16 de mar de 2008

Puta que pariu!!!!

Não tive tempo de comentar sobre a renúncia do governador de New York, Eliot Spitzer (ao lado), assolado por envolvimento com uma rede profissionalíssima de prostituição de luxo!
Democrata, ele mancha também a candidatura de Hillary e a faz lembrar dos terríveis dias em que, enquanto aguardava seu marido em casa, ele 'charutava' a estagiária na própria Casa Branca!

Tudo fica mais saboroso ainda quando sabemos que Spitzer é daqueles homens 'de bem' e valoriza muito a "Tradição, Família e Propriedade" do 'american way of life'. Não é o primeiro e não será o último devasso da América.
Apenas para igualarmos o 'jogo dos prazeres proibidos' lembro que fiquei ligeiramente ruborizado quando soube no ano passado que o senador Republicano, Larry Craig 'fez um banheirão', no melhor estilo George Michael, em um policial disfarçado num aeroporto.
Resultado, teve que renunciar ao Senado e se desculpar perante os eleitores e sua mulher (!!!), que também como a Senhora Spitzer, o apoiou. Detalhe, Craig é beeeeeemm conservador e impunha resistência aos debates sobre união de pessoas do mesmo sexo.

Até aí tudo bem né, ainda mais lembrando que os EUA tinham como chefe do FBI a bichona terrível do Edgard Hoover que fazia festas de dar inveja aos astros de hollywood e ainda recebia seus convidados travestido de mulher (feia, diga-se) e cercado pelos boys mais gostosos do pedaço! Waaaal!!!!

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Terminei de ler no mês passado "A Mulher do Próximo" do escritor e jornalista Gay Talese.
Talese, embora odeie o termo, é o pilar do 'new journalism' e autor do também excelente "O Reino e o Poder", sobre a sua relação com a imprensa e a vivência dos seus 12 anos no NYTimes.

"A Mulher do Próximo" fala sobre a sexualidade americana dos anos 50 até o final dos 70 e consumiu quase 10 anos de pesquisa, envolvendo pessoas reais (inclusive o próprio Talese) desdobra o puritanismo americano como impulso para uma indústria de pornografia que começa meio que 'naïf' até chegar na "Playboy", passando por comunidades de sexo livre, troca de casais e a promiscuidade nas casas de massagem.
O livro foi lançado em 1980, ano em que a AIDS já dominava a imprensa como 'praga gay', "A Mulher do Próximo" tornou-se praticamente um prólogo comportamental de uma nova vida sexual, talvez estejamos no capítulo 1 ou 2 de uma nova era a ser escrita.

Lendo Talese fica mais fácil entender sem se chocar com o 'deslize' de Spitzer e dos próximos que virão. Para nós, brasileiros, que já somos promíscuos desde a descoberta do pau-brasil é interessante descobrir como é perigosa a relação entre o que é público e privado, coisa que aliás também desconhecemos.
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Se Joga:
"A Mulher do Próximo"/Gay Talese
Cia. das Letras/484 pág.

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