5 de jul de 2008

Fique de olhos bem abertos para "O Escafandro e a Borboleta"

Depois de ter saído no meio do filme "A Questão Humana", que eu já falei aqui, estava resistente em assistir ao "O Escafandro e a Borboleta" por causa do ator francês Mathie Amalric, que é protagonista nos dois filmes, para ser honesto nem tanto por causa do ator.
Na verdade meu preconceito vem de antes, quanto ao primeiro, meus amigos 'xiitas culturais' da Mostra no ano passado estavam enlouquecidos com o 'debate existencialista' que o então vencedor do grande prêmio da crítica havia provocado (primeiro motivo fortíssimo para eu não assistí-lo, depois vi que estava certo!).

Já quanto ao segundo, sabia do tema e confesso que não estou mais no 'clima' em assistir interpretações virtuoses de personagens 'para-tetra-tudo-plégico' que o cinema tem estreado (parei no excelente "Meu Pé Esquerdo" do 'über' Daniel Day-Lewis e no piegas "Mar Adentro" do excelente Javier Bardem).

O único detalhe que eu havia esquecido, cego pelo meu ataque de rabugice, é que o diretor do "Escafandro..." é o mais que ótimo Julien Schnabel (acima), artista plástico americano que também faz bons filmes como a cinebiografia do também artista plástico "Basquiat". E como 'visual' é sua especialidade ele nem teve muito trabalho depois de decidir qual seria o fotógrafo do filme, e a escolha caiu sobre o polonês Janusz Kaminski (fotógrafo dos 'spielberguianos' "A Lista de Schindler" e "O Resgate do Soldado Ryan").

Óbvio que com essa dupla o filme ficasse excelente. E não é que é mesmo!
Sem pieguice, com humor (ainda mais na situação em que o personagem se encontra), ótimas interpretações, lindas coadjuvantes e Mathieu Amalric (abaixo) um PUTA DUM ATOR. E pensar que Johnny Depp era a primeira opção, nem consigo imaginar!

Mas o segredo maior do porquê o filme deu certo é a Direção de Schnabel, ele 'interpreta os estados de espírito' do personagem como se fossem instalações de video-arte (muitas vezes parecem obras de Bill Viola) mostrando pela visão dele o que se passa ao seu redor. Assim não temos aquela 'câmera onipresente' buscando empatia entre público-atores, é como se estivéssemos na mesma situação do personagem.
A angústia que sentimos como espectador e o sentimento de não podermos fazer absolutamente nada é terrível.

E desde já a dupla Schabel e Kaminski entraram para a antologia de imagens que não saem da nossa cabeça com uma cena que é praticamente 'o lado B' da também famosa cena de "Un Chien Andalou" do mestre Buñuel!
E não digo mais nada.

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