16 de abr de 2008

Outras Revoluções

Abaixo o texto que escrevi sobre "Ça Ira" para o programa do XII Festival Amazonas de Ópera:

Roger Waters encontrou pela primeira vez o compositor Etienne Roda-Gil no, cada vez mais importante, ano de 1968. Sem ter ainda a dimensão exata do que estava acontecendo naquele momento, despediram-se com um desejo em comum: criar uma música que “pudesse iluminar o coração dos homens”! Surgiu então como tema a Revolução que mudou a forma de pensar a política no mundo e que mesmo depois de quase 220 anos ainda têm o seu primeiro período dissecado como o maior fenômeno “sem heróis” da História.
Waters sempre teve intimidade com temas políticos, seja no seminal “Pink Floyd”, onde “The Dark Side of the Moon" é o exemplo mais óbvio, ou até em sua carreira solo cantando sobre a estupidez das guerras em “Amused to Death”; um retrato antecipado sobre os conflitos no Golfo Pérsico e não seria exagerado afirmar que poderia servir de trilha nove anos depois para o, também estúpido, ataque às “Torres Gêmeas”!
Poucos são os artistas assim, que deixam uma visão retrospectiva do seu tempo em sua obra. Foi o caso do pintor Eugène Delacroix (1798-1863), um artista menos político que o seu contemporâneo Gustave Coubert (1818-1877) por exemplo, mas que nos deixa o primeiro quadro político da pintura moderna e o “logo” da Revolução Francesa, o cívico: “La Liberté Guidant le Peuple”/”A Liberdade Guia o Povo”.
“Ça Ira” não é apenas uma ópera sobre a Revolução Francesa é também um exercício erudito metalingüístico onde artistas e povo se misturam transfigurando o sentido de qualquer Manifesto ou Revolução.
Palácio e Picadeiro, Vida e Morte, 1789 e 1968 são movimentos cíclicos que retornam - não só - às ruas de Paris de tempos em tempos com carruagens ou carros em chamas e cartazes sempre clamando por justiça. No fundo mesmo o clamor em qualquer época seria resumido num só cartaz:
“THERE IS HOPE”!

CAETANO VILELA
Diretor Cênico e Iluminador

2 comentários:

Igor Santana disse...

não pude ir ao T.A. na estreia, mas certamente no dia 24 e 26 estarei por lá. Assisti o último ato pelo Amazon Sat. Achei divino, nunca imaginei tamanho espetaculo aqui em Manaus. Fiquei um tanto indignado com a impresa [nacional e internacional], parece não dar tanta importância para um Festival de tal grandeza.

Parabéns pelo trabalho.

viralata disse...

Valeu Igor, mas olha tenho de discordar de vc!Na estréia de Ça Ira fomos destaque no Jornal da Globo com matéria gravada, chamada ao vivo e link no encerramento do Jornal, nesta quarta novamente matéria no Jornal Nacional e pelo que vc pode ver a cobertura local foi incrível e a nacional seguiu no mesmo padrão, estou com dezenas de jornais recortados aqui comigo no hotel! Qto aos jornalistas estrangeiros alguns chegaram para a estréia e outros virão para a segunda récita (pois assim eles conseguem assistir tb outros espetáculos dentro da programação). E por último o FAO é reconhecido internacionalmente como um dos mais influentes festivais de ópera do mundo... acredita?!Posso te provar com revistas especializadas de diversas partes do planeta. Hoje, por exemplo, acabei de dar uma longa entrevista para uma revista alemã!
Pronto espero ter tirado esse peso da indignação das suas costas1 hehehhe
Abração querido.