29 de mar de 2008

Histórias e Lendas (ou: 3 lições para os meus amigos de S.P.)

BAFO DO NORTE

Nesses meus 10 anos 'de Manaus' aprendi algumas coisas que eventualmente conto para meus amigos 'mais abaixo da linha' quando me perguntam: "- E aí o que têm por lá?"
Invariavelmente devolvo a pergunta no melhor estilo 'brasileiro no exterior': "- O que você espera que tenha?"

Manaus, e praticamente todo o Amazonas, é aquele mistério para nós que moramos no sul do País, imagine então para a 'gringaiada'? Trabalho três meses por ano num dos teatros mais bonitos e comentados do mundo e quando estou em fase de montagem de cenários ou luz no Teatro Amazonas vejo do palco as visitas monitoradas com brasileiros e estrangeiros embasbacados com aquela jóia da 'belle époque' com uma cúpula verde e amarela (presente de um marajá turco!) e lendas, muitas lendas.

Devo confessar que na cidade a única coisa realmente interessante é o Teatro e o seu entorno totalmente recuperado pela Secretaria de Cultura comandada por Robério Braga desde que eu me conheço 'por manauara'! Confesso também que os famosos passeios pela mata adentro não me fascinam, tão pouco as embarcações que levam centenas de pessoas todos os dias para ver o Encontro das Águas (não, não é pororoca seu ignorante, canso de repetir isso para meus incultos amigos nos bares do centro!).
Tenho um probleminha com a natureza que preciso resolver com algumas sessões de terapia mas que por enquanto estou levando numa boa. Carrego dezenas de fotos dos meus companheiros da ópera que visitam esses lugares e faço delas a minha história daqueles lugares que nunca estive.

Para encerrar ilustro em 'três lições' coisas que só aprendi aqui e que tenho certeza você nem desconfiava!

O calçamento do Largo S.Sebastião (com o Monumento da Abertura dos Portos) em frente ao teatro não é um 'ataque de carioquice' como eu imaginava! Levei um baita susto ao saber que primeiro o calçadão foi projetado para representar o Encontro das Águas e só depois foi 'vendido' para o Rio de Janeiro daí o resto é história. Mas que é verdade isso é!

Aprenda de uma vez por todas, o Encontro das Águas é a união das águas barrentas do Rio Solimões com o Rio Negro formando o Rio Amazonas. Já o fenômeno da Pororoca é o encontro das águas do oceano Atlântico com os rios da Bacia Amazônica. No Amapá acontece o mais famoso fenômeno mas quando estive no ano passado em Belém soube que havia até um "Campeonato de Surf na Pororoca"! E aí, vai encarar?

Quem modernizou a cidade e a transformou na "Paris dos trópicos" foi Eduardo Ribeiro, mulato maranhense 'por acaso', filho de ex-escravos, que fez toda a sua carreira política em Manaus, ele foi o 'J.K.' da época, priorizando a construção do Teatro Amazonas e do Palácio da Justiça (que fica atrás do Teatro) fez uma verdadeira revolução urbanística dotando a cidade com um sistema viário moderno e inaugurando o primeiro bonde elétrico do País! Gente do mundo inteiro vinha para 'construir' a cidade, que nadava em dinheiro graças a época de ouro da Borracha, arquitetos, engenheiros e a elite local mandava lavar suas roupas em Paris e desfilavam suas riquezas em excursões pelas matas e rios.

Eduardo Ribeiro morreu aos 38 anos quando já não era mais governador (perdeu a cadeira no Senado em uma trama mal explicada e foi eleito Deputado Federal) mas ainda atiçava os inimigos políticos com sua fama de empreendedor (e perdulário também para muitos, como J.K.). Sua morte ainda é lenda (J.K. again!), uns dizem que se enforcou já que foi encontrado com marcas no pescoço, outros que foi assassinado com um charuto envenenado (outras versões falam de um copo de leite com ervas fatais!) por membros de uma família muito poderosa que tinha seus interesses abalados pela engenhosidade do jovem mulato.

27 de mar de 2008

Faça o que quiser, mas...

Cartaz da campanha no melhor estilo "Beleza Americana", tentador e provocativo! Vai encarar?

Foi lançado nesta terça feira a campanha do Ministério da Saúde para conter o avanço dos casos de AIDS entre a moçada homo, bi e travesti dos 20 aos 30 anos. Bravo!
Segundo dados do Ministério houve um aumento de casos desta turma em 17% da faixa dos 13 (!) aos 24 anos e de 11% dos 25 aos 29. Já entre os mais 'maduros', que estão entre 30 e 39, houve uma pequena queda entre os 30% que contraíram a doença em 1996 para 28% em 2006.

Ótimo para o Brasil com campanhas e tratamento pioneiro nesta área, quanto mais esse trabalho for realizado melhor para a população. Conheço várias pessoas que acham que com a chegada do 'coquetel' veio também a irresponsabilidade nas relações. O resultado está aí para ninguém duvidar, a taxa de contaminação da população homossexual brasileira é 11 vezes maior que na população geral! O nome da campanha é "Faça o que quiser, mas faça com camisinha", por mim acrescentaria uma vírgula depois de camisinha e completaria com RESPONSABILIDADE, AMOR...

21 de mar de 2008

Sintonia fina!

BAFO DO NORTE

Nesta quinta feira pela tarde Roger Waters partiu deixando uma sensação linda de que estamos no caminho certo para a estréia de sua ópera "Ça Ira"!

Conseguiu um ensaio extra e exclusivo do maestro Luiz Fernando Malheiro com os percussionistas da Filarmônica do Amazonas, já que para ele era imprescindível ouvir e orientar os músicos sobre o 'beat' da cena "Silver, Sugar, Indigo", última cena do II Ato.
No ensaio de quarta se emocionou, vendo pela primeira vez a cena do circo da forma que imaginava, antes disso visitou a Central Técnica para ver a construção dos cenários e figurinos, neste momento aliás aconteceu algo lindo, ao contrário de alguns que se aproximavam pedindo fotos e autógrafos (no que ele concedia com a MAIOR paciência zen do planeta!) ele fez questão de chamar todas as costureiras, técnicos e pintores para uma foto de recordação!
Ao chegar no hotel foi literalmente às lágrimas, me disse, e que tudo o que queria na vida era ter um pouco mais de tempo para curtir esses momentos de criação!

O que mais eu podia dizer ao ver aquele homenzarrão me beijando e me abraçando feliz esquecendo-se de que é um autêntico 'Sir' inglês!!!! O quê você faria no meu lugar vendo o seu ídolo da adolescência te bajulando e te elogiando sem parar?
Ele foi extremamente elegante comigo ao me citar na entrevista concedida para o "Estadão" desta terça (18), dizendo:
- "... tenho conversado muito com o diretor, Caetano Vilela, e temos trabalhado em sintonia. Sinto entusiasmo e criatividade da parte do elenco brasileiro."

Pelo menos ninguém diz agora que eu sou louco e mentiroso! Hehehehehe
Divido com vocês 45 segundos do ensaio de 1h30 que ele realizou com os músicos da orquestra. Enjoy!

video

TEATRO

Então, começou o Festival de TEATRO de Curitiba (fiz questão de destacar 'teatro' já que algum gênio do marketing resolveu excluir a ARTE do nome original do Festival!), e já estão esgotados alguns ingressos para os primeiros espetáculos.
Participei da primeira edição do Festival com "O Cobrador" da Cia de Teatro em Quadrinhos, dirigido por Beth Lopes, voltei outras vezes com "Abajur Lilás" e "A Última Viagem de Borges", ambos dirigidos por Sérgio Ferrara, dirigi "Apenas um Saxofone" com Anette Naiman no Fringe e enquanto estive na Cia. de Ópera Seca participei com dois espetáculos: "Tragédia Rave" e o sucesso de "Ventriloquist"! Claro que teve toda uma polêmica em torno do Gerald Thomas e o já famoso processo que ele se enrolou até bem pouco tempo atrás envolvendo um tal hotel, mas isso é outra história...

Para exorcizar a estréia da Ópera do Arame anos atrás em que literalmente teve seu cenário de "A Vida é Sonho" inundado, Gabriel Vilella volta com o excelente "Salmo 91" e como um pedido de desculpas, Gerald volta com uma nova produção da Cia. em "Queen Liar", doloroso tributo à mãe recentemente falecida.

Fora dos grandes nomes e associando-se aos pilares 'experimentais' Grotowski e Artaud está o trabalho sério de Antonio Mello (acima) de Belo Horizonte com o seu T.E.A.T.R.O.C.O.N.T.E.M.P.O.R.Â.N.E.O apresentando "Gênese Ordinária" no Mini Guaíra nos dias 26, 27, 29 e 30.

São centenas de espetáculos e o agito da cidade é único nesta época de festival, então baby, faça as malas e preste um tributo a grande ARTE!

20 de mar de 2008

Sim, ELE esteve entre nós!

BAFO DO NORTE

Amigos, os dois últimos dias foram realmente muito excitantes! Escondemos até onde deu a presença de Roger Waters em nossos ensaios de "Ça Ira", que foram maravilhosamente bem realizados.
Ele modificou algumas coisas na partitura, fez centenas de observações sobre o espetáculo e dezenas de dicas sobre a cena.
Aliás, falando da encenação ele não se fez de rogado e dirigiu junto comigo uma cena do segundo ato da ópera em que o Rei Luis escreve uma carta, deu 'palhinha' cantando e tudo!
Conto mais depois que a adrenalina abaixar, prometo! Preciso descansar agora, já que amanhã o dia será longo
Beijos

...

P.S.: Como prometi desobedeci a minha agente e encurralei o 'homem' num canto (depois de um pato no tucupi, caipirinhas, tucunaré grelhado e outros quitutes manauaras!) sacando minha caneta prateada (thank's Ju) e o meu vinil original eis que volto para São Paulo com essa pérola carinhosa para matá-los de inveja, sorry!

16 de mar de 2008

Puta que pariu!!!!

Não tive tempo de comentar sobre a renúncia do governador de New York, Eliot Spitzer (ao lado), assolado por envolvimento com uma rede profissionalíssima de prostituição de luxo!
Democrata, ele mancha também a candidatura de Hillary e a faz lembrar dos terríveis dias em que, enquanto aguardava seu marido em casa, ele 'charutava' a estagiária na própria Casa Branca!

Tudo fica mais saboroso ainda quando sabemos que Spitzer é daqueles homens 'de bem' e valoriza muito a "Tradição, Família e Propriedade" do 'american way of life'. Não é o primeiro e não será o último devasso da América.
Apenas para igualarmos o 'jogo dos prazeres proibidos' lembro que fiquei ligeiramente ruborizado quando soube no ano passado que o senador Republicano, Larry Craig 'fez um banheirão', no melhor estilo George Michael, em um policial disfarçado num aeroporto.
Resultado, teve que renunciar ao Senado e se desculpar perante os eleitores e sua mulher (!!!), que também como a Senhora Spitzer, o apoiou. Detalhe, Craig é beeeeeemm conservador e impunha resistência aos debates sobre união de pessoas do mesmo sexo.

Até aí tudo bem né, ainda mais lembrando que os EUA tinham como chefe do FBI a bichona terrível do Edgard Hoover que fazia festas de dar inveja aos astros de hollywood e ainda recebia seus convidados travestido de mulher (feia, diga-se) e cercado pelos boys mais gostosos do pedaço! Waaaal!!!!

...

Terminei de ler no mês passado "A Mulher do Próximo" do escritor e jornalista Gay Talese.
Talese, embora odeie o termo, é o pilar do 'new journalism' e autor do também excelente "O Reino e o Poder", sobre a sua relação com a imprensa e a vivência dos seus 12 anos no NYTimes.

"A Mulher do Próximo" fala sobre a sexualidade americana dos anos 50 até o final dos 70 e consumiu quase 10 anos de pesquisa, envolvendo pessoas reais (inclusive o próprio Talese) desdobra o puritanismo americano como impulso para uma indústria de pornografia que começa meio que 'naïf' até chegar na "Playboy", passando por comunidades de sexo livre, troca de casais e a promiscuidade nas casas de massagem.
O livro foi lançado em 1980, ano em que a AIDS já dominava a imprensa como 'praga gay', "A Mulher do Próximo" tornou-se praticamente um prólogo comportamental de uma nova vida sexual, talvez estejamos no capítulo 1 ou 2 de uma nova era a ser escrita.

Lendo Talese fica mais fácil entender sem se chocar com o 'deslize' de Spitzer e dos próximos que virão. Para nós, brasileiros, que já somos promíscuos desde a descoberta do pau-brasil é interessante descobrir como é perigosa a relação entre o que é público e privado, coisa que aliás também desconhecemos.
...

Se Joga:
"A Mulher do Próximo"/Gay Talese
Cia. das Letras/484 pág.

Domingão!

Na alegria...

Hamilton vence o I GP na Austrália, excelente começo de temporada, que espero não termine como o decepcionante final no ano passado. Bom, e espero que o inglês faça história.

... e na tristeza.

É amigos, meu tricolor esverdeou feio mesmo, eu sei!!! Os 4 x 1 dos palmeirenses acende a luz vermelha para Muricy Ramalho dar um jeito no time que até agora não mostra qual campeonato está priorizando e pior, podemos passar este ano sem o luzidio ofuscar de nenhuma taça!

13 de mar de 2008

"...verás que um filho teu não foge à luta..."

BAFO DO NORTE

Sinto muito a ausência, tenho muito pra contar, comentar, criticar, gritar, desabafar...
Durmo, por enquanto, apenas 5 horas depois de um dia deliciosamente exaustivo e criativo!
Hotel-Teatro, Teatro-Hotel em longas viagens abafadas neste "inverno" amazônico, chove com hora marcada e não sinto o tempo passar.
Na semana que vem ficará 'pior', somo mais uma ópera para trabalhar e daí os ensaios serão em três períodos com montagens técnicas simultâneas!
Juro que contarei tudo (ou quase!).
Beijos

8 de mar de 2008

"...a cada hora que passa envelhecemos dez semanas..."

Neste mês de março Renato Russo faria 48 anos (dia 27) mas nem é por isso que eu estou escrevendo, é que acabei de ouvir acho que umas três vezes (deixei tocando enquanto trabalhava) o álbum "V", o meu preferido do "Legião Urbana".
Lançado em 1991, com musicas 'difíceis' e sombrias como "Metal Contra Nuvens" e uma canção que muito me fez chorar pelo amor partido "Vento no Litoral", só em escrever seu título eu já fico marejado e 'vem tudo'!
Esse disco é como um livro bom que a cada vez que você relê amplia o entendimento da obra, saca (ou como se diz hoje 'tá ligado')?

No auge dos meus 23 anos (lançamento do disco!) podia não entender sobre a depressão envolta na figura do Renato com aquelas letras metafóricas em melodias simplistas, mas havia algo que em qualquer idade qualquer um podia se 'conectar', era a transbordante 'Melancolia' que ele carregava.
E isso não se explica, nem lendo Fernando Pessoa, basta viver baby!
...

Sempre precisei
De um pouco de atenção.
Acho que não sei quem sou,
Só sei do que não gosto.
Nesses dias tão estranhos,
Fica a poeira se escondendo pelos cantos.

Esse é o nosso mundo...
O que é demais nunca é o bastante...
A primeira vez,
Sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos.
Os assassinos estão livres,
Nós não estamos.

Vamos sair,
Mas não temos mais dinheiro...
Os meus amigos todos estão
Procurando emprego.
Voltamos a viver,
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas...
Vamos lá, tudo bem...
Eu só quero me divertir!
Esquecer desta noite,
Ter um lugar legal pra ir!
Já entregamos o alvo e a artilharia,
Comparamos nossas vidas,
Esperamos que um dia nossas vidas possam se encontrar...

Quando me vi tendo de viver
Comigo apenas e com o mundo,
Você me veio como um sonho bom
E me assustei...
Não sou perfeito,
Eu não esqueço...
A riqueza que nós temos,
Ninguém consegue perceber.
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito,
Tive medo e não consegui dormir...
Vamos sair,
Mas não temos mais dinheiro...
Os meus amigos todos estão
Procurando emprego.
Voltamos a viver,
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas...
Vamos lá, tudo bem...
Eu só quero me divertir!
Esquecer desta noite,
Ter um lugar legal pra ir!
Já entregamos o alvo e a artilharia,
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim,
Não tenho pena de ninguém...


"O Teatro dos Vampiros"/Legião Urbana

7 de mar de 2008

"Gato Preto"!

Anika Noni Rose e Terrence Howard quentíssimos numa inédita superprodução Afro-Americana da peça teatral de Tennessee Williams "Cat on a Hot Tin Roof/Gata em Teto de Zinco Quente"

Liz Taylor e Paul Newman imortalizaram esses personagens para o cinema nos anos 50 enquanto que recentemente a Broadway teve versões para o papel de "Maggie" com Kathleen Turner e Ashley Judd.
Agora esta é a primeira produção Afro-Americana (orçada em U$3.8 milhões de dólares!) aprovada pelos detentores dos direitos de Tennessee Williams, e que elenco! Terrence Howard você já conhece de dezenas de filmes ótimos, desde o 'oscarizado' "Crash" até o pouco visto e excelente "Hustle & Flow/Ritmo de um Sonho", com o qual foi indicado ao Oscar como melhor ator.

Williams aprovaria a escolha de Howard para este debut na Broadway vivendo o 'tijolo' "Brick", alcoólatra, ex-astro de futebol americano e provavelmente gay (dependendo das montagens esse aspecto é mais explícito pelo diretor!) que vive um casamento infernal com a 'gata' "Maggie" (Anika Noni Rose) e é o filho preferido de "Harvey" (o tonitruante James Earl Jones) um ricaço que comemora seu aniversário com uma festona e ignora que está com um câncer fatal!
Agora esse 'aspecto' racial da montagem torna o texto muito mais cáustico e atual, já que muda a 'elite' e universaliza os problemas. A direção é da também conhecida Coreógrafa Debbie Allen.

'Tour de force' entre pai e filho. Earl Jones e Howard, bem acompanhado em sua estréia na Broadway
...

Se Joga:
Se você puder assista e me conta como foi, se não leia aqui e saiba mais.
Mais barato é o dvd ou se você gosta de ir direto na fonte, leia a peça que é fantástica.

6 de mar de 2008

"Simples, honesto e humilde"!

A Uol abriu "eleições" para o Mister Brasil Mundo 2008 com inacreditáveis representantes de todos os estados brasileiros! Já peguei meu título e fiz valer a minha cidadania agora é a sua vez, vote aqui no seu candidato!

Por enquanto está assim, meio que empatado entre...

... o paulista Luciano Stranghetti, 19 anos em 1,87m, campeão brasileiro de hipismo em 2006, tá! E...

... o poderoso Thor Gomes Schmidt, 22 anos em 1,88m, estudante de medicina que representa Santa Catarina.

Agora o meeeeeeeu candidato mesmo é...

... Marlon de Gregory de Caxias do Sul (RS), com seus 22 anos em 1,83m. Segundo sua própria definição um cara "simples, honesto e humilde"! Aaaaaiiiiii que foooooooofo!!!!
Agora vem cá, esse nome?!

Brilhante!

Nada como o tempo, não é mesmo? Sim, eu sei que "estavamos" jogando de forma confusa, também não estou entendendo a cabeça 'do professor', mas o que os poucos tricolores que foram prestigiar esta estréia na Libertadores puderam ver foi a justíssima 'redenção' (pelo menos desta semana) do "Imperador"!
'Amarelou' todos que o marcavam, 'caçou' jogadas e pode-se dizer agora, sem medo de errar o adjetivo, que ele BRILHOU e salvou o time com seus dois gols no "São Paulo 2 x 1 Audax".
...

P.S.: Mais uma vez, esqueçam o que a "Folha" publica hoje sobre a cobertura do jogo. Acho que Márvio dos Anjos poderia definitivamente mudar o foco de 'suas teses', foi no mínimo deselegante. E, sim, estou falando isso porque sou sãopaulino e não tenho isenção emocional para ler de outra forma. Achei agressivo da primeira a última linha!

4 de mar de 2008

"...outras revoluções francesas"

Deixei no post abaixo o link para a reportagem da "Folha" de hoje sobre "Ça Ira" que dirigirei para o "XII FAO", agora copio o box, também da matéria mas que está disponível apenas para assinantes.

Ópera é "pop sinfônico" orquestrado

IRINEU FRANCO PERPETUO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Com três atos, 14 cenas e cerca de duas horas, "Ça Ira" conta os fatos da Revolução Francesa em um circo. A ópera mistura personagens falados e cantados, e a música (com citações da "Marselhesa" e da canção revolucionária que dá título à ópera) parece a de musicais da Broadway, soando como um "pop sinfônico" orquestrado.
Contando com cantores emergentes, como a soprano Carmen Monarcha e o barítono Leonardo Neiva, "Ça Ira" terá récitas em 15, 22 e 24 de abril, com direção cênica de Caetano Vilela, cuja concepção inclui menções às outras "revoluções francesas" (como o maio de 1968 e os recentes conflitos na periferia parisiense).
A regência é de Luiz Fernando Malheiro, diretor artístico do festival, que chegou ao título por sugestão da produtora Lika Geribello. "A obra é algo diferenciado dentro do trabalho de Waters; não tem nada a ver com rock", diz ele.
"Na estréia, em Roma, havia fãs do Pink Floyd. De certa forma, eles se conectaram à obra, mas questionavam: "O que é isso?". Dos fãs, haverá quem goste de "Ça Ira", mas não a maioria", diz Roger Waters.

"Mucho exciting"!!!

Como não posso divulgar nenhum trabalho que faço antes que, oficialmente, meus contratantes o façam, agora já não tenho como esconder a minha participação na direção e iluminação da ópera "Ça Ira" de Roger Waters com regência do maestro Luiz Fernando Malheiro para o XII Festival Amazonas de Ópera.
Chamada de capa na "Folha" de hoje para capa da "Ilustrada", Irineu Franco Perpetuo entrevistou Waters, que disse estar "arrepiado só de me imaginar trabalhando na Amazônia".
Arrepiado estou eu! Como você pode ler aqui parte da matéria intitulada "Pink Floyd na Amazônia", te conto logo abaixo coisas que não saíram no jornal.

Maestro Luiz Fernando Malheiro, Roger Waters e Maestro Rick Wenworth, debruçam-se sobre a partitura de "Ça Ira" num encontro em NY no mês passado.

Quando o maestro Malheiro voltou de NY, depois de um encontro com Waters e me disse que ele não tinha preocupação nenhuma com a competência musical e lamentava não ter podido me conhecer para saber mais sobre a concepção cênica, eu quase caí de quatro!
Com o meu e-mail em mãos, Waters no dia seguinte do encontro, me escreveu antes mesmo do maestro para me contar que a reunião tinha sido ótima e que pena que eu não estava lá, emendou falando de sua ansiedade e me mandou o seu telefone 'private' de sua residência para "any questions at anytime"!
Que óbvio eu até hoje não liguei, estamos num troca-troca de e-mails agradabilíssimo, principalmente depois que eu enviei as fotos da maquete do cenário para o projeto, que você pode conferir aqui no meu flicker, já que as fotos que ilustram a matéria são de uma milionária produção ao ar livre na Polônia e, claro, tenho uma concepção totalmente diferente!

Eu e Chris Aizner, meu cenógrafo, em mais uma parceria operística, preparando a maquete para as fotos de "Ça Ira"!

Ao ver as fotos, ele me escreveu de volta:
- "Hola Caetano, the sets look wonderful. Very exciting."
E ao fim das explicações cênicas, voltou com um:
- "Got them!! Mucho exciting."

Amei seu 'esforço' com os "hola" e "mucho" e passei a ignorar as regras básicas do bom inglês, para duas pessoas que 'formalmente' não se conhecem, e em resposta ao seus tradicionais "best whishes" tasquei ao final dos textos um bem brasileiro "kisses dearest"! hahahahaha

Por enquanto meu único ataque de fã, já que estou proibido pela minha agente em ter qualquer tipo de 'xilique' quando o ver em Manaus agora dia 17.
Mal sabe ela, e eu posso dizer, já que agentes têm muito mais o que fazer do que ficar lendo Blogs, que de toda a discografia que tenho do Pink Floyd escolhi o vinil de "Dark Side of the Moon" para receber um autógrafo escondido.

3 de mar de 2008

Brilho e 'pó-de-arroz'

Leio vários jornais todos os dias e adoro quando encontro opiniões diferentes sobre o mesmo assunto. Manchetes do caderno de esportes dos dois principais jornais de São Paulo já me satisfizeram apenas numa passada de olhos:
"Estadão": "O brilho do São Paulo em Mirassol", por Giuliano Villa Nova
"Folha": "Sem brilho, São Paulo revê o G4", pelo também roqueiro Márvio dos Anjos

Tirando a 'opinião' dos jornalistas quanto ao jogo de ontem, Mirassol 1 x 2 São Paulo, talvez a manchete sobre a falta ou excesso de brilho do time tricolor tenha partido de uma declaração de Rogério Ceni ao final da partida, e que o "Estadão" publicou:
- "Não foi uma exibição brilhante, mas tivemos nossos méritos e conseguimos voltar às primeiras posições".

Giuliano, então, destaca esses "méritos" como o bom desempenho de Jorge Wagner com um golaço e não fica 'pegando no pé do 'Imperador' pela chance perdida.
Já Márvio, além de não dar a declaração do capitão sãopaulino (vai ver não estava presente, sei lá!), relembra os últimos atos de indisciplina do 'Imperador' no corpo da matéria e em subtítulos e preferiu destacar o desempenho e o gol de Borges. Linhas e entrelinhas seguem aquele 'padrão Folha de pseudo-polemizar'.

...

Pra mim foi o seguinte:
O São Paulo passou um sufoco no primeiro tempo, Rogério Ceni salvou o time pelo menos três vezes, Adriano marcadíssimo perdeu uma ótima chance de golear (Hernanes poderia dar uma 'forcinha' para o 'Imperador'!).
Borges e Jorge Wagner brilharam, assim como brilhou também o 'encapetado' Xuxa, do time adversário.
Um ótimo 'teste' para Muricy pensar a "Libertadores" desta semana, mas levemos em consideração a falta que fez Richarlyson e Fabio Santos, ambos suspensos nos jogos deste domingo.

Tenebroso!

O cineasta canadense Denys Arcand finalmente conseguiu entrar para a minha lista "Vou ver se eu perco". Parabéns, um a menos para eu me preocupar com a carreira!

O que dizer do novo filme de Denys Arcand além de RUIM DE DOER?!
Críticos mais pedantes despejam teses e teses sobre esse 'fim da trilogia' iniciado há 22 com o belíssimo "O Declínio do Império Americano" e o inferior mas 'oscarizado' "Invasões Bárbaras".
Falam sobre o 'vazio' e a 'incomunicabilidade' como se estivessemos diante de um mestre na 'nouvelle vague' perdido em Quebec!

Pois Arcand ignorou regras básicas da dramaturgia universal em "A Era da Inocência" (título brasileiro equivocado para o mais profético "L'Âge des Ténébres") querendo falar de tudo o que nos opõe ao mundo moderno, destilando ironia, sarcasmo, fantasia, crítica e nonsense num mesmo enredo frágil e num português bem claro consegue apenas ser PSEUDO E CHATÍSSIMO!

Você, que assistiu a "O Declínio..." vai achar que o diretor passa por algum problema de insanidade mental! Se a decepção com "Invasões..." já era um mal sinal agora tenho certeza que Denys Arcand poderá entrar triunfalmente para a lista dos meus diretores "VOU VER SE EU PERCO".
Estará 'bem' acompanhado de outros 'mestres em acabar com a paciência alheia' como Manoel de Oliveira, Amos Gitai, Abbas Kiarostami, alguns chineses impronunciáveis e é melhor eu parar por aqui para não perder o sono e a paciência, hehehehe.

O que Arcand tem a dizer já disse de forma sublime em "O Declínio do Império Americano", que continua atualíssimo, então vá a locadora e assista.
O resto é silêncio!

2 de mar de 2008

C'est la guerre 2

O filme “Jogos do Poder” terá o mesmo fim que “Leões e Cordeiros”, que já falei aqui, ou seja, um retumbante fracasso de bilheteria. Pelo menos “Jogos...” teve uma indicação ao Oscar para Philip Seymour Hoffman (que perdeu com louvor!) enquanto “Leões...” foi ignorado solenemente pela Academia, lamento apenas por Tom Cruise.

Os dois filmes trazem no trinômio ‘Afeganistão-EUA-Guerra’ o ‘leit motiv’ para entender o que aconteceu pré e pós 11/09 e qual o reflexo das decisões nos gabinetes políticos para com os Países envolvidos.
Sem contar que você vai 'pular' literalmente uns quatro capítulos de "A Grande Guerra da Civilização" do Robert Fisk que eu vivo citando por aqui.

Ambos os filmes são verborrágicos e ‘difíceis’ já que o tema é complexo e exige uma certa ‘intimidade’ com a cronologia dos conflitos do Oriente Médio. Por isso pense três vezes antes de fazer um ‘programa’ com a namorada ‘paty’ (que vai por causa de Hanks) ou o namorado ‘quaquá’ (Julia Roberts, off course!), eles detestarão a falta de ‘charme’ da sessão!

O mais surpreendente em “Jogos...” (não, não levarei em conta o nu ‘costal’ de Tom Hanks) é que ele é dirigido pelo mediano septuagenário Mike Nichols que nunca tinha mostrado um filme com uma discussão tão profunda; ao contrário de Paul Haggis de “Leões...” que já tinha demonstrado ‘intimidade’ com temas menos casuais como nos ‘haicais’ de “Crash”.
Nichols dirigiu o excelente “Closer”, que diga-se tem o mérito de ter uma ótima dramaturgia teatral por trás, mas sempre se saiu bem em produções mais ‘caseiras’ como “A Gaiola das Loucas” ou “Uma Secretaria do Futuro”.
Destas experiências pode-se notar um certo humor que ele tira das entrelinhas do texto e em marcações de cena tipicamente ‘teatral’ tornando um pouco mais palatável um tema tão espinhoso com personagens tão ricos.

Assista, mas vá sozinho(a) pra ninguém te encher o saco durante ou depois da sessão!

1 de mar de 2008

Contagem regressiva

"Train Tracks". Copyright Paintings by Bob Dylan

"De qualquer viagem, ainda que pequena, regresso como de um sono cheio de sonhos - uma confusão tórpida, com as sensações coladas umas às outras, bêbado do que vi."
Fernando Pessoa (Livro do Desassossego)

Viajo agora, dia 09 e volto em junho!
Tenho duas semanas para transferir correspondências, agendar regadas de plantas, despedir dos amigos, ver todos os filmes que puder, cancelar serviços telefônicos, desativar celulares, ...
Uma rotina constante na minha vida desde que resolvi assumir minha carreira artística. Amador, vivia com os meus pais e a responsabilidade era bem menor, agora, profissional mudo como as estações do ano sem olhar para trás.

Quando eu trabalhava com o Gerald Thomas ele vivia reclamando dos hotéis e da solidão dos quartos mas sempre se adaptava muito bem em conseguir viver em três países simultaneamente (como até hoje!) sem sentir falta de um 'lar' ou objetos cotidianos. Acho essa capacidade incrível! Não sinto solidão, sinto a angústia solitária do 'processo de criação', isso sim é terrível e não há hotel no mundo que dê jeito.

Viver assim, de hotel em hotel sem sentir saudades de uma 'estrutura' é muito mais fácil quando não se tem família, ainda não consigo abdicar do meu 'lar', embora hoje eu seja bem menos apegado a pequenas coisas pessoais. Para qualquer ausência mais prolongada me bastam uma muda de roupas, minha 'dupla' IBook+IPod, o livro do mês e algumas fotos da família, o resto eu me adapto.

Aprendi por exemplo a não iniciar NENHUM namoro próximo de qualquer viagem mais longa! Talvez sinal de imaturidade emocional, mas isso é uma coisa que ainda não consegui resolver. Todas às vezes que agi de forma contrária me frustrei, não conseguia focar nem no trabalho e muito menos na relação.

Hummmm, que coisa não! Pena que já me dei alta da terapia há tempos, mas taí um 'assunto' a ser trabalhado, hehehehe