23 de out de 2008

Cinema: os 'iranianos' da vez e as meta-chatices

Preparados para mais um bloco "vou ver se perco" na "Mostra de Cinema"? Pois tome nota antes de perder também a paciência:

- "24 City" direção Jia Zhang-ke (China), em primeiro lugar digo que os asiáticos de um modo geral são 'os iranianos dos anos 90', ou seja 'cinema social-antropológico' chato. Trocaram a paisagem poeirenta iraniana pelas poluídas coreanas-chinesas mas a 'lerdeza' continuou a mesma, já disse que não tenho nada contra filme lento, mas é que esse ritmo 'de contemplação do tempo e do espaço' da grande maioria destes cineastas é resolvido de uma forma muito além da paciência humana ocidental. Claro que os críticos se masturbam com isso, Jia é o must do must de festivais pelo mundo afora (e da Mostra 'aussi' há tempos), seus insuportáveis "The World" e "Still Life" são de uma ingenuidade que só os principiantes cineastas 'da cota' têm o direito de cometer vez ou outra.
"24 City" é ruim como seria ruim e insuportável filmar dados de 'ordinary people' sendo entrevistados pelo censo ou ibge, imaginou? Pois é bem pior e desinteressante de se assistir.
Para ser justo os 19 minutos do curta que acompanha o filme, "A River", também dirigido por Jia é bem melhor e superior aos seus três últimos longas, portanto: há esperança!

- "A Musa" direção Ben Van Lieshout (Holanda), de um querido 'colaborador' que às vezes leva este viralata para passear: são 73 minutos inomináveis, inenarráveis e indescritíveis do pior lixo que os holandeses podem produzir, soube que os aplausos protocolares ao final da sessão no Arteplex com o diretor presente foi no mínimo constrangedor! Waalll!

- "Sinédoque, New York" direção de Charlie Kaufman (EUA), antes de mais nada pare de ler sobre este filme se você se encantou com "Adaptação", "Quero ser John Malkovich" ou "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança", vai continuar, ok depois não me enche o saco! Kaufman foi o roteirista de todos esses filmes e estréia na direção com "Sinédoque...", ilusão minha achar que encontraria algo diferente, é o puro 'mais do mesmo': surrealismo raso, humor de 'soup opera', meta-cinema, meta-linguagem, meta-chatice!
A grande sorte é poder contar com excelentes atores do porte de: Philip Seymour Hoffman, Samantha Morton, Emily Watson, Michelle Williams e Jennifer Jason Leigh. Pena que as 'elipses estilísticas' da trama de Kaufman sejam tão frágeis, no fundo parece mesmo uma espécie de categoria nova que o cinema está para inventar, o 'cinema de auto-ajuda'. Assim como a literatura barata que assola as prateleiras esse tipo de filme vem embalado com um 'verniz pseudo-psicológico-moderno' que encanta cinéfilos de primeira viagem ou jornalistas estagiários descolados dos cadernos culturais dos jornais. Falei!

2 comentários:

Pedrita disse...

não consegui ainda ver filmes da mostra, mas pelo menos consegui ver o linha de passe que tanto queria ver, gostei muito. estava ontem na estréia da ópera gianni schicchi. parabéns pelo seu belo trabalho. comentei sobre a ópera no meu blog. beijos, pedrita

viralata disse...

obrigado amor, mais uma parceria com o William que eu amo trabalhar!
Beijão