28 de ago de 2008

Os ETs eruditos

O caderno Ilustrada da "Folha" desta quarta-feira trouxe uma 'entrevista desabafo' com o maestro Carlos Moreno (sim, ele é homônimo do 'ator da Bombril' e também tinha '1001 utilidades' na sua atividade) assinada por João Batista Natali.
Moreno pediu demissão da Orquestra Sinfônica da USP (OSUSP) cansado com a burocracia interna da Universidade, reclama também das condições de trabalhos dos seus músicos e da sua própria situação:
- "Eu fui dentro da USP uma espécie de ET: não era docente, mas não era tampouco um contratado pela CLT."

A USP não o liberava para viagens profissionais, cancelou a série de concertos "Aquarela" e suspendeu um programa que mantinha 25 jovens bolsistas.

ErudiTos Go Home!

Eu não conheço pessoalmente o maestro Carlos Moreno mas já simpatizo com ele. Principalmente após ler o 'box' "Outro Lado", também publicado com a matéria trazendo a resposta 'oficial' da USP.
Vejam se não merece o 'troféu Madame Natasha' de 'embromation oficial':
- "As decisões (da universidade) são colegiadas e embasadas em análises de mérito por suas comissões e conselhos na defesa do interesse público e acadêmico, sempre com o sentido de elevar as condições de ensino, a produção do conhecimento e o nosso patrimônio cultural".

Bah! O quê quê isso significa? ABSOLUTAMENTE NADA!
Vamos combinar que não é o Maestro que deva se sentir um ET e sim a situação da MÚSICA ERUDITA no País!
Não temos o exemplo 'de cima' de como se faz uma política cultural e estamos vivendo nos últimos anos com um arremedo folclórico de programação cultural disfarçada de 'política cultural'. Discutir o quê, com quem?
Nós, artistas e público que admiramos TAMBÉM clássicos e eruditos somos uns ETs perdidos pelas salas de concerto!

Boa sorte Maestro, deixe os 'terráqueos' para trás, eles não sabem de nada mesmo.

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