27 de dez de 2008

Gaza, o ataque previsível

A desgraça previsível que foi o ataque a faixa de Gaza chega como uma 'cobrança' para que não nos esqueçamos que o cristianismo tem um 'RG' indissociável dos massacres e destruição milenares na região... deuses até quando? (photo by: Nasser Shiyoukhi/AP)

Abaixo trecho do excelente Blog "Diário do Oriente Médio" de Gustavo Chacra, que acompanho diariamente e está linkado por aqui, Gustavo é correspondente do Estadão na região mais instável do planeta:

- "(...) A operação israelense não foi uma surpresa. Especula-se que alguns países árabes, como o Egito, tenham dado luz verde para Israel atacar o Hamas.

O que não está claro é o risco de ser aberta uma nova frente na fronteira norte de Israel com o Líbano. Nesta semana, o Exército libanês desmantelou oito mísseis do Hezbollah que estavam prontos para serem disparados contra o território israelense. O episódio pode indicar, primeiro, que a organização xiita está preparada para uma nova guerra contra os israelenses. Segundo, que o Exército libanês quis mostrar que tem atuado para desarmar o Hezbollah. Dessa forma, Israel teria dificuldades de acusar o governo libanês de não agir para impedir ataques do Hezbollah (...)"

Leia aqui a continuação do post "Guerra contra o Hamas é fácil; risco seria o Hezbollah abrir nova frente no Líbano"

Entrando no Blog do Gustavo, você pode ler também o post do dia 20/12: "As conflituosas identidades nacionalistas, religiosas e étnicas no Oriente Médio" para entender direitinho alguns dos motivos de tantos conflitos insolúves:

- "(...) Os conflitos na região envolvem estas identidades, como é o caso da disputa israelo-palestina. Os palestinos são os árabes não-israelenses que são descendentes ou nasceram no que hoje é Israel, Cisjordânia e faixa de Gaza. Eles podem ser cristãos (em geral ortodoxos), muçulmanos (quase todos sunitas) e drusos. Logo, ser palestino implica ser etnicamente árabe, mas não necessariamente muçulmano. Muitos líderes palestinos são cristãos (...)"

25 de dez de 2008

E 2009 será melhor ainda pra mim!

E 2009 será bem melhor pra mim!
O ano já começa com o evento “França no Brasil”, um ano de atrações espalhadas por todo o Brasil dedicadas a cultura francesa. A programação mais aguardada (pelos franceses, evidente) é o XIII Festival Amazonas de Ópera, inteirinho dedicado as óperas francesas, dentre os diretores estrangeiros que trabalharei na iluminação estão Emilio Sagi em “Sansão e Dalila” e Frédèrique Lombart em “Le Cid”, o outro diretor é brasileiro com quem eu já fiz muitas coisas lindas, meu amigo William Pereira em “O Diálogo das Carmelitas”.

A minha direção deste ano no FAO é a encenação, pela primeira vez no Brasil, de “Les Troyens/Os Troianos”, em breve anteciparei as idéias e croquis que venho desenvolvendo há pelo menos 6 meses de estudos (inclusive módulos intensivos do idioma na Aliança Francesa!), e depois dizem que artista é folgado e preguiçoso, tst, tst, tst...


Minha estréia na direção pela Cia. de Ópera Seca, de Gerald Thomas, será com um texto de Stoppard, o ano promete!

Outra novidade para o novo ano, será a minha volta à direção teatral com um texto de Tom Stoppard, trata-se de “Travesties”, peça teatral escrita nos anos 70 em que ‘promove um encontro fictício’ entre personagens reais e outros do romance de Oscar Wilde (direto de “A Importância de Ser Prudente”); é 1917 em Zurique e acompanhamos numa biblioteca o embate sobre a Arte e o papel do Artista com diversas ações políticas como pano de fundo. Os personagens reais são James Joyce (antes da fama por “Ulisses”, ainda em estado embrionário), Lênin (no ano da Revolução de 17), Henry Carr (um ator mediano que trabalhava na embaixada da Inglaterra em Zurique) e Tristan Tzara (o ‘pai’ do Dadaísmo).

Esta montagem trará também uma novidade, esta é a primeira vez que a Cia. de Ópera Seca será dirigida por outro diretor que não seja Gerald Thomas! Será uma primeira experiência para projetos futuros, já que temos (Eu e GT) afinidades artísticas e pessoais, por enquanto contarei com os atores Fabiana Gugli e Marco Antonio Pâmio (também tradutor) e pretendo ter Luiz Damasceno, ‘primeiro ator’ da Cia em outros tempos e que é sempre bem vindo.
A produção será da “Vlaanderen”, primeira vez com peças de teatro, da minha amiga e agente ‘belga’ Flávia Furtado, que junto comigo comprou os direitos da peça e participou de uma reunião ‘a jato’ com o próprio Stoppard no aeroporto de Cumbica num intervalo entre conexões logo após a sua participação no Flip deste ano. Aliás este encontro merecerá um post novo, aguardem, volto ao tema.

Ampliando minha ‘conexão internacional’ trabalharei novamente com Gerald que dirigirá uma ópera baseada na vida dos Hemingway’s, trata-se de uma adaptação do livro de memórias “Strange Tribe” escrito por John Hemingway, o neto, e que ainda estamos no tratamento do libreto e concepção musical. Os contatos para Salzburg, Amsterdã e workshops de todo o processo no Brasil já estão mais do que agendados.
Aguardem, este projeto é realmente muito especial!
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Leia no "Viralata Reloaded" o post: "O céu que me protege em Atibaia":
"- Para quem estava acostumado com a esquina da rua da Consolação com a Nestor Pestana, a coisa mais impressionante é poder dormir no silêncio... quer dizer, existem uns barulhos estranhos de bichos que não consigo identificar. Mas é beeem melhor que o 'centro expandido'(...)"

Foi bom pra mim

Eu e Roger Waters no palco do Teatro Amazonas durante os ensaios de "Ça Ira", barricada de 'tapadeiras' foram montadas no proscênio para trabalharmos longe dos 'paparazzis' europeus e brasileiros que queriam a todo custo registrar cenas do espetáculo antes da estréia.

O primeiro semestre de 2008 foi realmente incrível e próspero para mim. As óperas que trabalhei no Festival Amazonas de Ópera ainda me trazem bons frutos e reconhecimento profissional, além, claro de excelentes críticas no Brasil e principalmente no exterior (Itália, França e Alemanha).
Tive o privilégio de trabalhar com Roger Waters (fundador do Pink Floyd), dirigi e iluminei sua única ópera, “Ça Ira”, e montada na íntegra no FAO, sem cortes e com revisão do próprio Waters. O espetáculo repercutiu mundialmente e só não foi melhor por quê promessas não foram cumpridas pela produtora associada em São Paulo. Mas fiz o meu melhor e fiquei muito orgulhoso do resultado de toda a minha equipe.

Minha direção 'rock'n roll' para "Ariadne auf Naxos" em Manaus, muitos elogios pela crítica européia

Outra parceria com o maestro Luiz Fernando Malheiro foi a minha direção e iluminação para “Ariadne auf Naxos”, infelizmente apenas em Manaus já que a co-produção prometida, alardeada e divulgada com o Municipal de S.Paulo não aconteceu. Muito já falei e foi debatido por aqui entre réplicas e tréplicas, ainda não digeri esta frustração que me trouxe tantas alegrias e foi muito elogiada na Europa, ganhei inclusive, além da crítica, uma página e meia de entrevista exclusiva na revista alemã especializada em ópera “Der Neue Merker”!




De cima para baixo, GT e Olinto em "Bate Man" e uma cena do espetáculo. Abaixo: GT, Pancho e uma cena de "O Cão que Insultava Mulheres"

Falando em parceria, voltei de forma meio ‘torta’, a trabalhar com Gerald Thomas nos seus dois últimos espetáculos no Brasil. Com a Cia. de Ópera Seca, que já fui integrante por alguns anos, assinei a luz de “Kepler Ou O Cão Que Insultava Mulheres”, experiência dramatúrgica ‘online’ à partir de internautas que ‘dialogam’ com Gerald em seu Blog.
Outro espetáculo foi “Bate Man, ou Bait Man”, no SESC Copacabana/RJ, monólogo para Marcelo Olinto comemorar os 20 anos da Cia dos Atores, Gerald foi convidado a escrever e dirigir um texto inédito e me chamou para iluminar, chamado prontamente atendido com muito amor e carinho.

Foi bom pra você? (ou: 2008 foi assim)


Sigam as minhas ‘editorias’ retrospectivas de mais um ano que se encerra. É isso aí ‘goodfellas’, escapamos.
Namasté e Saravá para todos!
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POLÍTICA NACIONAL

Investigações sobre corrupção passiva, ativa, ‘versátil’ , peculato, favorecimento, etc, etc... atingem mais uma vez gente bem próxima do Palácio do Planalto. Uns saíram “para deixar as investigações mais transparentes”, outros foram esquecidos mesmo. Do estardalhaço todo restou o ‘anti-herói’ com nome de protagonista de saga grega: Protógenes

POLÍTICA INTERNACIONAL

A crise americana ofuscou um pouco a vitória de Barack -Yes, we can’t – Obama, mas não conseguiu derrotar a esperança de dias melhores que praticamente o mundo inteiro está aguardando com o resultado desta eleição histórica.

CIDADES

Santa Catarina viveu seus dias de ‘santa katrina’, destruída também pelas intempéries climáticas, o estrago foi maior somadas as irresponsabilidades governamentais de todas as esferas por falta de investimentos básicos e prevenção.

CULTURA

Gil saiu, viva Gil! Embora seu sucessor seja o seu braço direito no Ministério da Cultura (e quem realmente ‘ministeriava’), esperamos que pelo menos tenhamos um ministro despachando em sua sala e não em tourné mundial. Para ser franco, duvido que algo mude para melhor, já desisti há muito de termos uma ‘política cultural’ sem resquícios de ‘antropologia da cota’ que este governo transforma tudo o que toca.


ESPORTES

Meu time, São Paulo, foi hexa-campeão num campeonato praticamente perdido na sua primeira metade, ‘virou o jogo’ nos pontos corridos graças a sua disciplina, organização e claro: Muricy Ramalho. Se bem que a incompetência dos times adversários ajudou bastante e isso não foi um mero detalhe.

A subida do Corinthians depois do ‘castigo’ do rebaixamento e a espetacular contratação do Fenômeno Ronaldo praticamente eclipsou todas as notícias de final de ano em toda e qualquer editoria. Como bem disse algum dirigente: “ele foi contratado para se recuperar e não para jogar”. Sei, e quem ‘recuperará’ o time? Duvido muito que o retorno que o São Paulo teve com o Imperador Adriano no primeiro semestre possa se repetir no ‘coringão’, mas isso é assunto para a ‘retrospectiva-09’.

Ah, ia me esquecendo dos meus amigos cariocas, que coisa o rebaixamento do Vasco hein?!

TECNOLOGIA

O IPhone chegou e já está disponível nas três principais operadoras do País com preços e planos exorbitantes, desanimando um pouco os consumidores ‘da cota’. O crescente número de modens para laptops e a ‘popularização’ da tecnologia 3G em celulares mais modernos é a nova ‘febre online’ que não deixará absolutamente ninguém indiferente... e fora do ar.

ECONOMIA
O acontecimento do ano foi o ‘crash’ financeiro que abalou primeiro a economia americana e de uma forma avassaladora foi tomando conta da Europa com estilhaços espalhados pelo Brasil.

CELEBRIDADES

A ‘editoria’ que bateu de longe todas as anteriores! O Fenômeno Ronaldo absolutamente drogado, dá o seu carro e carta de motorista para um travesti comprar pó no morro enquanto apronta em um motel com outros dois, é simplesmente o ‘bafo’ de qualquer ano!

Perto deste ‘evento’ do Fenômeno a morte do ‘ex-gigolô’ Marcelo Silva foi patética e ‘mal ensaiada’! Vamos combinar que comprar pó (faz parte de qualquer roteiro, perceberam?) de amigos policiais, cheirar a noite inteira com a ‘atual gostosa’ praticamente numa crise de narcolepsia (digo, sempre dormindo!) e num momento “rebobine por favor” reencenar “Clube da Luta”, dando socos e lutando consigo próprio até a morte foi meio over (dose!) não é mesmo?!

Bom, ainda teve Madonna cinquentona de volta ao Brasil quinze anos depois, mais forte, mais rica, mais poderosa do que nunca e ainda ‘atendendo’ o pós-adolescente Jesus Luz!!!!

Waall que ano!!!

24 de dez de 2008

Ele voltou!

Amigos mais um Natal que chega, como no anterior, eu desejo novamente a todos vocês um 'Bom Gyllenhaal' e que ele venha com muita força, dinheiro, beleza, amor e SAÚDE!!!!
Quer mais?!
Paz e Amor.
Caetano Vilela

23 de dez de 2008

Menino Jesus


Só para não perder a piada-trocadilho de fim de ano, neste Natal faça como a Madonna comemore o 'aparecimento' do menino JESUS com muita LUZ!!!!

Game Over!

Fim do Show no domingo, encerramento da tourné mundial em São Paulo, nem a chuva torrencial ou o Dj Oakenfold (pobre, pobre, pobre!) abalou o público messiânico

É meus amigos, sobrevivi a 'febre Madonna'! Quinze anos atrás eu trabalhei como monitor (indicava os portões do lado de fora para os 'perdidos') no Estádio do Morumbi, sob um sol escaldante que me rendeu um desmaio, resultando numa insolação. Fui parar no ambulatório de emergência, o médico perguntou se alguém poderia me levar pra casa, eu disse que sim que iria chamar um amigo e logo voltaria para ele me dar alta... evidente que fugi para assistir ao show!
Trabalhei umas 6 horas de graça unica e exclusivamente para assistir ao show e não era uma insolação que me derrubaria, bem, devo confessar que fiquei beeemmm mal nos dias seguintes, mas para fãs tudo vale a pena.

Desta vez não, ganhei do meu amigo Miguel as entradas para assistir a 'madrinha' no sábado e domingo na arquibancada azul (escolha minha, já que é onde fico como 'sócio-torcedor' nos jogos do SPFC) e digo: FOI LINDO!
A maioria das coisas que li sobre o show sempre há uma ressalva dos jornalistas dizendo: "não sou fã da Madonna, mas...", bom, como não é o meu caso dou então a minha versão.

Para não dizer que sou 'cego-surdo-mudo' a qualquer coisa que a Madonna faça, já vou dizendo que simplesmente não tenho mais saco para o 'bloco gipsy' que se faz presente em absolutamente todo show da diva. Juro que não suporto mais NENHUMA versão de "La Isla Bonita", me dá náusea. Outra coisa 'estranha' para dizer o mínimo é a 'pegada rock' de alguns arranjos com a 'über' tocando guitarra (toscamente!), se "Bordeline" funcionou e deu um 'fresh' na canção não se pode dizer o mesmo com "Hung Up", afinal o single do álbum "Confessions on a Dance Floor" era uma volta aos 70's e vamos combinar que aquele 'punch' mais seco foi bem um anti-climax.
Outra coisa que não funcionou mesmo foram os figurinos, principalmente dos bailarinos. A base preta e sóbria, praticamente na maioria das peças ficou praticamente 'camuflado' no gigantesco palco. Pode ser que no lançamento em dvd fique incrível, mas num palco daquele tamanho e num estádio imenso... não rolou mesmo. Saudades de Gaultier!

Agora incrível mesmo foram aquelas duas cortina de led, de formato circular, descendo no começo da passarela onde ela cantou em cima de um piano "Devil Wouldn't Recognize You" (acima) coberta por efeitos de chuvas, raios e trovões, depois numa versão repaginada em "Like a Prayer" ela é 'queimada' pelos leds num belíssimo efeito de fogo. Ok, o U2 já usava as tais cortinas no último show deles que também vimos por aqui no Morumbi, mas em "Sticky..." eles eram pontuais e muito bem utilizados. E o que era aquele palco com esteiras rolantes, elevadores e 'quarteladas eletrificadas' para deslizar toda e qualquer efeito de mídia?! Juro que ainda terei um para 'brincar' em algum espetáculo, é o sonho de consumo de qualquer encenador.
A complexidade dos efeitos tecnológicos só é superada pelo show virtual da banda "Gorillaz", de resto a sincronia no 'dueto' com Justin Timberlake em "4 Minutes", novamente com leds, desta vez em totens que se movem coreograficamente é de tirar o fôlego. E tudo deu certo e se repetiu absolutamente igual tanto no sábado quanto no domingo, acredito que na quinta também. Não basta ser 'rainha' têm de ensaiar, ensaiar...

No domingo ela se despediu do Brasil dizendo nos amar e que não demoraria mais 15 anos para voltar. Espero realmente que não, mesmo tendo a certeza que um show deste tamanho e com tamanha complexidade e energia física dificilmente se repetirá.
Volte sempre 'candy'!

A nuvem que avançou tal qual o 'gigante Adamastor', de Camões, e desabou numa torrencial tempestade obrigou o Morumbi a acender mais cedo a sua iluminação

17 de dez de 2008

A porta da rua é serventia da casa

Direto do "Uol Notícias/Fotos", propaganda de incentivo aos imigrantes ilegais na Espanha (o cartaz está num metro em Madri) que queiram 'gentilmente' deixar o País.

Sempre tenho um embrulho no estômago quando vejo este tipo de ação. Embora não exista muros físicos (Palestina ou EUA os têm por exemplo sem obter muito sucesso) que barrem suas fronteiras aos estrangeiros a Espanha é extremamente rigorosa e antipática com os imigrantes, a clara noção de que o país é um 'oásis latino' de oportunidades está se desfazendo mês a mês com os altos índices de desemprego e inchaço no sistema previdenciário espanhol.

O quê fazer? Ora, agilizar os processos de deportação e ao mesmo tempo com uma campanha politicamente correta pedir para que os 'sangue-suga' se mudem.
Anúncios de 'precisa-se' cobriram os jornais espanhóis logo após o terrível atentado terrorista a um metrô em Madri, mais uma vez gente qualificada de outras plagas misturada a mão-de-obra barata dos peões do leste europeu se juntaram para fazer o 'serviço sujo'.

Com um 'outdoor' deste espalhado pelas imediações da Casa Branca (EUA) talvez seria menos constrangedor para qualquer presidente americano montar sua equipe, sempre haveria a sombra do "nós avisamos e estamos fazendo o possível" pelas cercanias.
Gente importante dos governos Clinton (Zoe Bird, Procuradora Geral) e Bush (Linda Chavez, candidata a Pasta do Trabalho) tiveram uns 'probleminhas' quando veio a tona os 'domésticos ilegais' que prestavam serviços em vossas casas. Coisa pequena perto das babás dominicanas dos astros pops, encanadores cubanos de toda Miami, garçons brasileiros de meia NY, etc, etc, etc...
...

Leia no "Viralata Reloaded" o post: "A Dissimulação Socialista (ou: O Pecado Capital):
- Aquele eterno 'problema' getulista que amarrou todo o sistema trabalhista como um relógio atado numa bomba prestes a explodir em alguma década. E vamos combinar que com a soma de toda crise mundial este 'tic-tac' está cada vez mais 'alto e presente'...

13 de dez de 2008

O Ator, o Diretor, o Autor e o entendimento sobre o Tempo

"Decantar o vinho, como pode o teatro, enfim... É tempo, tempo entendeu, é o tempo que o teatro tem que ter, teatro não, uma câmara de tortura. Precisa de tempo, tempo.
Teatro e tortura, amizade e literatura e um bom vinho precisam de TEMPO.
(Gerald Thomas/"Bait Man")

Marcelo Olinto sob a minha luz, dirigido por Gerald Thomas e fotografado por Daniela Visco no Sesc Copacabana

Faltou tempo! A citação acima vem do novo espetáculo dirigido e concebido por Gerald Thomas para Marcelo Olinto. Todos concordam que faltou tempo para que o espetáculo ficasse melhor... poucos dos envolvidos nesta produção concordam que faltou tempo para 'decantar' deste evento uma nova 'amizade'.
Trabalho com Gerald há uns 10 anos, nos separamos por um tempo para eu cuidar da minha carreira e nos aproximamos quando nossas agendas permitem. A vida dele sempre foi uma loucura inter-continental, sua cabeça sempre esteve em, no mínimo, três países ou cinco cidades ou duas culturas, dez projetos, ou, ou, ou...

Acredito na empatia entre criadores, ator e diretor num processo tão autoral precisam 'estar siameses' em fase de produção de um novo espetáculo. Depois de mais ou menos 3 semanas de ensaios cheguei ao Rio e após assistir um ensaio sem saber de absolutamente nada identifiquei alguns pontos frágeis sobre o entendimento que o ator tinha do autor. Note bem, eu disse "DO AUTOR" e não do espetáculo (embora houvesse sim alguns pontos também, mas não é o caso).

Gerald é o autor dele mesmo e ninguém pode acusá-lo de repetir sempre o mesmo discurso, seu tema é e sempre foi o DILACERAMENTO que qualquer guerra provoca nas relações, para isso abusa do jogo teatral, do corpo do ator que precisa ser um comediante disciplinado para 'decantar' e 'autorar' toda verborragia (nisso sempre preferi Damasceno à Bete Coelho) contida nas múltiplas camadas de entendimento. Kantor era assim também, todo o seu teatro era o reflexo do pós-guerra e seus atores marionetes deste 'campo militar', todo o Living Theatre também e a primeira fase de Pina Bausch... é sempre a guerra e a contradição da guerra e a guerra e a contradição da...

Se não se entende isso para trabalhar com um diretor assim o ator é fisgado (Bait Man!?) pela traição da falsa verdade, do falso entendimento. O público pode sair do teatro com centenas de peças soltas e montar seu quebra-cabeça na pizzaria ou no seu travesseiro, já o ator não!
O ator não pode dar pistas equivocadas do entendimento que o 'autor-diretor' criou (Marienplatz 1933 sempre será o início da ascensão e nunca uma garrafa de vinho raro!), muito menos subestimear a capacidade que este mesmo autor tem em criar armadilhas que coloquem em xeque este entendimento.

Concordo com Gerald, o ofício do ator faz muito mais sentido semânticamente em inglês (to play) do que em português (representar) ou francês* (repetition) e não quero dizer com tudo isso que o que apresentamos ontem a noite no Sesc Copacabana seja ruim ou mal realizado e que Marcelo Olinto esteja bem ou mal. Voltando a citação inicial acho que o que melhor define o estado que saímos do teatro hoje é um fragmento de uma canção de Renato Russo, quando diz: "(...) agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou..."
...

*
Abaixo comentário do Zeca sobre o 'ofício do ator' em francês. Mérci querido, mantenho então o texto ressaltando que me referia ao processo de ensaios mais do que o espetáculo pronto.

-"Oi, Caetano, adoro o seu blog. BRAVO! Soh uma coisinha sobre o TO PLAY. Em francês o ator tb "joga". JOUER é encenar, representar. Fala-se muito do JEU do ator. REPETITION nao é representar, mas ensaio (do verbo REPETER, entre outras coisas, ensaiar). Bjs Zeca"

12 de dez de 2008

O Homem que virou Isca no Rio de Janeiro

Mal terminaram as óperas no Teatro S.Pedro/SP no domingo passado eu já embarquei para o Rio de Janeiro, na segunda, para outra parceria na iluminação (de última hora, mas sempre em boa hora!) com Gerald Thomas. Falo sobre "Bate Man" (ou "Bait Man") escrito e dirigido por GT na forma de um monólogo para Marcelo Olinto (acima num ensaio, fotografado por mim) defender no evento-efeméride "Auto Peças", comemoração dos 20 anos da Cia. dos Atores no Sesc Copacabana.

Mais, depois falo! Enquanto isso o próprio GT dá uma idéia do que aguarda o público carioca, leiam aqui. Estou curioso para sentir as reações, pena que volto para SP neste domingo.
...

Se joga:
"Bate Man", concepção/direção Gerald Thomas, monólogo com Marcelo Olinto
Sesc Copacabana/RJ
12 a 21 de dezembro (quinta a sábado 21h/domingo 19h30)

6 de dez de 2008

"Dido e Enéas": O melhor espetáculo que vi no ano!

É isso, simplesmente o melhor espetáculo que vi no ano!
"Dido e Enéas", dirigido por Antônio Araújo com o seu grupo "Teatro da Vertigem" nos galpões da Central Técnica de Produção Chico Giacchieri, do Teatro Municipal de S.Paulo, foram responsáveis por um daqueles eventos que não sairá tão cedo da memória de quem assistiu. Este 'poder' Tô (como é conhecido carinhosamente pela classe) transborda de sobra, foi assim quando vi "Paraíso Perdido" numa Igreja ou "O Livro de Jô" num Hospital (aliás assisti cinco vezes!), e é assim também neste galpão que será transformado em armazenamento de cenários do Municipal. Tudo foi construído para ser um evento e graças aos deuses do teatro voltou ao cartaz somente neste final de semana, eu repito é IMPERDÍVEL!

É imperdível não só pela natureza da celebração, afinal é de se louvar que o Municipal de S.Paulo possa ter um espaço para armazenar toda a sua produção de cenários e figurinos, no mundo todo grandes casas de ópera investem milhões nestes depósitos, milhões aliás que são recuperados quando se remonta ou se alugam as produções armazenadas.
É imperdível também pela qualidade artística apresentada que soma brilhantemente tudo o que nós, público e artistas, gostaríamos sempre de ver pelos palcos: excelência musical, cênica e técnica.
Que bom que neste ano São Paulo pode 'estrear' dois diretores que nunca haviam trabalhado com ópera antes, Tô Araújo e Felipe Hirsh ("O Castelo do Barba Azul") vieram com força total para renovar um pouco as encenações líricas 'empoeiradas' que já cansamos de ver. São jovens comprometidos com grupos de pesquisa sérios e com uma identidade artística inabalável. Vamos combinar que já cansamos um pouco dos 'jovens velhos' que andam por aí! A cena clama por renovação. Arte é risco, não existe regras, acertos, culpas ou desculpas. Existe Arte!

O casal solista (que eu também já tive o privilégio em dirigir num "Barbeiro de Sevilha") Leonardo Neiva e Luisa Francesconi são os 'tops' da nova geração de cantores líricos brasileiros, o Coral Paulistano é de uma entrega cênica que faz a alegria de qualquer encenador que sabe o que quer em cena. A aparição de Silvia Tessuto como a Feiticeira (aqui uma 'psicopata religiosa') é inesquecível, assim como a entrada triunfal do Espírito (numa moto como um entregador do FedEx) do contra-tenor Helder Savir.
Claro que pra tanta experimentação é preciso ter apoio de um maestro moderno e comprometido com o novo e também certos riscos, neste caso Tiago Pinheiro foi de uma generosidade ímpar, além de excelente musico soube prever que o desconforto dos ensaios guardava um espetáculo deslumbrante. Bravo Maestro!

Bravo meu amigo Guilherme Bonfanti pela linda iluminação. E como nunca sai crítica sobre os bastidores e muito menos os técnicos envolvidos quero então dar um 'BRAVI' geral ao imbatível exercito do Municipal que trabalharam arduamente para que este projeto pudesse existir.
Maestro Jamil Maluf, Eliane Lax (produção), Pelé (o MAIOR cenotécnico de óperas de SP), Sérgio Ferreira (Designer de Som, puta profissional! O mais importante ali, que tomou a sábia decisão de não amplificar individualmente os cantores e sim fazer um som homogêneo e ambiente, bravo!) e a todos os cenotécnicos, costureiras e motoristas de plantão, este espetáculo foi feito também por vocês e PARA VOCÊS.
E este espaço é também realizado para que toda esta equipe possa ter melhores condições de trabalho. BRAVI!

Abaixo, trecho dos ensaios da primeira montagem:

4 de dez de 2008

Um ringue para Tchecov

Estréio hoje meu último trabalho do ano. Assino a iluminação das 'pocket operas' "Palestra sobre os Pássaros/A Water Bird Talk" e "O Urso/The Bear", ambas em sessão dupla, seguidas de um pequeno intervalo, no Teatro S.Pedro/SP.
É a primeira vez que trabalho com a diretora Lívia Sabag, amiga recente que adoro e espero voltar a trabalhar novamente, esse projeto é uma paixão antiga da Lívia: levar aos palcos os contos do escritor russo Tchecov.

"Palestra..." é uma adaptação do conhecido conto "Os Malefícios do Tabaco" numa versão solo com Lício Bruno absolutamente senhor da cena, destrinchando uma das melhores partituras contemporâneas escritas para barítono.
Já em "O Urso" o palco vira literalmente um ringue de boxe onde se digladiam Keila de Morais, Igor Vieira e Carlos Eduardo Marcos.

Bastidores: Com cenário de Renato Theobaldo, o ringue é montado para o embate do "Urso"; o mesmo 'palco sob o palco' é transformado para a segunda pocket ópera "Palestra..."
...

Se Joga:
Teatro S.Pedro/SP nos dias 04 de dezembro as 20:30h e nos dias 06 e 07 de dezembro às 17h.

'Fiz' a duquesa!

Assisti "The Duchess" ontem.
Sabe o que é... acho que a 'continuação da história não filmada' seria uma melhor opção dramaturgica do que a velha ladainha de casamento arranjado entre monarcas em busca de um herdeiro. Não tem carisma e faltou um certo 'aplomb' da 'mis-en scène'.
Ok, os figurinos são estonteantes, a trilha sonora irritante e os 'sets' incríveis, mas já vimos mais e melhor em "Maria Antonietta" não?

30 de nov de 2008

Que se desnude! (ou: simplesmente "Pan y Toros")

Já estou de volta do meu proveitoso fim de semana no Chile. Como disse foi uma mistura de trampo, contato e lazer como quase todas as viagens que faço. Sobre o trampo e os contatos poupo vocês por enquanto, já que recolherei estes 'frutos' apenas em 2010! Devo confessar que a minha agenda para 2009 também já está fechada faz tempo e oxalá tenha saúde e criatividade para desenvolver todos os espetáculos que me esperam.

O Mestre Emílio Sagi

Agora, o lazer. Assisti a estréia da Ópera Zarzuela "Pan y Toros" no Teatro Municipal de Santiago dirigida pelo 'über' encenador Emilio Sagi (ao lado), bastante conhecido na Europa e também diretor do Teatro Nacional de Bilbao. Muito do que vi em cena é o mais puro teatro de prosa misturado com o canto lírico, gênero aliás 'capital' nas zarzuelas que são tão populares na Espanha e demais países ibero-americanos, exceto talvez no Brasil. Sagi tem um bom gosto incrível na encenação, sem contar a desenvoltura cênica em distribuir no palco balé, coro e solistas de forma tão elegante e engenhosa nunca cansando nossos olhares. A cena de abertura com Goya pintando "Saturno comendo seus Filhos" numa grande tela de filó que cobre toda a boca de cena é impactante, assim como também a graciosidade coreográfica do coro feminino no II Ato. Trabalho de mestre!

"Pan y Toros" se passa na época de Carlos IV tendo em cena o pintor Goya com suas pinturas como 'coadjuvante' da ópera, misturando personagens fictícios e outros reais que fazem jus ao trocadilho que dá título a obra, vindo da expressão "Panis et Circenses", o que o povo realmente quer é "pão e circo", não importa o pano de fundo político recheado pela influência imperial.
E tivemos 'pão' da melhor qualidade, sobretudo pela presença poderosa da maior cantora espanhola do gênero, a imbatível Milagros Martín que encontrou em Mariela Cantarero parceira ideal em cena para dividir os aplausos da noite.

Pão e Circo numa cantina

Ao final me juntei à trupe para celebrar a estréia com um jantar numa cantina; amigos se vocês já cruzaram em restaurantes com grupos de teatro comemorando estréias ou final de temporadas não fazem idéia do que é o encontro de um grupo de cantores de ópera num restaurante! Cada um cantava trechos de alguma música (quase sempre lírica) e aos brados e brindes 'exigiam' que o próximo se manifestasse (sempre aos gritos de: "que se desnude!"), daí vem a hilária Mariela Cantarero com uma versão da camponesa Heidi (lembram-se?) em japonês (!!!), fui as lágrimas de tanto que ri. Como a coisa quase descambava para uma disputa de apupos entre os seus pares, a Diva Milagros Martín não se fez de rogada ao ouvir seu nome sendo gritado e despida da modéstia começou cantando uma música no mais autêntico estilo 'sangre rojo', as batidas nas mesas aumentaram ela subiu na cadeira, todo o restaurante delirava daí ela levanta o vestido e sobe, literalmente, na mesa, tendo copos, talheres e pratos afastados imediatamente e termina a canção num veredadeiro 'olé' espanhol!
Nem preciso dizer que 'arrasou' com todos os concorrentes seguintes que por um tempo se contentaram em rir, beber e comer. Me lembrei de Fellini em "E La Nave Vá" com a sua trupe de artistas, afinal nós artistas somos 'clowns' de nós mesmos sempre dando 'pão e circo' não importa para quem e muito menos onde. Afinal que profissão você conhece que se contenta com aplausos?

Caso você vá ao Chile não se perca, o Teatro Municipal de Santiago fica na rua ao lado do Bar Restaurant...

..."La Pica de Clinton"! Anotou?

Publicado simultaneamente no "Viralata Reloaded"

27 de nov de 2008

Homem Mandioca!

Aos que estão em São Paulo (e aos que virão) marquem na agenda este compromisso imperdível. Trata-se da eleição do "Homem Mandioca", detalhe: prêmio em dinheiro!!!
Não pude deixar de notar que próximo ao meu lar a boite "Planet G", na Rego Freitas, irá realizar um certame (ou será inhame?) tão fino para toda a sociedade.
Aos que quiserem se inscrever fica dado o serviço e olha que eu nem tô cobrando representação, kkkkkkkk

24 de nov de 2008

O ar nonchalance dos existencialistas sem causa (ou: mais um filme com Louis Garrel)

Começou na sexta passada, e vai até esta quinta, o mini Festival Varilux de Cinema Francês no cine Belas Artes/SP (o 'banco patrocinador' que me perdoe mas não consigo chamar este cinema por outro nome!), o filme mais aguardado na estréia da mostra ficou retido em Curitiba e não chegou a tempo de abrir a sessão, decepção geral e revolta do 'mundinho' já que se tratava de "La Belle Personne/A Bela Junie" nova direção de Christophe Honoré com o seu 'alter ego' Louis Garrel (que participa também do comentado "Atrizes" dirigido por Valeria Bruni, sim a irmã francesa 'menos famosa'!). Compreensível a revolta tratando-se do moço!

Hoje, segunda, o filme foi programado em duas sessões não tão concorridas assim, e não 'causou' decepcionando um pouco quem está acostumado com o 'cinema vintage' de Honoré. Estão lá todos os seus maneirismos que lhe são caros: o amor não correspondido, o rompante trágico, a 'novellevaguice', os triângulos amorosos heteros e gays, a 'truffausice', o pedantismo literário, a narrativa musical, etc...
Faltou apenas charme. E um pouco de carisma também.

Toda a história gira em torno da menina do título a 'belle'
Junie (Léa Seydoux) e se baseia num romance francês do século 17, não sei se a 'parte gay' da história é do romance original ou faz parte do 'pacote Honoré' na adaptação para os nossos dias. Caso seja, é a melhor parte do filme, menos explícito que "Les Chansons D'Amour/Canções de Amor", quebrando um pouco aquele ar 'nonchalance' de toda aquela molecada 'fazendo os existencialistas sem causa'.

O 'jovem werther' da vez é o 'beau bretão' de "Canções de Amor" Grégoire Leprince-Ringuet (acima com a 'bonita') interpretando Otto, também apaixonado pela mocinha blasé. O lance é acreditar naquela molecada na escola (o filme se passa praticamente todo dentro de um colégio tradicional) desinteressada nas aulas de matemática, inglês, russo (!) e italiano (!!!).
O doce Garrel faz um professor de italiano risível e inverossímel (who cares?) que dá aulas estimulando os alunos com audições de Maria Callas e 'interpretação do texto' da ária da loucura trágica/patética da ópera "Lucia de Lammermoor" (
"Il dolce suono me colpi")! Não é a toa que os alunos mooooorrem de tédio, eles não entendem a analogia... e a platéia 'aussi'.

Honoré é ótimo quando dispõe de ótimos atores para credenciar os 'fiapos estilísticos' do seu roteiro, não é o caso deste filme. Mas foi o caso da sua trilogia: "Ma Mere", "Dans Paris" e "Les Chansons D'Amour".
Em breve entrará em circuito comercial e se for para escolher assistir Garrel entre este ou "A Fronteira da Alvorada", do seu pai Phillipe Garrel, corra para este "A Bela Junie" 's'il vous plaît'.

A Droga, o Racismo e a Falsa Moral Brasileira

Do Blog do Gerald Thomas, o resto você lê lá:

Tudo velado. Economia velada, vícios velados, governos velados e uma economia falida num sistema que (agora) se repensa. Que bom! Sou capitalista. E o capitalismo sempre teve que se repensar. Karl Marx, se lido a sério, examina o problema da mais-valia e acha necessário mesmo que o “tratamento de choque” na sociedade industrial que ele foi examinar na Inglaterra precisa mesmo ser reestruturado. E isso quebra muito ego. E ego precisa de psicanálise. Muita análise precisa de droga. Muita droga é legal. Muita droga legal também leva ao mesmo “escapismo” que a ilegal. Muita droga legal nos leva a crer que estamos CONTENDO as compulsões que queremos ter porque TUDO em volta está CAINDO aos PEDAÇOS. Tudo bem, se a farsa é pra ser farsesca, qual o problema em torná-la uma Comedia Dell’Arte? Para que minimizá-la e sorrir amarelo e ficar em constante ESTADO de DENIAL – de negação - dizendo para nossa quarta parede interior: “Não somos um país racista. Esse Gerald é uma merda mesmo, volta pro seu pais!

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Leia no "Viralata Reloaded" o post "O pior da Democracia é saber lidar com as diferenças"

23 de nov de 2008

"Jogai por Nós"

Antes desta imagem ao lado (clicada por André Lessa/AE) para o "Estadão" eu já havia eleito a camisa com que os jogadores corinthianos entraram em campo ontem contra o Avaí (com fotos 3x4 dos torcedores) para receber o trófeu de ascensão para a Série A, mas confesso que este sorridente torcedor me comoveu com a sua 'faixa messiânica'.

Meus amigos leitores podem me estranhar neste momento sabendo que o meu time do coração é o São Paulo, de tantos posts escritos por aqui, mas gosto tanto de futebol que não imagino a série A sem o Corinthias como adversário. Tomara que o time não venha com a arrogância dos 'falsos injustiçados', se caiu, caiu pelos erros cometidos e a desorganização generalizada dos seus dirigentes. Espero também que não chegue com a violência demonstrada em campo nesta tarde de sabado, realmente aquilo foi triste de se ver.

Sei que é pedir muito mas se der para deixar a 'marquetagem' dos mega projetos arquitetônicos para o seu futuro (e bota futuro nisso) estádio seria ótimo. Já está mais do que bom ver em campo um dos maiores times do país, com uma das maiores torcidas, rezando por uma vitória.

Agora vem cá, que negócio é esse de querer contratar o Ronaldo?
Tst, tst, tst, ah esses corinthianos não tem jeito mesmo, sempre com essa mania de grandeza!

20 de nov de 2008

Meu feriado 'consciente'

Hoje a cidade de São Paulo parou!
Não, ela não parou com mais um mega-engarrafamento ou um mega-desabamento de obras, muito menos parou com um sequestro cinematográfico, a cidade parou para os paulistanos curtirem mais um feriado inútil imposto por políticos sem causa no seu calendário.
Leia bem, eu disse "feriado inútil" e não 'causa inútil'! O politicamente correto não permite que se discutam seriamente certos temas hoje em dia sem causar celeumas, processos judiciais, antipatias ou até mesmo crimes passionais, mas seria de bom tom para a sanidade geral da nação questionar algumas decisões políticas tomadas para agradar entidades, ongs e minorias loucas para 'dar visibilidade' a certos temas.

Ninguém se lembrou que ontem foi o Dia da Bandeira, homenagem criada quatro dias após a nossa Proclamação da República em 1889, aliás como o 15 de novembro caiu num sábado nem mesmo eu me dei conta que era 'feriado'. Como num sábado qualquer, acordei tarde e fui sonolento nadar na minha academia, dei com a cara na porta. Que patriotismo o meu, ignorar a 'república proclamada'!

Acho um absurdo e incrível que uma cidade rica como São Paulo possa se dar ao luxo em perder um dia precioso de trabalho e produção para se 'conscientizar sobre os negros', os índios, os gays, nossa senhora da aparecida, etc..., aliás acho um absurdo mesmo que um País pobre possa ter mais feriados do que os Países ricos.
Pensei que o atual Governo já havia resolvido o 'problema da consciência das minorias' quando inflou seus ministérios criando o politicamente correto Ministério da Integração Racial, que com seu pomposo título 'neo-nazista', serviu apenas para sabermos que uma ministra negra é exatamente igual e 'integrada' a qualquer ministro branco 'aloprado'. São Paulo já sabia disso há tempos, afinal 'empixamos' Pitta, não é mesmo?


Na história moderna nós brasileiros não vivemos um segregacionismo como os negros americanos, mas ao contrário deles nos contentamos com um feriado para 'conscientizar' nossos corpos cansados longe da cidade. Faça um teste: abra qualquer jornal nos EUA (vale internet também) no feriado nacional americano em homenagem ao nascimento (e não morte, entendeu?!) de Martin Luther King, na terceira segunda-feira de janeiro, e guarde-o para comparar com o paulistano Dia da Consciência Negra, você entenderá exatamente o que eu digo.

Para mim o 'slogan' "luta negra" em pleno século XXI, e fora da Somália, soa tão 'demodé' quanto, "luta de classes" ou imperfeitos como "um torneiro mecânico no poder". É um círculo que não se fecha nunca, sempre haverá um 'oprimido' esquecido e o politicamente correto manda: invente um neologismo qualquer para disfarçar o seu preconceito e tenha certeza, ninguém irá discutir e você encerrará rapidamente o assunto.
Ou não foi assim que a sigla GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) mudou para GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e travestis, transexuais e transgêneros) e agora LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros). Sim porque como é um movimento de minoria comportamental e como as lésbicas são as mais 'oprimidas' deram então a elas o direito de 'abrir' a ala do acrônimo título, certo?

Pois eu acho então que as lésbicas negras e deficientes são mais minorias do que as minorias oprimidas pelo 'sistema inconsciente' e acho que todas elas deveriam se juntar e exigir que o título politicamente correto seria LNDGBT. Ou você será preconceituoso e discordará?
Bom feriado para todos e assunto encerrado.

18 de nov de 2008

O 'Bond' da Ópera!

Com um certo atraso assisti ao novo 007 "Quantum of Solace" dirigido pelo alemão Marc Forster, o mesmo diretor do chato e esquemático "O Caçador de Pipas". Bem, já se disse que esta continuação de "Cassino Royale" não tem a famosa frase "My Name is Bond. James Bond" e também não tem fulgurosas cenas de sexo com 'bond girls', sabemos também que o 'über' Daniel Craig foi vestido pelo fashionista Tom Ford e que o vilão francês é interpretado pelo excelente Mathieu Amalric ("O Escafandro e a Borboleta").

O que eu não sabia é que a montagem da ópera "Tosca" de Puccini (se você é um 'neófito lírico' pronuncia-se 'tÓsca', com o 'ó' aberto e agudo) encenada no Festival de Bregenz/Áustria (foto acima, alguns personagens saem da Bolívia num jatinho direto para assistir a ópera na Áustria !!!) faz parte do enredo quando os vilões tramam um 'golpe continental'. Não é surpresa nenhuma personagens indo à ópera enquanto desenrolam suas ações como pano de fundo, surpreendente é mesmo esta montagem acachapante dirigida por Philipp Himmelmann (tenho o dvd importado com extras sobre a montagem do cenário, incrível!), e terem escolhido justo a obra de Puccini exatamente quando neste ano comemoram-se os 150 anos do nascimento do compositor. Para dizer a verdade dúvido mesmo que algum roteirista tenha se dado conta disto uns dois anos atrás quando escreveram o enredo do filme, faz mais sentido pensar que o enredo de Tosca cai como uma luva para esse Bond mais passional que nos outros filmes.

Tenho uma dificuldade enorme em entender esses enredos intrincados de filmes de ação, embora posso falar de Tosca sem engasgar, penso trinta vezes antes de resumir "Quantum..." ou qualquer coisa do gênero de ação - que eu adoro por sinal - como por exemplo todos os "Bourne's" ou ficção - que eu detesto, sorry - como as infindáveis 'jornadas ou guerras' em qualquer que seja as 'estrelas', todas estão fora do meu cardápio cinematográfico!
Mesmo não me lembrando de muita coisa de "Cassino...", entendi a angústia e a sede de vingança de Bond só depois da cena da ópera, pode ser que para quem não tenha referência nenhuma isso seja apenas uma 'viadagem' para filmar pancadaria de um outro ângulo.

Pois "Quantum of Solace" para mim já é um clássico de ação, guardarei na memória essa cena de "Tosca" assim como guardo as do 'shakespeariano' Francis Ford Coppola que popularizou a cavalgada das Valquírias (III ato da ópera "A Valquíria" de Wagner), em "Apocalipse Now" num coreográfico ataque de helicópteros ou do mesmo Coppola na já clássica 'homenagem' ao russo Sergei Eisenstein na cena da escadaria de Odessa em "O Poderoso Chefão 3", em que num tiroteio entre mafiosos nas escadarias de um teatro após assistirem "Cavalleria Rusticanna" de Mascagni, morre Maria a filha de Michael Corleone (onde Al Paccino reage com seu 'operístico grito mudo').
Menos 'profundo' e bem divertido é a versão pop do 'maneirista' Luc Besson para "Lucia de Lammermoor" (ópera de Donizetti) em "O Quinto Elemento" em que a cantora é uma 'coisa com tentáculos azuis' que gorgeia a ária da loucura de Lucia numa versão 'techno-dance', enquanto a pancadaria corre solta (os puristas líricos se arrepiaram quando o filme foi lançado!), no excelente "O Talentoso Ripley" o personagem Ripley, interpretado por Matt Damon, sente uma atração (sexual também) doentia pelo amigo Dickie (Jude Law) que acaba matando. Na minha interpretação esse plano ficou em sua cabeça depois de uma ida dos 'amigos' à ópera para assistir "Eugene Onegin" do russo Tchaikovsky sobre dois amigos que se amam (no sentido 'amigo' mas também homoerótico, lembrando também que o compositor era um dos mais enrustidos entre os seus pares, apaixonado pelo sobrinho compôs a ópera como uma 'saída do armário'!) e acabam duelando até que um mata o outro.

Tenho dezenas de exemplos e lembranças que posso falar depois numa mesa de bar, mas sobre o que eu estava falando mesmo? Ah, o novo filme do James Bond... hummm tem uma cena de ópera né?

14 de nov de 2008

Não perca este capítulo da BlogNovela!

Pra você que perdeu ontem ao vivo vai aqui embaixo o link da BlogNovela na íntegra, dirigida pelo Gerald e que comentei nos dois posts abaixo! Enjoy:

http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/2008/11/15/agora-voces-vao-poder-assistir-sim/

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'Nonada' com Gerald Thomas (*ou: 'Não demorou muito para eu descobrir o que as pessoas querem dizer com a minha destruição')

Nonada!
Como diria Guimarães Rosa no início do livro-painel "Grande Sertão: Veredas" ficamos literalmente "no nada" após o último 'enter' da BlogNovela apresentada por Gerald Thomas/Cia. de Ópera Seca no Sesc Paulista com transmissão simultânea pelo portal Ig.

No post anterior alguns amigos me 'apertaram o piercing' dizendo que nada disso era inédito, que até filme baseado em Blog já havia estreado assim como outras produções também foram transmitidas pela internet. Sei disso, inclusive participei de dezenas! Dirigi com Marcelo Tas - o 'rei da multimídia' - uma ópera e uma peça que foram transmitidas ao vivo pela rede, sei de projetos de amigos que se conectaram entre três países e simultâneamente apresentaram um espetáculo com links ao vivo em fuso horários diferentes, também assisti na Europa experiência semelhante com Robert Lepage, etc, etc..., o que conta aqui é a DRAMATURGIA que Gerald propõe.

Quem acompanha o seu Blog sabe que a participação dos leitores é uma ferramenta à parte no diálogo que Gerald propõe com eles. Às vezes pode até parecer que são um bando de 'xiitas culturais' perigosíssimos (por vezes são sim, até eu já tive comentário 'clonado' por lá), mas não conheço outro espaço na internet que provoque tantas 'teses dramatúrgicas' como lá.
E nisso a experiência beckettiana de Gerald é indispensável para tornar esse material 'adaptável' para os palcos.

Mais uma vez Fabiana Gugli comanda o caos tendo, dentre outros companheiros, os excelentes Duda Mamberti (às vezes um Vladimir e por outras um Estragon do clássico beckettiano) e Pancho Cappeletti (o reverso do travestismo, concentrando todo o universo masculino sempre presente na obra de Gerald, principalmente depois da ópera Mattogrosso, parceria com Philip Glass).
O que vemos e ouvimos é o cotidiano disfarçado em acasos, a interação cyber refletida nos conflitos mundiais e uma universalidade que pode parecer simplista quando se lê os comentários para os posts escritos por Gerald. É simples sim, mas poucos são capazes de interpretar esses simples sinais.

O regionalismo universal de Guimarães Rosa, o 'newspeak' de Orwel e a 'dramaturgia online' de Gerald sempre serão difíceis para os menos atentos. ARTE é difícil, TEATRO é difícil, LITERATURA é difícil de se fazer, assistir ou produzir! Claro que não estou falando isso 'para' o Brasil que tem um ministério da Cultura 'aculturado' em que se exige "contrapartida social" do artista.
Contrapartida Social? E qual é a contrapartida cultural que os brasileiros recebem? O tombamento da receita do acarajé, da capoeira, dos quilombolas (de repente viramos uma nação de quilombolas!); é sobre tudo isso e muito mais que os leitores do Blog do Gerald falam, discutem, brigam, e não só pelo prazer de discordar mas de unir, propor, combater,...
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Mais uma vez Gerald usa Led Zeppelin como 'leitmotiv' de um espetáculo, compreensível, afinal o que mais podemos dizer depois dos versos de Black Dog:
- "(...) watch your honey drip, can't keep away (...)
*Didn't take too long before I found out, what people mean my down and out..."


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Alguns clics que fiz do último ensaio que fizemos para a equipe do Ig, para ajustarem as imagens com os 'camera-men', antes de abrir para o público, enjoy!



13 de nov de 2008

Gerald Thomas e o Desmoronamento da Arte!

Gerald dirige Pancho numa cena da primeira BlogNovela do teatro brasileiro

Agora faltam poucas horas para a estréia do happening/performance/acontecimento ou seja lá que nome os 'pseudos' darão para mais um espetáculo da Cia. de Ópera Seca, digo Gerald Thomas!
O lance começou assim, meio que devagarinho, logo que o Gerald foi convidado pelo portal Ig a transferir o seu Blog para lá. Pois não é que milhões de acessos (de fúria, ódio, amor e inteligência!) depois veio a idéia de uma BlogNovela tendo como base os comentários publicados pelos internautas e replicados pelo próprio Gerald (que aliás deram origem a novos posts)! Tudo seria 'cotidiano e banal' não fosse Gerald o próprio dramaturgo desta versão epistolar, e que, claro, torna tudo bem mais interessante.

Ou vai me dizer que você imaginaria desabafos de leitores de um blog contextualizados com o som de Led Zeppelin, ou o próprio Gerald tocando uma guitarra e 'distorcendo' não só o som mas a própria narrativa que se abre em múltiplas camadas de entendimento ou em simples constatações elementares pós-Obama:
- "(...) Política da paixão pode ser perigosa em países subdesenvolvidos ou em desenvolvidos".

Se você acha que o título "O cão que insultava mulheres, Kepler the dog" é muito obscuro para a sua inteligência, saiba que muito se falará e escreverá ainda sobre esse tipo de dramaturgia embrionária, pra variar será mais fácil imitar pela enésima vez o próprio Gerald enquanto essa 'dramaturgia online' ainda engatinha.

P.S.: Acompanhei os ensaios finais e com muito amor me envolvi no desenho de luz junto com o Gerald, mais uma vez e a cada vez que nos reencontramos sinto que nunca nos separamos.
MERDA!

Foto do ensaio que tirei nesta madrugada com Pancho segurando o 'Santo Graal'.
Para prepará-los para esta noite transcrevo o indefectível off narrado por Gerald:
- "Não, não... não, não é o que vocês estão pensando... não é não, não é isso. De certa forma... quero dizer de alguma forma é o que vocês estão pensando sim... é não posso negar. De alguma forma o que vocês estão vendo é isso (...) confirma também o que vocês estão pensando... engraçado e triste. O desmoronamento ..."
...

Se joga:
Apresentação ao vivo pelo portal Ig nesta quinta feira às 21h30, direto do Sesc Paulista para os poucos sortudos que conseguiram os ingressos.
O espetáculo tem 1 hora de duração, portanto preparem suas ba(u)ndas largas, já que não precisarão sair de casa.

10 de nov de 2008

Eu também sou!

Gente juro que estava me segurando, mas essa história do Obama mostrar a sua 'verdadeira face' após as eleições foi um choque para mim!
Nós VIRALATAS também somos democratas! kkkkkkkkkk

Daí...

Leia no "Viralata Reloaded" sobre as memórias da minha infância, rolou uma 'corrente' por lá entre os vips e muita gente de bem que 'já foi criança' conta pequenas lembranças. O post é "Em Algum Lugar do Passado".