28 de fev de 2008

Há 219... 60... 20 anos atrás!

Democracia e Liberdade: rachas inconciliáveis?*

Contando as grandes modificações sociais e políticas no Brasil passando pelo Regime Monárquico até o Republicano já tivemos sete constituições. A mais ‘nociva’ para os cidadãos, acredito, foi a de 1937 de cunho fascista institucionalizando o Estado Novo do segundo período de Getulio Vargas; a não menos ditatorial constituição de 1967, que credenciou o Regime Militar, é reflexo saudosista dos anos 30 marcando um período doloroso para todos os brasileiros e que Elio Gaspari tão bem nos presenteou com um rico estudo na sua 'tetralogia da Ditadura’.

Tudo isso para dizer que a nossa última Constituição completa 20 anos,
restituindo as liberdades podadas durante os anos ditatoriais com uma ambivalência esquizofrênica entre o parlamentarismo e o presidencialismo. Hoje, o clamor político revisionista tenta encontrar espaço para um debate público, sério, trazendo à luz toda a modernidade prolixa que a nossa “Carta Magna” propõe para uma ‘nova democracia’.
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Estudos para uma nova ópera (que em breve comentarei) me levam 219 anos atrás, para o século XVIII e a Revolução Francesa, cuja “Declaração dos Direitos do Homem” foi muito mais do que um Tratado que influenciou constituições de diversos países (também Brasil) e inclusive a “Declaração Universal” da ONU que este ano completa 60 anos! O fato de que várias Nações ignoram os seus ‘mandamentos’ preferindo em muitas ocasiões uma ‘declaração de guerra’ não significa fracasso da diplomacia ou heresia a uma ‘pedra fundamental’, mostra apenas que quando se trata de “direitos humanos universais” a visão de quem ‘domina’ muda sempre com a perspectiva de quem é a ‘vítima’, seja o Homem, a Nação ou o Universo.
Um bom exemplo recentemente são os EUA x Iraque.
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O jornal ‘socialista’ “Le Monde Diplomatique Brasil” discute na sua edição de fevereiro “Os Limites da Democracia” num amplo leque de opiniões que refletem a sinuca filosófica entre a Democracia e Liberdade, aliás quase nunca conciliáveis!
O sociólogo e Diretor do “Diplomatique Brasil” Silvio Caccia Bava nos lembra que “a Democracia plena exige um Cidadão educado e a melhor educação é a participação ativa na sociedade”.

Hoje isto pode parecer utópico ou distante ainda mais sabendo, segundo Silvio que:
- “em nenhum momento da história a democracia alcançou plenamente os objetivos a que se propõe: transferir o poder para o povo. Ao contrário, muitas vezes, a democracia serviu para limitar o acesso das maiorias ao poder.”
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O subtítulo da ópera que dirigirei é “Há Esperança”, pois é, eu acredito, vejo Cuba e sorrio!

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* Ilustra este post a obra da colombiana Doris Salcedo, "Shibboleth", mais conhecida como "Racha", para Tate Modern inglesa

26 de fev de 2008

A vidraça do Editor Dramaturgo

O meu xará Gabriel Villela (tenho menos "Ls" e pela última vez NÃO somos parentes!) perdeu uma boa oportunidade de "dizer não"!
Hoje o "Caderno 2" do "Estadão" traz 1 página inteira para comentar sobre os figurinos do Oscar (tá, eu falei que não falaria mais sobre isso, mas é que o foco é outro), e quem assina?
Está lá com foto de colaborador e tudo: "Gabriel Villela é diretor de teatro, figurinista e cenógrafo".

Faltou acrescentar na pequena 'bio': e seu último e belíssimo espetáculo "Salmo 91" é do dramaturgo Dib Carneiro, TAMBÉM editor do "Caderno 2".
Errou Gabriel? Claro que não, nós artistas somos mesmos bastante vaidosos e topamos muita coisa para aparecer, agora o Sr. Dib poderia ler com calma o que o 'seu' diretor escreveu e ver se aquilo 'realmente' acrescenta alguma coisa ao "Especial Oscar".
Perto do que escreveu Ubiratan Brasil (direto de Los Angeles) ou Luiz Zanin Oricchio o texto do meu xará parece mais piada interna de mesa de bar entre amigos, e que, claro, sem beber não têm a menor graça!
E por falar nisso, onde anda a chic Pacce que sempre contribui para o jornal?

25 de fev de 2008

A DAME de vermelho!

Apenas para não falar mais sobre essa cafonice de 'Oscar goes to...' (heheheh) deixo registrado que Dame Helen Mirren disparou no quesito elegância e arrebatou meu prêmio de "A Mais bem Vestida da Noite".
Num flamejante vestido vermelho com mangas de cristais Swarovski assinado pelo libanês George Chakra, Dame provocava contrações nas íris de todos os seus súditos! Simplesmente radiante!

"Non, je ne regrette rien"

Bom, ficarei 1 ano sem tomar Pepsi pela injustiça cometida com o sublime "Persépolis", mas pelo menos continuarei com o meu dente da frente graças a premiação de Marion Cotillard em "Piaf".
Quanto a Day-Lewis foi muito justo acrescentar mais uma estatueta na sua estante mas please aprendam com quantos 'Gs' se escreve Viggo Mortensen!
Agora quer saber o que me deixou beeeeeeeeemm mal humorado? A dobradinha dos irmãos malucos desprezando o genial Paul Thomas Anderson!!!!
Ah, esses velhinhos da Academia não tomam jeito!

Marion Cotillard fez valer a noite, sua inesquecível "Piaf" foi justamente reconhecida!

24 de fev de 2008

Agora Vai!

Agora não é pré-estréia não, já estão em cartaz os filmes mais bacanas e incensados - pelo menos por mim - e como hoje é dia de Oscar ainda dá tempo de assistir pelo menos a uma sessão antes de torcer pelo seu filme favorito.
Tá bom, eu sei que é cafona, que todo ano a gente fala mal da festa, que nunca entende aquelas piadas idiotas de americano e tal, mas faz a 'loca' e se joga!

Pra não ficar gastando tinta (gosh, agora que me dei conta, qual a gíria que substitui essa neste mundo internético?) clica em cima dos filmes que eu já comentei por aqui, que são os principais concorrentes, e vê se concorda.

- "Eastern Promises/Senhores do Crime"
- "Persépolis"
- "Into the Wild/Na Natureza Selvagem"
- "The Kite Runner/O Caçador de Pipas"
- "Across the Universe"
- "I not There"
- "Atonement/Desejo e Reparação"
- "American Gangster/O Gangster"
- "Piaf"
- "In the Valley of Elah/No Vale das Sombras"
- "The Assassination of Jesse James.../O Assassinato de Jesse James..."
- "Sweeney Todd"
- "There Will Be Blood/Sangue Negro"
- "No Country For Old Man/Onde os Fracos Não Têm Vez"
- "Juno"
Também aqui estão as minhas apostas!

P.S.:
Ainda não vi mas já começaram as pré-estréias do novo Michael Moore, "Sicko", e infelizmente perdi "Michael Clayton/Conduta de Risco", estava viajando quando estreou e agora só está em cartaz em cinemas na distante 'banlieue' paulistana. Já me programei também para o 'nada revolucionário' "3:10 to Yuma/Os Indomáveis" mais por Christian Bale do que por qualquer outra coisa. Então em breve comento as minhas 'faltas', sorry!
Não tenho opinião também para o já estreado "August Rush/O Som do Coração", que concorre a Melhor Canção mas têm no seu elenco o 'jumanji' Robin Williams que eu não suporto e claro está na minha lista 'vou ver se perco!'
Na minha lista de 'perdidos' entrou também "The Golden Compass/A Bússola de Ouro" por Efeitos Visuais e Direção de Arte. Sorry Nicole, mas detesto fábula épica 'high tech'!
Vocês devem ter sentido falta de "Elizabeth - The Golden Age/Elizabeth - A Era de Ouro" (Figurino e Cate Blanchett) na minha relação de 'críticas' dos estreados. Sim, eu vi! E resumo em uma sentença, sem direito a foto, o que achei desta bobagem:
- "Uma cafonice medieval de quinta categoria com figurinos deslumbrantes!"

And the Oscar goes...

23 de fev de 2008

"It's the economy, stupid"*

Sinal dos tempos: como os 'gigantes' fazem para se equilibrar hoje em dia com suas economias capengas?

O curto mês de fevereiro começa e termina bem quente para a Economia.
No início do mês a incrível noticia sobre a ‘desaceleração’ da economia americana somou-se a inacreditável conclamação feita pelo diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, para que países em boas condições fiscais passassem a gastar mais, com juros mais baixos, impulsionando assim a economia mundial.

Fechando a semana nos deparamos estupefatos com manchetes anunciando que agora o Brasil é ‘credor externo líquido’, ou seja, o volume de reservas nacionais ultrapassa a dívida externa total!
E, claro, Lula ribombeia que a ordem agora é gastar em infra-estrutura para o País crescer.

O clamor do novo chefe do FMI então serve para nós? Óbvio que não, segundo todos os economistas brasileiros confiáveis no mercado. Ao contrário dos EUA e da Europa, já estamos crescendo num nível que não precisamos de estímulos e ainda temos uma inflação maior que a deles.
Perceberam como países em desenvolvimento sempre culpam a sociedade consumidora/consumista pela inflação? Nós é que geramos a inflação quando ‘giramos’ a roda do consumo em busca daquele carro novo, pago em centenas de prestações com juros exorbitantes.

Na excelente estréia, neste sábado, do editor e escritor César Benjamin no caderno “Dinheiro” da “Folha” ele nos ensina sobre o conceito da Economia moderna e a origem do dinheiro, lembrando que “a moeda fiduciária, emitida por um banco central, é um fenômeno extremamente recente”.
Nesta semana num jantar 'japonês' entre amigos (minha 'despedida' da cidade), falávamos 'quase' sobre isso quando um amigo nos lembrou da origem da palavra "salário" que vem do "sal", moeda de troca na antigüidade e elemento de sobrevivência, já que conservava os alimentos na falta da nossa, hoje moderna, geladeira 'frost free'!

Mas voltando à Benjamin, ele reconhece na sociedade americana a “capacidade de viver acima dos seus próprios recursos” confiando em hipotecas residenciais a base da “pirâmide de operações financeiras”, então eu digo que daí para a grande quebra do final do ano passado ficou mais fácil enxergar o 'calcanhar' do ‘american way of life’ e a estupefação do mercado financeiro mundial.
Embora saiba o motivo, Benjamin, no entanto, não tem uma solução mas sugere uma saída:
- “... o desafio é buscar novas maneiras de trazer de volta a economia para dentro das instituições sociais, para religá-la ao mundo-da-vida.”

Pois é, nossos irmãos americanos precisarão reaprender a plantar!
...

Lula é um presidente de muita sorte mesmo, o homem certo na hora certa! Chama atenção para si como líder inconteste da América Latina que cercada por gente tresloucada (Chávez em especial, mas não nos esqueçamos de Cristina Kirchner, Michelle Bachelet - essa mais apagada, talvez pela sua ‘opção’ mais à européia - , Uribe, Garcia e outros que tais) o deixa livre para uma carreira diplomática além do seu mandato, ainda mais se os indicativos economicos continuarem assim, com bons ventos!
Tenho certeza que terá muito mais brilho e sorte do que Itamar (aliás, igualmente monoglota, e nem a obrigatoriedade de falar corretamente outro idioma - na época era - lhe foi problema!), que foi despachado por FHC para a embaixada de Lisboa, aceitando com um certo muxoxo, e com Lula no poder exigiu um cargo na embaixada de Roma, matando o corpo diplomático de vergonha, e lá foi o 'topetudo' mineiro viver ‘la dolce vita’.
...

No espetacular livro de memórias de Alan Greenspan “A Era da Turbulência”, sem sinal de provocação nenhuma, ele abre o capítulo “América Latina e o Populismo” justamente com o Brasil e se pergunta, fazendo referência ao período mega-inflacionário do começo dos anos 90:
- “Como uma economia pode ser tão mal gerenciada a ponto de exigir reforma tão drástica?”

O velho economista reconhece em Lula um ‘populista’ diferente dos seus ‘vizinhos’ latinos, surpreendendo a todos (inclusive ele!) ao manter “em boa parte as políticas sensatas do Plano Real que seu antecessor adotara para combater a hiperinflação...”
E concluí seu raciocínio:
- “ Será que uma sociedade com profundas raízes populistas é capaz de mudar com rapidez? As pessoas podem e devem. Mas será que a estrutura de mercado de uma sociedade desenvolvida – suas leis, suas praticas e sua cultura – podem ser impostas a uma sociedade que se constituiu sobre a plataforma de velhos antagonismos? O Plano Real, do Brasil, sugere que é possível.”

Pois é, estamos colhendo os frutos agora!
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Se joga:
“A Era da Turbulência/Aventuras em um Novo Mundo”/Alan Greenspan
Editora Campus


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* "É a economia estúpido", slogan criado para a campanha de Bill Clinton em 1992 por James Carville com um EUA em recessão comandado por Bush pai.

Alexander ou Alexandre?

Os cabelos cresceram, a namorada é outra, o joelho continua o mesmo, mas o que o 'mundinho' quer mesmo saber é se o 'skull style' do fênomeno (adequado ao que o espera por sinal!) é um 'autêntico' Mcqueen ou um 'inspired by' Herchcovitch?

Torço para que o fênomeno se recupere, sempre fui seu fã na alegria e na tristeza (até mesmo no Castelo de Chantilly, pasmem!) e se vier de Mcqueen melhor ainda!

21 de fev de 2008

You're not alone

XÔ SKINDÔ

O R.E.M. está lançando em breve um novo álbum intitulado "Accelerate", embora parte da Europa e EUA já conheçam à tempos as novas músicas, tocadas em shows recentes, temos o novo single "Supernatural Superserious" bombando por aí!
Mas pra mim, insuperável mesmo é a canção "Everybody Hurts" parte de "Automatic for the People" (1992) que veio um ano depois do seminal "Out of Time", com a indefectível "Losing my Religion" que todos conhecem, não é mesmo?!

A direção do clip continua moderna e poderia, sem cortes ou alterações, ter sido filmadas hoje e o 'culpado' é o diretor ultra descolado Jake Scott. Para refrescar a sua memória o cara assinou clips de bandas insuspeitas e ganhou pencas de prêmios, dois exemplos excelentes são os 'esqueletos' DJs nos Chemical Brothers e os Radioheads no supermercado com Thom Yorke dentro de um carrinho de compras em "Fake Plastic Trees".
A-d-o-r-o!!!!

When your day is long and the night
The night is yours alone
When you're sure you've had enough of this life
Well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries
and everybody hurts, sometimes ...

Sometimes everything is wrong,
Now it's time to sing along
When your day is night alone (hold on, hold on)
If you feel like letting go (hold on)
If you think you've had too much of this life
Well hang on

'Cause everybody hurts
Take comfort in your friends
Everybody hurts
Don't throw your hands, oh no
Don't throw your hands
If you feel like you're alone
no, no, no, you're not alone

If you're on your own in this life
The days and nights are long
When you think you've had too much
of this life, to hang on

Well everybody hurts,
sometimes, everybody cries,
And everybody hurts ...
sometimes
But everybody hurts sometimes
So hold on, hold on, hold on, hold on, hold on,
hold on, hold on, hold on, hold on, hold on

Everybody hurts
You're not alone

(Everybody Hurts/R.E.M.)

18 de fev de 2008

Tempo de Mudanças (ou: os 30 anos que me restam)

A “Folha” de hoje traz na capa do seu caderno “Cotidiano” uma matéria sobre a “fuga” de moradores do centro para a periferia da cidade de São Paulo, segundo reportagem assinada por Vinicius Queiroz Galvão e Ricardo Gallo:
- “Levantamento feito pela Folha com base em dados da Fundação Seade e do IBGE revela que populações de municípios como Barueri e Santana de Parnaíba, que concentram condomínios de luxo da Grande São Paulo, quase dobraram em 11 anos.”
...

Farei parte destas estatísticas daqui uns dois anos! Após sair da casa dos meus pais, na Zona Leste onde nasci (Brás), cresci e estudei (São Miguel, Ermelino Matarazzo e Penha ) vim para o Centro onde moro há 15 anos praticamente no mesmo quadrilátero.

Meu primeiro lar no Centro foi na mítica Av. São Luis num autêntico neo-clássico projetado pelo arquiteto francês Jacques Pillon (o mesmo que projetou a Biblioteca Mário de Andrade), onde eu criava meu labrador (Dunga) e me aquecia do frio numa lareira ricamente ‘marmorizada’. Claro que os móveis eram praticamente zero, mas me divertia muitíssimo com os também autênticos 'quatrocentões' falidos que mal conseguiam pagar o condomínio (bem caro por sinal, que dividia irmanamente com mais dois amigos-irmãos-artistas).

Em seguida deixei a ‘nobreza’ e segui para a esquina da Rua Araújo, num confortável três dormitórios, com porteiros somente no horário comercial. Um prédio bem família que tinha seu cotidiano constantemente abalado por um conhecido cineasta que insistia em suas festinhas com ‘meninos-da-noite’! Nem preciso dizer os barracos que rolavam quando um ou outro menino saia com aparelhos eletrônicos e ‘otras cositas mas’ do apartamento do famoso cineasta, deixando-o furibundo e histérico para dizer o mínimo. Daí imaginem as reuniões de condomínio!

Segui minha vida para outro prédio que sempre esteve associado ao mundo gay paulistano. Situado na Marquês de Itú coberto por pastilhas rosa e azul e com um longo e 'operístico' corredor na entrada principal. O conjunto que abriga o “Edifício Barão de Mota Paes” era o endereço da famosa boate “HS” (Homo Sapiens), primeira boate gay que freqüentei, o que acontecia lá dentro e os seus personagens é assunto para uma outra ocasião menos formal, se é que você me entende!
Hoje o prédio é exemplo de boa vizinhança com o simpático “Bailão do ABC”, reduto de ‘tias’ mas que atrai também ‘cults’ perdidos pela noite, como Edson Cordeiro e Marcello Boffa que adorava ir para lá dançar "Alcione" e outros clássicos da mpb, ficava até com medo quando ele tocava o interfone e me mandava descer, sabia que a noite seria longa e hilária!
Tenho saudades de duas coisas neste prédio, das conversas diárias e dos encontros no elevador com o saudoso ator Lineu Dias, sempre impecavelmente vestido, vagando pelos cafés do centro como um 'Aschenbach' em busca do 'Tadzio' perdido!
A outra coisa que sinto falta é da vista que eu tinha do ‘meu’ 16º andar era um ‘resumo’ da cidade: Todo o Copan de frente, o Edifício Itália e parte do Conjunto Nacional com o seu, sempre necessário, relógio no topo.

Hoje vivo na esquina da 'baixa' Consolação com a Nestor Pestana, rota para os 'playboys' que saem dos puteiros 2 estrelas da Augusta e seguem para os puteiros 5 estrelas "Kilt" e "Love Story". Os anos de meditação Zen e Hata Yoga estão sendo muito úteis para que eu consiga dormir. Vocês não imaginam do que esses vândalos são capazes, guiando alcoolizados carrões potentes com o som no último volume! Nem quando eu morava na Marquês de Itú, cercado por michês (em frente e ao lado do prédio, na Rego Freitas), travestis (atrás na Santa Isabel) e prostitutas (acima na Bento Freitas) eu perdia o sono. Pensando bem, lá NUNCA perdi!

Meu prédio é um ‘modelo’ dos novos empreendedores do Centro expandido. Virou um grande negócio e funciona assim, um empresário compra um prédio em péssimas condições e com dívidas na prefeitura, esvazia o prédio, faz um plano básico de melhorias e reformas, quita as dívidas, consegue financiamento com a Caixa e renegocia com antigos proprietários aceitando novos para um novo plano de compra.
Quem topar vira dono de um apartamento novinho, valorizado e num prédio ‘sem vícios’!

Foi assim que comprei meu primeiro apartamento que já valorizou 150%!!!
Esse empresário com sangue polonês foi dono também de mais três prédios na Praça Roosevelt (remodelados no mesmo esquema), inclusive aquele onde funciona “Os Satyros”, seu ‘feeling’ o guiou para a região depois que soube (pela própria Prefeitura) da reforma ‘imediata’ da Praça, isso faz 4 anos!!!
...

Não fosse os “Satyros” emanando 'luz' naquele canto, no sentido literal e figurado (recentemente nas férias da Companhia uma amiga do Ivam Cabral foi assaltada na escuridão da rua) teríamos mais um lugar sem vida e soturno para temermos.
A reforma da Praça vai sair? Sim, claro que vai! E vai ficar linda, tenho certeza.
Assim como ficará linda também a “Nova Luz” com o teatro de Dança, Sala São Paulo, Pinacoteca, empresas de tecnologia, novas residências, etc.
Ficará linda também a reforma da Biblioteca Municipal (mesmo que o prefeito a feche em seguida, como o fez nesta semana com quatro outras por “falta de uso”!).
Tudo ficará lindo EM BREVE!

Eu e os personagens desta matéria de hoje na “Folha” é que não estaremos mais aqui para podermos usufruir de toda essa beleza.
O senso comum de todos esses ‘fujões’ é a famosa busca da qualidade de vida! O sossego e a segurança que perdemos no Centro.

O descompasso dos órgãos públicos em agilizar esses processos complexos de melhorias públicas é inconcebível em pleno século XXI e o resultado é essa dispersão urbana que custará uma fortuna aos cofres públicos com saneamento e planejamento.
O importante (NO PAPEL!) Ministério das Cidades, criado pelo presidente Lula para encarar esses desafios de frente é de uma opacidade desanimadora. Responda rápido quem é o Ministro que cuida desta pasta? Tudo bem, nem precisa ir ao google, não tem a menor importância mesmo, já estamos de saída.
...

Bem mais "breve" do que as melhorias anunciadas pela prefeitura e governo paulista eu estarei neste quintal de frente para esta paisagem, em Mairiporã, onde espero seja esta a minha última mudança em vida!

Dizem que a expectativa de vida do homem brasileiro é de até 70 anos. Me faltam 30, quero que estes sejam diferentes.
Quero ser feliz, fazer uma pizza para os meus amigos num forninho, brincar com meu cachorro, ler deitado numa rede no quintal, nadar com o meu sobrinho e ter um quarto para receber os meus irmãos, meus pais e alguns amigos.
Eu mereço!

16 de fev de 2008

Vai mexer!!!!!!

José Padilha tem todos os motivos do mundo para estar feliz! Com o Urso de Ouro para o excelente "Tropa de Elite" toda a Europa aprende uma nova gíria que já conhecemos muito bem:
- "Pede pra sair!"

Se joga Camarada!

Tome uma dose de vodka (esqueça a perfumada Absolut e experimente Wyborowa) antes de assistir "Eastern Promises/Senhores do Crime". David Cronenberg finalmente chegou a maturidade cinematografica com esse longa sobre a máfia russa em Londres, "Marcas da Violência", seu excepcional filme anterior, já marcava essa 'nova fase' em sua carreira.
Basta relembrar do gosmento "A Mosca", o amador "Videodrome", o inclassificável "Naked Lunch/Mistérios e Paixões", o 'lynchniano' (portanto péssimo) "Crash, Estranhos Prazeres", o pseudo e chato "eXistenZ" e outros que não sei como insisto em assistir, para acreditarmos na evolução da espécie e torcer para que Cronenberg continue nesta ótima fase.

Agora, tanto "Marcas da Violência" quanto "Senhores do Crime" são impossíveis de serem disassociados da gélida expressão de Viggo Mortensen, não é para menos a sua indicação ao Oscar (e torço realmente para que ganhe!), e vamos combinar que são poucos os atores que aos 50 anos (!) podem se expor daquela forma, inteiramente nu, na já antológica cena da luta na sauna.
Só nesta cena já se foi uma garrafa de Wyborawa!!!

Justiça seja feita a direção competentíssima, ao 'suporte' de Naomi Watts, muito mais que a 'mulher do King Kong', e a toda 'russarada' coadjuvante.

Como me ensinou a minha professora de russo um хорошее киноий!

Viggo numa "entrevista" com camaradas russos e sua impertubável expressão 'siberiana'.

15 de fev de 2008

Juventude Supersônica!

XÔ SKINDÔ

Esse vai para o meu amigo 'desarróio' Ismael Caneppele depois do texto que ele escreveu para o último número da revista "Junior".
"Tarde Cinza. Sonic Youth" é uma pequena pérola perdida entre os torsos nus da revista... "não acredito que acabei de escrever isso; tô parecendo uma tia! hauahauhauahau."
As manobras que vocês vêem ao som de "Teenage Riot" do Sonic Youth são para um comercial da Nike estrelado pelo skatista cult Paul Rodriguez.
Completando o 'jabá' leiam o livro dele "Música para quando as luzes se apagam" antes que vire filme e se joguem no seu Blogue Chorando pelo Campo!
E claro, ouçam muito Sonic Youth, para rejuvenescer a pele; vocês não acreditariam se eu publicasse a minha idade! É "Youth", honey!!!


14 de fev de 2008

Variação sobre o mesmo tema (ou: New York revista e ampliada)

XÔ SKINDÔ

Vida eterna ao ‘shuffle’ da minha discoteca musical, apertada em 60 GB, do meu Ipod! Como numa sincronia macabra o meu ‘velho branquinho’ alternou durante os 15 minutos que levo para caminhar da ‘baixa’ Augusta até chegar ao meu Ap (após uma reunião bem criativa de um próximo trabalho!) musicas com temas, bem próximos, dando versões diferentes para assuntos semelhantes. Aproveitem então como referência!

James Murphy do LCD Soundsystem

Os novaiorquinos eletrônicos do LCD Soundsystem com seu último “Sound of Silver” trazem um pouco de sobriedade quando retratam sua cidade no ‘pós 11/09’, com o título explicativo da faixa “New York, I love you but you’re bringing me down”, repetido como refrão a exaustão, seguindo com:
- “In the neighborhood bars. I'd once dreamt I would drink”.


Paul Banks, o "fantasma de Ian Curtis", do Interpol

Outra banda da cidade, o “Interpol” tem no vocalista inglês Paul Banks uma reencarnação de Ian Curtis, do "Joy Division", pelo menos na angustiante semelhança vocal. No refrão de “NYC” do álbum “Turn On The Bright Lights”, a relação com a cidade vem de um clamor melancólico repetido também num refrão de cortar o coração:
- “But New York cares [Got to be some more change in my life]”.

"The Boss", Bruce Springsteen

Exatamente 1 ano após a tragédia de 11/09, o “Boss” Bruce Springsteen lançou o álbum mais profundo de sua carreira e que melhor retratou o estado de espírito que tomou conta do mundo, com o belíssimo “The Rising” (e em seguida também com “Devils & Dust”) inteiramente escrito no calor do momento e que é impossível ouvi-lo sem se emocionar! Para quem 'estourava as veias’ com “Born in the USA” fica difícil acusar o vigoroso (em todos os sentidos!!!) Springsteen de oportunista já que a América sempre foi sua ‘piece de resistance’.
“ You’re Missing” é para ouvir de joelhos mas “My City of Ruins” (que ouvi em seqüência ao “Interpol”!) nos lembra que em tragédias como aquela só nos resta rezar:
- “(...)Tell me how do I begin again? My city’s in ruins... now with these hands, with these hands, I pray Lord...”

Bowie, my next tattoo is for you!

E para coroar a sincronia, claro: Bowie, baby, Bowie!
Embora tenha idealizado e composto “Heathen” antes dos ataques as Torres Gêmeas (Bowie, assim como Gerald Thomas, viu tudinho da janela do seu apartamento), o profético álbum foi lançado em 2002 e não é surpresa que seu álbum posterior leve o título de “Reality”, intencionalmente na linha ‘há vida depois da guerra’!
Mesmo com ‘revisões’ (pra mim definitivas) de Pixies e Neil Young, são nas canções novas que Bowie nos assusta, como no ‘carro chefe’ do álbum, “Sunday”:
- “Nothing remains
We could run when the rain slows
Look for the cars or signs of life
Where the heat goes
Look for the drifters
We should crawl under the bracken
Look for the shafts of light on the road
Where the heat goes”

Lembrando que os ‘auto-exílio’ do mestre Bowie são sempre profícuos, a ‘trilogia de Berlin’ dos anos 70 com “Low”, “Heroes” e “Lodger” estão num status acima do próprio gênero Rock!
Com “Hours” (1999), “Heathen” (2002) e “Reality” (2003) a América é dissecada sob um olhar inquieto de um artista que sempre buscou no experimentalismo as sutilezas de suas convicções e, pasmem, SEMPRE acertou!

13 de fev de 2008

Você é tudo o que eu necessito!

XÔ SKINDÔ

Os fãs do Radiohead são mais velozes (ou ansiosos, depende) do que seus empresários! Mal saiu "In Rainbows" e já pipoca na rede um monte de clips inspirados nas canções do álbum mais melancólico da Banda (tanto quanto possível, lógico!).
J.Tyler Helms criou e editou (muito bem, por sinal) "All I Need" (vou explodir o meu ipod de tanto que ouço isso!!!) com trechos de um documentário ecológico de 1996 chamado "Microcosmos", o que era para ser piegas caiu como uma luva na voz atormentada de Thom Yorke, reparem na sincronia da música com a chuva caindo e guarde o nome de Helms, está surgindo um diretor mainstream por aí.
...

I'm the next act waiting in the wings
I'm an animal trapped in your hot car
I am all the days that you choose to ignore

You're all I need
You're all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the reeds

I am a moth who just wants to share your light
I'm just an insect trying to get out of the night
I only stick with you because there are no others

You are all I need
You are all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the reeds

It's all wrong
It's all right
It's all wrong


(All I Need/Radiohead)

12 de fev de 2008

Neighbours camaradas

XÔ SKINDÔ

Chegou aquele momento de puxar o saco dos meus vizinhos e plantar um jabá aqui para você sair da mesmice. Mais um Blog transado que além de músicas te oferece o contexto do álbum 'baixado'.
Criado e editado por Felipe Pipoko o Blog faz você se sentir menos burro e ter assunto na roda do happy hour da firma.
Se joga no "RockTown" baby!


Outro neighbour gente fina é o curitibano Denis Pedroso (aí do lado) que desde janeiro está de casa nova com o seu, agora site, "In New Music We Trust". O cara cresceu, juntou uns goodfellas e tá mandando bem no endereço novo, juntando podcast, vídeos e histórias deliciosas.

3 em 1

Fiquei com um pouco de preguiça em falar de três filmes que vi recentemente e me decepcionaram, principalmente pela expectativa que os cercavam. Como os filmes, pra mim, não valiam uma lauda resolvi falar deles aqui num ‘esquema tático 3 em 1”. Vamos lá:

“O Caçador de Pipas”
Foi o último que vi, confesso que atrasado, sabendo que não me ‘pegaria’ já que tinha uma idéia do que era o livro, que não li e não lerei, sorry!
O problema maior é o roteiro (do mesmo cara que escreveu “Tróia”, então está explicado a simplificação frágil da história em detrimento dos aspectos políticos e cotidianos afegãos, que soube é crucial no livro! By the way “Tróia” era um lixo!), os atores parecem que decoraram o “Minutos de Sabedoria” e é insuportável acompanhar os diálogos, na linha ‘lições’ de vida. Outra coisa bem irritante é a trilha sonora óbvia e ostensiva, também erro de casting, pra quê chamar o músico dos filmes do Almodóvar para fazer uma trilha que se passa no Afeganistão? O resultado está lá: batuque, gritaria e cítaras num uníssono de tapar os ouvidos.

“Sweeney Todd”
Pfui!!!! Jamais imaginei dizer que faltasse imaginação para Tim Burton, e não é que esse musical é bem ruinzinho! Johnny Depp faz mais uma esquisitice do diretor, só que desta vez sem carisma, Helena Bonham Carter, mulher esquisita de Burton, faz só o que sabe fazer, esquisitices!
Quem rouba a cena mesmo são os figurantes hilários interpretados por Sacha Baron Cohen (o eterno "Borat") e Timothy Spall (um bedel que parece se divertir mais do que todos no filme e que está numa bichice impagável!). Assistindo "Sweeney Todd" você vai entender porque existe tanta gente que o-d-e-i-a musical, eu entendi!

“4 Semanas, 3 Meses e 2 Dias”
4, 3, 2, 1, ‘Água’!!!!! Esse prêt-à-porter (não, não é sobre moda, leia mais aqui) romeno ganhou a Palma de Ouro em Cannes no ano passado e deu visibilidade a cinematografia Leste. E...
Ao contrário de “Caçador de Pipas” aqui a equação 'política-cotidiano' é onipresente e fio condutor da narrativa, o que se questiona é: com tanta infelicidade pelo caminho não é possível que TODOS os personagens sejam tão ‘monocromáticos’, monocórdios e desfilem sempre com um ar 'non chalance' de falsa importância em pleno comunismo do Leste Europeu.
E vamos combinar que ‘aquele feto’ tosco era absolutamente desnecessário.
Prefiro ver este enredo no CPT do Antunes Filho, seria mais curto e mais intenso, com certeza!

Yes, We Can!

XÔ SKINDÔ

Já tinha visto o que o "will.i.am" (quem é a numeróloga dele?!) do suingado Black Eyed Peas havia feito com o discurso de Obama e achei a melhor coisa que aconteceu na campanha do senador! De tão comentado (principalmente depois que o Tony Goes postou!) ia deixar 'passar batido' não fosse o "Folhateen" desta segunda na "Folha" assinado pelo invariavelmente odiado (pela molecada) Álvaro Pereira Junior na sua coluna semanal "Escuta Aqui", intitulado "Os artistas amam Obama; coitado".

No geral ele diz que política não é rock e que esse papo de candidato que agrada roqueiros, famosos, fashionistas e outras turminhas 'liberais' boa coisa não pode dar. Álvaro provoca seus leitores (juro, acho que eu sou o único adulto que lê esse encarte tablóide!) teens e pergunta o que eles estavam fazendo no dia 21 de janeiro? Respondendo em seguida que estava acompanhando o debate da CNN entre Hillary e Obama e que talvez sua tv estivesse com problemas já que Obama "foi trucidado, gaguejava e Hillary saiu triunfante".

Bom acho que a sua tv realmente estava com problemas, porque não foi esse 'tom' que eu vi no debate da CNN. Vi, isso sim, uma Hillary três 'tons' acima, absolutamente agressiva e descontrolada encurralando um companheiro de partido com uma deselegância que queria ter visto algum homem agindo daquela forma contra ela, com certeza seria acusado de machista e tal.
Como se vê são pontos de vista diferentes, segundo Álvaro, Obama perdeu a segurança e a sua (dele) simpatia neste momento.

Pois eu vi um Obama, tal qual um Lula apoplético quando encarou um "lado que não conhecia" do sr. Alckmin inflamado gritando "Cadê o Dinheiro!?". Vocês devem se lembrar quem ganhou aquele debate e logo depois quem ganhou as eleições.

Acho que Álvaro deixou de dar um serviço importante para os seus leitores jovens que é a caça ao voto dos teens pelos políticos americanos (já que o sufrágio não é obrigatório) ficando isso claro no fim do clip quando HOPE 'vira' VOTE conclamando às urnas a quem o vídeo é dirigido.
E outra, lembrando da época "We Are The World" este clip é a superação técnica e artística do pop-institucional (e ainda conta com, Scarlet Johansson, tá!) e uma aula de marketing para todas as campanhas que venham a suceder esta, marcando com inteligência e bom gosto as promessas de Barack Obama, a "Esperança do Novo" que "yes, we can" vê-lo na Casa Branca!

Treine o discurso baby:

It was a creed written into the founding documents that declared the destiny of a nation.
Yes we can.
It was whispered by slaves and abolitionists as they blazed a trail toward freedom.
Yes we can.
It was sung by immigrants as they struck out from distant shores and pioneers who pushed westward against an unforgiving wilderness.
Yes we can.
It was the call of workers who organized; women who reached for the ballots; a President who chose the moon as our new frontier; and a King who took us to the mountaintop and pointed the way to the Promised Land.
Yes we can to justice and equality.
Yes we can to opportunity and prosperity.
Yes we can heal this nation.
Yes we can
repair this world.
Yes we can.
We know the battle ahead will be long, but always remember that no matter what obstacles stand in our way, nothing can stand in the way of the power of millions of voices calling for change.
We have been told we cannot do this by a chorus of cynics...they will only grow louder and more dissonant ........... We've been asked to pause for a reality check. We've been warned against offering the people of this nation false hope.
But in the unlikely story that is America, there has never been anything false about hope.
Now the hopes of the little girl who goes to a crumbling school in Dillon are the same as the dreams of the boy who learns on the streets of LA; we will remember that there is something happening in America; that we are not as divided as our politics suggests; that we are one people; we are one nation; and together, we will begin the next great chapter in the American story with three words that will ring from coast to coast; from sea to shining sea --

Yes. We. Can.


http://www.barackobama.com/

http://factcheck.barackobama.com/

10 de fev de 2008

A 'curva' dos 50

Aproveitando o 'momento inglês' vale a pena ler também no "The Guardian" uma reportagem sobre "OS" cinquentões do ano: Michael Jackson, Madonna e Prince. "Time to take a Bow" é a manchete.
Compara suas carreiras projetando o desejo dos fãs na expectativa por novidades, abre excessões (honestas) de 'tios e tias' como Bowie, Patty Smith, Dylan entre outros que conseguiram uma certa excelência em suas carreiras, etc.
Vale a pena ler nem que seja para discordar (como quando mistura num mesmo saco o 'talento' dos três desqualificando Madonna! Oops, don't you dare talk to me like that!).

"ELA", antecipando seus 50 no melhor estilo luz e sombra 'Blanche Dubois'

Prince que antes dos 50 passou por uma fase 'púrpura', já foi um 'logo' indecifrável e tenho de admitir, muito melhor músico que MJ (doeu mas falei!). Amo e tenho TODOS os seus discos, mais da metade em vinil, tá!

"ELE", o Rei cinquentão! Tá eu sei que essa cara não é mais a dele e que assim já estava ótimo, mas ainda não nasceu, ainda, alguém que o substitua artisticamente!

...

O negócio é o seguinte, vamos falar então da excessão citada, por enquanto tiro o Bowie da jogada, depois explico. Tanto Patty, Dylan, os outros citados como Leonard Cohen ou
Neil Young não renovaram 'significativamente' sua galeria de fãs ou muito menos conseguiram entender como o jovem ouve música hoje, todos eles se satisfazem em permacecer no ideário musical na qualidade de "ícone" e olha que isso não é pouco e muito menos para quem quer, eles conquistaram esse status numa época em que podia 'se lixar' para o público; espere para a estréia de "I'm not There" e prepare o 'oratório' para Bob Dylan meu amor!

Mas hoje a
'transa' é outra (como poderia dizer Torquato Neto) e não adianta discordar, quem renova a indústria musical, quem consome, compra, 'baixa' e lota estádios de shows é massivamente a molecada e os 'perdidos' entre os 30/40 anos.
Ignorar essa gente hoje é antecipar uma aposentadoria no limbo do esquecimento e do ostracismo e nenhuma estrela do
mainstream pode se dar a esse luxo, não é mesmo?! Talvez esse devesse ser o ponto da reportagem.

Já o Santo Bowie é, foi e sempre será diferente! É o único cara que eu conheço que soma novos fãs, não ignora nenhuma geração, não se fecha em nenhum estilo e acompanha, dentro da sua linguagem, as novas tendências musicais e tecnológicas.
Foi o primeiro roqueiro a lançar seu nome no Mercado de Ações, antecipou em dois anos a febre eletrônica que 'ditou' todos os discos dos astros que caíram nesta onda e continua influenciando o comportamento do mundo pop até hoje.
E o melhor de tudo, soube envelhecer e passar dos 60 sem cair no ridículo!

Quem acompanhar a fórmula do Santo Bowie terá vida longa e próspera não decepcionando nunca seus seguidores mortais! Que assim seja.
Amém

9 de fev de 2008

O "Feedback" da primeira irmã

XÔ SKINDÔ

Eu gosto da Janet, ela não é vigarista como a La Toya e nem sangue-suga como os outros brothers mas precisava fazer o 'joguinho' da mídia para lançar "Discipline", seu 10º disco?
Numa entrevista para o inglês "The Guardian", a primeira irmã fala sobre MJ e porquê "ela (Janet) nunca quer crescer"! Waal, deve ser uma certa síndrome familiar.

Abaixo o vídeo de "FeedBack", o primeiro single do disco a ser trabalhado; tipo não vai revolucionar nada, mas é honesto, pop e têm muita 'franja' bee!


Simplesmente um luxo!

Depois de Alexander MacQueen, Marc Jacobs é o meu estilista 'usável' preferido! E não é que o 'tendência' nesta temporada "Fall-Winter/08 - NY Fashion Week" armou um mega palco para mostrar a sua classuda coleção. E quer saber qual banda estava tocando AO VIVO? Sim, eles: "Sonic Youths"!

Sintonia fina é isso aí; o site do moço mostra o show, quer dizer o desfile, com uma Kim Gordon arrasando em "Jams Run Free" do último álbum "Rather Ripped", que eu também já citei por aqui 10 posts abaixo!
Têm também o desfile da outra coleção 'mais acessível' da sua marca, a "Marc" que é mais pra moçada mesmo e igualmente beeemmm rocker!

8 de fev de 2008

Pela "Chalga" de Cristo!

XÔ SKINDÔ

Embora fã confesso de Madonna neste vídeo Azis está mais para Beyoncé, deixando-a no chinelo, claro! Preste atenção no strip do 'rapper' no final e em Azis de bofe (até a medida em que isso seja possível, lógico)!

O que acontece quando você mistura elementos musicais do folclore dos Bálcãs, com ritmos árabes, turcos, grecos e ciganos? A resposta é "Chalga" (Чалга), um estilo musical que veio da Bulgária!

Agora imagine isso tudo cantado por uma drag gordinha com cavanhaque descolorido e num visual imitando Madonna. Não consegue? Pois nem eu, até Olintho Malaquias, o meu figurinista e 'viralata-colaborador' me apresentar "Azis", sua fonte de inspiração para pesquisa de um personagem numa ópera que vou dirigir (imagina só o que vai sair disso tudo! hahahahaha).



Agora eu sou fã incondicional desta drag-bear e já viciei em seus vídeos disponíveis no You Tube que você precisa descobrir. Depois me diga se ainda há surpresas no 'mundinho' que você ainda não ouviu falar!




Quem resiste a meiguice do doce Azis 'pagando' popozão?

Mistério dos Bálcãs que nem Madonna conseguirá decifrar!

7 de fev de 2008

A Índia da Tribo Super-Bonder!

Amigos, este Viralata detesta injustiças, então vamos aos esclarecimentos quanto a 'fantasia' da desinibida Viviane Castro que ficou "muito triste" com a 'acusação' de que estava nua na avenida! Ô gente maldosa hein, o tapa sexo NÃO Caiu:
- "Estava bem colado, com Super Bonder. Tanto que tive que ficar meia hora numa banheira de água quente para descolar. Fui tão original que confundi os jurados"

Super Bonder?!?!?!?!

- "Só fico tranqüila porque sei que fiz tudo dentro das regras. Minha intenção era entrar para o Guiness por usar o menor tapa-sexo do carnaval."

Quanto a isso acho que conseguiu! Kiko Alves, o cara que 'lançou' Viviane "está arrasado":
"Alves explicou que o adereço é feito de papelão grosso, forrado com "arame fininho", colado ao corpo com Super Bonder (a cola é passada só na parte de cima). A pele é protegida por um emplastro. Para ele, o fato de Viviane ter desfilado com uma tinta sobre o corpo, que a deixou com uma tonalidade mais parecida com a das índias, pode ter uniformizado a pele de tal maneira, que pareceu que a genitália estava de fora."

Ah Booommmmm era ÍNDIA!!!!!!!!!

Alves disse que foi injustiçado:
- "Mas se Van Gogh e Portinari já foram mal interpretados e chamados de loucos, por que eu não posso ser? Aposto que no ano que vem vai estar todo mundo me copiando."

(!!!!!!!!)

Entenderam agora?

Alto! Quem vêm lá?

É fía não adianta ficar estressada não!
Depois do empate técnico entre Hillary Clinton e Barack Obama os EUA terão uma nova rodada de primárias para decidir quem disputará a presidência com o Republicano, praticamente indicado, John McCain.

6 de fev de 2008

Go Speed, go!

Estou ansioso para a estréia de "Speed Racer, O Filme"! Nem os irmãos Larry e Andy Wachowski me desanimarão (parece que eu sou o único no planeta que detestei "Matrix", e olha que só assisti o primeiro!) já que o Speed, em si, é interpretado por Emile Hirsch!
Sim eu sei que já falei uma centena de vezes dele aqui por causa de "Into the Wilde" onde Hirsch "É" um andarilho beat, aguardem para ver a sua performance sob a direção de Sean Penn!

Mas "Speed Racer" ainda têm os "olhos" de Susan Sarandon, a bonachice de John Goodman e a 'über-dark-musa' Christina Ricci como Trixie, a namoradinha dele!!!!

E qual o garoto da minha geração que que nunca teve um Match 5? Tenho dois e os escondo do meu sobrinho!
Aliás, já saiu por aqui que a brasileiríssima Petrobras, cuja marca foi negociada com a Warner, abastecerá o carrão. E olha que esta divulgação saiu mais barato para o governo do que a grana que se gastou para lançar "O Ano em que meus pais...' para o Oscar.

Contagem regressiva para maio!

"Em frente da minha janela há uma árvore só pra mim"

XÔ SKINDÔ

Já tinha elogiado antes Jack White com sua banda paralela "Raconteurs", mas se você veio de Marte e acha que a mistura de rock, blues e soul só apareceu recentemente... hummm, sorry baby!
O "Cream" lançou seu segundo álbum "Disraeli Gears" quando meus pais se casaram (1967), separaram-se exatamente quando eu nascia (1968), e nos três anos em que o trio existiu estabeleceu-se a mistura mais incendiária do rock que influencia cabeludos até hoje.
Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker foram "O" trio do final dos 60' e sem eles nem o meu idolatrado Eddie Vedder com seu "Pearl Jam" existiria com o som de hoje.

E para quem acha que Clapton é apenas aquele tiozinho sentado num banquinho com seu violãozinho plangente cantando a morte do filho em "Tears in Heaven" para mim o cara já era moderno com seu eletrônico com "TDF/Retail Therapy", sob o nome de X-Sample. E para os mais 'malucos' reabilitados o hit "Cocaine" é um hino e não se fala mais nisso!

Ouvi demais "Cream" neste Carnaval e sempre torci para que Kurt Cobain tivesse gravado uma versão para a minha música preferida na adolescência "World of Pain", infelizmente não deu. Hoje torço para que "Antony and the Johnsons" com seu vozeirão de 'negona blues' sofra ao piano com uma versão, é o único cara que eu imagino que poderia 'acrescentar' algo a esta bela e melancólica canção.
Talvez "Damien Rice" também o possa, quem sabe?

Outside my window is a tree.
Outside my window is a tree.
There only for me.
And it stands in the gray of the city,
No time for pity for the tree or me.

There is a world of pain
In the falling rain
Around me.

Is there a reason for today?
Is there a reason for today?
Do you remember?
I can hear all the cries of the city,
No time for pity for a growing tree.

("World of Pain"/Disraeli Gears - Cream)

A minha vingança 'sará' maligna!

E o que eu disse aqui?! Só foi eu dizer que a "Vai-Vai" ia ser campeã apenas pelo seu poder de síntese que não deu outra né?! hehehehe
E a catiça se estendeu também para as rebaixadas, eu te disse, eu te disse...
"Mocidade" chamou a 'minha' São Paulo de Sampa. Caiu!
"Camisa" veio com uma rídicula homenagem ao 'picumã', desprezando o ancestral refrão "é dos carecas que elas gostam mais". Caiu!
E o que dizer da "Águia" com o seu sorvete? Derreteu!

E se você quiser saber os números da mega-sena desta semana pega fila queridinho!
hauahauhaua

Who am I?

E quem disse que o samba de raiz morreu? Pernambuco 'globalizou' seu carnaval e fez o povão cair na teia do Homem Aranha, tá!

Segura o negão!

Precisava passar por isso? Aposentados da Petrobras fazem manifestação em frente ao Planalto peladões! No ano passado foi a mesma coisa no Rio, na frente do prédio da estatal.
Se liga na véinha de saia xadrez do lado esquerdo, tipo beeeeemmmm embarrassing! hahahahahaha
E eu acho que ela só desviou o olhar com medo do tiozão negão 'humilhar'!!!!!!

5 de fev de 2008

Nós já sabiamos.

"CIA admite uso de técnica de afogamento em interrogatórios" é a manchete do "Estadão" online de hoje! Alguém duvidou de que o filme "O Suspeito" era 'puramente' uma obra de ficção?
Pois bem, lembram-se do diálogo que Meryl Streep têm quando confrontada, num lobby de uma recepção, sobre a tortura de prisioneiros suspeitos sequestrados "dos" Estados Unidos para serem julgados no seu país de origem? A resposta dela é o pensamento do 'americano médio' e é esse 'pensamento' que guiará o resultado de hoje da "Superterça"!

Não viu o filme? Veja, daí você vai achar tudo o que lê aqui meio dejá vu.

4 de fev de 2008

Muito mais que "Superstar"

XÔ SKINDÔ

Os americanos do "Sonic Youth" estavam no seu segundo disco quando os "Carpenters" acabava em 1983, depois da morte de Karen.
A década de 80 começava para mim com o suicídio de Ian Curtis do "Joy Division" em maio e o meu luto durou exatamente 2 anos! Em 1982 comprei desconfiado o álbum "Sonic Youth" e no próximo ano me entreguei totalmente à "Confusion is Sex" e definitivamente já tinha uma banda que preenchia o buraco deixado pela forca de Curtis.

Esta ilustração aqui ao lado, recorde de reprodução em camisetas na Galeria do Rock, é do álbum "Goo" que saiu em 1990, ano em que os caras realmente estouraram e viraram stars, depois disso a banda mais cult do planeta foi sucumbida pelo grunge e para resistir levou até as últimas consequências todo o seu experimentalismo rocker.
Claro que a sonoridade que ditou os anos 90 não estava afim de mais um 'Zappa da vida' e os caras fizeram centenas de pockets shows e dezenas de gravações experimentais até voltar com tudo com "Rather Ripped" em 2006 com outra formação e em plena forma! Ouçam "Lights Out" e "Or" e sintam o drama baby!
Sonic Youth, pra mim os verdadeiros superstars!

O "Superstar" Original

XÔ SKINDÔ

O filme "Juno" conseguiu ressuscitar um "The Carpenters" de 1971 numa 'reinterpretação' mais do que brilhante com o "Sonic Youth", pois não é que a minha curiosidade me trouxe até aqui para beber na fonte do original! Se na época existisse o termo "trip-hop" Karen Carpenter seria a representante número um, desbancando, a hoje imbatível, Beth Gibbons do "Portishead".
Karen foi a primeira celebrity a chamar atenção para a terrível doença que hoje atinge centenas de top models mundo afora, a anorexia. A pobrezinha teve uma morte que chocou o mundo pop nos anos 80.

Os melhores jornais do mundo e a "despolitização da sociedade"

A propósito do lançamento do livro "Os Melhores Jornais do Mundo. Uma Visão da Imprensa Internacional" Matías Molina ganhou uma página do suplemento "Aliás" do "Estadão" neste domingo, infelizmente não disponível na internet, mas que eu adianto pra vocês alguma coisa.
Molina é espanhol radicado em São Paulo e passou pelos principais veículos de comunicação do País como: Exame, Folha, Gazeta Mercantil e Valor Econômico.

Destaco duas respostas de Molina da entrevista.
Uma delas parte da análise que ele faz da mudança editorial do NYTimes nos anos 70, ampliando a cobertura de assuntos ligados a casa, família, educação, saúde e espetáculos em detrimento a matérias investigativas. E ao responder o por quê, diz:
- "Em parte porque houve uma despolitização da sociedade"

E o Brasil nisso, sabe o que ele acha?
- "... há um excesso de política nos jornais brasileiros. Chega a ser cansativo. Os escândalos políticos são divulgados num tom sempre muito elevado. Com isso não se diferencia um do outro.

É isso aí, mais um livro para a lista!
...

Se joga:
"Os Melhores Jornais do Mundo. Uma Visão da Imprensa Internacional"
Matías Molina/Editora Globo

O meu primeiro CD

XÔ SKINDÔ

Dias desses, no Bar da Dida (peça caipirinha, baby!) eu e uns amigos tentávamos lembrar qual era o primeiro Cd que havíamos comprado, e eu de cara gritei e passei a bola: TEN/PEARL JAM!
E por pouco não comecei a 'gemer' o início de "Oceans", chocado ficou um amigo-do-amigo (por sinal nascido nos 80') com aquele papo já que ele não fazia a menor idéia de qual foi o seu primeiro Cd; ele têm Cds e diga-se nem compra mais baixa tudo. Cada vez mais eu não tenho assunto com quem nasceu quando já existia microondas, celular e mp3! Hehehehe

Antes de flopar a alegria dos outros 'jovens' quase quarentões lembrei da minha excitação quando soube da chegada de Eddie Vedder e trupe pela primeira vez no Brasil em 2005 no Pacaembu (guardo até hoje o ticket do dia 02/12 de uma sexta-feira chuvosa na pista do estádio) e que lá sim eu berrei tooodas as músicas!

Voltando ao tempo, fiquei tristíssimo por Vedder não ter sido indicado ao Oscar por sua trilha sublime do filme "Into the Wild" de Sean Penn , aliás por ele também já que o filme merecia muito mais, você verá quando estrear. Volto ao tema.