5 de set de 2008

A 'Porta do Prédio' da Conselheiro/SP

OLHAR URBANO:

A Rua Conselheiro Crispiniano sempre foi referência para comprar equipamentos fotográficos no centro de São Paulo. Esquina da Praça Ramos 'corta' a lateral do Teatro Municipal seguindo até o começo da São João.
Quando eu era 'office boy' vivia na Conselheiro, não eu não era um fotógrafo amador eu sempre gostei mesmo era de musica e cinema e era pra lá que eu ia quando queria algum LP (lembra?) importado, a rua abrigava duas lojas do "Museu do Disco", ou assistir algum filme no charmosíssimo "Cine Marrocos", com fonte na entrada e um lustre deslumbrande no saguão!

Hoje o Mappin 'virou' Casas Bahia, o Senhor Aronson, que era proprietário da G.Aronson (de quem eu comprei muita coisa sendo atendido pelo próprio, que aliás adorava contar umas histórias), faleceu e o seu último ponto na rua se reduziu a uma pequena lojinha, os marreteiros tentam sobreviver - nos privando de viver no centro - vendendo qualquer coisa em barracas padronizadas (com 'seguranças' usando 'walk-talkie') e as lojas de equipamentos fotográficos continuam por lá mas não são mais 'a cara' da rua.

Você pode me perguntar que cara a rua tem hoje e eu responderia: Nenhuma.
Ou melhor, tem 'cara de abandono' de quem perdeu a sua identidade. Não é o fim do mundo, nem tão pouco estou sendo pessimista, mas digo com toda a certeza do meu coração de que eu, pelo menos, vi esse lugar em dias bem melhores.
Pensando bem acho que estou sendo pessimista sim!

Juro que ainda consigo achar bonito essa arte urbana em forma de grafitti, pixação e 'sticks' espalhados pelas portas e ...

... prédios espalhados pelo centro, é como se eles estivessem agonizando e clamando por atenção depois de toda a 'história' pela qual passaram.
Detalhe: A porta acima é deste mesmo prédio na rua Conselheiro Crispiniano

2 comentários:

Denise Silveira disse...

Caetano,
Eu, do alto de minha pseudo-absurda cultura gaucho-européia (ugh), julgava mal os grafites. Até que uma amiga minha (e da Flávia também), editora do Bom Dia Brasil, a Kátia Menezes, escreveu o livro "Por trás dos muros". Ela entrevistou os principais grafiteiros da cidade e me fez ver que por trás das cores dos sprays e dos traços peculiares de novos alfabetos moram corações e mentes que resgatam o espaço público e, nas palavras dela: "nos clamam a chamar mais atenção em quem somos".
Adorei o seu post. Bjs

viralata disse...

Amor tem coisa lindíssima espalhada 'temporariamente' pela cidade... esse 'momento' Olhar Urbano criei exatamente para isso, descobrir tudo isso e questionar até que ponto arte e urbanidade interferem no nosso cotidiano.
Bj