20 de jan de 2008

Lixo, cult e luxo em três momentos

Então, teve a "Cavalera" num domingão chuvoso num desfile nas margens do lixão do Rio Tietê, marketing fajuto alertando para a consciência ecológica, meio deja vu e... que preguiça...

Teve também o cult, queridíssimo, e cada vez mais profissional, Samuel Cirnansck mais teatral do que nunca encenando cenas de um casamento numa 'vila' aristocrática, decretando a volta do kilt escocês!
Bem teatral, sofisticado e rock. Aplaudidíssimo com louvor e com direito a um whippet na passarela!


Mas pra mim quem fechou a semana com chave de ouro foi a 'madura' e sofisticadíssima "Huis Clos" com 30 anos de história, tendo no comando a chic Clo Orosco.
Desta vez Clo trabalha com uma nova diretora de criação, Sara Kawasaki, que graças aos céus não veio com invencionices tipo recriação 'du auteur' e nos presenteou com um desfile simples, teatral e de bom gosto.
Parecia que assistíamos a uma moderna peça teatral existencialista; "Huis Clo" também é o título original de um texto de Sartre, que no Brasil teve a tradução de "Entre Quatro Paredes".
Vendo o olhar perdido das modelos, e a luz duramente contrastante, sentimos uma certa melancolia mergulhada em tons sóbrios onde predomina o cinza, multiplicado por diversas padronagens. Experiência e história é isso aí!

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá, Caetano.

Soube do seu blog através de um "post" do Guzik, no qual são elogiados os seus textos e a maneira como aborda enorme diversidade de assuntos aqui no seu espaço virtual.
Li algumas das coisas que escreveu, vi sobre a SPFW e queria te contar uma: minha irmã é modelo, está trabalhando na SPFW. Eu soube hoje da notícia de que duas de suas colegas foram demitidas da agência da qual fazem parte. O motivo? Concederam, ingenuamente (isso pode ser questionável), uma entrevista a uma revista de grande veiculação nacional. As meninas, por volta de seus 16, 17 ou 18 anos perderam seus empregos; talvez tenham ganhado uma mancha enorme em suas carreiras de modelos - talvez as tenham destruído para sempre.
Fiquei pensando...
E tem outra: o que "pesou" mesmo para que fossem demitidas foi o fato de a entrevista ter um caráter de "denúncia sobre as injustiças do mundo da moda" (o título é por minha conta), visto que o jornalista fez perguntas sobre o salário das meninas por dia de trabalho e, quando soube das cifras, argumentou que elas trabalhavam quase que em regime de exploração.
Continuo pensando...

Caetano, fique com á história acima e um abraço,
Gabriela Pazos.

viralata disse...

Grazie Gabriela.
Que coisa hein! Fico chateado com isso, é verdade que as agências exploram os modelos novos sem experiência com aquela velha desculpa que estão investindo neles! Não tem eufemismo para isso não, é igual menores cortadores de cana, trabalhadores em minas de carvão, crianças vendendo coisas nos faróis da cidade... sempre têm um explorador por trás!
Desejo sorte para sua irmã e que ela não sofra tanto com a carreira que escolheu! A grande diferença dos exemplos que dei acima é que ao contrário das modelos os outras não tiveram muitas escolhas, foram aliciados. Então resta lutar por melhores condições de trabalho, já que é uma carreira com prazo de validade né?!
beijos e obrigado pela visita, prometo que na semana que vem diminuo um pouco as'viadagens'! hehehehe