26 de jan de 2008

Um jogador russo e outro francês

(...)embora tivesse decidido jogar, absolutamente não tencionava começar por conta de outra pessoa (...) Confesso que o coração me batia forte e eu estava fora do meu natural... assim tinha de ser, assim seria ... Por que seria o jogo pior do que qualquer outro meio, como por exemplo o comércio? É certo que uma pessoa em cem sai ganhando. Mas... que me importa tudo isso?
O Jogador - Dostoievski

Talvez não tenha passado pela cabeça do bonitão francês Jerome Kerviel (ao lado) que um personagem de ficção, escrito no século XIX, também fora movido pelo mesmo impulso que o seu, embora o prejuízo tenha sido em menor proporção do que o mega-rombo de 4,9 bilhões de euros!!!

Me lembrei do mestre russo após ler o que Gilles Lapouge, correspondente em Paris do "Estadão", escreveu hoje em "O Jogador que pôs o FED numa armadilha", leia a matéria completa aqui, enquanto eu adianto o final:
"...ainda bem que ele se contentava em jogar como se joga até o delírio, até a overdose, até a vertigem, um jogador enlouquecido!"

Poderia ter sido a descrição do personagem Aleksei Ivanovitch, ou mesmo a do seu próprio criador, Dostoievski, que escreveu o livro em apenas 25 dias para pagar dívidas contraídas para sobreviver e manter um vício que teimava em largar... o jogo!

Leitura obrigatória para o jovem Kerviel atrás das grades, e se lhe serve de consolo, adianto também o final do livro:
- "Amanhã, amanhã acaba tudo!"
...

Se joga:
A edição que eu tenho é esta da Bertrand Brasil com tradução de Moacir Werneck de Castro com o título de "O Jogador". É muito boa, mas como Schnaiderman é mestre recomendo a dele de olhos bem fechados:
Um Jogador, tradução Boris Schnaiderman/Editora 34.
Ambas as edições aí de cima custam em média 30 Reais, se você tá na pindaíba, como eu já estive em épocas de estudante, compre esta pocket da L&PM por 14 contos mas me prometa que comprará a outra em época de fartura, certo?

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