21 de ago de 2008

Sempre a mesma história (ou: assista ao filme, leia uns livros)

Acabei de assistir ao novo filme (na verdade de 2007, só lançado agora) do budista Richard Gere "A Caçada/The Hunting Party" contracenando com o sempre ótimo Terrence Howard.
O filme tem uns probleminhas de roteiro, fica entre o piegas e o 'gonzo' e erra a mão nos vilões, mas traz no centro do seu conflito um tema bem atual e pertinente a ser discutido: com tanta tecnologia e gente preparada nos países civilizados porque ninguém 'encontra' os tiranos que barbarizaram meio mundo, tipo Bin Laden e outros ditadorzinhos canastrões que se escondem por aí?

O filme mistura ficção e realidade transformando Gere num jornalista e Howard em seu 'camera man' que saem em busca do genocida sérvio Radovan Karadzic (que hoje está sendo julgado pelas barbaridades cometidas). A pergunta (a)final, tanto do personagem de Gere quanto nos 'letreiros-moral-da-história' do fim deixa o espectador com um sorriso irônico:
- "Como a ONU, OTAN e Haia "juntas" não conseguem encontrar criminosos deste quilate que por vezes estão até em listas telefônicas? Porque os EUA oferecem 5 milhões de dólares para encontrar um genocida sérvio com um número 0800 que só funciona nos EUA?"

No filme a CIA sabe onde o criminoso está e praticamente 'o protege' para que seja cumprido o acordo entre estas organizações humanitárias (?!) cheia de siglas, ele não fala o que sabe e as potências fazem todo o circo que já conhecemos de cor.

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Este tema do filme é tratado de maneira bem mais densa e contextualizada nestes últimos livros que li:

O tratado que Robert Fisk escreveu (já comentei por aqui) , "A Grande Guerra pela Civilização", já traçava esses meandros obscuros entre agências de segurança de governos influentes com gente da pior espécie como Saddam Husseim e Bin Laden. Hoje não é segredo para ninguém que a própria CIA treinou, armou e deu dinheiro para Bin Laden lutar contra os russos no Afeganistão e que por muito tempo os EUA o tinham como um excêntrico aliado.
A mesma ladainha também já li e comentei no excelente "O Vulto das Torres" de Lawrence Wright (ao lado) na fila para ser lido e que parece ser a consequência disso tudo é "Blackwater" do jornalista americano Jeremy Scahill que fala sobre o milionário mercado de mercenários espalhados pelo mundo que estão 'privatizando as guerras'.

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Para continuar com o tema os jornais de terça-feira deram como manchete a renúncia (para evitar um impeachment) do ditador paquistanês e 'ex-melhor amigo dos americanos' Musharraf (ao lado com seu cabelinho ridículo).
O 'enredo' real é o mesmo apontado por estes livros e pela 'oferta de simpatizantes' em prol da luta americana em promover o fim do terrorismo mundial figuras como essa (e suas 'negociatas') ainda povoaram as páginas dos jornais por muito tempo.

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