20 de out de 2008

A Morte da Arte e a Certeza da Verdade

Desde quando eu fazia teatro amador (e isso faz mais de 20 anos!) que eu ouço que o teatro 'está morto', a arte 'está morta', que o cinema 'morreu'... pfui! Nem a história morreu como queria Fukuyama e muito menos a arte, o teatro, o cinema, etc... foram enterrados.

Ouvi de novo esse papo na fila da Mostra de Cinema de um estudante de cinema cujas espinhas no rosto, e a impaciência de segurar um 'tique' com a perna sempre 'telegrafando no chão', denunciavam sua saída da adolescência em busca de uma opinião definitiva sobre os caminhos do futuro que lhe espera. Adoro papo de fila, pode ser de banco, supermercado, correio, 'Mostra' então nem se fala, fiz vários amigos que mantenho contato até hoje. Mas desta vez preferi ficar ouvindo aquele estudante 'idealista' tomar um café com uma amiga de cabelo colorido e piercing na boca, 'tiritando suas pernas' e despejando um discurso inflamado e apaixonado sobre o fim do cinema. Nem sempre as pessoas devem ser contestadas muito menos aceitar opiniões de terceiros só porque para estes 'aquela é a verdade absoluta'. Prefiro seguir o 'pensamento socrático' de que existe a minha verdade, a sua verdade e "A Verdade"! E o papel do artista é exatamente questionar 'todas' estas verdades e os 'conflitos' destas verdades e confrontá-las com você leitor-público-expectador.

Pode ser que para determinado artista a arte tenha morrido e nada mais faz sentido, não porque o 'veículo' tenha morrido, talvez não seja o 'meio' adequado para realizar determinadas experiências.
Lembro da estréia do filme "Prospero's Books" do cineasta Peter Greenaway em que ele dizia que o cinema estava morto e que não tinha mais nada que inventar. "Prospero's" é genial, se não viu veja, compre a trilha e leia Shakespeare ("A Tempestade" é o pilar do filme), que com esse peça 'decreta' a morte da humanidade e o 'reinício' de um 'admirável mundo novo'. Grenaway é múltiplo e 'não cabe numa tela de cinema' expande seus conflitos para as artes visuais, multimídia, a performance ou qualquer forma até descobri-la 'finita' para os seus questionamentos.

...

Cena da ópera "Moses und Aron" de Schoenberg dirigida por Geral Thomas. A Arte morreu, viva a Arte!

Quantos artistas você conhece assim? Eu, centenas. Sou amigo de muitos e acompanho com prazer estas tragetórias artísticas-pessoais. Citando apenas três queridos companheiros que não cansam de me surpreender e que são verdadeiros 'assassinos por natureza' vejo em Gerald Thomas um ícone do teatro contemporâneo brasileiro que não teve seguidores, apenas muitos imitadores (eu inclusive) e dezenas de 'detratores' (palavra portuguesa estranha, seriam parte de uma milícia stalinista que destroem artistas com tratores?) "A Trilogia Kafka" e "M.O.R.T.E" são dois exemplos apocalípticos de como o poder do teatro é subestimado (tive febre depois de assistir a "Trilogia"), aquele tipo de teatro para Gerald já 'morreu' hoje ela 'usa' a blogosfera e cria uma nova dramaturgia, a 'dramaturgia online'.

Outro que muito admiro é Alberto Guzik, o conheci como crítico de teatro do "Jornal da Tarde", era para mim o 'novo' Décio de Almeida Prado, sempre elegante, correto e de uma leitura inteligível não só para a 'classe', Guzik é um 'gentleman'! Pois não é que ele 'se ressuscitou' como ator 'alternativo' no eixo do renascimento do teatro de grupo em São Paulo, em plena Praça Roosevelt?! 'Matou' o crítico e foi ao teatro!
E não contente divide suas 'crises de criação' no seu blog com a realização de mais um livro?

Agora Marcelo Tas, 'last but not least', amigo que tive o prazer de dirigir e trabalhar em alguns espetáculos. É engraçado sair com o Tas pelo Brasil em tourné, é criança que pede para tirar foto, o pai da criança que pede autógrafo, o taxista que discute suas opiniões,... Tas é um caso de 'contágio genealógico' em várias famílias. Muitos 'cresceram' com ele assistindo seus programas infantis, viraram adolescentes ouvindo o que ele tinha a dizer sobre informática e tecnologia e quando adultos não acreditavam naquele repórter cara-de-pau deixando políticos sem graça (e isso não é só agora com o sucesso do CQC, vem de muito antes viu crianças?). Ele é também um caso clínico de 'suicídio das múltiplas personalidades' e não é só porque ele é um inquieto escorpiano, na verdade ele 'camufla' todo o seu talento à serviço de um 'novo meio'.
Foi Marcelo Tas (ator, diretor, roteirista, jornalista, apresentador,...) quem me disse uma vez, depois que eu tive uma 'crise de identidade artística' que:
- "a internet dá coerência para a sua vida".
Se não vejamos, você estréia um espetáculo (ou qualquer coisa) põe no youtube, assisti a um filme posta o que achou no blog, fotografa a cidade publica no site e todos sabem quem você é, o que você faz, o que você fez e a crise... se desfez!

...

Queridos, quando ouvirem que qualquer coisa artística morreu, saiba que mais cedo do que você pensa algum 'highlander' aparecerá para ressuscitá-la rapidinho.
Prometo que você não ficará de 'luto' por muito tempo.

4 comentários:

Fabi Gugli disse...

Caetano querido,
e eu falei de vc ontem!!!! E de como o Gerald sente falta da sua inteligencia precisa e sensibilidade pop!!! Voce eh um arraso!!!
saudades de ti...
beijos mil
da cadela Fabi Gugli

viralata disse...

amor de cachorro é o que fica! heheheheh vou aparecer por aí nos ensaios! os amo
Bj

Anônimo disse...

Voce eh realmente uma pessoa EXTRAORDINARIA!!!!

Hoje, conversando com vc, meu deus

que saudade que deu da troca, de tudo

vejo como estou perdido....quando vc foi embora e NAO quis ver o ensaio (depois daquela confusao de achar o libretto do John), cai em Profunda depressao
LOVE
G

viralata disse...

amor assistirei aos ensaios na semana que vem, antes de vc viajar! Eu tinha espetáculo, foi só por isso.
farei 'troca-troca' contigo em breve,kkkkk
beijos
;P