7 de jun de 2008

Ainda sobre "Ariadne". Réplica e tréplica

Depois que eu publiquei aqui no Blog sobre o cancelamento da co-produção da ópera que eu dirigi em Manaus, "Ariadne auf Naxus", e que o Municipal daqui apresentaria em agosto, recebi esta resposta da Diretora do Teatro, que publico na íntegra:

Prezado Sr. Caetano Vilela
Lamento que somente pelo site do Teatro Municipal tenha sido informado que estava desfeita a parceria entre Manaus e São Paulo no tocante à ópera Ariadne auf Naxus, pois desde 7 de maio comunicamos à Sra. Chefe de Gabinete da Secretaria de Cultura de Manaus que o tempo necessário para se trazer a São Paulo uma ópera desta magnitude havia se esgotado. Desde meados de janeiro tentei encontrar meios de viabilizar a parceria, impedida pelos motivos que o senhor expôs em seu blog. Todas as tratativas infelizmente não obtiveram sucesso.
Estando o Maestro Jamil Maluf no Amazonas regendo "João e Maria", busquei encontrar um diretor que pudesse montar Ariadne auf Naxus em tempo tão limitado, pois julguei que o senhor não gostaria de executar um trabalho idêntico ao que havia feito para Manaus ou mesmo uma concepção diversa daquela. Convidei outro diretor, que felizmente acolheu a proposta. Assim que o Maestro Jamil reassumiu suas atividades no Teatro comuniquei a ele a decisão; também fui eu quem disse ao Maestro que a Secretaria de Cultura de Manaus já estava ciente da inviabilidade da parceria, o que ele muito lamentou. Desta forma, não procede sua declaração de que o Maestro articulou outro nome ao chegar a São Paulo.
Compreendo sua mágoa por não ter recebido um telefonema que o informasse que a parceria havia sido desfeita, mas esclareço que em São Paulo supúnhamos que a Secretaria de Cultura de Manaus havia comunicado a todos nossa posição. Aproveito a ocasião para parabenizá-lo pelo sucesso de Ariadne auf Naxus constatado em Manaus. Peço ao senhor que publique em seu blog as explicações que o Teatro Municipal de São Paulo agora oferece.
Cordialmente,

BEATRIZ FRANCO DO AMARAL
DIRETORA | TEATRO MUNICIPAL

...

Minha resposta para ela foi esta:

Olá Beatriz,
Obrigado pela tardia declaração. Publicarei sim na íntegra no meu Blog a sua resposta, como também esta que segue!
Em primeiro lugar seu julgamento foi precipitado quanto a minha participação numa remontagem, achava que todos no TMSP conhecessem a minha dedicação e o meu talento e sinto imensamente que tenham me desqualificado sem nem mesmo antes terem me consultado. Achei deselegante.
Quero acreditar então que o maestro Jamil Maluf não gostou do que viu em Manaus (aliás têm todo o direito!) e já que o convênio estava complicado mesmo, resolveu seguir adiante com outro diretor, pois sei bem que essas decisões são exclusivamente tomadas por ELE (o que não me ofende nem um pouco, cada um trabalha com quem gosta, acredita e se sente mais seguro, e para resolver um 'pepino' desses ele escolheu trabalhar com quem têm mais afinidade. Para o Maestro Malheiro, por exemplo, eu sou essa pessoa!). O único detalhe é que nem eu nem a minha equipe fomos avisados. Detalhe, mais bem chato como você pode imaginar.
Outra coisa foi o envolvimento pessoal, e não "institucional", dos dois maestros em busca de uma solução que pudesse viabilizar ainda a montagem. E repito o que publiquei no Blog: quando o maestro Jamil saiu de Manaus tive uma reunião com o maestro Malheiro e ele me disse que estávamos sim caminhando para um entendimento. Daí acontece tudo isso... realmente é lamentável.
Desejo boa sorte a todos.
Caetano Vilela

Um comentário:

viralata disse...

Resposta que acabei de receber da Direção do TMSP por e-mail e que publico na íntegra:
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Olá Caetano

O TMSP gosta muitíssimo de seu trabalho, tanto que esperamos contar com você na Ópera Colombo.
Reafirmo que a decisão não envolveu o Maestro Jamil Maluf, pois foi a assessoria jurídica do Teatro que me comunicou que o tempo para que se viabilizasse todo o processo necessário para se trazer a sua Ariadne a São Paulo havia se esgotado. Por exemplo, depois de Manaus ter nos confirmado que poderia entrar na negociação, não havia mais tempo de se fazer o caderno técnico e o processo licitatório referente ao transporte. Este foi apenas um dos problemas surgidos, posso elencar mais de 6.
Sobre achar que você não gostaria de repetir em SP o mesmo trabalho que fez em Manaus, ou mesmo apresentar uma concepção diversa, foi a conclusão a qual cheguei, portanto, não envolve os Maestros Jamil e Malheiro.
O principal entrave foi o tempo em que a Associação levou para nos informar que sua documentação não encontrava-se atualizada, então, enquanto buscávamos soluções alternativas, o tempo foi se esgotando.
Sobre sua Ariadne, o Maestro Jamil e todos os que lá estiveram foram
categóricos ao afirmar que foi uma beleza: sei, inclusive, que a montagem contou com um palco giratório que a todos encantou.
Caetano, apenas para concluir o assunto, entendi que não caberia ao TMSP comunicar a todos os envolvidos a decisão, posto que as negociações estavam sendo desenvolvidas com a Secretaria de Cultura de Manaus; era lógico pensar que a sra. Mimosa, chefe de gabinete do Secretário, comunicaria a decisão a Maestro Malheiro que por sua vez, informaria a todos os envolvidos.
Atenciosamente,

BEATRIZ FRANCO DO AMARAL
DIRETORA | TEATRO MUNICIPAL