5 de jun de 2008

Uma outra 'Ariadne' para São Paulo

Quem viu, viu! O público de São Paulo receberá uma outra produção de "Ariadne auf Naxos" já que nenhuma solução dada por Manaus foi aceita pelo Municipal de S.Paulo

Soube de uma forma bem chata (pelo site da prefeitura de SP) que a ópera que acabei de dirigir em Manaus, "Ariadne auf Naxos" e que selava a primeira co-produção entre o Teatro Amazonas e o Municipal de S.Paulo não vai acontecer. Ou melhor, acontecerá com outra equipe e mesmo elenco escalado.

Os motivos são o seguinte: já em Manaus o maestro Jamil Maluf (que estava a frente de sua produção de "João e Maria" a convite do FAO) estava preocupado com os rumos burocráticos que o tal acerto 'entre governos' vinha tomando e me disse que faria tudo para não cancelar a produção. Por sua vez o maestro Luiz Fernando Malheiro também buscava soluções para que finalmente pudessemos falar com orgulho que SIM era possível um diálogo entre duas das 'casas líricas' mais importantes do País.

Dois dias após o encontro com Jamil, Malheiro me tranquilizou dizendo que já que não era possível assinar convênio com a Secretaria de Cultura de Manaus (a 'associação amigos (?) da cultura' que representa o Teatro Amazonas está em débito com o FGTS e não pode assinar nada e nem tirar 'certidões' e outros documentos!) a produção viria de graça para São Paulo e a parte que cabia a Prefeitura daqui seria usada para o transporte e a readequação da produção.
Alguns telefonemas depois entre pessoas ligadas aos governos de ambas as partes dava como certo esta última solução.

Parece que não foi bem assim, ao chegar em São Paulo após as récitas de "João e Maria" (que aliás foi um sucesso tremendo), Jamil já começava a articular realmente uma nova produção para manter o título divulgado com tanta antecedência. Como o 'meio lírico' é um ovo de pequeno todos esses boatos já haviam chegado aos meus ouvidos ainda em Manaus, mas juro que acreditava numa solução menos traumática. E eu não digo isso pensando apenas em mim mas também nas 'instituições' envolvidas e no ato 'simbólico' que isso poderia representar para futuras produções de diversas outras casas de ópera do País.

Obviamente fico muito triste, primeiro por não ter sequer recebido um telefonema para dispensar o meu trabalho, depois por toda a minha equipe que já estava agendada.
Fico frustrado também porque a estréia está marcada para o dia em que completarei 40 anos e comemorá-lo no palco do teatro da minha cidade só vinha coroar toda a dedicação dos meus 22 anos de carreira para as artes cênicas. Foi mal, mas vou me recuperar!

Quero agradecer imensamente ao meus amigos cantores e toda a minha equipe que se dedicaram tanto e tão bem aceitaram todas as minhas idéias, também ao meu amigo Luiz Fernando Malheiro que neste ano comemora seus 50 anos de vida, dos quais eu pude felizmente acompanhá-lo por 10 anos e tenho certeza estarei ao seu lado em muitas outras experiências inovadoras.

5 comentários:

Igor Santana disse...

e Ça Ira? [atonito]

Anônimo disse...

É, Caetano, tudo o que envolve governo é uma bosta. A inadimplência de Manaus(que cá entre nós, depois de 12 anos ainda é amadora na condução de toda a produção do festival, não pagando ninguém até agora, inclusive você!)e a ansiedade de São Paulo desrespeitaram todos os envolvidos na produção da ópera. O engraçado é que. O engraçado é que o elenco escalado para a Ariadne paulistana será mantido mas a equipe técnica não. I didn't understand.
Mas isso sai na urina amanhã. Fodam-se todos.
Quanto aos seus 40 anos de vida e 22 de carreira(está alcançando a Nívea Maria, hein!) a gente vai arrumar um jeito de comemorar comme il faut!
Precisa de palco?
Não serve um almoço, um jantar ou um brunch?
Talvez um sarau lítero-musical?
Sei lá.
Mas, seja bem vindo à sua cidade.
Chega de jungles.
É difícil mesmo lidar com egos incompetentes ainda mais quando eles estão comprometidos com poder, governos e vaidades.
O que é inconcebível é o descaso com que todos eles tratam os profissionais que dedicaram, no mínimo, 6 meses de suas vidas para apresentar um produto digno de ser apresentado nas melhores casas de espetáculo do mundo e, melhor, com um orçamento que não daria nem para organizar festa de formatura de 2º grau.
Acho que não há mais nada a dizer a não que estou com saudades.
Beijão
Miguel Falci Júnior

ER disse...

au au au au

Vocês não merecem este País!!!


xoxo

PS. 40 anos? Hum...
kkk

Anônimo disse...

V SABE que o TMSP fez tudo o que pode.
Seja HONESTO. A culpa foi TODA da Secretaria de Cultura de Manaus.
Pense no seu KARMA!

viralata disse...

Querido anônimo, repito: A SEC de Manaus foi irresponsável em não poder assinar o convênio já que a entidade responsável por isso está em débito com o FGTS mas outras soluções foram dadas para que a 'parceria' acontecesse! Reconheço todo o esforço de ambas as partes para isso.
Agora sendo bem HONESTO não esperava uma atitude 'unilatereal' da parte de SP no cancelamento da MINHA direção, NÃO fui comunicado, muito menos a minha equipe! Sendo bem HONESTO achei deselegante, para dizer o mínimo publicável, já que outro diretor estava sendo sondado ANTES mesmo que qualquer solução pudesse ser dada! O que posso pensar? Ora, independente dos esforços do maestro Malheiro tudo já estava mesmo acertado.
KARMA!?!?! hauahauahau, essa é boa! Meu Karma querido já foi pago há tempos, estou pensando agora é na minha vingança... kkkkkkkkkk