10 de dez de 2007

Homens e Mulheres, pequenas histórias de esperança

Tirei o dia de hoje para assistir a dois documentários que falam, separadamente, do universo masculino e feminino sob o mesmo viés: "ainda resta uma esperança".

Os homens estão representados por "PQD", dirigido por Guilherme Coelho que teve a idéia quando estava de carro, passando pela Baixada Fluminense, e viu um grupo de bombeiros em ação. Deu-se conta de que ninguém havia feito um filme sobre o Exército. Guilherme, então acompanhou durante 1 ano e meio 70 rapazes entre 18 e 20 anos que se inscrevem no 25º Batalhão de Infantaria para integrar a tropa de elite do Exército, a brigada pára-quedista. Calma bees não têm banheirão!
São jovens simples cujo sonho maior, antes dos deveres cívicos de lutar pela pátria, é fazer parte da combalida classe média e atingir um soldo de 1.200 reais (começam com 300 paus!). Está lá o moleque de 18 e poucos anos, com filho para sustentar, parente pra ajudar, quase sempre sem a figura do pai ou da mãe, cujo único sonho é ter um 'terreninho' e num futuro 'viver numa boa'.
Isso quando não descobrem que depois de 1 ano de alistamento (para os que não tem vocação para o quartel) uma outra realidade os espera, podendo ser um emprego de segurança de artista famoso ou 'virar PM', coisa que mais de uma mãe abomina!

Guilherme Coelho, dirigiu também o black-documentário "Fala Tu" sobre o universo hip-hop. Lá mostrava os jovens que tentavam mudar o mundo com suas letras políticas para viver um mundo melhor, aqui em "PQD" isso nem passa pela cabeça dos 'aspirantes', eles se contentam em simplesmente viver em qualquer mundo.
É desolador ver aqueles meninos subnutridos ganhando músculos em treinos puxados, com esperança de conquistar aquilo que os seus pais nunca tiveram. E que, claro, tão pouco eles terão, infelizmente.
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Já as mulheres estão representadas mais 'sofisticadamente' no delicado quebra-cabeça que Eduardo Coutinho montou com "Jogo de Cena".

São histórias contadas por mulheres que invariavelmente remetem a perda, dor e reconciliação. Você se confunde um pouco quando aparece a primeira atriz conhecida (Fernanda Torres, Andrea Beltrão e Marília Pera) mas logo depois 'entende o jogo' e acompanha o desenrolar das narrativas com imenso prazer.
E quer saber, em nenhum momento as 'atrizes' estão maiores do que as 'desconhecidas', nem mesmo Marília Pera, pasmem!

Como todas as narrativas trazem um 'obstáculo' a ser superado, é como se as personagens estivessem numa sessão de análise, contando para você, espectador, como ter esperança e superar as dificuldades pessoais.
Falando nisso, a 'dificuldade' que Fernandinha Torres tem em 'superar' uma personagem e a análise que ela faz da 'cena' é um trabalho exemplar de técnica 'stanislaviskiana'. Isso sem falar no 'rompante agnóstico' de Andrea Beltrão, é de rolar de rir no meio da tragédia!
Contar mais estraga muito do encanto deste documentário.
Coutinho que pra mim já era o máximo em "Edifício Master", com "Jogo de Cena" tornou sábia a definição de "uma câmera na mão e uma idéia na cabeça"!

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Se joga: durante o mês de dezembro (aqui em São Paulo), de segunda a sexta os cines Bombril (sala 2 - "PQD"), Espaço Unibanco (sala 3 "Jogo de Cena"), Unibanco Arteplex, Cine Tam e Ig Cine estão cobrando R$6,00 (meia R$3,00) em todas as sessões! Não têm desculpas né?!

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