31 de jul de 2008

1 x 0 para os Artistas (ou: o ex-ministro de um governo 'papaia')

Manchete de hoje na "Folha de S.Paulo":
"GILBERTO GIL TROCA GOVERNO PELA CARREIRA APÓS 5 ANOS"

Juro que só comentarei sobre esse tema novamente apenas 'pontualmente', destaco na matéria trecho que em júbilo Gil se despede:
- "(...) É a terceira vez que o ministro pede para deixar o cargo - nas outras duas, foi convencido pelo presidente a ficar. "Eu disse a Lula que estava dois a zero para ele. Hoje, eu fiz um gol", afirmou, após cinco anos e meio à frente do ministério".

Que nojo Gil!
O nosso desprestígio (artistas) é tamanho que um ministro 'é obrigado' a ficar num cargo sem ao menos gostar ou querê-lo, e ainda comete uma deselegância desta resumindo sua permanência como se fosse 'um favor ao presidente'!
Imagine se o ex-Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos fizesse uma declaração desta quando entregou o cargo ao presidente, depois deste ter implorado em várias situações para que ele continuasse Ministro (e ele continuou!).

Fiquei tão colérico com essa frase de Gil que nem consegui gargalhar (como sempre acontece quando leio mais de uma sentença pronunciada por ele) com o seu resumo de "um ciclo na gestão petista":
- "(...) O governo do presidente Lula significa uma refazenda extraordinária do país. Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão..."

Embora tenha vencido por "2 x 1" o governo perdeu o melhor palhaço do seu circo. Não fará nenhuma falta.
E por falar em circo e o Ministério da Pesca, como anda hein?

30 de jul de 2008

Aquele abraço

"Treinei minha voz para o canto, e não para discursos", disse o Ministro Gilberto Gil para justificar sua saída do Ministério da Cultura. Segundo o "Estadão" de hoje ele se encontra com o presidente para discutir detalhes da sua saída.

O que devemos pensar então, já que Gil está no Ministério desde 2003 e depois de diversas titubeadas em sair ou não sair deixou-o entregue praticamente a sua equipe (bastante criticada por vários setores artísticos - do cinema a museus. Teatro nem vou citar já que tanto Gil quanto Lula DETESTAM teatro!)?
Que vá cantar então em outra freguesia meu senhor!

Os aspectos positivos que ele destaca na sua pasta foram o reconhecimento como "Patrimônio Cultural Brasileiro de elementos da cultura regional como a capoeira, o frevo, o samba de roda e a pintura corporal dos índios."

Tinha me esquecido mesmo da "pintura corporal dos índios"!!!!!

Meu deus quando este pesadelo vai acabar?

29 de jul de 2008

"Eu vou estar transferindo Senhor"! (ou: "Trinta Tartaruguinhas Indianas")

Vocês viram né, as Empresas com "call centers" terão dois meses para se adaptar as novas regras do Código de Defesa do Consumidor. Leia mais no Caderno de Economia do "Estadão" de hoje.
Isso significa que os "call centers" (sorry Aldo Rebelo, em inglês soa melhor mesmo!) terão de estar disponíveis 24 horas, sete dias por semana para serviços de urgência, as ligações só poderão ser transferidas uma única vez (GLÓRIA!) e finalmente poderemos falar a qualquer momento com um atendente e não ficarmos restritos ao menu eletrônico (ALELUIA SENHOR!), ah e os cancelamentos de serviços terão de ser IMEDIATOS (HOSANA NAS ALTURAS!!!).

Foram cinco meses de negociações e discussões com todas as partes envolvidas e o presidente deve assinar o decreto no próximo dia 31.
- "Eu vou estar aguardando Senhor!"

...

Não lembro se cheguei a comentar por aqui o livro que li de Thomas Friedman, "O Mundo é Plano", em que ele num arroubo 'globalizado' nos diz que é praticamente impossível nos isolarmos no planeta. Tudo está tão próximo é acessível que já não divisaremos as fronteiras dos serviços que nos são prestados.
Um exemplo que ele dá é exatamente dos "call centers" das grandes empresas, incorporadoras e grandes escritórios de advocacia americanos. Muitos deles terceirizam os "call centers" para países distantes como a Índia (um gigante no setor com mão de obra barata) acirrando a disputa de um grande mercado de prestação de serviços.

Segundo suas pesquisas, "cerca de 245 mil indianos atendem ligações de todas as partes do mundo ou telefonam para oferecer cartões de crédito ou telefones celulares em promoção (...) são empregos mal remunerados e de baixo prestígio nos EUA, mas na Índia são associados a uma boa remuneração e um 'status' elevado".

Prova disso é a disposição que os indianos têm em realizar cursos como o de "Neutralização de Sotaque" (!), com aulas ministradas por um professor de inglês para "disfarçar a acentuada pronúncia indiana" (lembrem-se que a Índia foi colônia do Império Britânico) substituindo pelo acento americano ou canadense.

Esse trecho do livro aliás é uma pérola e tenho de dividir com vocês, quem sabe seja um exemplo para eliminarmos de uma vez por todas a 'solapada de gerúndios' a que somos obrigados ouvir todos os dias, precisamos apenas pensar em um exercício 'trava-língua' melhor do que os pobres indianos são obrigados a estudar no primeiro dia de aula, leia rápido:
- "Thirty little turtles in a bottle of bottled water. A bottle of bottled water held thirdy little turtles. It didn't matter that each turtle had to rattle a metal ladle in order to get a little bit of noodles"*

* Trinta tartaruguinhas numa garrafa de água mineral. Uma garrafa de água mineral continha trinta tartaruguinhas, Não importa se cada tartaruga tinha de sacudir uma colher de metal para conseguir um pouco de macarrão."
...

Se joga:
"O Mundo é Plano: Uma breve História do Século XXI"/Thomas L. Friedman/Editora Objetiva

27 de jul de 2008

"Um beijo roubado" num Cinema antigo

Longe da discussão sobre o avanço dos 'multiplex' por toda a cidade, o que eu quero dizer é que é simplesmente um luxo ainda termos alguns cinemas antigos perdidos em São Paulo.
Dos pouquíssimos que restaram o que mais gosto é o "Gemini", naquela galeria na Paulista, ao lado da 'nossa prainha' onde os executivos fazem a sua 'hora-feliz'.

Acabei de voltar de uma sessão de "Um Beijo Roubado" de Won Kar-Wai que só está passando lá numa única sessão às 21h15. Tá bom, eu sei que não deu tempo de ver tudo o que perdi enquanto estava fora da cidade, mas estou me atualizado aos poucos.
O filme? Ah, é ok, Norah Jones é boa, Jude Law é lindo e está 'de jude law', mas o que chama a atenção mesmo é a fotografia incrível e o cuidado que Kar-Wai tem com a movimentação da câmera. O máximo!

Se você ainda não assistiu vá nem que seja pelo Cinema e se quiser voltar pague, além do seu ingresso, + R$ 4,00 e assista a outros filmes que estão em cartaz.
Ah, só uma coisinha, é PROIBIDO FOTOGRAFAR QUALQUER AMBIENTE SENHOR!
Foi o que ouvi da mocinha que recolhe os ingressos, mas já era tarde demais, 'sorry I did it again'!

Depois de entrar na sala, suba essa escadaria com iluminação anos 50, embutida nos corrimões de madeira maciça...

... e se o filme ainda não começou, e não vai demorar, sente nesta ante-sala de espera com cadeiras de ferro originais. Agora se vai demorar um pouco mais...

... é melhor esperar na ante-sala maior com poltronas de couro baixas e esse show de carpete gráfico que aliás 'tematiza' as salas, a outra é toda em tons de azul.

Se der aquele 'aperto' e você for 'boy' o banheiro masculino parece filme do Bergman, fazendo a 'linha drama' todo em vermelho, iluminado por essas florescentes na vertical, a-d-o-r-o!

...

Se Joga:
Cine Gemini, av Paulista, 807 (tel. 3289-3566)

26 de jul de 2008

L'amour n'est pas...

PEDAÇOS DE MIM

Pedaços de mim e de cenários! Sabe quando acaba um espetáculo e você quer uma lembrancinha? Foi assim com o final de "La Voix Humaine".

O Guitarrista Punk do Viaduto Jacareí

OLHAR URBANO

A reforma da praça ao lado da Câmara Municipal de S.Paulo com certeza apagará essa figura 'chapada' tocando guitarra

25 de jul de 2008

Examinando a Ópera

A excelente Revista Exame (para mim a melhor revista, não só sobre economia, do Brasil!) traz uma interessante matéria sobre a recuperação do teatro Metropolitan Opera (MET) em Nova York.
O MET é administrado pela prefeitura e depois de praticamente ir a bancarrota com os seus 4000 mil lugares no começo dos anos 2000 profissionalizou a sua gestão e hoje volta a ter lucro com a simples idéia de 'popularizar a ópera'.

Como? Com idéias simples como: baixar os preços dos ingressos, intercalar títulos populares com alguns mais contemporâneos (essa foi por minha conta), exibir óperas em telões espalhados por NY e a 'pièce de résistance': exibição em salas de cinema das óperas exibidas ao vivo do teatro para outros estados dos EUA, Europa, Austrália e Japão!

...

E por aqui?
Bom, se falarmos dos grandes centros, temos as vendas antecipadas no Teatro Municipal de SP com uma temporada regular nos últimos anos o que já é um grande avanço, tenho amigos que não puderam assistir ao belíssimo "Castelo do Barba Azul" que o Felipe Hirsh dirigiu já que os ingressos estavam esgotados praticamente um mês antes da estréia. E para quem não pode contemplar Eiko Senda em "Butterfly" dentro do teatro, soube que um telão foi colocado do lado de fora para que todos pudessem acompanhar o espetáculo.

Na, agora regular, temporada do Teatro S.Pedro/SP, que é administrado pelo Estado, não vemos a mesma excelência administrativa (trabalhar lá é um verdadeiro 'parto a forceps' de tão burocrático), artística (intercalando produções 'amadoramente' escolares com outras 'escolarmente' profissionais) e 'marketeira' (péssima divulgação e distribuição de cortesias, deixando a sala pela metade com anúncio na bilheteria de 'lotação esgotada') que vemos na Sala São Paulo, essa sim a 'menina dos olhos' do Governo. Uma pena!

O Teatro Municipal do RJ costuma deixar uma récita com ingressos a R$ 1,00 (ou quase isso) sem lugar marcado e com compra no dia da apresentação, e o resultado disso, que aliás, eu pude presenciar por mais de uma vez em espetáculos que trabalhei lá: filas gigantes começam a se formar na madrugada do perigoso centro carioca com gente de todos os bairros com as suas cadeirinhas de praia para a sessão das 11 da manhã!
Ópera de manhã, praia à tarde que ninguém é de ferro, tá!!!

Em Manaus onde trabalho muito não posso falar de uma temporada já que óperas por lá acontecem somente durante o Festival em abril e maio. Mas posso dizer que as apresentações ao ar livre que encerramos ou abrimos o FAO, e eu já dirigi 3, são para um público de mais de 30 mil pessoas que assistem bem próximos dos palcos montados ou em telões (com legendas!) espalhados pelo entorno do Teatro Amazonas.

É minha gente, mas o Brasil é tão grande e poderíamos ter tantos exemplos de sucesso que é até covardia compararmos com uma gestão profissionalíssima e, antes de tudo, a boa VONTADE POLÍTICA como a do MET.
E antes que me chamem de bairrista, obviamente sei que o Palácio das Artes/BH tem ampliado seus títulos com sucesso ano a ano, também o 'renascido das cinzas' Festival de Ópera no Theatro da Paz/Belém continua, apesar de um fortíssimo 'fogo-amigo' contrário (gestão petista, pra variar!).

Mas para que preocuparmos com Ópera, melhor mesmo é ficarmos com a 'nossa' Capoeira devidamente reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro!
Ah, e por falar nisso cadê o nosso Ministro da Cultura, ele anda sumidinho né?

...

Se joga:
Para ler esta matéria e muitas outras interessantes a senha desta quinzena da Revista Exame é:
KATMANDU, entre no site www.exame.com.br

24 de jul de 2008

Inferno astral

Esse "inferno astral" está me secando... ou será a falta de chuva e umidade em São Paulo? 'Gosh'!
Parece que por mais criativo que você seja tem sempre alguma coisa te puxando pra baixo.
Tomara que chova logo, a cidade está 'carregada'!

22 de jul de 2008

Pato em ação

OLHAR URBANO

Durante a semana que passei no Sesc Santana montando a luz de "Imperador e Galileu" tive a companhia do grafiteiro Pato que preparava o saguão com uma obra sua para recepcionar o público. Da sua chegada, marcando a parede, até o final do trabalho acompanhei tudo com curiosidade e divido com vocês.

O Grafitti fica por lá até o final do mês de agosto, depois... sei lá, acho que volta a parede branca.

Pato (de branco) com seu assistente Herói, medindo a parede para 'emoldura-la'

Esboça em amarelo o 'traço-guia'

Ajusta a forma...

... e 'voilá'!

19 de jul de 2008

Protógenes é o 'caseiro' da vez!

'Têje' preso! Prender é fácil mas e quando os 'peixão' se indignam! Hummm, daí sobra para delegado, caseiro, soldado raso, favelado...

Essa história que envolveu o afastamento do delegado Protógenes Queiróz das investigações da Operação Satiagraha não me surpreende nenhum pouco, apenas me decepciona.
Protógenes é o Francenildo da vez! Francenildo vocês lembram né, foi o caseiro que desmascarou aquele sorriso do, então Ministro da Fazenda, Palocci obrigando-o a renunciar após denuncias de que frequentava uma casa de lobistas, entre 'otras cositas mas', resultado: o caseiro teve sua vida devassada, sua conta bancária vigiada e hoje está por aí vivendo de bicos.
Já Palocci... bem ele continua um influente petista de primeira linha.

E o delegado, o quê será dele? Pelo que li a gota d'água para o afastamento foi o pedido de prisão para o ex-deputado federal, e petista, Luiz Greenhalg, também advogado do banqueiro Daniel Dantas (e o foi também daquele Padre (petista!) que se envolveu com uns michês de quinta categoria que (depois de anos!) cansado de sustentar 'o boy' o denunciou). Depois disso 'ordens superiores' acharam que Protógenes estava indo longe demais.

As desculpas de Greenhalg sobre o seu envolvimento na história, de Lula 'indignado' (de novo?!), dos superiores da PF dizendo que o delegado saiu porque quis, do Ministro da Justiça Tarso Genro sobre a 'culpa' do banqueiro, do Presidente do STF Gilmar Mendes sobre o prende-solta ou a de qualquer 'peixão' que se diz 'chocado' com o desenrolar dessa história, que não está nem no começo, é só "areia nos olhos das urnas" do segundo semestre.

Afinal o PT terá forças para driblar essa 'confusão' que parece ser maior do que a da quadrilha do mensalão?

17 de jul de 2008

O que é um 'Apóstata'? Saiba assistindo "Imperador e Galileu"!

Semana agitada essa para mim! Tive um encontro internacional para um novo projeto cênico em 09 (depois do meu 'inferno astral' conto mais!), reuniões para iluminar duas outras óperas que estrearão ainda neste ano, mas o que está me tomando bastante atenção é a criação da luz de "Imperador e Galileu" dirigido pelo meu amigo e diretor Sérgio Ferrara que estréia no Sesc Santana amanhã.

Sérgio Ferrara (by Jefferson Pancieri), mais uma parceria que será um sucesso!

Já assinei a luz de cinco produções para o Sérgio desde que ele começou a dirigir espetáculos, nossa parceria vem de longe; fomos atores em núcleos diferentes do Boi Voador, dividimos durante sete anos moradia nas cercanias da Praça da Rupública, fomos professores de teatro em núcleos de pesquisa nas Casas de Cultura Municipais e ainda hoje quando a nossa agenda permite trabalhamos juntos.

A sua escolha em montar pela primeira vez no Brasil esta peça de Ibsen, veio dos estudos que ele aprofundou da obra do autor norueguês após ter montado no ano passado "O Inimigo do Povo" (com brilhante atuação do cada vez mais saudoso Olayr Cohan).
"Imperador e Galileu" é quase um 'teatro de idéias' contando a vida do Imperador Juliano desde a sua coroação com a morte de Constantino até a sua própria morte.

O tema central é basicamente o fato que tornou Juliano conhecido, seus questionamentos filosóficos e religiosos eram demasiados 'fortes' para a época, não é a toa que ele foi amaldiçoado pela igreja católica como "O Apóstata" já que "destitui a igreja católica como religião oficial do império romano e resgatou os cultos pagãos."
O 'Galileu' do título obviamente trata-se de Jesus Cristo ("aquele carpinteiro", como diz Juliano na peça) e a tentativa de Juliano de 'desmascará-lo' como 'único e absoluto' tomou boa parte da sua vida como Imperador.

Juliano:
- "(...) Imperador e Galileu! Como podem esses dois opostos ser reconciliados? Sim, este Jesus Cristo é o maior rebelde que jamais viveu. O que era Brutus, o que era Cássio, comparado com Ele? Eles apenas mataram Júlio César, mas Ele mata César, Augusto e todos nós. E ainda assim – podem o galileu e o imperador se reconciliarem? Há espaço bastante no mundo para ambos? “Ao imperador o que é do imperador, e a Deus o que é de Deus.” Jamais um ditado foi tão preciso."


O discípulo e o mestre: Juliano (Caco Ciocler) e Máximo (Sylvio Zilber), by Marcio Scavone

...

Se joga:
Sesc Santana (Metrô Jardim São Paulo)
tel. 011 - 2971.8700
18 de julho a 24 de agosto (sextas e sábados: 21h/domingos: 19h30)

Depois temos convite para o Festival de Teatro de Porto Alegre e mais uma curta temporada no Teatro Imprensa/SP.
Mantenho-os informados!

15 de jul de 2008

La Droite et la Gauche!

Direita ou Esquerda, qual é a sua escolha?

Meu intensivão na "Alliance Française" está começando a dar alguns resultados, claro que para isso não posso me limitar somente nas 3 horas de aula quatro vezes por semana. Defini uma disciplina para mim que além dos deveres de casa ('Devoir') pego uma das revistinhas francesas de moda que tenho por aqui ou mesmo um artigo no "Le Monde", que assinei on line (escolhendo entre diversas opções, sem ajuda de ninguém tá!), e leio uma matéria inteira, procurando depois palavras que "je ne comprends pas" e depois escrevo um resumão. Ufa!

Daí que chegando agorinha da aula fui lá no "Le Monde" e acabei de ler uma matéria sobre política onde o jornal fez uma espécie de questionário para que as pessoas respondessem se "A Direita ganhou a batalha das idéias".
Como vocês sabem o marido da Carla Bruni, 'pardon' quer dizer, o presidente Sarkozy representa a 'nova direita' francesa e a discussão gira em torno da tarefa que Sarkozy trouxe para si em "recuperar o vazio de idéias deixado pela Esquerda". E por lá isso ainda é bastante sério, não nos esqueçamos que o conceito de "Esquerda e Direita" surgiu lá, com os Jacobinos, um tanto explosivos, que sentavam à esquerda do Plenário e os Girondinos, mais moderados à direita, e estamos falando do século 18, 'd'accord'?

Dentre as dezenas de respostas à questão a que mais me chamou a atenção foi esta, assinada por
Myripe que levanta uma outra questão bastante séria que assola a Europa, a xenofobia/racismo de várias nações:
- "Malheureusement, oui...
Bienvenue dans un monde de brutes, au chacun pour soi et au marche ou crève* (surtout quand on est étranger)."

Que fica mais ou menos assim, livremente sem a poesia dos irmãos Campos:
- "Infelizmente sim... bem vindo ao mundo dos brutos, em que cada um é por si e marcham sobre os mortos (sobretudo quando se é estrangeiro)"
*"Marche ou Crève" também é uma canção de protesto dos anos 60

Tá tudo aqui:

14 de jul de 2008

Eu ainda torço para o Ronaldo!

Juro que não serei sarcástico com o Ronaldo agora! Nem é por pena dele (que não tenho), é mais pela constatação de que mais cedo ou mais tarde os anos cobrariam pelo seu 'crescimento instantâneo' ainda moleque vendido para Europa.

Sou fã do cara desde os tempos do Cruzeiro e vibrei com a sua contratação tanto para o PSV holandês quanto para o Barcelona. Quero acreditar que Ronaldo não teve 'estofo' cultural e emocional para suportar o peso do seu 'novo sobrenome' "Fenômeno" (assim como Adriano não está tendo com o de "Imperador"), daí as convulsões (trauma na França) e confusões ('bafón' com 'travas' na Barra da Tijuca) somadas a dezenas de cirurgias num corpo que foi 'programado' para vencer.

As fotos recentes de suas férias em Ibiza não representam, AINDA, a sua decadência. Parece mais um processo de expiação pública para que saibamos que ele também é um homem frágil, imaturo e carente.
No que depender dos brasileiros as portas estarão sempre abertas.

Boa sorte amigo!

Loucuras Surreais de Smetana

Mais um vizinho do DiHITT que me apresenta um fotógrafo maluco! Desta vez coube ao Rodrigo Valente me mostrar as peripécias de Andreas Smetana.
Smetana assina centenas de peças publicitárias que recheiam as revistas de moda e comportamento mundo afora, nasceu na terra de Mozart, isto é Salzburg, é quarentão e trabalha num esquema até que bem 'low profile' levando em conta as suas campanhas, diz ele:
- "Since my first days here I established my own (much larger!) studio with an in house retouching suíte; I have two producers, an assistant producer, reps al over the world, and a great big dog. Life is good."
Além de tudo o cara é 'fofo' e trabalha com um cachorrão!

Já tinha visto seu trabalho sem saber que era dele, pois não é que Valente destacou uma imagem de um rosto feita com corpus nus, beeem lôca!!!!

Vendo de longe até que é meio estranho...

... mas de perto é beeemm mais! (Detalhe do olho)

Outra que acho bem maluca é esta campanha para "X Box"!

O site de Smetana é este e o Blog do Rodrigo Valente é bem bacana e carrega o sugestivo nome de "X Com tudo dentro", hummm, vai encarar?!

Eu amo o Príncipe Harry!


Eu simplesmente AMO o Príncipe Harry!
Amei quando ele se alistou e foi comer poeira no Afeganistão (claro que sua segurança estava muito bem guardada mas o que realmente importou foi a sua atitude), qdo se rebelou embebedando-se numas festinhas 'mais animadas' e até mesmo qdo se fantasiou de nazista numa festa a fantasia ('enfant terrible' é pouco!).

Agora mesmo estou amando mais ainda depois de saber que ele herdou o lado 'sweet charity' da sua mãe e fundou um centro em sua homenagem para cuidar de crianças portadoras do vírus HIV em Lesoto/África. O nome do centro é "Sentabele" que no dialeto local significa: "Não me esqueça".

E eu digo:
- "Harry eu não te esquecerei!"

13 de jul de 2008

Weekend de 'bofe' vol. 5

A vitória do São Paulo por 2 x 1 contra o Palmeiras deixou obviamente Luxemburgo azedo. Vindo embalado já há alguns jogos sem derrotas encontrou um tricolor surpreendentemente confiante e bom de bola, quisesse eu que sempre fosse assim.
Mas a real mesmo é que parece que junto com os cabelos de Valdívia se foram também a criatividade do atacante em campo neste domingo, muito bem marcado o chileno não representou nenhuma ameaça, tomara que seus cachos 'à la mullet' demorem muito para crescerem!

...

E o Santos hein? Ganhei no palitinho com meu pai o direito de assistir ao jogo do meu tricolor enquanto o véio ficava remoendo de ódio a cada 'sonzinho estranho' que aparecia na tela chamando a atenção para um gol em outra rodada. E ele parecia adivinhar o mal agouro que o seu 'peixe' está passando, nem mesmo o Cuca consegue dar jeito, que coisa hein?!

Kleber, "O" nome do jogo! Salvou toda a 'pexarada' de mais um vexame e meu pai de um ataque cardíaco

Mas não é que Kleber Pereira sai do banco no segundo tempo e salva o emprego do técnico, levanta o moral da equipe e faz valer os gatos pingados santistas que foram sofrer no 2 x 2 contra o Botafogo.
Quequéissominhagente!!!! Querem matar meu pai do coração?

...

E hoje foi o dia dos goleiros tirarem o 'vermelhinho tinto' básico do armário.
Rogério Ceni com sua camisa 'su misura' foi seguido por Marcos na trave oposta e o antipático do Fábio Costa na Vila Belmiro.

Rogério Ceni cumprimenta Marcos (este, ainda com o agasalho de aquecimento), modelito 'su misura' leva a sua assinatura, tom vermelho alaranjado é a tendência da rodada

Marcos em ação 'all tinto-red' não teve muito o que fazer com o 'lance de bilhar' que resultou no gol de André Dias

Fábio Costa completou o modelito tinto-vermelho com luvas dois 'tons abaixo', esse lance foi o primeiro gol do Botafogo logo aos 3 minutos de jogo. Mas o segundo gol dos cariocas foi tosco! Fábio Costa deveria abrir uma 'rotisserie' tamanho o 'frango' que tomou!

12 de jul de 2008

OAB-SP cansou de esperar, então...

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo a partir de hoje viverá um aperto daqueles! Está sem os 47 mil advogados que através de um convênio com a OAB-SP, prestavam serviço gratuito para a população do Estado.
Já que não houve acordo entre a OAB e a Defensoria quanto a um aumento na tabela de remuneração dos advogados o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Luiz Flávio Borges D'urso (ao lado) negou-se a renovar o convênio até que um novo acordo seja proposto para a entidade. Enquanto isso, aproximadamente um milhão de carentes poderão deixar de ser atendidos segundo matéria publicada no "Estadão" de hoje.

Segundo D'Urso disse ao jornal:
- “O advogado, quando atende a população carente, faz isso por caridade. Porque o advogado come, bebe, paga escritório, pega condução... Estamos falando de esmolas. A advocacia não vive de esmola”, protestou. “Estamos suprindo a obrigação da Defensoria, que é bem remunerada, mas não quer remunerar os advogados que fazem a sua função.” E foi além: “Para a lei, uma pessoa carente ganha até três salários mínimos (R$ 1.245). Para mim, quem ganha três salários não é carente.”

Polêmica boa, e quem conhece o advogado sabe que ele tem opiniões 'bem fortes' sobre Justiça e Sociedade.


Aliás vocês se lembram do "Movimento Cansei" (acima, representados pela 'nata' do cansaço e com uma 'cansada e amedrontada' bem ali atrás)
lançado por empresários, divulgado por artistas e encabeçado por D'Urso, contra a "crise institucional generalizada", diga-se impunidade e corrupção. O Movimento 'flopou' e foi bastante criticado por boa parte da sociedade que via os 'cansados' agitando os seus 'rolexs e jóias' clamando por justiça; oportunamente, justo depois do acidente da Tam em que morreram umas 200 pessoas.

Pois é, parece que agora D'Urso 'cansou' da Defensoria, dos 'falsos' carentes e sei lá do que mais, só não se cansou mesmo de defender os bispos da Renascer! 'Oops i did it again'!!!!
Mesmo dando uma esperança de acordo afirmando que a decisão não é definitiva, reitera com firmeza que só voltará atrás "com o aumento que a OAB quer".

Aguardamos o segundo 'round' então.

A Banca do 'Marquês'

OLHAR URBANO

Banca de Jornal na Rua Marquês de Paranaguá/SP

'LaserHead'

Finalmente os integrantes do "Radiohead" (e aí, desta vez eles vem mesmo?!) estão prontos para lançar o primeiro clip oficial do revolucionário (ao menos em termos de 'marketing') "In Rainbows", será "House of Cards", que você sabe como começa né?
"I don't wanna be your friend
I just wanna be your lover
No matter how it ends
No matter how it starts (...)"

Pois é, e sabia que o clip será tudo feito em 3 D e com efeitos a Laser?!
Se liga aqui na "PitchforkTv" e contenha a ansiedade se for capaz!

O 'Laser' volta com tudo no novo clip do Radiohead, vamos ver quem copia primeiro?

11 de jul de 2008

"Uma luta em prol da verdade"

Montagem de "Satyagraha" de Philip Glass para o MET Opera, três atos sobre a busca da Justiça entre os Homens na Terra.

Como toda a mídia e centenas de Blogs já falaram sobre a prisão preventiva dos 'bacanas endinheirados' com a operação "Satiagraha", desencadeada em massa pela PF, estava esperando rever a ópera homônima "Satyagraha" (com 'Y' como bem reclamou o Gerald!), de Philip Glass para contextualizá-la no calor dos acontecimentos.

As ações da PF praticamente se justificam no princípio do Satyagraha:
- “Uma luta em prol da verdade, consistindo primordialmente da auto-purificação e auto-dependência”.

Todos os indiciados, presos, culpados ou para quem a 'carapuça' servir e está com a 'pulga-atrás da-orelha' com medo de chegar a sua vez eu recomendo ir direto para o III Ato da Ópera.
Lá Gandhi fala para os seus seguidores sobre o regresso da alma para Brahma e proclama:
-“O Senhor disse: ambos, você e Eu, tivemos muitos nascimentos. Eu me lembro de todos eles, mas você não se lembra. Apesar de Eu ser eterno, imutável, todavia, Eu me manifesto pelo controle da natureza material. Toda a vez que há um declínio do reto-agir e a predominância de injustiça, Eu Me manifesto na Terra. Eu apareço de tempos em tempos, tomando uma forma visível, para proteger os bons, para mudar os malvados, e restabelecer a ordem no mundo.”

Entre um 'habeas-corpus' e outro esses cidadãos poderiam acender um incenso e saber de cor, como um mantra, os ensinamentos de Gandhi.
São nesses momentos de reflexão que o Brasil vai melhorando.

E eu digo, ESTAMOS MELHORANDO!

10 de jul de 2008

+ Crítica Internacional ( e eu digo: "unkonventionellen!")

Pra quem achava que eu não estava mais me 'aguentando' depois da minha entrevista de duas páginas para a revista alemã "Der Neue Merker", vai agora ter 'muuuuuitos' motivos para ter certeza!
Está aqui o link da categoria "Kritiken"...

... é só deslizar pelo 'roll' das cidades e países com críticas que a cidade de Manaus/Brasilien está lá, as óperas estão separadas, no destaque "Ça Ira" e quatro críticas abaixo está "Ariadne Auf Naxos", ambas assinadas pelo crítico alemão Klaus Billand!

Zerbinetta (Rosana Schiavi) e seu 'Rock-Gruppe'

Adianto que os elogios para "Ariadne" falam sobre a direção "unkonventionellen" e a opção da trupe que acompanha Zerbinetta:
- (...) Das wirkt vielleicht ein wenig einseitig und an den Haaren herbeigezogen, wenn Vilela nicht noch eine ganz andere Handlungs- und Interpretationsebene eingezogen hätte: Die lustige Truppe um Zerbinetta ist nämlich bei ihm eine fetzige Rock-Gruppe à la Madonna, Cher und anderen Pop-Größen, die erst mal mit Null-Bock-Haltung auf die Bühne kommt und angesichts des konservativ-reaktionären Geschehens nur mit Ach und Krach durch Zerbinetta bei der Stange gehalten werden können (...)

Ringmaster (Leonardo Neiva), protagonista e narrador de um 'circo revolucionário'

Quanto a "Ça Ira", elogios e o destaque sobre a contextualização da Revolução Francesa e acontecimentos mais contemporâneos como o maio-68 e o Movimento pela Libertação do Tibet:
- "Der Regisseur sieht die Thematik der französischen Revolution immer wieder aktualisiert, denkt dabei an 1968 sowie an die jüngsten Gewaltausbrüche in den Pariser banlieus und lässt schließlich sogar Plakate mit „Free Tibet“ zeigen."

9 de jul de 2008

A "Rede Cidadã" da "Generación Y"

Alguns amigos meus (petistas, mas isso é um detalhe) me acharam um tanto 'bourgeois', quando escrevi que "me sentia em Cuba" depois do apagão da Telefônica no começo do mês em São Paulo.
Pois não é que também no começo do mês a minha 'vizinha' Yoani Sánchez do cada vez mais influente e importante "Generación Y" também começou a ter uns probleminhas para publicar os seus posts.

Enquanto por aqui o nosso 'probleminha' foi resolvido pode ser que não possamos mais ler o que Yoani pensa já que por lá a coisa é um pouco mais séria que um simples apagão irresponsável.
O apagão é... bom, melhor eu me conter antes que nem a 'bourgeoisie' me leia mais! Tst, tst, tst... Leia aqui:

Red Ciudadana

"Lo que comenzó como un impulso individual, se está convirtiendo en una plaza de encuentro para la discusión y el debate. Generación Y ha logrado involucrar a un montón de personas en todas partes del mundo que me ayudan con la actualización, las traducciones y la difusión de los textos. La colaboración principal ha sido para colgar los posts, pues desde la última semana de marzo no he podido acceder al sitio en los cibercafé públicos ni en los hoteles. De manera que envío mis textos por email, algunos amigos los publican y me mandan -también por correo electrónico- los comentarios que dejan los lectores. Soy una blogger a ciegas, una cibernauta con una balsa que hace aguas y que logra flotar gracias al apoyo de una espontánea red ciudadana.

Todo el portal http://www.desdecuba.com sigue bloqueado en los servidores de locales públicos. He ido haciendo una copia de los mensajes de error que muestran los navegadores cuando intento acceder y aquí les dejo una muestra. También sé que el apagón no es total. Amigos que tienen internet en sus centros de trabajo pueden visitar el sitio, pero eso me sirve de poco, pues a esos lugares soy yo la que no puedo entrar.

No obstante, tengo los mismos deseos de escribir en esta bitácora que cuando empecé. Ahora con más testarudez, pues no hay nada que me resulte más atractivo que aquello que se me impide hacer. Para saltar las dificultades de la conectividad y llegar a los lectores dentro de la Isla, otros amigos han creado un minidisk con el contenido del Blog, que distribuyen gratuitamente. A todos quiero agradecerles el apoyo, los remos y el viento que me permite mantener el rumbo."

"Foi o que deu pra fazer" em alemão! (ou, como eu mesmo disse: "Das Licht muss dramaturgisch wirken")

A foto que ilustra a entrevista alemã é antiga tirada num estúdio de gravação por Nelson Aguilar mas a 'busca' continua a mesma!

Ontem cedo recebi um e-mail do jornalista alemão Klaus Billand que me entrevistou, ainda em Manaus (num intervalo de ensaio) para a revista especializada em ópera "Der Neue Merker". Foi mais um bate papo amigável de um jornalista que sempre admirou o meu trabalho e já publicou a meu respeito tanto na Alemanha quanto na Finlândia (pasmem!). Quando abri o link da entrevista fiquei até encabulado com o destaque que recebi, sem falsa modéstia, esperava um box falando sobre a minha direção de "Ça Ira" e "Ariadne" seguido da crítica.
Pois não é que a entrevista rendeu? São duas páginas na Revista, publicada também no site que se você domina o alemão pode ler a íntegra aqui.

Destaco porém duas informações que muito me embeveceram, uma é sobre o resumo da minha carreira tanto como ator quanto diretor e iluminador (praticamente metade do meu curriculum está lá!), já que Billand acompanha o meu trabalho desde a montagem de "Die Walküre" (e à partir dali sempre quis me entrevistar), outra coisa é a "nota pessoal" que ele faz no final da matéria falando sobre a minha "Direção de Luz" para o cineasta alemão Herzog em "Tannhäuser" e encerrando com elogios dizendo o quão talentoso, "sympathischen" e modesto eu sou e como seria bom se eu trabalhasse na Europa com todos os recursos tecnológicos e modernos que eu teria a minha disposição, já que com tão pouco eu faço tanto!
Waalllll!!!!!!!

- "Ich wünsche diesem vielseitig interessierten und ebenso versierten wie fantasievollen Kenner der Lichtregie auf der Opernbühne weiterhin viel Erfolg, vielleicht auch einmal in Europa, wo er, wenn er dort wohnte, sicher schon lange „im Geschäft“ wäre. Durch seinen kompetenten Einstieg in das Handwerk der Openregie in Verbindung mit seiner hohen Qualifikation als Beleuchter eröffnen sich nun vielleicht eher neue Perspektiven für den ebenso sympathischen wie bescheidenen Künstler Caetano Vilela."


Pois é, e eu que já estava todo pimpão com a "Opéra Magazine" depois daquelas quatro páginas sobre o FAO e a minha direção para "Ariadne"... então só me resta dizer:
- "Danke schön!"

7 de jul de 2008

Viralata estréia "Pedaços de Mim"

PEDAÇOS DE MIM

... e quando destrói, renasce!

"(...) Well, I got this guitar and I learned how to make it talk
And my car's out back if you're ready to take that long walk
From your front porch to my front seat
The door's open but the ride ain't free
And I know you're lonely for words that I ain't spoken
But tonight we'll be free, all the promises'll be broken (...)"
(Bruce Springsteen - "Thunder Road", álbum "Born to Run")

Cabeceira e...

mesa

Sobre a "Primavera de Praga"

Ainda sobre o tema "Primavera de Praga" a Uol na sua página Mídia Global publicou hoje uma matéria traduzida do jornal alemão "Der Spiegal" que contextualiza a peça "Rock'n Roll" de Tom Stoppard que falei no 'post' anterior.
Como o artigo está disponível apenas para assinantes, deixo aqui embaixo na íntegra para vocês, 'enjoy':

07/07/2008
O trágico fracasso da Primavera de Praga
Jan Puhl

No Ocidente, a geração de 1968 é vista normalmente sob uma ótica positiva. Mas os heróis da Primavera de Praga em 1968 vêem a si mesmos como fracassos históricos.

Ninguém se lembra exatamente para qual escritório o novo funcionário de Praga se mudou naquele dia de verão em 1970. Dizem que ele era muito simpático, alto e com um sorriso amigável, e que se instalou no segundo andar de um prédio público cinzento nos arredores de Bratislava. O governo comunista o havia enviado para fiscalizar a manutenção do equipamento florestal na capital eslovaca.

O simpático novo funcionário era um homem chamado Alexander Dubcek. Um ano antes de assumir o novo posto, ele ainda era o primeiro-secretário do Partido Comunista da Tchecoslováquia. Os líderes do Partido o retiraram do poder em abril de 1969, e mais tarde o transferiram para o trabalho na fiscalização florestal. Agora, Dubcek ia de bonde para o trabalho; e às vezes, generosamente oferecia seu assento para o homem do serviço secreto que o seguia de uma forma pouco dissimulada.

Alexander Dubcek foi o herói da famosa "Primavera de Praga", o levante de 1968 esmagado pelos soviéticos há quase exatas quatro décadas. Dubcek era um reformista que queria dar uma "face humana" ao comunismo. Ele se tornou um ícone na Tchecoslováquia assim como uma esperança para os reformistas de outros países comunistas e socialistas. Mas o experimento da Tchecoslováquia se transformou em tragédia na noite de 21 de agosto de 1968, quando o país foi invadido pelos exércitos das nações do Pacto de Varsóvia. Os estudantes de Praga picharam num muro: "Lenin, acorde, eles ficaram loucos". Imagens de pessoas desesperadas, sem nenhuma defesa, paradas em frente a tanques de guerra garantiram a atenção mundial e a simpatia pela rebelião da pequena Tchecoslováquia contra a enorme União Soviética.

Um novo tipo de democracia

A Primavera de Praga foi a última tentativa dos reformadores comunistas do Bloco do Leste de livrar seus países dos vestígios do stalinismo e descentralizar o sistema totalitário. Foi um ponto de ruptura histórico com um resultado deprimente. E então, no verão de 1968, doze anos depois da Revolução Húngara e sete anos depois que a Alemanha foi dividida em duas por um muro, uma poderosa ilusão morreu - a ilusão de que o sistema comunista poderia gradualmente evoluir para um novo tipo de democracia liberal.

O contraste entre Leste e Oeste nunca foi tão grande quanto naquela época. Enquanto os tanques entravam em Praga e os membros do movimento reformista eram presos, estudantes na Europa Ocidental tomavam as ruas para reivindicar mudanças mais amplas no governo e na sociedade. Na Alemanha, por exemplo, os manifestantes logo encontraram a amizade do chanceler Willy Brandt, que queria mais democracia e havia embarcado em um programa para melhorar as relações com o Leste.

Desde então, as referências à "geração de 68" têm dois significados bem diferentes. Para aqueles que cresceram no Leste, incluindo a chanceler alemã Angela Merkel, 1968 significa Praga, Dubcek, os tanques e o fim de uma ilusão. Para aqueles que nasceram no Oeste, o mesmo ano faz lembrar o líder estudantil Rudi Dutschke, protestos e o movimento estudantil, assim como o terror da "Facção do Exército Vermelho" de extrema-esquerda. Para os que viveram no Leste, 68 foi um fracasso histórico, enquanto que para o Oeste, o movimento de 68, como um todo, foi uma história de sucesso.

Inspecionando moto-serras

Na Tchecoslováquia, o fracasso do experimento teve conseqüências dramáticas a longo prazo. Autoridades locais do partido, com o apoio de Moscou, forçaram os instigadores do movimento a deixarem suas posições de liderança, um a um. No final, até mesmo o popular Dubcek foi enviado para Bratislava para inspecionar moto-serras.

Com seu nariz proeminente e olhar amigável, Pavol Dubcek lembra seu pai. Quando os soviéticos invadiram a Tchecoslováquia em 1968, o filho de Dubcek estudava medicina em Bratislava. Sentado no sofá na casa de sua avó, ouviu as janelas vibrando enquanto os tanques entravam na cidade. Na época, ele concluiu que toda a família seria deportada para a Sibéria. "E além disso", diz ele, "nós tínhamos certeza de que eles executariam meu pai." Afinal, foi o que foi feito com o reformista Imre Nagy depois da Revolução Húngara de 1956.

Mas Alexander Dubcek sobreviveu à invasão de seus companheiros socialistas. Ele e outros reformistas foram afastados para a margem da sociedade com a chamada "normalização", um eufemismo para a remoção de indivíduos indesejados do poder. Dezenas de milhares de tchecos e eslovacos receberam tarefas como varrer ruas ou esvaziar latas de lixo.

Entre eles estava o escritor Ivan Klíma, que havia abraçado a Primavera de Praga e que, por esse motivo, foi proibido de publicar. Em 1988, logo depois que a mudança política chegou ao país, Klíma escreveu um livro chamado "Amor e Lixo" sobre seus anos como lixeiro. O escritor Milan Kundera deixou a Tchecoslováquia e ganhou reconhecimento mundial com livros como "A Insustentável Leveza do Ser".

Cestmír Císar é um dos últimos homens vivos que trabalharam com Dubcek. Ele mora no sexto andar de um prédio de concreto da época soviética em Dablice, um empreendimento residencial em Praga, e o apartamento está cheio de livros, do chão até o teto. Císar acabou de publicar sua autobiografia, com 1.300 páginas, na qual ele fala com lirismo sobre o passado. "Nós nos erguemos para trazer de volta à vida as antigas tradições humanitárias tchecoslovacas", disse. "Os jovens já não sabem mais nada sobre isso."

Císar juntou-se ao Partido Comunista em 1945, quando tinha 25 anos. Ao contrário do que acontecia em outros países da Europa Oriental, os comunistas eram populares na Tchecoslováquia altamente industrializada depois da 2ª Guerra Mundial.

"Criando uma atmosfera de abertura"

Na época, depois do trauma da invasão de 1938 pela Alemanha nazista e a subseqüente divisão da Tchecoslováquia, parecia razoável para muitos tchecos e eslovacos formar uma aliança estreita com a União Soviética. Afinal, foram os poderes ocidentais que haviam dado carta branca a Hitler ao assinar o Acordo de Munique, que levou os nazistas a anexarem uma parte da Tchecoslováquia conhecida como Sudetenland.

Durante a Primavera de Praga, Císar foi integrante do Comitê Central do Partido Comunista, responsável pela educação, cultura e ciência. Foi ele que aboliu a censura - um movimento que o tornou um dos políticos mais queridos do país. "Queríamos superar o medo e criar uma atmosfera de abertura", diz hoje. "Apenas colocamos em prática o que as pessoas estavam pensando." Quando os tanques chegaram, Císar também teve de deixar sua posição no governo. Mais, tarde passou a sobreviver como varredor de rua.

Depois que a Primavera de Praga foi derrotada, a Tchecoslováquia caiu no silêncio. "A devastação mental e moral através do 'processo de normalização' foi o pior, mais do que a própria invasão", diz Vojtech Mencl, encarregado de analisar os eventos entre 1967 e 1970 pelo novo governo democrático pós-1989. "A covardia moral tornou-se pré-requisito para a vida privada, a política era vista como suja e perigosa."

O resultado, diz ele, foi que as coisas ficaram praticamente calmas em Praga, diferentemente de Budapeste ou Varsóvia, até novembro de 1989. A "Revolução de Veludo" da Tchecoslováquia não começou até que o Muro de Berlim fosse finalmente derrubado.

Depois de 1989, os regimes comunistas gradualmente entraram em colapso. Entre os reformistas da Tchecoslováquia de 1968, apenas Dubcek assumiu um pequeno papel político na nova revolução - mas os ideais da Primavera de Praga foram deixados para trás. Os novos líderes em Praga viram os socialistas de 68, já velhos, como sonhadores que haviam sacrificado suas vidas por um experimento fadado ao fracasso. O acadêmico Eduard Goldstücker, membro eslovaco da geração de 68, notou com decepção que a Primavera de Praga foi "enterrada" duas vezes: uma depois de 21 de agosto de 1968, e novamente depois do outono de 1989.

Terceiras vias

Os tchecos e eslovacos, em resumo, estavam cansados de experimentos. Eles queriam a liberdade - e sobretudo a prosperidade - do Ocidente o mais rápido possível. Foram liberais como Václav Klaus, atual presidente da República Tcheca, que levaram o país para uma nova direção. Klaus não acreditava em uma "terceira via" moderada, numa síntese do comunismo com o capitalismo como Dubcek havia imaginado. "Todas as terceiras vias levaram ao terceiro mundo", disse Klaus certa vez.

Dubcek, ícone da Primavera de Praga, atingiu uma fama breve por fim. Nos excitantes dias de novembro de 1989, ele ficou ao lado do presidente Václav Havel, então recém-eleito, em uma varanda sobre a Praça Wenceslas em Praga, recebendo a aclamação das multidões. Dubcek, de 68 anos, tornou-se então porta-voz da Assembléia Federal, um cargo simbólico sem poder político. O novo herói da época era Havel, escritor e dramaturgo que se tornou uma figura política só depois de 1968. Em 1977, Havel foi co-autor do "Charter 77", um manifesto contra os abusos aos direitos humanos no governo comunista da Tchecoslováquia.

Em 1º de setembro de 1992, Alexander Dubcek viajava de carro de Praga para Bratislava como passageiro. Cerca de 90 quilômetros do meio do caminho, próximo à cidade de Humpolec, o BMW saiu da estrada. Era um trecho estreito da estrada e o tempo estava bom - o que é estranho, diz seu filho Pavol.

O herói tragico da Primavera de Praga ficou gravemente ferido no acidente e morreu dois meses depois. Alexander Dubcek, ainda uma figura popular em seu país, está enterrado no principal cemitério de Bratislava.

Tradução: Eloise De Vylder
Visite o site do Der Spiegel

Tom Stoppard um senhor Rock'n Roll

Ontem assisti a leitura da nova peça de Tom Stoppard, "Rock n' Roll", dirigida pelo meu amigo e também excelente ator Marco Antônio Pâmio, não fosse a falta de divulgação e o horário infeliz (15h de domingo é 'dramático'!) teria sido um programa que suscitaria um debate acalorado na platéia. Bom, talvez toda a 'artilharia' esteja voltada para o encontro aberto com o próprio Stoppard (bem divulgado, aliás) agora à tarde no envidraçado prédio do Centro da Cultura Britânica.
Tinha uma idéia do que me aguardava sobre o texto, já que desde que estreou na Broadway (ao lado logo do cartaz americano) tenho colecionado reportagens e depoimentos de amigos que assistiram e me contaram. Tinha certeza que não iria me decepcionar já que tive o desejo de montá-la no Brasil, infelizmente um diretor carioca (presente na leitura) se antecipou e veremos pelas suas mãos uma montagem brasileira no Rio e em São Paulo, menos mal. O público agradece!

Todos, sem excessão, me diziam: "Meu, não tem nada a ver com rock 'n roll, hein! Baixa a bola!"
Mas quer saber? É TOTALMENTE ROCK!
Rock no sentido de haver personagens idealistas e 'não conformados com o sistema', uma trilha fantástica que traça um painel de mudanças sociais e culturais com meia dúzia de bandas e caras que realmente mudaram a cabeça de muita gente, e antes que você torça o nariz saiba que nenhuma canção apresentada em cena é 'de protesto'. E eu tô falando, entre outros, dos "Stones", "Pink Floyd", "Cream", "Velvet Undergroud", "The Beach Boys", "Syd Barret" ('vizinho' de um personagem) e também a banda tcheca "Plastic People of the Universe", o 'leitmotiv' da trama.

Pâmio teve a feliz idéia em situar o público para o que estava por vir e projetou em um telão um resumo da época em que se passa a trama (1968 evoluindo até os anos 80) e o que significou a "Primavera de Praga", já que as ações se dividem entre Inglaterra e Tchecoslováquia, também projetou capas dos discos citados nas rubricas e tocados em cena, numa trilha assinada pelo próprio Stoppard em marcações que precisam ser obedecidas já que são cruciais para o desenrolar da trama.

E estava tudo lá, A Primavera de Praga, a Carta Manifesto de 77 que resultou depois na Revolução de Veludo e na queda do regime comunista na Tchecoslováquia ("'Faça amor, não faça guerra' foi mais importante do que 'Trabalhadores do mundo, uni-vos!'", diz um personagem lá no meio da peça), a ascensão do Partido Trabalhista e da conservadora Margaret Thatcher na Inglaterra e mais, muito mais.

Foi uma ótima e densa tarde de domingo, Stoppard com suas metalinguagens sabe como ninguém ser um provocador. Abaixo um trecho dito na peça por Max, um idealista e roqueiro de primeira:
- "Ser humano é ficar junto. Sociedade! Quando a Revolução começou e eu era jovem, éramos todos feitos de um único pedaço de madeira. A luta era pelo socialismo através do trabalho organizado, e era só. O que restou daqueles dias de certeza? Onde eu me encaixo? O partido está perdendo confiança nas suas crenças. Se o capitalismo pode ser destruído pelo anti-racismo, pelo feminismo, pelos direitos dos homossexuais, pela prática ecológica e por todo interesse especial defendido pelos Sociais Democratas, resta algum sentido em ser comunista? Passar a vida toda explicando: "não, o Stalin também não era?" Por que as pessoas continuam como se houvesse o perigo de esquecermos os crimes do comunismo, quando o verdadeiro perigo é esquecer as suas conquistas? Eu continuei porque elas significaram muito pra mim.(...)"