26 de mai de 2008

A 'parada' é essa

Um brinde a Derek Jarman, "o pai da Parada" antes mesmo dela existir!

E por falar em "Parada" o NYTimes de ontem trouxe como manchete na página de cinema um título bem apropriado: "Gay, Punk and Ever the Provocateur", em uma frase resume o perfil do que foi a vida e a obra do cineasta Derek Jarman.
Jarman, morreu de AIDS aos 52 anos em 1994 e é resgatado agora por Isaac Julian que teve o seu documentário "Derek" lançado em janeiro no badalado Sundance Festival. Também uma retrospectiva de seus filmes estarão acontecendo agora em junho (9 a 16) no "Museum of Modern Art" em Nova York.

Também em junho (24) a distribuidora Zeitgeist Films lança no mercado americano seus filmes numa caixa especial , “Glitterbox", que se você não assistiu a nenhum perde, e muito, a referência de um cinema provocador e teatral (sim, também gay) que até agora não teve substituto, trata-se dos ícones:
"Caravaggio" (1986), a vida do pintor contada de uma maneira atemporal com suas luzes e sedução, "Wittgenstein" (1993) sobre o filósofo gay atormentado, "The Angelic Conversation" (1985) o meu preferido, são os sonetos de Shakespeare interpretados como se fosse um video clip lisérgico e, claro, vinculando as palavras do bardo inglês a uma relação homossexual com imagens granuladas de 16mm numa espécie de floresta idílica.
Pra completar, "Blue" (1993) feito quando Jarman já não tinha esperanças de vida, este é o seu último filme e o seu "atestado" ainda em vida. Ele é todo narrado por atores que trabalharam com Jarman, como a 'neo-oscarizada' e maravilhosa Tilda Swinton, detalhe: não têm imagens, apenas a tela azul e a voz em off dos atores.
Quando assisti (ou melhor seria dizer, 'ouvi') Blue foi numa sessão da Mostra de Cinema no Centro Cultural São Paulo e era triste ver as pessoas saindo iradas e vaiando o emocionante relato de um homem que só viveu e respirou para entender o "amor que não ousa dizer o seu nome".

Vale a pena correr atrás das locadoras daqui mesmo, para conhecer um pouco mais sobre este cara, inclusive os outros filmes, excelentes que não fazem parte desta caixa, talvez o seu filme mais 'acessível' seja "Edward II" (1991), adaptado de uma peça teatral de Marlowe sobre o rei que renegou a sua própria esposa para viver com um plebeu.
Difícil é encontrar "Sebastiane", a sua estréia cinematográfica, sobre a vida (lógico!) de São Sebastião, "War Requiem" também é fantástico! Assisti a toda cinematografia de Jarman em Mostras e Cineclubes que hoje em dia estão bem mais caidinhas do que no fim dos anos 80, que pena!

Fica também uma sugestão para a "Parada" do próximo ano, que tal organizar uma retrospectiva de filmes que 'pensaram e antecederam' todo este hoje milionário mercado? Tá, eu sei que já existe o Mix Brasil, mas nunca é demais né?
Sugiro também um "Trio Elétrico" com uma imensa tela no lugar dos go-go boys (não tô maluco, eles sairiam no asfalto, tá!) exibindo trechos de filmes de Pasolini, Jarman, Gregg Araki, Almodóvar, Gus Van Sant e outros mais. Fica a sugestão, não cobro nada por ela e se precisar ajudar na programação estou às ordens!

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