presidente do Paquistão. Um amigo acaba de me alertar sobre o assassinato da ex-premiê Benazir Bhutto. Choque! Desde a sua volta ao país, neste ano, que se espera que algo do tipo aconteça.

2008 já começa com um velho-novo conflito no mapa, os olhos do mundo estarão voltados agora para o Paquistão e o reflexo deste atentado já guia uma nova crise internacional, sabe por quê?
O Paquistão está naquela zona 'fundamentalista' do Afeganistão, possui armas nucleares e entrará em mais uma guerra civil. Fato!

Disse aqui embaixo que o "Livro do Ano" pra mim foi o calhamaço de mais de mil páginas de Robert Fisk, "A Grande Guerra da Civilização", lê-lo me fez entender a estupidez cíclica que rege a 'política de guerra'.
Os EUA apoiaram Musharraf, acreditando (ou não) numa virada democrática com a sua eleição, pfui! Se viu de rabo preso com mais um ditador canastrão.
Agora apoiou a volta de Benazir e via com bons olhos sua candidatura às eleições de janeiro, o resultado você lê agora.

26 de dez de 2007

É assim!

No post abaixo, "foi assim" que aconteceu o ano, já neste "é assim" que eu vi acontecer 07!
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Coisas que eu vi e que não deveria ter visto:
“O Assassinato de Jesse James...”, O lixo de Lynch “Império dos Sonhos”, o samba do ‘beatles’ doido “Across the Universe”, o Show da minha musa Björk e a última produção dos Satyros “Divinas Palavras”.

Coisas que eu não vi, no melhor momento “Vou ver se perco!”:
“Os Produtores”, a nova mega-blaster-super produção fallabelliana e “Tiêta do Agreste”, perdoai-os pai eles não sabem...

Filme do ano que não estreou ainda:
“I’m not there” de Todd Haynes, elegia para Bob Dylan!

Coisas que eu dava a mãe para ter visto:
A ‘volta’ do Led Zeppelin em Londres!!!!

Decepção do ano:
Björk vestida de ‘saltenha boliviana’, num show ruim, chato, pseudo, eu já falei chato?!
Lewis Hamilton ter perdido um torneio “ganho" na F1.

Surpresa do ano:
Os moleques do “Arctic Monkeys”, a parceria de Robert Plant e Alison Krauss em “Raising Sand” e o "Imperador" Adriano no S.P.F.C.!!!
"In Rainbows" o novo "Radiohead", antes a gente esperava o nosso artista favorito lançar o LP do ano, depois foi o CD e agora como é que se diz mesmo, será download da temporada?
Surpresa boa foi a minha viagem a trabalho para a cidade de Belém, que eu não conhecia, tão acostumado com o Norte, achava que já tinha visto de tudo, eita ignorância de sulista sô! A cidade é ótima, com uma infra estrutura muito boa e culturalmente bem ativa, com lugares incríveis para se beber, comer e viver! Já o sol e o calor... afe, eu passo!

Hamlet baiano do ano:
Gilberto Gil em: “será que saio, ou não saio?”, “será que canto, ou não canto?”, “será que trabalho, ou não trabalho?”, “será que corto o picumã, ou não corto”, “será que, ou não, ou não...?”

Pior ministro do ano:
Gilberto Gil e Hélio Costa.

Pior mãe do ano:
A do fofo aquático Tiago Pereira, o coitado não merecia aquela mãe macaca de auditório e papagaia de pirata do filho! Gosh!!!
Lá fora a mãe da Britney ganhou disparado!

Filho do ano:
Aquele molequinho Riquelme, que salvou um recém nascido do incêndio, vestido de homem aranha.

Bofe do ano:
Louis Garrel e não se fala mais nisso!

'Mina' do ano:
Marion Cotillard, que 'recebeu' Piaf nas telas.

Perda de todos os anos:
Paulo Autran, Ingmar Bergman, Luciano Pavarotti e Maurice Béjart.

Truque do ano:
A volta das Spice Girls!
A descoberta de Petróleo na Bacia de Santos em meio a crise do Gás, a TV Digital e seus conversores milionários, a TV Pública (ou TV Brasil, como queira), um toque 'socialista' num governo que não aprende as regras básicas da comunicação democrática.

Naomi Campbell do ano:
Naomi Campbell, sim ela mesma, ela foi para Venezuela dar close com Chávez, depois foi para Cuba, dar close, com sei lá quem, depois deu close de faxineira (cumprindo pena judicial!), deu close no show do Led Zeppelin (e disse que roubaram a sua bolsa! Hummm) e vive dando close por aqui, claro!

Livro do ano:
“A Grande Guerra pela Civilização” de Robert Fisk.

Disco do ano:
Consultei "eu" mesmo no meu perfil da Lastfm e vi lá o que mais ouvi no ano e pela ordem estão Bowie, Placebo e Rufus.
Destes, sintetizo em um disco só o que mais cantei, desafinei e assobiei: "Release The Stars" do Rufus Wainwright.

O que eu fiz de melhor no ano:
Dirigi a estréia no Brasil da ópera russa "Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk" de Shostakovich para o Festival Amazonas de Ópera com regência do maestro Luiz Fernando Malheiro e atuação sublime da nossa diva austro-brasileira Eliane Coelho.
Falando em diva, este foi o ano de outra estrela da constelação lírica brasileira, Céline Imbert (20 anos de carreira e Comenda da Ordem ao Mérito!), que eu dirigi em outra ópera: “A Voz Humana” de Poulenc, baseado no texto de Cocteau. A regência foi de Abel Rocha com sua Banda Sinfônica no teatro S.Pedro/SP.

Foi assim!

Comecei este Blog em junho com a intenção de ficar mais próximo dos meus amigos e descobri um monte de outros ‘goodfellas’!
Achava que precisava ordenar meus pensamentos e focar meus comentários por temas, mas pelo que você vê ao lado em “quem tem ibope?” meus posts não fogem muito da minha atividade artística e da minha frustração jornalística, fazer o que né, quem sabe numa outra encarnação...

Obrigado a todos pelas visitas (média de 100 por semana, desde que comecei a marcar em “quantos?”) e espero contar com a freqüência e um pouco mais de comentários no próximo ano!

Como já assumi a minha frustração jornalística, divido então em “editorias” esse momento retrô-07.

Namaste e Saravá para todos!

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POLÍTICA NACIONAL:
Agarrado ao trono do Senado, Renan (“Foca” Alagoana) Calheiros foi o retrato da paralisia de um governo fraco e submisso, que culminou com a queda da CPMF.

POLÍTICA INTERNACIONAL:
O Hamas venceu a queda de braço com o Fatah e assumiu (com sangue, lógico!) a faixa de Gaza.
As ‘patacoadas’ de Musharraf no Paquistão e Chávez na Venezuela dominaram a imprensa ‘de conflito’.

CIDADES:
A menina presa numa cela com homens em Belém e o acidente da TAM em Congonhas.
Ambos os fatos me chocaram e não consigo encontrar ‘consolo’ algum nas explicações das ‘autoridades’ responsáveis!

CULTURA:
Em São Paulo a vinda do Théâtre du Soleil (pelo SESC) com o épico de 7 horas "Les Éphémères", dirigido por Ariane Mnouchkine foi o acontecimento teatral do ano, com toda certeza!
O roubo no MASP encerra o ano como o retrato de uma soma de incompetência que passa pelas esferas municipal, estadual e federal.

ESPORTES:
Tiago Pereira e Kaká! Não precisa de comentários, já a queda do Coringão para a segunda divisão... waal, quem diria hein?!

TECNOLOGIA:
Iphone! Iphone! Iphone! Iphone! Iphone! Iphone!

ECONOMIA:
O Brasil faz parte do Grupo BRIC (Rússia, Índia e China) e ficou ‘chic’, segundo o nosso presidente.
Mesmo se compararmos o desempenho da economia brasileira com a de outros países emergentes vemos que ficou aquém daquele observado entre os seus pares ‘em desenvolvimento’. Chic não?!

25 de dez de 2007

Chama o Síndico!

Hummm, depois que vi as 'atrações' do réveillon na Paulista fiquei em dúvida se volto mesmo pra São Paulo na madrugada do dia 26!
Alemão(?!), MC Leozinho, bateria da Escola de Samba Mocidade Alegre e otras pérolas sem brilho!! Quem organiza este elenco?
Gosh!!!! O horror, o horror!
Me trancarei no 'quarto do pânico' e dou as caras na primeira alvorada 08.

23 de dez de 2007

Nunca te vi, sempre te amei!

É amigos chegou o momento daqueles votos de amor e otimismo.
Então eu digo: que em 2008 você tenha um 'bom' Jake Gyllenhaal!

20 de dez de 2007

Vergonha nacional!

"O Retrato de Suzanne Bloch", de Pablo Picasso e "O Lavrador de Café", de Cândido Portinari

E o MASP hein? Assaltado em menos de 3 minutos! Isso coroa a incompetência da administração do museu, do Estado, Prefeitura e Ministério da Cultura!
Gosh, em qualquer lugar do mundo o museu 'oficial' de uma cidade é a 'cereja' do bolo de qualquer Estado, por aqui não, o MASP já fechou as portas por falta de pagamento de luz, falta de público e agora essa, roubo de Picasso e Portinari! Que vergonha!

Tenho uma sugestão para pelo menos salvar o patrimônio que os Bardi deixaram para a cidade, que tal transformar o museu em "Arquivo Mundial dos Quilombolas", assim o governo federal presta atenção muda a administração e libera umas verbinhas, né ministro Gil?

19 de dez de 2007

Filhos & Pais

O "Jornal da Tarde" fez uma série de reportagens sobre "Adoção Tardia" e o "Estadão" colocou no seu site multimídia disponível aqui.
Tema espinhoso e comovente merece ser lido mesmo por quem não pretende adotar um filho logo, quem sabe a notícia fica na cabeça e mais tarde você pode ajudar alguém?

O mais interessante na matéria é o projeto da Prefeitura para os jovens que completam 18 anos e não foram adotados nos abrigos. A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social deve inaugurar no ano que vem um projeto piloto chamado: "República Jovem".
O modelo a ser adotado já existe na Itália e nos Estados Unidos e prevê unidades separadas para meninos e meninas (cerca de 40 espalhadas pela cidade) com responsabilidades 'caseiras', como lavar, cozinhar, cuidar da casa e 'economizar', já que todos receberão um salário que será depositado em caderneta de poupança.

Excelente projeto, torço para dar certo!
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Se você é gay e pensa em adotar dá uma olhada no Blog "Homem, Homossexual e Pai", o título já diz tudo e a discussão está sempre presente, visite aqui!

18 de dez de 2007

Fome de poder!

Direto de Manaus:

Ao lado vocês lêem a manchete "Apoio à greve de fome" do jornal local "A Crítica". O movimento intitulado "Dia Nacional (!?) de vigilância e Jejum Solidário a Dom Luiz Cappio", que ocorreu na Igreja S.Sebastião (ao lado do Teatro Amazonas) foi organizado pela CNBB.

Num movimento arbitrário e anti-democrático, com apoio do bispado brasileiro, Cappio mais uma vez dá demostração de não saber viver em sociedade. Apelando para a greve de fome ultrapassa as barreiras do diálogo e impõe o seu martírio ao governo e para as instituições democráticas.
Que o sertão da Bahia (e de todo o Brasil, diga-se) seja terra de ninguém, isso sabemos, mas com certeza deve existir alguma alternativa para 'enfrentar os grandes' e as injustiças do 'sistema'! Afinal a Igreja (tão bem representada no Congresso Nacional) poderia abraçar a causa do nobre colega e fazer um 'lobbyzinho' né? Afinal, essa não seria a primeira vez, do 'lobby' eu digo!
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Jornais de ontem traziam duas manchetes que contrastam com a atitude rebelde do bispo da diosese da Bahia:

"A Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) libertou 96 monges budistas detidos no final de setembro durante a repressão das manifestações pacíficas a favor da democracia".

A outra era:

"Cerca de 50 monges cambojanos atacaram hoje com pedras a Polícia depois de serem impedidos de entregar uma carta à Embaixada do Vietnã pedindo a libertação de um monge preso nesse país".

Os budistas de Mianmar deram um exemplo ao mundo se rebelando pacificamente ao mostrar o terror que ronda a antiga Birmânia. Claro que nem tudo é paz e incenso, já que, segundo a ONU houve 31 vítimas fatais e a dissidência calcula que pelo menos 200 pessoas perderam a vida e que mais de seis mil foram detidas.

Já os cambojanos realizavam uma manifestação pacífica em frente à Embaixada, em Phnom Penh, quando funcionários consulares impediram sua entrada. Foram obrigados a reagir:
"Os monges só queriam entregar o pedido, mas a Polícia se comportou tão mal que reagiram atirando objetos", disse An Sam Ath, da organização de direitos humanos Licadho.

Tanto em Mianmar quanto no Camboja, lideres civis e religiosos lutam para mostrar ao mundo como é revoltante viver com um governo totalitário e desumano.

Vamos combinar que já passamos desta fase, não é? Ou o próximo passo será a imolação em praça pública quando o bispo Cappio descobrir que o índice de analfabetismo na Bahia é um dos mais altos do País, em 285 municípios mais de 30% da população nunca freqüentou uma escola (dados Agência Brasil/Radiobrás). Está na conta também o município de Barra, território do abstêmio bispo.
Então, vai uma colherzinha de sopa aí senhor Cappio?

17 de dez de 2007

A volta de Hanks

Charlie Wilson, ex-congressista texano no começo dos anos 80 quase viu sua carreira acabar, ao ser encontrado numa banheira cheirando cocaína com duas dançarinas, em Las Vegas. Mas como nem tudo é desgraça na vida o cara levantou, sacudiu a poeira (literalmente) e deu a volta por cima chegando a supervisionar uma das maiores operações da CIA, tendo ajudado a financiar grupos de resistência no Afeganistão no fim da Cortina de Ferro. Virou filme: "Charlie Wilson's War".

Tom Hanks, assumindo os novos tempos, produz e atua ao lado dos megas Julia Roberts e Philip Seymour Hoffman com estréia antecipada para o dia 21 de dezembro (nos States, off course!) o longa traz na direção o 'teatral' Mike Nichols ("Closer").

"Sex! Drugs! (And Maybe a Little War)" é a manchete do NYTimes na sessão Movie, dá uma olhadinha aqui!

16 de dez de 2007

O pastor dos gramados!

Um amigo me liga as 8h da matina deste domingão (6h em Manaus com o fuso de verão!) pois tinha certeza que eu estava 'batendo uma' pro Kaka! ACERTOU! Hahahaha
Defendo o 'moleque' desde quando tomava canelada de tudo que era lado sem nunca reagir com violência. Mostrava, isso sim, uma técnica estudadíssima de como vencer o adversário com tática e inteligência. Eu, na geral azul do Morumbi lotada ainda tinha a manha de discutir com 'sócios-torcedores xiitas' que xingavam o cara de pipoqueiro, bicha e 'fora Kaka'!
Ainda tinha saco de entrar naquelas comunidades do S.P.F.C. e dizia que o cara ainda ia ser o melhor do mundo e que a torcida tricolor estava sendo injusta, assim como foi com o lateral Serginho (sem o 'bicha', claro!).

E hoje hein? Chupa 'xiitas tricolores', que imploram a volta do craque melhor do mundo!
Kaka venceu 'sozinho' os argentinos do Boca hoje no Mundial de Clubes no Japão por 4x2.
Kaka será eleito o melhor jogador do mundo, com toda a certeza, e sonha com uma aposentadoria 'pertencendo a Jesus' como pastor.

Quer saber, acho o máximo! O máximo também ele se casar virgem, defender os 'bispos trambiqueiros', e outras 'direitices' mais.
Bom, entre um jogador-pagodeiro fashion victim e um jogador-pastor de Armani, advinha com quem eu fico queridinho?!

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Nem tudo está perdido guapos!

Tudo bem que os jogadores argentinos são leeeeendos e cabeludos mas o que é esse penteado tipo 'apache' que o autor do primeiro gol do Boca, Rodrigo Palácio (acima) está querendo ressuscitar? Daniel Boone perde, lembram crianças?

Estou mais para os pequenos 'pontos de luz' do fofo Palermo, aquela figura controversa do Boca que o ama e o odeia (mas nunca grita 'fora Palermo', muito menos 'bicha', claro!) principalmente depois daquela fatídica Copa América de 1999, onde jogando pela seleção Argentina o gostoso perde 3 (!) penaltis para a Colômbia, e deixa sua seleção em maus lençóis para enfrentar o Brasil em seguida. Resultado: Brasil 2 x Argentina 1 e claro, desclassificada.

Depois de idas e vindas na Europa o moço voltou para o time do coração e espera encerrar a carreira em La Bombonera.
Quem sabe Kaka realmente volte para o Morumbi (como Raí), como é o seu desejo, para também encerrar a sua carreira? Vou orar para isso!

14 de dez de 2007

Um homem comum simplesmente!

“Mas quanto tempo um homem pode ficar relembrando os melhores momentos da meninice? Por que não desfrutar os melhores momentos da velhice? Ou seria o melhor da velhice justamente isto – relembrar com saudade o melhor da meninice...” (pág. 93)


Comprei em outubro, num daqueles intervalos entre uma sessão e outra da Mostra de Cinema, o novo livro de Philip Roth: “Homem Comum”, tirei-o da pilha dos que aguardam minha leitura e trouxe-o na bagagem para Manaus justamente por ser ‘menos’ volumoso que os outros e caber na minha mala de mão.
Pois não é que devorei suas 131 páginas nestas 5 horas e pouco de viagem, com conexão em Brasília e troca de aeronave, aliás, coisa que poderia ser feita em 3h30 num vôo direto!

Se você tem menos de 40 anos e não é muito chegado no tema 'homem maduro revê sua vida' é melhor ler outro livro do autor, “Complô Contra a América” ou “Pastoral Americana” (aliás, em breve nos cinemas!) pode ser um bom começo, agora se você é do segundo time que está naquela fase de ‘reavaliação’ da vida, e já começou a pensar que em breve você será tratado como sendo da 'melhor idade' (quem foi o idiota que inventou esse eufemismo?) e pensa que:
- “ A velhice não é uma batalha; a velhice é um massacre.” (pág. 114)
Então amigo, prepare-se.

Não há surpresa alguma, já no primeiro parágrafo estamos no enterro do protagonista rodeado por familiares e que aos poucos vamos nos tornando íntimos daqueles personagens e as relações de amor e desafeto que o falecido tinha com eles.
Você pensou exatamente agora em "A Morte de Ivan Ilitch" a obra-prima de Leon Tolstoi ou em "Memórias Póstumas de Brás Cubas" de Machado de Assis, mas Roth não se agarra a religião no final da vida como Tolstoi e nem é tão naïf como Machado.
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O personagem é um ex Publicitário setentão (Roth, o autor têm 74), que depois de três casamentos e três filhos se aposenta aos 65 anos e resolve abandonar Manhattan, “cumprindo a promessa que fizera a si próprio logo depois dos atentados de 11/09" (pág. 50), mudando-se para um uma comunidade de aposentados de New Jersey à beira mar.
“A catástrofe de 11/09 parecera acelerar a oportunidade de dar uma grande virada em sua vida, quando na verdade assinalara o início de sua vulnerabilidade e de seu exílio” (pág. 99), "ele não queria que o fim viesse um minuto antes que o estritamente necessário” (pág. 53).
Vivendo sozinho e isolado relembra quando começou a trair sua segunda mulher (aos ‘quase 50’) e a sua surpresa quando ela liga para falar da internação de sua mãe e diz saber de absolutamente TODOS os casos dele, da falta de amor com os dois filhos do primeiro casamento, da inveja que ele sente do irmão mais velho que nunca adoeceu e tem uma saúde-de-ferro.

Judeu não ortodoxo (também como Roth), não se agarrava a deus nenhum para aliviar os últimos anos de sua vida, sabia que “os ossos eram o único consolo que restava para alguém que não acreditava na vida após a morte e sabia, sem nenhuma dúvida, que Deus era uma ficção, e que aquela vida era a única que ele teria” (pág. 124).
Vendo os amigos próximos, da mesma geração, combalidos por doenças e transtornos da idade se compraz do sofrimento alheio e retoma contato ligando para cada um, mesmo sabendo que as promessas de falso otimismo seriam inócuas, embora isso de certa forma levasse conforto para o outro e o aliviasse.

Visitando pela última vez o túmulo dos pais, trava um diálogo shakespeariano com um coveiro que lhe explica naquela simplicidade filosófica das pessoas simples como é o seu ofício (o velho Bobo-da-Corte do castelo dinamarquês, teria morrido feliz se fosse este o seu coveiro!)

A pergunta que ecoa na nossa mente aos 30/40 e que com certeza retomaremos ciclicamente até o final dos nossos dias é:
- “Tudo seria diferente, ele se perguntava, se tivesse sido diferente e feito tudo de modo diferente? Agora eu estaria menos só? Claro que sim! Mas o que eu fiz foi isso! Estou com 71 anos, e este é o homem que fiz de mim. Foi isso que fiz para chegar aonde cheguei, e estamos conversados!" (pág. 74)

Somos assim, simples, apenas homens comuns.

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Se joga:
Homem Comum/ Philip Roth. Tradução de Paulo Henriques Britto; Companhia das Letras, R$ 31,00

11 de dez de 2007

Volto já!

Amigos embarco nesta quarta para o Amazonas.
Manaus
, nos últimos 10 anos, me adotou e virou minha segunda cidade, já que passo aproximadamente 5 meses por ano lá por conta de alguns eventos da Secretaria de Cultura local e o já (internacionalmente) famoso Festival Amazonas de Ópera (FAO) que este ano completou 11 edições e no próximo ano promete. Em breve falo das atrações.

O que me leva para lá agora é um espetáculo de Natal, com direção de William Pereira, que envolve todos os corpos estáveis da Secretaria de Cultura e que será apresentado ao ar livre no entorno do Teatro Amazonas para um público estimado em 25 mil pessoas!
Eu assino a iluminação desta parada. É trampo mano! E eu digo: hot, hot, hot!!!

Vou fazendo a 'linha': direto de Manaus (como fiz em agosto em Belém) e peço: não me abandonem!
Fora isso alguma encomendinha? Um tacacá, tucumã, pirarucu, tucunaré ou panetone de cupuaçu pra viagem?

Inté.

"Good times bad times"*

*In the days of my youth, I was told what it means to be a man, Now I've reached that age, I've tried to do all those things the best I can. No matter how I try, I find my way into the same old jam. (...) I know what it means to be alone, I sure do wish I was at home. I don't care what the neighbors say, I'm gonna love you each and every day. You can feel the beat within my heart. Realize, sweet babe, we ain't ever gonna part.

Parte da letra de um clássico de 1969 que abriu agora a pouco o show de reencontro do Led Zeppelin em Londres. O guitarrista Jimmy Page, o cantor Robert Plant e o baixista John Paul Jones, fundadores do grupo (John Bonham, o baterista, teve uma morte tão patética quanto a de Mama Cass, vocalista do "The Mamas and the Papas", o que fez com que o grupo acabasse) deixarão para sempre marcas indeléveis na vida de quem viveu ou se 'inspirou' nos loucos anos libertinos!

E eu digo pra manchete de capa da "Folha" de ontem: "Vovô o caralho!"
Cada retorno, não importa o motivo, do Zeppelin será sempre bem vindo, ainda mais quando os caras fazem o maior sucesso nas suas carreiras solos. Vocês já ouviram a parceria de Plant com Alison Krauss no album "Raising Sand" lançado neste ano? NÃO?!
Putz, corra mano, corra!

10 de dez de 2007

Homens e Mulheres, pequenas histórias de esperança

Tirei o dia de hoje para assistir a dois documentários que falam, separadamente, do universo masculino e feminino sob o mesmo viés: "ainda resta uma esperança".

Os homens estão representados por "PQD", dirigido por Guilherme Coelho que teve a idéia quando estava de carro, passando pela Baixada Fluminense, e viu um grupo de bombeiros em ação. Deu-se conta de que ninguém havia feito um filme sobre o Exército. Guilherme, então acompanhou durante 1 ano e meio 70 rapazes entre 18 e 20 anos que se inscrevem no 25º Batalhão de Infantaria para integrar a tropa de elite do Exército, a brigada pára-quedista. Calma bees não têm banheirão!
São jovens simples cujo sonho maior, antes dos deveres cívicos de lutar pela pátria, é fazer parte da combalida classe média e atingir um soldo de 1.200 reais (começam com 300 paus!). Está lá o moleque de 18 e poucos anos, com filho para sustentar, parente pra ajudar, quase sempre sem a figura do pai ou da mãe, cujo único sonho é ter um 'terreninho' e num futuro 'viver numa boa'.
Isso quando não descobrem que depois de 1 ano de alistamento (para os que não tem vocação para o quartel) uma outra realidade os espera, podendo ser um emprego de segurança de artista famoso ou 'virar PM', coisa que mais de uma mãe abomina!

Guilherme Coelho, dirigiu também o black-documentário "Fala Tu" sobre o universo hip-hop. Lá mostrava os jovens que tentavam mudar o mundo com suas letras políticas para viver um mundo melhor, aqui em "PQD" isso nem passa pela cabeça dos 'aspirantes', eles se contentam em simplesmente viver em qualquer mundo.
É desolador ver aqueles meninos subnutridos ganhando músculos em treinos puxados, com esperança de conquistar aquilo que os seus pais nunca tiveram. E que, claro, tão pouco eles terão, infelizmente.
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Já as mulheres estão representadas mais 'sofisticadamente' no delicado quebra-cabeça que Eduardo Coutinho montou com "Jogo de Cena".

São histórias contadas por mulheres que invariavelmente remetem a perda, dor e reconciliação. Você se confunde um pouco quando aparece a primeira atriz conhecida (Fernanda Torres, Andrea Beltrão e Marília Pera) mas logo depois 'entende o jogo' e acompanha o desenrolar das narrativas com imenso prazer.
E quer saber, em nenhum momento as 'atrizes' estão maiores do que as 'desconhecidas', nem mesmo Marília Pera, pasmem!

Como todas as narrativas trazem um 'obstáculo' a ser superado, é como se as personagens estivessem numa sessão de análise, contando para você, espectador, como ter esperança e superar as dificuldades pessoais.
Falando nisso, a 'dificuldade' que Fernandinha Torres tem em 'superar' uma personagem e a análise que ela faz da 'cena' é um trabalho exemplar de técnica 'stanislaviskiana'. Isso sem falar no 'rompante agnóstico' de Andrea Beltrão, é de rolar de rir no meio da tragédia!
Contar mais estraga muito do encanto deste documentário.
Coutinho que pra mim já era o máximo em "Edifício Master", com "Jogo de Cena" tornou sábia a definição de "uma câmera na mão e uma idéia na cabeça"!

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Se joga: durante o mês de dezembro (aqui em São Paulo), de segunda a sexta os cines Bombril (sala 2 - "PQD"), Espaço Unibanco (sala 3 "Jogo de Cena"), Unibanco Arteplex, Cine Tam e Ig Cine estão cobrando R$6,00 (meia R$3,00) em todas as sessões! Não têm desculpas né?!

9 de dez de 2007

de artista e louco todo mundo tem um pouco

O mundo, no qual nascemos, sofre de século e meio de renúncia e de violência (...) A ruína dos ideais clássicos fez de todos artistas possíveis, e portanto maus artistas. Quando o critério da arte era a construção sólida, a observância cuidada de regras - poucos podiam tentar ser artistas, e grande parte desses são muito bons. Mas quando a arte passou de ser tida como criação, para passar a ser tida como expressão de sentimento, cada qual podia ser artista, porque todos têm sentimentos.
...
(...) Assim há dois tipos de artistas: o que exprime o que não tem e o que exprime o que sobrou do que teve.

Fernando Pessoa em "Livro do Desassossego"
®Foto de Lilya Corneli

8 de dez de 2007

Karlheinz STOCKHAUSEN (1928-2007)

"Mittwoch aus Licht"*

*"Quarta-feira de Luz", título de uma ópera do ciclo "Licht" (Luz), que tem um total de sete óperas dedicados a um dia da semana. Stockhausen morreu nesta quarta-feira deixando-nos apenas um facho de luz de suas idéias provocadoras:
- "Qualquer som pode se tornar música se for relacionado com outros sons. Todo som é precioso e pode se tornar bonito se eu colocá-lo no lugar certo, no momento certo"
...

Mais, você lê aqui:
http://www.estadao.com.br/arteelazer/not_art92356,0.htm
http://www.nytimes.com/2007/12/08/arts/music/08stockhausen-1.html?_r=1&th&emc=th&oref=slogin

7 de dez de 2007

"tudo certo como 2 e 2 são 5"

Karái companheiro, somos burros e endurecemos, pero sin perdermos la ternura jamás!

Depois do resultado do PISA (sigla, em inglês, para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), divulgados pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) com os péssimos dados do Brasil em Ciência (52ª posição) era de se esperar um leve rubor de vergonha nacional.
Pois não é que estamos ainda piores com os resultados de Matemática (53ª entre 57 países) e Leitura (48ªentre 56)!

Bom, nunca é demais repetir o que o presidente Lula pinçou do seu anedotário de frases infelizes:
- "Ler é pior que fazer exercício em esteira"!

Então meus amigos vocês esperavam o quê?

...

No final de novembro a Amazon.com lançou o “Kindle”, um leitor eletrônico de livros com conexão sem fio com a internet.Trata-se de um bagulho que pesa 285 gramas, projetado para ser mantido nas mãos por um período longo com tecnologia desenvolvida pelo MIT.

A Amazon possui 90 mil títulos à venda para o aparelho que tem memória suficiente para 200 livros (ou mais, se você expandir o cartão de memória). Em breve poderá também executar músicas, embora a Amazon não permita a compra direta em sua loja e muito menos acesso a outros sites, o cuidado é para que não se desvie da idéia principal do Kindle que é criar uma nova plataforma de leitura para os resistentes ao velho e bom livro!

Com isso o livro, conforme conhecemos hoje, acabou? Claro que não, assim como também não acabou a pintura com as instalações-intervenções plásticas. O teatro não morreu e a ópera está mais viva do que nunca, mesmo com o advento da tv.

A comercialização da música talvez tenha sido o que mais se aproximou de uma morte súbita com o fim do vinil, do laser disc e agora o cd.
O livro - tenho certeza - não acabará nunca, pode perder leitores mas estará sempre presente. Mesmo que seja numa ilha deserta, guardado por Prósperos e estudado por Mirandas em busca de um admirável mundo novo (leia “A Tempestade” de Shakespeare e você vai entender!).

P.S.: Os dados do Pisa revelam também que mesmo em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Bélgica e Espanha, quando há distorção série/idade o rendimento dos alunos diminui. A média obtida pelos estudantes com oito anos de estudo coloca essas nações ricas nos níveis elementares de desempenho, chegando a ser inferior à dos brasileiros. Nos Estados Unidos, a pontuação cai de 510 para 351 quando comparadas às notas médias dos alunos com nove anos ou mais de estudo e dos estudantes com oito anos de escolarização. Na Bélgica, reduz de 517 para 348. Mas como nesses países o atraso escolar é muito baixo, ele tem pouca repercussão na média geral. E viva a Finlândia primeiríssima colocada, esse país nórdico tem o maior número de bandas de rock mais bacanas do planeta e, como nem tudo são flores, uma taxa altíssima de suícidio de jovens!

3 de dez de 2007

Trick or Treat?



CARACAS!!!!
E AGORA HOMBRE?!

Crônica de uma morte anunciada!

ANTES:


DEPOIS:


Entre o orgulho em ser um legítimo paulista corinthiano e a queda de um gavião ferido restou apenas a certeza de que se fez justiça nos estádios deste domingo.
Resultado extra-campo, a derrota se estende também para uma diretoria corrupta, incompetente, trambiqueira e dissimulada numa das piores administrações nunca antes vista neste país.
Sabe de uma coisa, o corinthiano Lula é um tremendo pé frio, é o time do seu coração, o padre do seu partido...

1 de dez de 2007

Tá pensando que vida de "Dieux" é fácil!

Chegou dezembro e você já precisa pensar no calendário 08 bee! Este making of faz parte da série "Dieux du Stade-08" cujo ano mais famoso foi o de 04, lembra?!
Infelizmente eu não posso 'incorporar' no Blog, mas você pode dar uma olhadinha no seu 'mês' preferido aqui:
http://br.youtube.com/watch?v=jOCS2fNDMvU