12 de ago de 2008

Ambush Marketing (ou: Em busca de um gesto nacional)

Além de esconder os pobres atrás de muros recém construídos, proibir o povaréu de sair de pijama e andar sem camisa pelas ruas o governo Chinês tem uma outra tarefa bem difícil de fiscalização pela frente.
Trata-se de uma luta contra o 'ambush marketing', ou 'marketing de emboscada' técnica bem conhecida nos meios publicitários, "o desafio é honrar os caríssimos contratos de patrocínio (Coca-Cola, Visa, McDonald's,...) e impedir que empresas que não pagaram para participar da festa entrem como penetras". É o que diz a matéria "Linha Dura Contra a Guerrilha" da Revista "Exame" desta quinzena.

A matéria segue com exemplos de empresas que assediam os atletas para que exibam suas marcas em bonés, camisetas e outros mimos que eles 'recebem', e comparado aos contratos de cotas dos grandes anunciantes sairiam por um custo infinitesimal para a marca penetra, e com o mesmo resultado.

Encerrando, lembra do maior caso de 'ambush marketing' que se tem notícia no Brasil que foi a Copa do Mundo de 1994, o patrocinador oficial era a Coca-Cola, que havia comprado a Kaiser por uma fortuna para ser a 'estrela da Copa' no Brasil. Daí vem a 'penetra' Brahma e contrata alguns jogadores para levantar o dedo indicador a cada gol feito, referência ao gesto "número 1" que a cerveja usava em suas campanhas como a "número 1 do Brasil".
Virou gesto nacional e ninguém se lembrava da Kaiser 'com o seu baixinho', faturou em imagem, publicidade indireta e com muito menos dinheiro teve visibilidade nacional maior do que o patrocinador oficial.

Não achei a foto do Romário que ilustra a matéria da Exame mas essa do Ronaldo em Copa mais recente faz parte do 'pacote' da Brahma de comemoração, quanto ao cabelinho... sei lá deve ter sido para divulgar as Goibadas Cascão, marca que andava meio esquecida!
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Talvez com os jogadores de futebol brasileiros os 'fiscais chineses' não terão muito trabalho, as comemorações não são mais tão padronizadas, sobram as cafonices em beijar alianças, elevar as mãos aos céus (as vezes também com camisetas "I belong to jesus" né Kaká?), se benzer, dar um 'grito mudo' de C-A-R-A-L-H-O ou mesmo numa pieguice impar fazer um coraçãozinho com as duas mãos em homenagem a namorada do mês (dependendo do jogador 'a da semana'!), como o fez o jovem Pato.
Eles esquecem que são representantes do País e que têm um monte de 'trouxas' que não compartilham de suas preferências ou escolhas pessoais e que ali eles fazem parte de uma equipe representando uma identidade nacional.
Mas quem vai explicar isso para esses jovens 'neo-milionários', ainda mais com um futebol que já há muito tempo deixou de ser destaque mundial e é sempre visto como a 'esperança de um fênix'?

O doce Pato comemorou o seu gol contra a Nova Zelândia com esse 'melado' gesto para a sua doce amada (who cares?!). É na seleção, no seu time na Itália, no churrasco de domingo, na fila para pegar o agasalho, em fotos com fãs, não importa o lugar ele sempre estará com os dedinhos colados. Bah, fiquei diabético só em ver isso de novo!
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Se joga:
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