29 de abr de 2008

ManifestoSilêncio

"(...)Eu espero, com a paciência do tempo, amar um dia como eu amei nos que passaram. E chorar sobre a alguma canção que me faça entender pela primeira vez o que nunca teve explicação e me faça acreditar que, nesse único momento, eu sou o único a conhecer algum segredo que ninguém mais ousaria supor.
O rock morreu..."

Gostou veja o resto aqui!

28 de abr de 2008

Bola na 'trava'!!!

André Luis Ribeiro Albertino, aka Andréia Albertine, queria 50 mil (!) pra ficar calada e não fazer escândalo, acima com documento do carro do Fenômeno. Tá boa fía!

'Ma senti caro' que história é essa do ex-fenômeno Ronaldo envolvido com um monte de 'travas' num motel carioca?!
O 'sindicado' delas no Rio está bombando mesmo, em menos de um ano já ouvimos casos de outro jogador de futebol e uns atores globais na mesma situação, "cata-come-e-não-paga"!
E sempre esse papo dos 'bofes' de que queriam extravasar, achavam que eram mulheres, foram vítimas de golpe... hummm não cola mesmo, vi agora na tv e morri de vergonha pelo meu ídolo Ronaldo, primeiro porque a 'trava' é um castigo dos céus, segundo porque ele demonstra ser um completo amador e idiota em cair nessa!

Ou então devia 'tá muuuuuuiito lôôôco' mesmo!!!

27 de abr de 2008

1968: 'Gestalt' cinematográfica

Marcha em direção ao "Arco do Triunfo", Paris-68 conturbado ano político e cinematográfico

Hoje no "NYTimes" matéria "The Spirit of ' 68", sobre retrospectivas de filmes com o tema de "Maio-68". Godard em listagem obrigatória no "Film Forum", até junho, com destaque também para "Glauber Rocha, the father of Latin American cinema novo, in Brazil", Bertolucci, Truffaut no Lincoln Center até 14 de maio.

Espero que a Mostra de Cinema de S.Paulo, que acontece no agitado mês de outubro na cidade, pegue carona nesta efeméride e cubra o vácuo deixado pela extinção dos cineclubes da cidade.
Saudades do tempo que via e revia estes 'cineastas de formação' no antigo "Cineclube Bixiga", "Oscarito", "Bijou", "Elétrico" e na antiga "Livraria Belas Artes".

...

Se joga:
Se você não pretende ir para NY por estes dias aluga algum filme destes ícones e aproveita para por a leitura em dia comprando o 'novo' Zuenir Ventura, "1968: O que fizemos de nós", Editora Planeta do Brasil/2008, continuação do 'mais vendido' "1968: O Ano que não terminou", 'new journalism' à brasileira.

'Ariadne' entre amigos

Última récita de "Ariadne auf Naxos" espetáculo que me deu imenso prazer em dirigir (ainda mais sabendo que levarei para o Municipal de S.Paulo em agosto) revezando com "Ça Ira", uma loucura que não imaginava ser capaz, ensaiar dois espetáculos enormes simultaneamente com linguagem e estética tão diferentes. Mas deu certo!
Os críticos de um modo geral aprovaram, o público amou e eu estou muito feliz!

Mais uma vez uma parceria de sucesso com meu amigo e mentor o maestro Luiz Fernando Malheiro, também mais uma vez pude contar com meus amigos e cenógrafos Renato Theobaldo e Roberto Rolnik (Ariadne), Chris Aizner (Ça Ira) e também meu amigo figurinista multi-atarefado nas duas produções Olintho Malaquias, essas pessoas me ajudaram a dar "a cara" destes espetáculos e me suportaram nos momentos de crise. Obrigado queridos.

Também outra vez tive Celine Imbert sob os meus cuidados, o que é sempre um imenso prazer, mas o que foi o meu xodó mesmo foi essa trupe rock'n roll de primeira, que não ficou devendo em nada ao "Kiss" original, hehehehehe:

Leonardo Pace/Paul Stanley/Arlequim (enganando sua verdadeira persona com a língua) a primeira vez a gente nunca esquece! E família talentosa cresce unida e feliz, já faz parte da nossa 'panela'.

Flávio Leite/Gene Simmons/Brigella (sem respirar 'invadido' por seis mãos) que já havia dirigido em "La Cenerentola"/Theatro da Paz-Belém, prova o camaleão que é no palco nunca se recusando a realizar nenhuma loucura minha, 'bem capaz' que ele se recusaria tche!

Thiago Soares/Tommy Thayer/Scaramuccio (meu 'adolescente' emo preferido) também foi a primeira vez que dirijo esse disciplinado galã lírico, devo confessar que é o único que ouve as mesmas 'bagulheiras' que eu em momentos off.

Lucas Debevec-Mayer/Eric Singer/Truffaldim (o único que 'apostou' no próprio cabelón) depois da sua participação 'sombria' na minha "Lady..." do ano passado, esse doce de argentino prova mais uma vez que podemos, sim, sermos 'hermanos'.

26 de abr de 2008

'Camp' Ópera!

O XII FAO teve continuidade com uma inusitada sessão maldita (meia noite!) no Teatro da Instalação no centro de Manaus (região habitada à noite pelas 'primas-de-vida-fácil'), sessão esta que já havia sido cancelada na semana passada por indisposição das duas divas convidadas e que nem a tempestade que desabou na cidade foi capaz de cancelar novamente.

Na falta dos críticos (que estavam preparados para a semana passada) faço então o papel deles apenas para relatar o que com certeza fará parte de outras edições deste já conceituado Festival, e vamos combinar que um pouco de irreverência não faz mal a nenhuma instituição.
Assim sendo foi com grande pompa que o FAO recebeu as divas Gerardine Savana e Jovanka Milika!

Montado com doze números e um intervalo o show foi comandado pelos "labeque" Marcelo de Jesus (num visual 'sad-college' com direito a suspensórios vermelhos (!) numa base polo preta) e Franco Bueno ('neo-skinhead' lembrando um integrante de alguma banda 'brit pop') tocando a quatro mãos "Edelweiss", tema para descortinar o cenário que tinha o palco coberto por pétalas vermelhas, uma 'chaise long' néo-clássica, mesa e poltrona francesas cedidas pela "Maison Manon" e um telão de uma bucólica e silvestre paisagem perdida no tempo em que a velha Europa ainda respirava glamour.

Savana e Milika se revesaram em árias (e num momento "Irma Vap", também em figurinos e perucas), alternando aguardados duetos do quilate de "Lakmé", aliás aplaudido com urros de excitação e logicamente bisado no final.
Os 'amantes-entendidos' que estavam extasiados, roucos e com dores abdominais de tanto rir falavam no intervalo que era incrível a quantidade de "MIs" e "LAs" que a franco belga Gerardine Savana dominava e que só por isso já valia o maior cachê pago pelo Festival, notavam também tooooooooda a referência de váááárias escolas austro-húngaras e a influência que Jovanka Milika ainda exerce na nova geração e em boa parte dos cantores convidados deste ano.

Ignorando os 'amantes-entendidos' destaco dois momentos como ápice do mais puro 'grand guignol' erudito que já pude presenciar:
- A interpretação de Savanka (de crucifixo em punho!) em "Pace, Pace", que para muitos lembrava a 'região escura e pouco habitada' da voz de Leontine Price mas que para mim era nitidamente uma encarnação vocal da nossa diva dos 'bosques vienenses' Eliane Coelho!
- Outro momento foi a "Marcha Triunfal" de "Aida", que antes do famoso dueto Aída/Amneris, Jovanka Milika nos mostrou tudo o que aprendeu da técnica "Gesamtkunstwerk" e deslizando com suas meias 'gris' de puro algodão apresentou a coreografia DEFINITIVA que com certeza será copiada por coreógrafos de todas as boites da noite manauara!

E como eu tenho acesso livre a qualquer coisa que acontece por aqui mostro em primeira mão o click nervoso que eu, FÃ, tirei do camarim minutos antes das nossas musas pisarem no palco!

A Franco-Belga Gerardine Savana (aka Geilson Santos) com o seu primeiro modelito da noite, pronta para ária "Je veux vivre" de Romeu e Julieta, interpretanto, claro, Julieta!

Jovanka Milinka (aka Caio Ferraz), contralto coloratura ex aluna da professora Uiva von Wolff, em excelente domínio corporal nos surpreendeu com a ária de Rosina "Una voce poco fa" do "Barbeiro de Sevilha"

...

P.S.: Amores, foi um delícia 'Camp' essa brincadeira que lotou meia casa no Teatro da Instalação (culpa do chuvaréu, claro!) enchendo de irreverência e apoplexia a programação do FAO. Aguardem os próximos anos, hahahahahah

25 de abr de 2008

'I do my best'

A morte de Maria Antonieta (Gabriella Pace) vista de um ângulo diferente, by Arthur Grolimund

Queridos o encerramento do espetáculo "Ça Ira" foi maravilhosamente perfeito! Pena Roger Waters e Rick Wentworth não estarem presentes, porque foi melhor do que na estréia. Tudo funcionou exatamente como eu imaginei, técnica, elenco e orquestra estavam em absoluta sintonia e para minha surpresa TODOS os efeitos de som (que Waters tanto trabalhou antes da estréia e viu falhar!) foram executados.
Mais uma vez digo que para quem trabalha com teatro tanto é comum "maldições" de segunda récita quanto "perfeições" da última, e devo confessar que perdi a conta de quantas vezes ouvi: "ah, agora que estava lindo acabou e não apresentaremos mais!"

Pois é, acabou. Mas espero voltar, já que tanto eu quanto a minha equipe nos dedicamos tanto para que "Ça Ira" fosse um espetáculo lúdico e bem realizado.
Todas as críticas publicadas e faladas foram unanimes em afirmar a plasticidade e beleza do meu trabalho e da minha equipe, nem todas apreciaram a composição e a música de Roger Waters, e como previu Sérgio Martins na "Veja" os fãs do "Pink Floyd" realmente foram ao delírio com essa experiência 'lírica' já os fãs de ópera...

Talvez se não fosse chamada de ópera e sim de uma 'ópera-musical', talvez se Waters tivesse um dramaturgo que o auxiliasse no libreto, talvez se houvesse outros conflitos na história, talvez...
Claro que eu não tenho 'distanciamento' para uma crítica mais aprofundada, embora saiba exatamente o que poderia ser diferente, levo apenas em consideração que "Ça Ira" foi a sua primeira experiência neste meio e que em nenhum momento eu presenciei na figura de Waters a arrogância de quem sabe ou tem certeza de tudo, muito ao contrário, vi um homem sério, perfeccionista, com medos e inseguranças de um artista que ouve o próximo e não se deixa iludir com elogios fáceis.

"Ça Ira" pode não ser uma obra perfeita, e não é, mas foi fruto de uma parceria e amizade (Etienne e Nadine Roda-Gil) que levou anos de trabalho e a dedicação de um homem (Waters) que não precisa provar absolutamente nada a ninguém.

Mais uma vez a minha gratidão a um novo amigo e como eu disse a ele desde a primeira vez:
- "I do my best"

23 de abr de 2008

Outra Opinião

O Blog "OutraMúsica" de Leonardo Martinelli agora fala sobre "Ça Ira", adianto que ele não foi 'bonzinho' com Waters, iguais aos críticos que o próprio disse a Sérgio Martins na "Veja" desta semana que o tratavam com condescendência.

Martinelli critica a fragilidade musical e dramaturgica do espetáculo: "uma visão extremamente simplista e piegas da Revolução Francesa", destaca o meu trabalho como: "a vertiginosidade da movimentação de palco elaborada por Vilela não deixa de ser um paralelo do que ocorre nos vídeos clipes modernos, que para fazerem o ouvinte abstrair da nulidade musical, fazem do aspecto visual o elemento de maior relevância".
E é taxativo quanto ao resultado geral:
-"Nem todo empenho da produção. Nem toda beleza cênica e engenhosidade de movimentação. Nem todos os talentos musicais a serviços de Roger Waters foram suficientes para conferir valor a sua incursão na ópera"

A todos que me acompanham por aqui e sabem como foi todo o processo de criação, aqueles que já assistiram e comentaram e até mesmo para refletirmos sobre uma outra opinião, sugiro que leiam aqui e quem sabe voltamos ao assunto.

Xô Catiça!

Quem é de teatro sabe o que significa a "Madição da Segundo Espetáculo", pois é, fomos amaldiçoados ontem na segunda récita de "Ça Ira"!
Me disseram que o público 'normal' não percebeu nada e se entusiasmou do começo ao fim tamanha era a expectativa de quem conseguiu ingressos. Mas tenho certeza que o público 'anormal' percebeu bem algumas falhas técnicas e desencontros entre palco-fosso-coxia-técnica.

Desde os efeitos sonoros que não entraram no primeiro ato até cantor que 'perdeu' metade da ária tudo parecia uma conspiração dos 'deuses'!
O problema maior é o seguinte, um espetáculo com tamanha complexidade não pode ter um intervalo tão grande entre uma récita e outra (quase uma semana!), claro que tivemos apenas ensaio de trocas de cena com a técnica mas os artistas precisariam também de um 'aquecimento'.

Claro, também, que estamos dentro de um Festival e tudo se torna mais complexo. Desde marcações de ensaios até toda a logística em conciliar várias produções simultaneamente, tudo é muito complicado.

A última récita de "Ça Ira" será nesta quinta (24), oxalá teremos mais sorte!

21 de abr de 2008

Parceria epistolar

Ainda continuo me correspondendo com Roger Waters, depois de lhe enviar alguns e-mails sobre ajustes de cena que achava necessário ele saber, recebi isto:
- "My Dear Caetano
Obrigado! Muito, Muito, Muito. I had such a great time working with you all. I love your vision of CA IRA (...)Break a leg on the 22nd and 24th, I am with you my brother. Hugs and kisses to everyone. Love
Roger"

Dez minutos depois o maestro Rick Wentworth (putz, o cara compõe para os filmes de Tim Burton e trabalhou com Paul MacCartney!!!) também parceiro nesta empreitada me escreveu:
- "Caetano
I just wanted to say a huge thank you, yet again, for all your hard work and effort in the very fine direction you invested in our opera and for particularly welcoming me to Manaus with such great warmth. May I also take this opportunity to say "break-a-leg" for the ongoing performances, and I wish you continued success in all your future ventures. Please pass on my thanks to Chris (cenógrafo) as well. I hope we get the opportunity to work together again.
My very best wishes,
Rick"

...

Sendo assim devo confessar que eu tô me sentindo o 'rei da cocada', hehehehe
E que 'responsa' meu amigo!

"Ariadne..." ilustrada

Abaixo alguns momentos que ilustram a minha encenação de "Ariadne auf Naxos".

"Prólogo": quiprocó metateatral

"Ópera": Ariadne (Virgínia Dupuy) e Baco (Michael Hendrick), ela de 'rayban' impávida diante dele numa cadeira de rodas. A impotência do herói desromantiza o aguardado dueto

"Ópera 2": A 'interferência' profana do rock'n roll dialoga com o 'clássico'

O Crítico e o Artista

Está no Blog "Outra Música" do crítico e 'homem de música' Leonardo Martinelli, também correspondente da Gazeta Mercantil, sua resenha sobre "Ariadne auf Naxos".
Concordo muitíssimo com a maioria de suas observações e quero me justificar sobre isso:
- (...) a conotação política reclamada por Vilela mostra-se cenicamente tênue, quiçá dispensável. Mas mesmo assim, a possibilidade de tornar ainda mais pública estas intenções, estabelecendo um diálogo ainda mais forte com o público, revela-se algo promissor para o debate estético e a fruição artística das óperas.

Martinelli comenta o texto que foi publicado no programa do Festival, e que já publiquei aqui no Blog, a respeito de minhas intenções cênicas. Digo o seguinte, ele têm razão!
Realmente a conotação política que pautou a minha montagem ficou bem tênue mesmo, talvez por dois motivos, o primeiro foi a falta que me fez nos ensaios o trabalho com os atores (resolvi simplificar e muito as minhas idéias) o segundo foi a falta, também, que me fez um "dramaturg" (profissional importantíssimo e quase sem crédito no Brasil).

Na "Lady..." do Shostakovich que dirigi no ano passado essa função foi desempenhada brilhantemente pelo inteligentíssimo Antônio Gonçalves Filho, este ano tive de reduzir um pouco a minha equipe, mas o público de São Paulo não perde por esperar porque já sei direitinho o que fazer para que minhas intenções fiquem claras.
Modificarei principalmente a participação dos atores, em especial no "Prólogo" e, claro, como terei um elenco novo novas marcas serão criadas, me aguardem!

Dupla perfeita

Descobri tardiamente a banda "The Black Keys", mesmo existindo desde 2002 foi viajando pelas páginas do ótimo Blog "Rock for Masses" que me dei conta de como pude ignorar tal lançamento por tanto tempo!
Para que ninguém cometa o mesmo erro, divido com vocês o porquê da admiração de gente como Thom Yorke e Robert Plant com esse rock meio blues, meio 70 desta dupla de guitarra e bateria.

O novo álbum "Attack & Release" está aqui e a página no MySpace é essa! Aqui embaixo você curte o clip de "Set You Free" de 2006 o que já dá pra sentir a 'virilidade musical' dos caras e suas influências setentistas.
Minha trilha para os raros momentos de descanso desta maratona operísticas!

Pimenta no dos outros...

Como diria Garrincha: tá tudo certo mano agora só falta combinar com 'os porco'!

Os 2 x 0 que o SPFC tomou do Palmeiras hoje foi um golpe terrível e encerra de uma vez o clima de que fizemos um bom Campeonato Paulista, era mentira. Chegamos até aqui por sorte, pouco mérito e com a ajuda de adversários piores (e claro, a mão do 'Imperador' ajudou um pouco!).
O que sobrou na memória do jogo de hoje foi o péssimo estado do campo do Palestra, o frangaço de Rogério Ceni, a marcação cerrada em Adriano, o vandalismo com o lance do spray de pimenta nos vestiários tricolores e claro os 2 gols verdes merecidíssimos!

Agora resta lutar pela Libertadores, porque com Copa Brasil eu não quero nem saber!

20 de abr de 2008

Ma senti carino

E não é que o 'petuti' Nelsinho Piquet fará o pai Nelsão pagar a lingua!
O aquilino piloto de F1 ficou em terceiro lugar na preferência dos gays italianos que acompanham as corridas segundo pesquisa de uma tv local.
O pai até agora não comentou sobre o mérito do filhão mas nós bem que sabemos das diretas e indiretas que Nelson jogava para a imprensa sobre a sexualidade do ídolo Ayrton Senna.
Tá vendo só, quem mandou cuidar bem do bebê em casa, a bicharada foi a primeira a reconhecer! hehehehehe

Abaixo o ranking dos 4 melhores colocados segundo as 'bees' italianas:

Dou-lhe 1: o fã da Beyonce, Hamilton venceu disparado

Dou-lhe 2: o 'troublemaker' espanhol Fernando Alonso, fetiche caliente

Dou-lhe 3: o 'nosso' Nelsinho, bem menos rebelde que o seu pai e tão bonito quanto ele na juventude

Dou-lhe 4: embora tenha obtido apenas 17% das 'bees' italianas o ice man Kimi Raikkonen tem meu voto e se quiser também o meu endereço e telefone...

Björk antropológica

Que Björk é 'über-maluca' de pedra todos nós já sabemos faz décadas, mas eu acho que ela e seus colaboradores se superaram com o clip "Wanderlust" do seu último álbum "Volta". Já disse aqui o que achei do seu show em São Paulo em que ela apareceu como uma misteriosa 'saltenha boliviana' e decepcionou metade dos seus seguidores, inclusive esse pobre 'viralata'.

Ultrapassando o terreno musical talvez o que Björk faça esteja mais próximo do teatro antropológico de Grotowski e Eugênio Barba, não seria errado classificá-la como uma 'multi-artista-antropológica', ainda mais depois de assistir a esse psicanalítico, suicida e autofágico video clip.

Analistas preparem o divã para ouvir a nossa musa islandesa!

Um caminho para a tv musical

Tá bom eu sei que o Youtube é fantástico e tal mas acabou de estrear na rede a aguardada "Pitchfork Tv" uma espécie de cyber MTV! Na verdade ocupa o vácuo deixado pela MTV que no mundo inteiro está privilegiando os programas curtos de entretenimento e comportamento em vez da velha fórmula videoclip 24 horas.

O sistema beta do lançamento da "Pitch..." resulta em uma qualidade de imagem incrível e seu exclusivo arquivo de bastidores de diversos artistas é o diferencial que fará sucesso para aquele público que não aguentava mais a histeria de 'vjs' deslumbrados e desarticulados, que deviam tomar um banho de 'cultura musical' logo depois do banho de loja a que estão acostumados antes de entrar no ar.

Confira o barraco da turne dos cults "Pixies" em 2004 (tipo "a última volta" da banda!) ou o "Eating, Sleeping, Waiting and Playing: A Filme About Air on Tour" com músicas ao vivo e os bastidores dos franceses do "Air" comemorando os 10 anos de lançamento do cool "Moon Safari", tem também o exclusivo "Bangers & Mash" que os "Radioheads" gravaram num estúdio só para o site, e mais etc, etc, etc,

Sim eu sei que está tudo no Youtube, mas é que é muito mais charmoso 'viajar' pela "Pitch..." mesmo, experimenta!

'against' the language!

Todos os artistas, músicos e cantores, estrangeiros e brasileiros estão hospedados no mesmo hotel no Distrito Industrial em Manaus. É verdade que 80% passaram muito mal, alguns com intoxicação alimentar outros simplesmente por intolerância a algum condimento ou falta de hábito com os costumes brasileiros.
Mas o importante é que depois de muitas reclamações a gerência do hotel resolveu fazer um intensivão com toda a equipe do restaurante para melhor nos atender e melhorar também o nosso 'santo rango' pós ensaios e récitas. Deu certo!

Como temos muito gringo por aqui eles também resolveram desenvolver umas plaquinhas bilíngües para identificar os pratos do dia, e qual não foi a nossa surpresa, na volta do deslumbrante Concerto de hoje à noite, quando nos deparamos com um delicioso "Against File Agrelhado"!!!
Os gringos não sabiam se comiam o filé 'do contra' e nós não sabíamos como explicar a lógica da tradução, mas que o filé estava ótimo isso estava! Hehehehehe

19 de abr de 2008

'feed-se' yourself

"Feed-se" auto intitula-se "o primeiro agregador de feeds em revista digital", você entra aqui, manda o seu e-mail e recebe via pdf todo o material produzido por uma equipe entrosada com conteúdo sobre o mundo internético e bloguístico do espaço!
Se vai dar certo não sabemos mas o negócio é uma experiência que aponta para um caminho que muitos no exterior estão tentando; falar de igual para igual, ou seja, para você leitor deste blog que faz parte de uma comunidade cada vez mais exigente em receber e produzir notícia.

A Canção da Terra

Hoje no FAO será apresentado o Concerto "Das Lied Von Der Erde/A Canção da Terra" de Gustav Mahler com a Amazonas Filarmônica regida pelo maestro Luiz Fernando Malheiro. Os cantores que defenderão essa angustiante peça do compositor austríaco serão Michael Hendrick e Denise de Freitas.

Composta logo após a morte de sua filha, com quatro anos, Mahler se inspirou nos poemas chineses de "A Flauta Chinesa" de Hans Bethge e mergulhado na melancolia e tristeza compôs um dos mais lindos trabalhos de sua carreira.

Acima o meu presente para os 'puristas', poema original da primeira canção que abre o programa: "Das Trinklied vom Jammer der Erde/Canção de Beber na Miséria da Terra". Em algum lugar deste ideograma está o repetido lamento do tenor, que é de cortar o coração:
- "Dunkel ist das Leben, ist der Tod"

Ou se preferirem:
- "Sombria é a Vida, Sombria é a Morte".

Viu a Veja?


Roger Waters e uma cena com os bailarinos do Corpo de Dança do Amazonas, movimento de migração dos pássaros "pré tomada da Bastilha". O mal agouro se aproxima!

A revista "Veja" da semana que vem, que chega às bancas neste domingo, traz uma reportagem de Sérgio Martins sobre a estréia de "Ça Ira", a versão online já disponível na rede pode ser acessada por assinantes.

Destaco um trecho do final da matéria:
-"Os amantes do Pink Floyd podem até gostar de Ça Ira, que terá novas récitas na terça e na quinta-feira. Mas os fãs de ópera certamente jamais se interessarão por Pink Floyd se forem submetidos à obra de Roger Waters."

Acredito que o jornalista tenha razão, como também concordo com Waters quando diz para ele:
- "
Talvez dez ou doze pessoas comecem a pesquisar música erudita depois de experimentar a minha obra."
Com certeza os fãs 'floydianos' são mais cabeça aberta que os 'amantes líricos'!
Amigos é apenas música, não importa se ópera ou musical, enjoy and relax!!!!

Seguindo com uma entrevista exclusiva de Waters para Sérgio em que diz não estar nem um pouco interessado na história do "Pink Floyd" diz ainda que os críticos até que foram bonzinhos na sua estréia erudita. Declara sua admiração por Obama nas eleições americanas
achando Hillary uma "maluca faminta de poder"! Waall...

Ilustrando também a reportagem de Veja, a já comentadíssima cena final em que 'mixei' outras revoluções ao espetáculo

...

P.S: Thank's Moniquinha pela senha de acesso, estava curiosíssimo! Até que não foi uma tragédia e despertou interesse em quem não viu, gostei!

Ariadne no Metrópolis

18 de abr de 2008

Depois da tempestade

Assunto de hoje na capa do Jornal "A Crítica", tempestade na cidade e logo abaixo foto de Celine Imbert (Compositor) e Rosana Schiavi (Zerbinetta). Depois da tempestade vem a Arte!

A estréia de "Ariadne auf Naxos" foi excepcionalmente tranquila e menos tumultuada do que "Ça Ira", compreende-se, volta o público tradicional e os críticos internacionais (os brasileiros chegam para a segunda récita) todos ansiosos em saber o que eu aprontaria com um verdadeiro 'clássico' dos palcos operísticos.
Após um curto e dinâmico prólogo a satisfação de todos era visível, ainda mais vendo do lugar privilegiado da minha cabine de luz no Teatro Amazonas que é exatamente num camarote na platéia (onde, devo confessar, esqueci algumas 'cues' de luz observando as reações. Ah esses diretores que operam luz...). Comentavam comigo, logo depois do intervalo, que em poucas vezes eles se divertiram tanto com o "Prólogo", já que é de uma escrita dificílima e que quase sempre os encenadores optam por uma interpretação mais 'cool'.
Mas não foi o meu caso, ainda mais com o cast que eu tenho, TODOS absolutamente brilhantes e cada um com o seu pequeno momento, consegui espaço até para trabalhar com alguns atores, serviçais da mansão em que a história se passa.

Minha curiosidade maior com relação a segunda parte, a "Ópera" era qual seria a reação com a entrada da trupe de commedia del'arte, transformada por mim num grupo de rock'n roll fantasiados como integrantes do "Kiss", acompanhados por uma Zerbinetta rock star, com direito a luzes de neon e tudo!
Vi uns incrédulos, outros rindo, comentando e boquiabertos. Reação que suavizou bastante no segundo quinteto da trupe que continuava a caráter na estética rocker mas desta vez vestidos e com atitudes de algum grupo Emo. Pela primeira vez vi a platéia despreocupada com as legendas e prestando atenção no que acontecia no palco, minha satisfação neste momento é indescritível, posso tentar resumir em 'felicidade'.

Juro que fiquei com receio, na parte mais 'séria', se todos entenderiam o porquê do personagem Baco perdendo as forças em uma cadeira de rodas e em seguida de muletas. Um crítico alemão habitué do FAO disse ao final que numa 'rodinha de discussão' eles reprovaram a idéia já que no final eu faço o Baco voltar a caminhar. Ao que eu retruquei:
- "Mas ele só caminhou porque Ariadne teve que encontrar forças para que ele voltasse a viver. Ela teve de ser forte duas vezes!"
E ele:
- "Mas então você é contra o poder dos homens?"

Huuummm, não é bem assim. Mas quando o assunto é Amor sabemos que em toda a dramaturgia universal a Mulher é predominantemente muito mais forte do que os Homens.
Já disse aqui antes, Ariadne abandonada por Teseu na ilha de Naxos espera pelo sublime amor e quem aparece é Baco mostrando para ela que a paixão não precisa ser esquecida e pode ser reconstruída.

Já estou pensando em dirigir para o teatro algo que seria como "A Vingança de Ariadne", alguém se habilita em escrever... hehehehe!

17 de abr de 2008

Um Caso de Política

Texto para "Ariadne auf Naxos", encarte do programa do XII Festival Amazonas de Ópera:

O embate entre a Comédia e o Drama que “Ariadne Auf Naxos” propõe permite múltiplas interpretações cênicas num debate mais acalorado que evoca outros binômios para a cena; principalmente sabendo da controversa carreira de Richard Strauss e a frágil linha que toda a sua obra percorreu, paralelamente, entre a Cultura e a Política.

Da estréia de Ariadne (1912) até a sua última e definitiva versão (1916) a Europa manteve uma cronologia incansável de Guerras, Batalhas e Tratados que repercutiram em todas as esferas políticas, sociais e, claro, artísticas.
Pensando neste contexto histórico e na conturbada aproximação de Strauss com o nazismo anos depois (e que tantos desgostos lhe renderam) me permito contextualizar esta encenação no paradoxal dueto da Arte com a Política.

Na tragédia grega não fosse um “ato político”, em que atenienses eram obrigados a pagar um tributo (com as suas próprias vidas!) ao Rei Minos (pai de Ariadne) pela perda de seu filho Androgeu, nossa heroína sequer teria uma importância mitológica.
Assim nos deparamos com o Prólogo da ópera numa outra “ação política” do “homem mais rico de Viena” que ao possuir o Poder julga-se no direito de deter também a Criação da Obra de Arte, esse sujeito misterioso, autor de todos os conchavos que desenrolarão num espetáculo no “seu jardim”, não só manipula todos os artistas e convidados como também se enxerga na cena representada, triplicando assim o jogo meta-teatral.

Ariadne, a personagem abandonada por Teseu numa ilha deserta, sabe que perdeu o seu amor Heróico e o vê substituído pela Arte que Dioniso representa. Era preciso o abandono Heróico para Ariadne se dar conta de que aquele Amor não era recíproco e que a sua provação seria mais tarde recompensada.
Talvez por isso, pelo fato da Arte ser manipulada pelo “Mecenas Vienense” ou apesar disso tudo, o tão esperado Amor quando surge vem “castrado”, deficiente, como se fosse um obstáculo (talvez um outro labirinto) a ser superado.

Já Zerbinetta e sua Trupe que não carrega “intenção política” mas vem articulada com uma visão de mundo dissonante com a ordem estabelecida, se sente bem confortável no papel de “musa rock’n roll”, exigindo para si, apenas, o papel de uma artista engajada e pragmática deixando para o Compositor a defesa da mais sagrada das Artes: “A Sagrada Música”!

Sendo assim, esta estabelecido o conflito!

CAETANO VILELA
Diretor Cênico e Iluminador

Bozó!

Meus pais estão enlouquecidos com meus "15 minutos de fama", na terça ao vivo encerrando o "Jornal da Globo":



E nesta quarta destaque no Jornal Nacional!



Como disse a minha mãe: - "Esse tal de 'seu' Pink é muito famoso né?!"
É mamãe, é sim... hauahuahauahau

16 de abr de 2008

Foi assim:

Manchetes dos jornais de hoje em Manaus contam do sucesso que foi a tão esperada estréia da ópera "Ça Ira", debut de Roger Waters no mundo lírico, tive meu momento 'pop star' com elogio do próprio no Jornal da Globo, pela madrugada, com link ao vivo e tudo!
Como já disse anteriormente venho para Manaus há dez anos e nunca vi tamanha mistura de público na platéia 'polar' (apenas do ar condicionado, claro!) do deslumbrante Teatro Amazonas; jovens, roqueiros, socialites e 'tradicionalistas' aplaudiam cada mudança de cena com expectativa redobrada diante das trocas de cenário. E para minha surpresa, DEU TUDO CERTO!!!
Claro que teremos ajustes técnicos e aprimoraremos o ritmo destas transições, algumas foram realmente muito lentas e podemos melhorá-las, mas isso não comprometeu de forma alguma o andamento do espetáculo.

Alguns fãs 'pinkfloydianos' e 'watersianos' saíram de outras capitais para ver de perto o que nossa equipe aprontou com essa ópera, cinco são leitores deste Blog e corresponderam-se comigo desde o meu primeiro post sobre a montagem. Como foi o caso da incansável Elzira que acompanhou as apresentações de "Ça Ira" na versão em Concerto na cidade de Roma, as récitas da montagem polonesa e pasmem está de malas prontas para Holanda onde "Ça Ira" será novamente encenada.
Elzira veio de Curitiba, chegou em Manaus no dia em que eu preparava o palco para o pré geral de "Ariadne auf Naxos" (falo depois da estréia desta minha outra direção) e não se incomodou em ficar horas na platéia vendo toda aquela parte chata que o público não tem idéia de como acontece, assistiu o pré e o geral de "Ariadne..." e óbvio a estréia de "Ça Ira".

Saber que alguém viaja horas para assistir e ver um 'sonho' ser realizado só aumenta a minha responsabilidade e redimensiona as expectativas do espetáculo pronto. Morria de medo só em saber disso tudo antes, nos ensaios técnicos não podia nem passar por perto de algo inacabado que eu já achava que não estava a altura da ansiedade alheia.

Enquanto isso pela tarde Roger Waters, tranquilo mas um pouco apressado, checava o som junto com o maestro Rick Wentworth (arranjador do cd que foi lançado da ópera e maestro das versões na Polônia) e antes de ir para o hotel me desejou sorte me deixando cuidar da luz do terceiro ato do espetáculo.

Me surpreendi ao vê-lo visivelmente nervoso (de ansiedade) no seu curto discurso (em português!) de apresentação do espetáculo e mais nervoso ainda quando o trouxe ao palco para os agradecimentos finais. Já na coxia ele estava emocionado e me agradeceu muito por estar vivendo tudo aquilo, quando o peguei pelas mãos e o puxei para o palco ele me segurou forte e não deixou que eu o largasse.
Só quem está diante de uma platéia lotada num evento tão importante sabe o frio na barriga que todo artista têm neste momento!

E não é que até Mister Waters, acostumado a enfrentar multidões durante anos e anos ainda se emociona num momento destes.

...

Nota dissonante:
Uma pequena confusão com uma produtora de São Paulo (um pouco alterada, fiquei sabendo!) impediu que nos confraternizassemos ao final, numa recepção improvisada no nosso hotel, com todos os artistas. Infelizmente Roger, Rick e seus amigos chegaram primeiro e saíram antes da gente, soube que ele se irritou bastante mas tenho certeza que ele sabe que não é do nosso feitio destratar uma estrela da sua grandeza. Portanto está aqui o meu pedido público de desculpas em nome de todos os artistas, maestro e toda a produção em Manaus.

Outras Revoluções

Abaixo o texto que escrevi sobre "Ça Ira" para o programa do XII Festival Amazonas de Ópera:

Roger Waters encontrou pela primeira vez o compositor Etienne Roda-Gil no, cada vez mais importante, ano de 1968. Sem ter ainda a dimensão exata do que estava acontecendo naquele momento, despediram-se com um desejo em comum: criar uma música que “pudesse iluminar o coração dos homens”! Surgiu então como tema a Revolução que mudou a forma de pensar a política no mundo e que mesmo depois de quase 220 anos ainda têm o seu primeiro período dissecado como o maior fenômeno “sem heróis” da História.
Waters sempre teve intimidade com temas políticos, seja no seminal “Pink Floyd”, onde “The Dark Side of the Moon" é o exemplo mais óbvio, ou até em sua carreira solo cantando sobre a estupidez das guerras em “Amused to Death”; um retrato antecipado sobre os conflitos no Golfo Pérsico e não seria exagerado afirmar que poderia servir de trilha nove anos depois para o, também estúpido, ataque às “Torres Gêmeas”!
Poucos são os artistas assim, que deixam uma visão retrospectiva do seu tempo em sua obra. Foi o caso do pintor Eugène Delacroix (1798-1863), um artista menos político que o seu contemporâneo Gustave Coubert (1818-1877) por exemplo, mas que nos deixa o primeiro quadro político da pintura moderna e o “logo” da Revolução Francesa, o cívico: “La Liberté Guidant le Peuple”/”A Liberdade Guia o Povo”.
“Ça Ira” não é apenas uma ópera sobre a Revolução Francesa é também um exercício erudito metalingüístico onde artistas e povo se misturam transfigurando o sentido de qualquer Manifesto ou Revolução.
Palácio e Picadeiro, Vida e Morte, 1789 e 1968 são movimentos cíclicos que retornam - não só - às ruas de Paris de tempos em tempos com carruagens ou carros em chamas e cartazes sempre clamando por justiça. No fundo mesmo o clamor em qualquer época seria resumido num só cartaz:
“THERE IS HOPE”!

CAETANO VILELA
Diretor Cênico e Iluminador

15 de abr de 2008

Ça Ira, reportagem no Metrópolis

Destaque na Uol, "Ça Ira" em reportagem pela equipe do Metrópolis da tv Cultura, assista aqui!

É hoje!

Eu e Roger sintonizados num dos ensaios de palco. Chegou o dia, veremos se valeu a pena!

Queridos é hoje a estréia de "Ça Ira", depois conto em detalhes tudo o que rolou, antes de ir ao teatro divido com vocês uma informação que acabei de receber. O "Portal Amazônia" vai transmitir o espetáculo ao vivo pela internet!!! Waall!!! Sim, e please não me culpem por falhas de conexão... hehehehhe
O link é: http://portalamazonia.locaweb.com.br/sites/opera/index.php
Divirtam-se e MERDA!

14 de abr de 2008

Visita surpresa e técnica aprimorada

Neste domingo foi o pré geral da outra ópera que dirijo ("Ariadne auf Naxos") aqui em Manaus para o XII Festival Amazonas de Ópera, com direito a visita surpresa de Roger Waters na platéia com seus convidados que já estão chegando (por conta própria!), uma trupe de 10 pessoas. Ficou pouco mais de 15 minutos mas a sua gentileza em sair do hotel (longíssimo) apenas para prestigiar minha outra direção foi sincera e tocante já que ele não poderia mesmo estar no dia do ensaio geral nesta segunda; vai tirar uma merecida folga para pescar!

...

Agora voltando para as coisas 'mundanas' o que foi o aprimoramento da 'técnica maradona' do "Imperador" para salvar o tricolor de uma 'mancha verde'?! Lamentei não estar no Morumbi para este clássico que terminou em 2 x 1 e tive de me contentar com os lances gritados pelos técnicos nas coxias do Teatro Amazonas já que eu estava preparando o palco para o ensaio da noite.
Também se ficasse no hotel assistindo pela tv acho que iria me irritar bastante já que como disse, por aqui só Campeonato Carioca... karaí!!!
Saudações Tricolores

13 de abr de 2008

Free Tibet

Que o "Pink Floyd" era um grupo de rock engajado ninguém pode negar, que Roger Waters como letrista principal do grupo sempre foi 'politicamente artístico' também, ouça seu solo "Amused to Death" para comprovar.
Agora não resisti ao calor do momento e ao final de "Ça Ira" depois de tantas revoluções todo o coro entra em cena encurralado por uma barricada de carcaça de carros destruídos e um paredão de soldados que tentam se proteger da fúria do 'povo' agitando cartazes como "Maio 68", "Revolução" e claro "Free Tibet"! A revolução está sempre a caminho.

Ou você não concorda?

Mais um 'flagra' de Alberto César Araújo após o ensaio geral de ontem. Roger Waters conversa conosco com dezenas de observações bastante pertinentes com relação a sua obra.

Entre amigos

Nesta madrugada recebi este presente do meu amigo e fotógrafo Alberto César Araújo que acompanha minha carreira aqui em Manaus já há um longo tempo e ficou até o final do exaustivo ensaio geral de "Ça Ira" ontem à noite.
Emoldurados pela platéia do Teatro Amazonas, visto do palco, Eu (esquerda), Roger Waters e o maestro Luiz Fernando Malheiro, podemos dizer que estamos felizes e com mais um excelente trabalho para as nossas carreiras.
Valeu Alberto!

ELE voltou!

Waters (foto de Alberto César Araújo/AE) no intervalo do ensaio de orquestra de "Ça Ira" na sexta de manhã no Teatro Amazonas.

Roger Waters chegou na quinta-feira de madrugada e já estava no teatro na sexta de manhã para uma coletiva de imprensa seguido de um ensaio com a orquestra e pré-geral pela noite. No sábado fizemos o ensaio geral com as correções anteriores e ainda muitos outros ajustes técnicos para serem resolvidos num espetáculo tão complexo e que envolve tanta gente dentro e fora de cena!

Como bem publicou o jornal "A Crítica", aqui de Manaus, neste sábado:
- "(...) Quem também se encontra atarefado é Caetano Vilela, diretor cênico de "Ça Ira", que está tendo tanto trabalho quanto o compositor da ópera. "O maior desafio é pegar as rubricas e transformá-las em cena tendo mais de 160 pessoas no palco. 'Ça Ira' é uma história riquíssima que engloba vários ambientes, então exige muito dos envolvidos que se vêem igualmente desafiados a cantar, dançar e aprender sobre circo".

Mais sobre a coletiva aqui no Estadão.

9 de abr de 2008

Em terra de cego!

A musa Moore e o gostoso Ruffalo explorando os viadutos de São Paulo. Aqui o Viaduto do Chá, ao lado do Teatro Municipal, que no dia da filmagem irritou o maestro Jamil Maluf que teve de atrasar o início de um Concerto.

Já está no ar o trailer (veja abaixo) do novo longa de Fernando Meirelles "Blindness" adaptado da obra do iconoclasta escritor português José Saramago. As filmagens em São Paulo foram um fuzuê só e quem mora no centro pode topar com todo o arsenal de uma equipe hollywoodiana pelas ruas.
Moro ao lado da Igreja da Consolação e os dois dias de locação por lá foram bem agitados com todo o povão dos bares e teatros da Praça Roosevelt comentando as escapadas da musa Julianne Moore para o camarim improvisado ao lado da igreja. Infelizmente não a vi, mas topei com o 'quase' brasileirinho Gael Garcia (que também participa do filme) na Livraria Cultura da Paulista num momento relax e sem tietagem (claro que me contive!!!).
Atravessando a rua em diagonal, enfrente da Igreja, damos de cara com a pior coisa que São Paulo já construiu, sim o "Minhocão" do Maluf, e aparecendo por segundos no trailer dá prá se ter uma idéia da desoladora paisagem de ficção que somos obrigados a conviver diariamente.
Realidade à parte não vejo a hora de estrear o filme já que toda a equipe é competentíssima e o livro é fantástico. Se você gosta de saber sobre os bastidores dá uma lida aqui no 'Diário de Blindness", Blog que o Fernando Meirelles mantém quando acha um tempinho em meio a tanto trabalho.

8 de abr de 2008

Garantido né!?

Fui indicado pelo descoladíssimo Magrelus Blog para receber este "Selo de Garantia" que rola pela web para qualificar blogs transados. Waall!!!!
Obrigado Magrelo, obrigado distinto leitores , visitantes e vizinhos. Como é de praxe diz a lenda que tenho de indicar também cinco outros Blogs/Sites de minha preferência, então lá vai:

- Os dias e as horas/Blog do Guzik, pela assiduidade com que escreve sobre arte, teatro e cotidiano este respeitável "Homem de Teatro" continua com sua escrita deliciosa como nos velhos tempos do "Jornal da Tarde/SP"
- Tony Goes com seu visitadíssimo e comentadíssimo Blog inferniza nossas vidas com uma criatividade e humor incomparáveis! Que inveja, kkkkkk!!
- Já falei dele por aqui, RockTown do Felipe Pipoko é ímpar quando o assunto é música boa. Visite, baixe e saiba mais sobre rock e seus 'afluentes'.
- O Blog português Antes de Tempo é de uma elegância culta, arrojada e de quebra têm as fotos mais lindas que eu já vi! Frequentemente 'roubo' algumas... oops falei...
- 40 Graus Celsius tenho certeza virará livro by Celso Dossi! Bem, pode ser que vire também dramaturgia para teatro, tv ou roteiro para cinema, etc, etc... Tamanha a inventividade do Celsinho para criar personagens tão marcantes, patéticos e próximos do nosso cotidiano.

7 de abr de 2008

Mille grazie

Não tem jeito mesmo, quanto mais falam mal do "Imperador" maior o gosto de revanche a cada gol marcado. Sim, não jogamos bem e o Juventus esteve bem pior, com os 3 x 1 ganhamos a vaga na semifinal e Adriano coroou seu 12º gol desde que chegou ao SPFC!
Ótimo para quem a bem pouco tempo atrás era tachado de bêbado irresponsável, encrenqueiro e indisciplinado.
Agora Palmeiras e São Paulo já na próxima semana será um clássico que eu com certeza assistiria no estádio se estivesse por aí, como em Manaus (e em todo norte e nordeste do país) as tvs privilegiam os times cariocas, torcerei mais ainda para que pelo menos consiga assistir em alguma emissora local.
Saudações Tricolores.

6 de abr de 2008

Charlton Heston (1924-2008)

Charlton Heston feliz com o Oscar de melhor ator em 1959 por sua atuação em "Ben Hur", clássico do cinema-bíblico-épico-homoerótico!

A morte de Charlton Heston aos 84 anos não apagará da nossa memória a carreira do último ator 'épico' do cinema americano. Jamais esquecerei a primeira impressão que tive ao assistir "Ben Hur" e constatar depois de dezenas de vezes revisto que para mim é o melhor épico bíblico de todos os tempos!

Tempos depois li numa biografia de Gore Vidal (um dos roteiristas) sobre as frases e cenas cortadas da primeira versão que insinuava uma relação homossexual entre os personagens de Ben Hur e seu melhor amigo Messala (Stephen Boyd acima, num brinde com Hur-Heston), tudo fazia mais sentido agora.

A vingança de Messala 'condenando' o jovem amigo ao sofrimento físico (acima Hur-Heston de barba penando nas galés) e emocional e a persistência de Ben Hur em perdoar o ex-amigo é uma prova de amor incondicional só comparada ao recente "Brokeback Montain", sabendo que as coisas eram bem diferentes e mais camufladas 50 anos antes só faz o filme ficar melhor quando revisto.
Pra mim a metafórica cena fálica da 'penetração' quando Messala atira sua lança na parede e Ben Hur em seguida consegue furá-la ao meio com a sua já vale metade do filme.

Claro que a antológica e milionária cena da corrida das bigas (acima) é memorável e já que eu adoro procurar 'equivalentes' compararia a também famosa, engenhosa e não menos barata cena de massacre na escadaria de Odessa em "Encouraçado Potenkim".

Heston era uma figura controversa mais muito respeitada pelo cidadão médio americano por causa das suas posições conservadoras, o irregular Michael Moore tentou ridicularizá-lo no documentário "Tiros em Columbine" mas conseguiu apenas mostrar uma opinião contraria a sua sobre o desarmamento individual e coletivo dos EUA; Heston estava em sintonia com a maioria dos americanos, não é a toa que Bush o presenteou com uma ordem ao mérito, menos pela sua carreira e mais por suas posições políticas.
Pode-se discordar de suas posições mas não podemos negar que o ator foi coerente em suas crenças até o final da sua vida. Perguntado tempos atrás sobre a 'leitura homoerótica' que muitos fazem sobre Ben Hur ele foi categórico em negá-las e disse também ser contrário a leis de união civil para pessoas do mesmo sexo.

Lamento sua morte, discordo de suas opiniões, respeito seu talento e dedicação ao cinema mas o que tenho certeza todos serão unanimes em concordar é que Charlton Heston no final dos anos 50 foi o homem que melhor defendeu o Cinema Épico, e claro era o melhor ator de 'saia' da sua geração, e que pernas!

...

Se joga:
Ben Hur, direção William Wyler, relançamento com extras
El Cid, direção Anthony Mann, mais um épico
Planeta dos Macacos, direção Franklin J. Schaffner, primeira produção em 1968 depois teve uma continuação em 69 e virou série, recentemente tivemos aquela refilmagem ridícula que nem vamos comentar.

Paulo SOUTH

Paulo Szot bem à vontade em "South Pacific", mais uma página no NYTimes deste domingo.

Como se não bastasse a crítica elogiosa desta semana no NYTimes, que falei no post anterior, aqui embaixo, Paulo Szot ganhou uma página no jornal americano que traça um perfil de sua carreira e a sua estréia no mundo dos musicais.
O título é "You May See a Stranger" e você lê a íntegra da entrevista aqui.

5 de abr de 2008

PACIFIC Szot

A estréia do musical "South Pacific" esta semana na Broadway foi um sucesso e não menos que isso foi o début do brasileiríssimo Paulo Szot em seu primeiro musical!

Paulo Szot com Kelli O'Hara em "South Pacific"

Com direito a video no NYTimes, falando sobre o seu personagem, Paulo é uma estrela que se destaca, vejam aqui.
Todos nós aqui em Manaus (onde ele cantou tantas vezes e não pôde participar neste ano por causa deste compromisso) ficamos orgulhosíssimos e virou uma tietagem só quando soubemos desta matéria e de outras na imprensa internacional. Parabéns querido, todos os seus amigos lhe mandam beijos 'de cupuaçu' e muita MERDA!!!!

3 de abr de 2008

Agradeço a preferência!

Caramba 5000 mil visitas em menos de 1 ano!!! Bom, quer dizer, foi mais do que isso já que eu adicionei o 'counter' uns três meses depois que comecei a escrever o Blog.
Descobri pessoas que curtem as mesmas coisas, outras que pensam diferente mas fazem 'plantão' por aqui para saber o que acho da vida, etc, etc...
Fiz alguns novos amigos, compartilhei outros e cada vez mais acredito nas sábias palavras do meu amigo e parceiro Marcelo Tas, quando eu num momento de crise reclamava da minha 'transição' da carreira de ator simultaneamente com a de iluminador desembocando para a direção, ele me disse:
- "A Internet por mais dispersa que possa parecer deixa a sua vida mais coerente."

E não é que é verdade! Por que eu só comecei com isso tão tarde?
Beijos e Volte Sempre!

2 de abr de 2008

Ariadne COM Nexo!

Primeiro teste de cenário (do meu amigo e parceiro Renato Theobaldo) no palco, 6 metros de um imenso lustre tombará em cena na abertura do 2º ato representando a 'gruta' da Ariadne e a "força da grana que ergue e destrói coisas belas".

Tenho falado bastante de “Ça Ira” e deixei para o final a minha outra direção no FAO (Festival Amazonas de Ópera) que revezará no palco do Teatro Amazonas depois da abertura no dia 15 de abril, trata-se de “Ariadne auf Naxos” de Richard Strauss (ou como escreveu um jornal local "Ariadne em Nexus"! Hahaha, adorei!). Sonho antigo do maestro Luiz Fernando Malheiro, aliás dois ‘sonhos’ o artístico em realizar esta ópera e o ‘político’ em fazermos a primeira co-produção entre os teatros Amazonas e Municipal de São Paulo! Já não era sem tempo, coisa comum em qualquer país ‘erudito’ e civilizado, não podíamos ficar para trás (sim, eu acho que somos eruditos e civilizados!). Bravo também ao maestro Jamil Maluf que conseguiu vencer TODOS os tramites burocráticos impostos para uma empreitada desta.

Vamos à ópera então!
Para desespero dos puristas e dos ‘simplistas’ minha visão desta obra e totalmente política e 'desromantizada'. Publico em breve o texto que fiz para o programa do festival falando sobre a minha encenação, antecipo então pequenos momentos que busquei para dialogar com o público de hoje sem no entanto ‘modernizar’ a encenação com recursos gratuitos (ahh, que sono para essa discussão velha não?!).

Resumo “não autorizado” da ópera, sob o meu ponto de vista:
Um ex-general (um rico vienense no original), de um regime totalitário qualquer, na sua velhice resolve ser o mecenas de um jovem compositor e encomenda uma ópera para ser apresentada em sua mansão. Como quem paga manda, o velho (já nas últimas em uma cadeira de rodas) muda os planos e quer além das lágrimas de uma ‘ópera séria’ um pouco de riso e a rebeldia de uma trupe de rock (commedia del’arte no original). Só que tudo tem de acontecer ‘gleichzeitig’, ou seja simultaneamente. Pronto está estabelecido o conflito!

Primadona depara-se com um bando de roqueiros nos corredores dos camarins improvisados, Compositor em crise existencial entre a verdadeira Arte e a concessão popular, Professor de Musica literalmente como um ‘servidor de dois patrões’, etc, etc, etc...
Quando finalmente depois deste prólogo começa(m) a(s) ópera(s) Ariadne, que está mais para a cansada do que para a ‘tragica-romantica-arrasada’, não agüenta mais esperar pelo jovem Teseu na Ilha de Naxos (em que foi abandonada) ainda tem de ouvir a ‘barulheira’ de uns roqueiros maquiados como covers do grupo “Kiss” que tentam sem sucesso ‘animá-la’ com o som de suas guitarras. Para desespero da jovem heroína o grupo tem mais uma tentativa infrutífera só que desta vez como um cover de algum grupo 'Emo' (“My Chemical Romance” talvez?) e claro terminam o ‘show’ e nada da ‘diva’ reagir.

Mas eis que surge o grito do ‘herói’ que para surpresa de Ariadne não é o jovem que a abandonou e sim Baco, o Deus dos prazeres, que chega aleijado numa cadeira de rodas (espelho sádico do velho mecenas que quer se ver em cena!) como que enfeitiçado por algum poder que ele não domina. Pois a nossa heroína tem de encontrar forças para superar a sua decepção e aprender que o amor nunca é aquilo que esperamos, então magicamente ‘cura’ Baco da sua deficiência e aprende a amá-lo tendo em vista que finalmente ela poderá sair daquela maldita ilha de Naxos!
...

Dissimulação e jogo de interesses permeia toda a ópera numa musica intrincada, difícil e sedutora. Strauss viveu a segunda metade da sua vida seduzido e abduzido pelo poder e a política, o regime nazista emplacou-o como “o” maestro fazendo vista grossa para alguns amigos judeus que colaboravam com textos e revisões de partituras.
Não é de se estranhar quando reconhecemos melodias wagnerianas (“Tristão e Isolda” ou partes do “Ring...”) aqui ou ali em trechos de “Ariadne...”, Strauss nunca negou sua admiração e influência por Richard Wagner, tentando por vezes até mesmo superá-lo como é o caso de outra ópera sua “O Cavaleiro da Rosa”, para muitos insuportavelmente ‘barulhenta’ mas pelo menos ‘suportavelmente assistível’ o que não é o caso de “A Mulher sem Sombra” (talvez a recente versão de Bob Wilson para a Ópera da Bastilha faça justiça!).
Pensando na ‘admiração’ que Wagner despertava também nas mesmas tropas vê-se que Strauss soube reconstituir bem em “Ariadne...” todo o seu conflito ‘arlechinesco’ em “servir dois patrões”, alguns amigos seus bem próximos não tiveram a mesma sorte.
Para encerrar (ópera e vida, ficção e realidade) a ARTE venceu mas a história nos mostrou que muitos perderam ou pagaram bem caro por essa luta.

Que abram as cortinas!