28 de jan de 2008

O ABC da cota

Duas matérias sobre Educação no "Estadão" a respeito do sistema de cotas raciais expõe dois lados de uma polêmica que parece não ter fim e segundo Davy Lincoln Rocha "estão estimulando o ódio racial". Wall, tropo forte!

A primeira matéria, de ontem, é um balanço do governo sobre o sistema: "Universidades beneficiaram 40 mil pelo sistema de cotas" e a de hoje é uma entrevista com o procurador da República, citado acima, que conseguiu suspender na Justiça Federal a aplicação do sistema na Universidade Federal de Santa Catarina por entender que as cotas não estão previstas em lei e que a Constituição estabelece igualdade de direitos.

Entrevista séria, sem proselitismo, que vale a pena ler e pensar:
- "A Universidade não é lugar para quem quer, mas para quem tem intelecto para frequentá-la. E a capacidade intelectual não está na raça ou na condição social."
- "A reserva de vagas é caridade com o chapéu dos outros".
- "O ideal é que o ensino fundamental seja público ... e a universidade privada, com bolsas de estudos para alunos carentes, pagas pelo Estado, com dinheiro de todos. Isso socializaria a compensação."

- "No futuro, poderemos ter pessoas evitando a contratação de serviços de médicos e engenheiros cotistas."


Se você discorda ou está com preguiça de ler a entrevista completa, saiba que Rocha se considera um "vira-lata racial" (portando 'parente' deste Blog!), filho de um retirante do Piauí e de uma cabocla catarinense que por força da sobrevivência se formaram aos trancos e barrancos: o pai se formou em Letras e a mãe, saída do analfabetismo adulta se formou em Enfermagem. Rocha sempre estudou em escolas públicas formando-se em Engenharia e Direito passando no concurso para a Procuradoria da República em Santa Catarina.

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Claro que para o governo Lula, Davy Lincoln Rocha, e os que pensam como ele, são considerados 'burgueses em dívida com os desprivilegiados'.
O governo já fez a sua parte quando acabou com o caráter eliminatório do conhecimento de inglês para a carreira diplomática, "do jeito que estava era muito elitista" queria dizer na época o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim. Também outra 'ação afirmativa' foi a 'democratização' do cartão de crédito corporativo pela Ministra Matilde Ribeiro de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (nome meio nazista para uma pasta de ministério, devo confessar), quem sabe ela dá um pulinho em Santa Catarina para ver a 'intentona' que o procurador está armando, e se o cartão ainda tiver limite dá pra fazer umas comprinhas pelas lindas praias do Sul!

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Ainda no "Estadão" de hoje, o caderno "Vida &" que trata nas segundas sobre Educação traz uma entrevista com Vernor Muñoz Villalobos, costa-riquenho relator especial da ONU pelos Direitos à Educação. Apenas duas informações do moço à pergunta sobre a situação da educação no Brasil:
- "Apesar dos avanços, de todas as crianças fora da escola na América Latina, 20% estão no Brasil. E de todos os adultos analfabetos na região, 46% são brasileiros (...)"

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