14 de jan de 2008

Sorry periferia!

Direto de NY Gerald dispara para o seu blog na "Uol" e "Direto da Redação" do casal Leila Cordeiro e Eliakin Araújo.
Trabalhamos juntos por 2 anos e o abandonei, como naquelas relações de amor-ódio-amor que só quem ama mesmo sabe! Quando nos encontramos, rimos, discutimos, ficamos cheio de idéias e planejamos trabalhar, amar e odiar novamente.
E eu digo, isso vai acontecer.
Beijo querido, teamoteodeioteamo!
Caetano
...

Nova Iorque - “Estou sentado nas costas de um homem, sufocando esse homem, obrigando-o a me levar pra lá e pra cá, a me transportar. Ao mesmo tempo, tento me convencer (e aos que me olham) de que estou com uma certa compaixão por ele e manifesto o desejo de melhorar o seu destino de qualquer forma possível. Compaixão sim, mas sem sair de cima de suas costas.”


Quem eu cito? Beckett em “Esperando Godot”, numa possível frase de Pozzo descrevendo seu escravo Lucky? Ou a campanha política de um Democrata contra um Republicano aqui nos EUA? Ou mesmo um candidato contra o outro dentro mesmo partido?

A citação é de Leon Tolstoi e como é pertinente nesses dias caretas de hoje! Digo careta, mas tudo poderá mudar numa Casa Branca Obama, ou seja numa Casa Negra. Obama discursou hoje em Las Vegas e - confesso - na minha ainda infantil emoção politica, chorei assim como Hillary chorou e levou os votos em New Hampshire na terça-feira passada.

Mas Caetano Vilela, um cara genial do teatro brasileiro, acaba de me escrever e me lembrar que ainda tenho que escrever sobre os dias gloriosos de 68, os dias revolucionários de maio de 68, cuja repercussão foi mundial. Caetano Vilela é o máximo. Parece que intui quando as coisas vão mal aqui, digo, nesta cabeça!

É difícil falar de uma era utópica. Sabe por que? Porque quando abro o New York Times e leio a crítica de Ben Brantley que coloca a produção medíocre, mediana, quase contra-regraria de “Dias Felizes”, (de Beckett, na Brooklyn Academy, um import do National Theater, de Londres) nas alturas, e descreve a atriz Fiona Shaw como se fosse a Winnie mais ideal que já apareceu no planeta, eu, euzinho aqui, murcho. Fazer o quê? O mundo está sem memória. Saíram alguns chips. Deletaram muitos neurônios. O caretismo está em total voga e a revolução não é sequer um pensamento, a não ser que Obama pegue a cadeira no Oval Office. Aí sim, cabeças irão rolar.

Vilela se refere a um livro maravilhoso de Marisa Alvarez de Lima, “Marginália”. Tenho muito a ver com esse livro. Escrevi seu prefácio e posfácio, mas, principalmente, apareço lá numa foto, com meus 16 anos de idade, do lado da mesma Gal Costa (que depois dirigi em 1994). Aos 16 eu posava para uma loja chamada Frágil de um artista plástico, um dos Aquino.

Caetano Vilela diz que pareco o “Harry Potter da contracultura” e morro de rir. Mas o fato é que, já naquela época, eu era desligado da “família” e ligado às ruas do mundo e ao que acontecia no mundo “das mudanças radicais”: Jean Paul Satre e Simone de Beauvoir, Cohn Bendid, Jerry Rubin, Abbey Hoffman, Hendrix, MC-5, os Yardbirds , o Living Theater (cujo lider, Julian Beck tive a honra de dirigir no último ano de sua vida), os meninos de Berkeley, Ohio, e todo o espírito que culminou (aqui) com Woodstock.

Daí surgiu o movimento da contramão. O movimento da contracultura, aqueles que berravam e lutavam com todas as suas forças para um mundo melhor. Desde Susan Sontag ate os ex-beatnicks William Borroughs ou Alen Guinsberg (que filmou o enterro de Julian)…..

Era gostoso ir à luta. Era gostoso, seja aqui ou em Londres (invejo o pessoal de Paris) ler o "Blue Print for Survival" e fazer demonstrações contra o avião Concorde e o fluor na pasta de dente e - o que chamávamos na época de “greenhouse effect” (hoje global warming). Líamos Noam Chomsky e Mac Luhan e Marcuse e Roland Barthes e os velhos Hegel e Marx e reformulávamos tudo e achávamos que o mundo estava numa xícara de chá da Twinnings.

E hoje, no entanto, essa turma de caretas aplaude uma produção careta e vai numa exposição careta (porém bela, não discuto) no Moma de gravuras do Lucien Freud. Nada demais. Gravurinhas. Imaginem Pollock ou Duchamp ou mesmo Warhol ou Boyeus olhando pra'quilo!!!!

Só mesmo a citação de Tolstoi ou uma chicotada de Pozzo em Lucky, em Esperando Godot, ou uma folheada no livro da Marisa, “Marginália” ou até o email do Caetano Vilela para dizer que 68 completará 40 anos e que nem tudo está perdido. Não somos sobreviventes exatamente. Como não diz o (não sei como descrevê-lo) Bob Dylan, “The Times they are not a-changing”. Ben Brantley que não o saiba, mas aqueles sim eram os Dias Felizes!!!!...

...

P.S.: A matéria original você lê aqui!

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