31 de dez de 2007

Whitman pra encerrar o ano!

O último livro que comprei no ano, e já li como num doce sopro, foi “Folhas de Relva/Leaves of Grass” de Walt Whitman (acima) numa preciosa edição bilíngüe editada pela Iluminuras, então esqueça aquela edição pocket que você deve ter escondido por aí. Se você não conhece esse autor que foi ‘redescoberto’ pelos beatniks, deve ter pelo menos ouvido falar dele naquele filme “Sociedade dos Poetas Mortos” quando o professor declama o patriótico “O Captain, my Captain” (lembra no final da molecada subindo nas carteiras? Na verdade o poema foi feito em homenagem ao Presidente dos EUA Abrahan Lincoln. Engraçado como esse filme ‘causou’ teve também o maior ‘surto’ de tattoos com a frase “Carpe Diem” de que se têm notícia!)

Voltando a “Folhas de Relva”, o livro é dividido em doze poemas e foi escrito em 1855 numa época em que a América ainda estava em ‘formação’ e a voz de Whitman representava não só uma revolução artística mas era a voz de uma nação que acreditava em um Novo Homem.

Meu penúltimo post me entristeceu e me levou para os poemas que ainda estão frescos em minha memória (terminei de ler o livro no dia seguinte que o comprei, sexta da semana passada!) e que divido com vocês, no mais é correr para a livraria no raiar do primeiro dia de 2008.

Paz & amor!

...


Pensar no Tempo (To Think of Time) Walt Whitman

Pensar no tempo... pensar retrospectivamente,
Pensar no hoje... e nas eras que estão por vir.
Teve a impressão que não seguiria em frente? (...)
Teve medo do futuro não ser nada pra você? (...)
Pensar que você e eu não vemos sentimos pensamos nem fazemos nossa parte,
Pensar que agora e aqui estamos fazendo a nossa parte. (...)
Pensar no quanto somos ansiosos quando construímos nossas casas,
Pensar que outros são tão ansiosos quanto... e nós tão indiferentes.(...)
Ele que foi Presidente foi enterrado, e aquele que agora é Presidente será certamente enterrado.
Alguém tapeando você, ou você tapeando alguém... pra frente... homem atrás e homem na frente, (...)
O vulgar e o chique... o que você chama de pecado e o que você chama de bondade... pensar quão grande a diferença (...)
Pensar em como você é ocupado (...)
Ele é um desses caras bonitos e felizes... daqueles que só de paquerar e ficar junto é o bastante (...)
Sonhei que não havíamos mudado muito... nem nossa lei interna tinha mudado (...)
Não sei definir minha satisfação... e no entanto a sinto,
Não sei definir minha vida... e no entanto a sinto (...)
Juro achar que só a imortalidade existe!
E que este estranho esquema é por ela, e a flutuação nebulosa é por ela, e a atração é por ela,
E todo preparativo é por ela... e a identidade é por ela... e a vida e a morte, por ela.


...

Se joga:
“Folhas de Relva”, Walt Whitman. Editora Iluminuras, edição bilíngüe com tradução e pósfacio de Rodrigo Garcia Lopes

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