14 de fev de 2008

Variação sobre o mesmo tema (ou: New York revista e ampliada)

XÔ SKINDÔ

Vida eterna ao ‘shuffle’ da minha discoteca musical, apertada em 60 GB, do meu Ipod! Como numa sincronia macabra o meu ‘velho branquinho’ alternou durante os 15 minutos que levo para caminhar da ‘baixa’ Augusta até chegar ao meu Ap (após uma reunião bem criativa de um próximo trabalho!) musicas com temas, bem próximos, dando versões diferentes para assuntos semelhantes. Aproveitem então como referência!

James Murphy do LCD Soundsystem

Os novaiorquinos eletrônicos do LCD Soundsystem com seu último “Sound of Silver” trazem um pouco de sobriedade quando retratam sua cidade no ‘pós 11/09’, com o título explicativo da faixa “New York, I love you but you’re bringing me down”, repetido como refrão a exaustão, seguindo com:
- “In the neighborhood bars. I'd once dreamt I would drink”.


Paul Banks, o "fantasma de Ian Curtis", do Interpol

Outra banda da cidade, o “Interpol” tem no vocalista inglês Paul Banks uma reencarnação de Ian Curtis, do "Joy Division", pelo menos na angustiante semelhança vocal. No refrão de “NYC” do álbum “Turn On The Bright Lights”, a relação com a cidade vem de um clamor melancólico repetido também num refrão de cortar o coração:
- “But New York cares [Got to be some more change in my life]”.

"The Boss", Bruce Springsteen

Exatamente 1 ano após a tragédia de 11/09, o “Boss” Bruce Springsteen lançou o álbum mais profundo de sua carreira e que melhor retratou o estado de espírito que tomou conta do mundo, com o belíssimo “The Rising” (e em seguida também com “Devils & Dust”) inteiramente escrito no calor do momento e que é impossível ouvi-lo sem se emocionar! Para quem 'estourava as veias’ com “Born in the USA” fica difícil acusar o vigoroso (em todos os sentidos!!!) Springsteen de oportunista já que a América sempre foi sua ‘piece de resistance’.
“ You’re Missing” é para ouvir de joelhos mas “My City of Ruins” (que ouvi em seqüência ao “Interpol”!) nos lembra que em tragédias como aquela só nos resta rezar:
- “(...)Tell me how do I begin again? My city’s in ruins... now with these hands, with these hands, I pray Lord...”

Bowie, my next tattoo is for you!

E para coroar a sincronia, claro: Bowie, baby, Bowie!
Embora tenha idealizado e composto “Heathen” antes dos ataques as Torres Gêmeas (Bowie, assim como Gerald Thomas, viu tudinho da janela do seu apartamento), o profético álbum foi lançado em 2002 e não é surpresa que seu álbum posterior leve o título de “Reality”, intencionalmente na linha ‘há vida depois da guerra’!
Mesmo com ‘revisões’ (pra mim definitivas) de Pixies e Neil Young, são nas canções novas que Bowie nos assusta, como no ‘carro chefe’ do álbum, “Sunday”:
- “Nothing remains
We could run when the rain slows
Look for the cars or signs of life
Where the heat goes
Look for the drifters
We should crawl under the bracken
Look for the shafts of light on the road
Where the heat goes”

Lembrando que os ‘auto-exílio’ do mestre Bowie são sempre profícuos, a ‘trilogia de Berlin’ dos anos 70 com “Low”, “Heroes” e “Lodger” estão num status acima do próprio gênero Rock!
Com “Hours” (1999), “Heathen” (2002) e “Reality” (2003) a América é dissecada sob um olhar inquieto de um artista que sempre buscou no experimentalismo as sutilezas de suas convicções e, pasmem, SEMPRE acertou!

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