30 de mai de 2008

O 'quase final' da ópera

Teatro Amazonas já pronto pela tarde para se transformar no castelo de "Turandot"

A estréia de "Turandot" foi um sucesso, mesmo debaixo de chuva! Waallll!!!!
Já presenciei vários momentos destes por aqui em Manaus, espetáculos ao ar livre, seguido de chuva com orquestra tocando embaixo de guarda-chuvas e o povo sem arredar o pé, transformando cadeiras em 'chapéus protetores', incrível! Mas vamos combinar que a densa ópera de Puccini, 150 anos de nascimento neste ano, é de arrepiar mesmo sob uma tempestade.

Testamos neste ano Orquestra e Coro dentro do Teatro Amazonas (com o som e imagem transmitidos para fora) e os solistas e figuração junto do 'povão' numa passarela ao redor do Teatro, somo já mostrei aqui embaixo. Assim teríamos o controle em uma situação como essa e manteríamos o espetáculo com uma boa qualidade sonora (instrumentos desafinam com muita facilidade quando expostos ao ar livre) sem precisar parar por causa de uma garoa ou uma chuvinha mais forte.

Agradecimento no final do espetáculo mostra o 'povão' que não arredou o pé. Quem tinha guarda-chuva se deu bem, os outros ou se molharam ou se escondiam pelas marquises

A ironia do destino foi que começou a chover pouco antes da ária "Tu che di gel sei cinta" de Liú no III Ato do espetáculo, e intensificou no final da ária quando Liú se mata (sorry, contei o 'quase final'). Acontece que foi exatamente aí que Puccini parou a ópera tendo falecido antes de terminá-la, o que vemos nos palcos do mundo é um final escrito por Franco Alfano com 'pitacos' do maestro, e amigo de Puccini, Arturo Toscanini.
No XII FAO o perfeccionista maestro Marcelo de Jesus escolheu outro final, o de Luciano Berio (estreado em 2002) inédito no Brasil e por sinal muito bonito.

Quando Toscanini regeu a estréia da ópera no Scala de Milão ao chegar exatamente neste momento final da ária, virou-se para o público e disse solene:
-"A ópera termina aqui porque neste ponto o maestro morreu."

Juro que quase vi uma reencarnação de Toscanini em De Jesus, quando o avisamos do chuvaréu danado que estava do lado de fora.
Estávamos preparados para encerrar ali mesmo, com a saída do corpo da Liú (Gabriella Pace), quando cinco minutos depois a chuva foi se transformando em uma garoa 'suportável' para encerrarmos com o dueto final entre Turandot (Eiko Senda) e Calaf (Martin Mühle).
Sorte do público, e sábado tem mais!

2 comentários:

Igor Santana disse...

não pude ver o final, estava muito quente, abafadão. como um bom manauara previ que choveria [apesar de céu esta relativamente 'limpo'], e isso não me faria bem, estava doente, ainda que bem melhor. Preferir ir pra casa, mas sábado eu vejo tudo.

fiquei P-A-S-S-A-D-O. Me diz, como uma pessoa [Eiko Senda] pode arraza tanto!? Essa mulher me faz gozar litros. Não menos importartante e gozante, aquela iluminação, o que foi aquilo!? e a orquesta e o maestro [que sou fã] e tambem a cenografia e os figurinos!

aaah pena que ano que vem não vou estar por aqui pra ver o festival. :(

Abraço Mr. Apólo

viralata disse...

não se preocupe baby, no ano que vem (se eu viver!) te contarei tudo o que acontece, assim vc mantém os seus 'orgasmos múltiplos'! hauahuaha
P.S.: E pra onde o Sr. pensa que vai?!
;*