6 de abr de 2008

Charlton Heston (1924-2008)

Charlton Heston feliz com o Oscar de melhor ator em 1959 por sua atuação em "Ben Hur", clássico do cinema-bíblico-épico-homoerótico!

A morte de Charlton Heston aos 84 anos não apagará da nossa memória a carreira do último ator 'épico' do cinema americano. Jamais esquecerei a primeira impressão que tive ao assistir "Ben Hur" e constatar depois de dezenas de vezes revisto que para mim é o melhor épico bíblico de todos os tempos!

Tempos depois li numa biografia de Gore Vidal (um dos roteiristas) sobre as frases e cenas cortadas da primeira versão que insinuava uma relação homossexual entre os personagens de Ben Hur e seu melhor amigo Messala (Stephen Boyd acima, num brinde com Hur-Heston), tudo fazia mais sentido agora.

A vingança de Messala 'condenando' o jovem amigo ao sofrimento físico (acima Hur-Heston de barba penando nas galés) e emocional e a persistência de Ben Hur em perdoar o ex-amigo é uma prova de amor incondicional só comparada ao recente "Brokeback Montain", sabendo que as coisas eram bem diferentes e mais camufladas 50 anos antes só faz o filme ficar melhor quando revisto.
Pra mim a metafórica cena fálica da 'penetração' quando Messala atira sua lança na parede e Ben Hur em seguida consegue furá-la ao meio com a sua já vale metade do filme.

Claro que a antológica e milionária cena da corrida das bigas (acima) é memorável e já que eu adoro procurar 'equivalentes' compararia a também famosa, engenhosa e não menos barata cena de massacre na escadaria de Odessa em "Encouraçado Potenkim".

Heston era uma figura controversa mais muito respeitada pelo cidadão médio americano por causa das suas posições conservadoras, o irregular Michael Moore tentou ridicularizá-lo no documentário "Tiros em Columbine" mas conseguiu apenas mostrar uma opinião contraria a sua sobre o desarmamento individual e coletivo dos EUA; Heston estava em sintonia com a maioria dos americanos, não é a toa que Bush o presenteou com uma ordem ao mérito, menos pela sua carreira e mais por suas posições políticas.
Pode-se discordar de suas posições mas não podemos negar que o ator foi coerente em suas crenças até o final da sua vida. Perguntado tempos atrás sobre a 'leitura homoerótica' que muitos fazem sobre Ben Hur ele foi categórico em negá-las e disse também ser contrário a leis de união civil para pessoas do mesmo sexo.

Lamento sua morte, discordo de suas opiniões, respeito seu talento e dedicação ao cinema mas o que tenho certeza todos serão unanimes em concordar é que Charlton Heston no final dos anos 50 foi o homem que melhor defendeu o Cinema Épico, e claro era o melhor ator de 'saia' da sua geração, e que pernas!

...

Se joga:
Ben Hur, direção William Wyler, relançamento com extras
El Cid, direção Anthony Mann, mais um épico
Planeta dos Macacos, direção Franklin J. Schaffner, primeira produção em 1968 depois teve uma continuação em 69 e virou série, recentemente tivemos aquela refilmagem ridícula que nem vamos comentar.

2 comentários:

Anônimo disse...

Procurando no Google alguma coisa sobre o Maestro Marcelo de Jesus, "topei" com o seu blogger, muito bem construído visualmente e de conteúdo e, acabei lendo seu comentário sobre Ben-Hur, o qual preciso rever mais uma vez das tantas que já revi, e concordo com o que diz. Abraço e sucesso.Osvaldo - odval@uool.com.br - http://odval.fotoblog.uol.com.br

viralata disse...

Obrigado Osvaldo, Ben Hur é "o' filme!
;)