18 de dez de 2007

Fome de poder!

Direto de Manaus:

Ao lado vocês lêem a manchete "Apoio à greve de fome" do jornal local "A Crítica". O movimento intitulado "Dia Nacional (!?) de vigilância e Jejum Solidário a Dom Luiz Cappio", que ocorreu na Igreja S.Sebastião (ao lado do Teatro Amazonas) foi organizado pela CNBB.

Num movimento arbitrário e anti-democrático, com apoio do bispado brasileiro, Cappio mais uma vez dá demostração de não saber viver em sociedade. Apelando para a greve de fome ultrapassa as barreiras do diálogo e impõe o seu martírio ao governo e para as instituições democráticas.
Que o sertão da Bahia (e de todo o Brasil, diga-se) seja terra de ninguém, isso sabemos, mas com certeza deve existir alguma alternativa para 'enfrentar os grandes' e as injustiças do 'sistema'! Afinal a Igreja (tão bem representada no Congresso Nacional) poderia abraçar a causa do nobre colega e fazer um 'lobbyzinho' né? Afinal, essa não seria a primeira vez, do 'lobby' eu digo!
...

Jornais de ontem traziam duas manchetes que contrastam com a atitude rebelde do bispo da diosese da Bahia:

"A Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) libertou 96 monges budistas detidos no final de setembro durante a repressão das manifestações pacíficas a favor da democracia".

A outra era:

"Cerca de 50 monges cambojanos atacaram hoje com pedras a Polícia depois de serem impedidos de entregar uma carta à Embaixada do Vietnã pedindo a libertação de um monge preso nesse país".

Os budistas de Mianmar deram um exemplo ao mundo se rebelando pacificamente ao mostrar o terror que ronda a antiga Birmânia. Claro que nem tudo é paz e incenso, já que, segundo a ONU houve 31 vítimas fatais e a dissidência calcula que pelo menos 200 pessoas perderam a vida e que mais de seis mil foram detidas.

Já os cambojanos realizavam uma manifestação pacífica em frente à Embaixada, em Phnom Penh, quando funcionários consulares impediram sua entrada. Foram obrigados a reagir:
"Os monges só queriam entregar o pedido, mas a Polícia se comportou tão mal que reagiram atirando objetos", disse An Sam Ath, da organização de direitos humanos Licadho.

Tanto em Mianmar quanto no Camboja, lideres civis e religiosos lutam para mostrar ao mundo como é revoltante viver com um governo totalitário e desumano.

Vamos combinar que já passamos desta fase, não é? Ou o próximo passo será a imolação em praça pública quando o bispo Cappio descobrir que o índice de analfabetismo na Bahia é um dos mais altos do País, em 285 municípios mais de 30% da população nunca freqüentou uma escola (dados Agência Brasil/Radiobrás). Está na conta também o município de Barra, território do abstêmio bispo.
Então, vai uma colherzinha de sopa aí senhor Cappio?

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