18 de abr de 2008

Depois da tempestade

Assunto de hoje na capa do Jornal "A Crítica", tempestade na cidade e logo abaixo foto de Celine Imbert (Compositor) e Rosana Schiavi (Zerbinetta). Depois da tempestade vem a Arte!

A estréia de "Ariadne auf Naxos" foi excepcionalmente tranquila e menos tumultuada do que "Ça Ira", compreende-se, volta o público tradicional e os críticos internacionais (os brasileiros chegam para a segunda récita) todos ansiosos em saber o que eu aprontaria com um verdadeiro 'clássico' dos palcos operísticos.
Após um curto e dinâmico prólogo a satisfação de todos era visível, ainda mais vendo do lugar privilegiado da minha cabine de luz no Teatro Amazonas que é exatamente num camarote na platéia (onde, devo confessar, esqueci algumas 'cues' de luz observando as reações. Ah esses diretores que operam luz...). Comentavam comigo, logo depois do intervalo, que em poucas vezes eles se divertiram tanto com o "Prólogo", já que é de uma escrita dificílima e que quase sempre os encenadores optam por uma interpretação mais 'cool'.
Mas não foi o meu caso, ainda mais com o cast que eu tenho, TODOS absolutamente brilhantes e cada um com o seu pequeno momento, consegui espaço até para trabalhar com alguns atores, serviçais da mansão em que a história se passa.

Minha curiosidade maior com relação a segunda parte, a "Ópera" era qual seria a reação com a entrada da trupe de commedia del'arte, transformada por mim num grupo de rock'n roll fantasiados como integrantes do "Kiss", acompanhados por uma Zerbinetta rock star, com direito a luzes de neon e tudo!
Vi uns incrédulos, outros rindo, comentando e boquiabertos. Reação que suavizou bastante no segundo quinteto da trupe que continuava a caráter na estética rocker mas desta vez vestidos e com atitudes de algum grupo Emo. Pela primeira vez vi a platéia despreocupada com as legendas e prestando atenção no que acontecia no palco, minha satisfação neste momento é indescritível, posso tentar resumir em 'felicidade'.

Juro que fiquei com receio, na parte mais 'séria', se todos entenderiam o porquê do personagem Baco perdendo as forças em uma cadeira de rodas e em seguida de muletas. Um crítico alemão habitué do FAO disse ao final que numa 'rodinha de discussão' eles reprovaram a idéia já que no final eu faço o Baco voltar a caminhar. Ao que eu retruquei:
- "Mas ele só caminhou porque Ariadne teve que encontrar forças para que ele voltasse a viver. Ela teve de ser forte duas vezes!"
E ele:
- "Mas então você é contra o poder dos homens?"

Huuummm, não é bem assim. Mas quando o assunto é Amor sabemos que em toda a dramaturgia universal a Mulher é predominantemente muito mais forte do que os Homens.
Já disse aqui antes, Ariadne abandonada por Teseu na ilha de Naxos espera pelo sublime amor e quem aparece é Baco mostrando para ela que a paixão não precisa ser esquecida e pode ser reconstruída.

Já estou pensando em dirigir para o teatro algo que seria como "A Vingança de Ariadne", alguém se habilita em escrever... hehehehe!

6 comentários:

Pablo disse...

Parabéns Caetano, sempre passo por aqui para ler sobre o FAO e saber novidades da ópera nacionalmente, só agora resolvi comentar. Sou de Belém e queria muito ir ter ido ver Ariadne, nem posso imaginar como seria ouvir ao vivo a ária de Zerbinetta.
Sucesso!

viralata disse...

Obrigado Pablo, estive na sua cidade no ano passado pela primeira vez para participar do Festival de Ópera daí, assinei uma divertidíssima Cenerentola e a luz do Guarany. Amei Belém e se vc der uma sapeada no blog verá em "quem tem ibope" que Belém possui 10 posts!!!
Espero voltar um dia... abraço

Toner disse...
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Pablo disse...

Espero que volte sim Caetano =)
Acompanhei todo o festival daqui ano passado e gostei muito da cenerentola que você dirigiu, apesar de ser "um pouco" vermelha hehe

viralata disse...

Pois é era meio vermelha demais mesmo!! hehehehe, soluções de última hora já que tivemos um probleminha orçamentário... ui!
Valeu
;)

Igor Santana disse...

Esse seu comentario me deu mais tesão para ver Ariadne. Que venha logo dia 26.

aBraço Mr. Apolo