9 de jan de 2008

Tadzio mio! (ou: sim a juventude passa, mas...)

Björn Andresen, sueco, aos 15 anos revelendo seu melhor ângulo como o adolescente Tadzio em "Morte em Veneza" do mestre italiano Visconti

“E foi nesse segundo que Tadzio sorriu, que lhe lançou um sorriso eloqüente, intimo. Encantador, aberto, que só lentamente lhe descerrava os lábios. Era o sorrir de Narciso debruçado sobre o espelho da água, aquele sorriso profundo, enfeitiçado, enlevado, com o qual estende os braços à margem da própria beleza. Um sorriso um tanto forçado, desfigurado pela inutilidade do desejo de beijar os lindos lábios da sua sombra, sorriso coquete, curioso, levemente inquieto; sorriso seduzido e sedutor.”

Falava sobre o tempo, a arte e a velhice (não necessariamente nesta ordem!) quando meu doce figurinista Olintho me traz a revelação que “encontrou” o ninfo sueco Björn (Tadzio) Andresen numa foto recente! Veio tudo...

A primeira vez que li o livro de Thomas Mann, a primeira vez que vi (depois de uma centena de vezes revisto!) o filme de Visconti, a primeira vez que ouvi o adágio da 5ª Sinfonia de Mahler, as dezenas de bees tias que tinham um cão ou um gato chamado Tadzio que conheci, as inúmeras vezes que sonhei me imaginando no final do filme, morrendo numa praia com a tintura do cabelo (nos sonhos eu tinha, inclusive aquele panamá!) escorrendo susurrando “Tadzio, Tadzio”...


Você pode chegar a conclusão que no livro o artista Aschenbach espelha em Tadzio todo o ímpeto de sua juventude, já que o “amor” é literalmente platônico, assim como no filme, eles nunca se tocam! Mas sabendo um pouco mais da vida de Thomas Mann temos a medida exata do sofrimento do escritor com seus “musos impúberes" como “fonte de inspiração”. Se é que você me entende...


Björn Andresen hoje em dia, depois de uma frustrada carreira de ator, anos de terapia e um eterno conflito com relação a sua sexualidade em plenos 52 anos!

...

Se joga:
O LIVRO: Morte em Veneza, Thomas Mann, editora Relogio d'Agua
O FILME: Morte em Veneza, Luchino Visconti, distribuidora Warner Bros.
A MÚSICA: Symphony 5, Gustav Mahler, maestro Antoni, selo Naxos (têm milhares de gravações, mando esta deste selo que é mais em conta, depois que você se apaixonar procure a do seu maestro preferido!)

P.S.: Existe sim, uma ópera com o título "Death in Venice" é do compositor Britten (sim, ele é gay!) mas eu te digo: ela não tem o aplomb que o livro e o filme exalam! Pena!

3 comentários:

Olintho disse...

Meu diretor! Não foi minha intenção te entristecer...é que fiquei tão chocado quanto vc, também amava aquela imagem que tinha do Tádzio... a lembrar, amanhã às 07h00 volto a caminhar no Ibira, antes de encarar volta a academia também...rs

Isabel Millet disse...

Será assim tão difícil entender que os anos passam? Que não ficamos para sempre com quinze anos? Que vamos sempre envelhecendo, a cada segundo que passa, desde o momento em que nascemos? Aquela imagem do Tadzio, que era uma ilusão, porque era o Bjorn, ficou gravada, para que possa ser vista, através dos anos. É uma ob ra de arte. Maravilhosa. Que subsiste.Os anos passaram e, como ainda permanece vivo,o Bjorn envelheceu. Como todos nós. Como o Olintho. Tornou-se um homem com rugas, mas continua interessante. Amo aquele homem, o Bjorn, na mesma. Só tenho pena que não tenha conseguido amadurecer e não consiga assumir a sua sexualidade. Se é homossexual, qual é o problema? Se sofreu abusos sexuais durante as filmagens, ou fora delas, é lamentável, e muito natural que tenha problemas psíquicos. Tenho pena que certas pessoas vivam de ilusões, ídolos inacessíveis e também não consigam amadurecer. A não ser que tenham também 15 anos. Se têm essa idade, são normais essas desilusões. Eu também as tinha... Gostaria de acrescentar que essa mentalidade vazia e oca, muito deve ter contribuído para que Bjorn se sinta falhado, frustrado e confundido. É pena que não tenha tido inteligência suficiente para conseguir ultrapasssar todas essas falsas questões.

Caetano Vilela disse...

Isabel, você não entendeu o post. Sim, envelhecemos, graças a deus, mas o lance aqui não é sobre envelhecer bem ou mal, muito menos sobre a ser ou não homossexual. Estou falando sobre ser um 'ícone do inconsciente cultural gay'. Só quem é sabe.