30 de nov de 2008

Que se desnude! (ou: simplesmente "Pan y Toros")

Já estou de volta do meu proveitoso fim de semana no Chile. Como disse foi uma mistura de trampo, contato e lazer como quase todas as viagens que faço. Sobre o trampo e os contatos poupo vocês por enquanto, já que recolherei estes 'frutos' apenas em 2010! Devo confessar que a minha agenda para 2009 também já está fechada faz tempo e oxalá tenha saúde e criatividade para desenvolver todos os espetáculos que me esperam.

O Mestre Emílio Sagi

Agora, o lazer. Assisti a estréia da Ópera Zarzuela "Pan y Toros" no Teatro Municipal de Santiago dirigida pelo 'über' encenador Emilio Sagi (ao lado), bastante conhecido na Europa e também diretor do Teatro Nacional de Bilbao. Muito do que vi em cena é o mais puro teatro de prosa misturado com o canto lírico, gênero aliás 'capital' nas zarzuelas que são tão populares na Espanha e demais países ibero-americanos, exceto talvez no Brasil. Sagi tem um bom gosto incrível na encenação, sem contar a desenvoltura cênica em distribuir no palco balé, coro e solistas de forma tão elegante e engenhosa nunca cansando nossos olhares. A cena de abertura com Goya pintando "Saturno comendo seus Filhos" numa grande tela de filó que cobre toda a boca de cena é impactante, assim como também a graciosidade coreográfica do coro feminino no II Ato. Trabalho de mestre!

"Pan y Toros" se passa na época de Carlos IV tendo em cena o pintor Goya com suas pinturas como 'coadjuvante' da ópera, misturando personagens fictícios e outros reais que fazem jus ao trocadilho que dá título a obra, vindo da expressão "Panis et Circenses", o que o povo realmente quer é "pão e circo", não importa o pano de fundo político recheado pela influência imperial.
E tivemos 'pão' da melhor qualidade, sobretudo pela presença poderosa da maior cantora espanhola do gênero, a imbatível Milagros Martín que encontrou em Mariela Cantarero parceira ideal em cena para dividir os aplausos da noite.

Pão e Circo numa cantina

Ao final me juntei à trupe para celebrar a estréia com um jantar numa cantina; amigos se vocês já cruzaram em restaurantes com grupos de teatro comemorando estréias ou final de temporadas não fazem idéia do que é o encontro de um grupo de cantores de ópera num restaurante! Cada um cantava trechos de alguma música (quase sempre lírica) e aos brados e brindes 'exigiam' que o próximo se manifestasse (sempre aos gritos de: "que se desnude!"), daí vem a hilária Mariela Cantarero com uma versão da camponesa Heidi (lembram-se?) em japonês (!!!), fui as lágrimas de tanto que ri. Como a coisa quase descambava para uma disputa de apupos entre os seus pares, a Diva Milagros Martín não se fez de rogada ao ouvir seu nome sendo gritado e despida da modéstia começou cantando uma música no mais autêntico estilo 'sangre rojo', as batidas nas mesas aumentaram ela subiu na cadeira, todo o restaurante delirava daí ela levanta o vestido e sobe, literalmente, na mesa, tendo copos, talheres e pratos afastados imediatamente e termina a canção num veredadeiro 'olé' espanhol!
Nem preciso dizer que 'arrasou' com todos os concorrentes seguintes que por um tempo se contentaram em rir, beber e comer. Me lembrei de Fellini em "E La Nave Vá" com a sua trupe de artistas, afinal nós artistas somos 'clowns' de nós mesmos sempre dando 'pão e circo' não importa para quem e muito menos onde. Afinal que profissão você conhece que se contenta com aplausos?

Caso você vá ao Chile não se perca, o Teatro Municipal de Santiago fica na rua ao lado do Bar Restaurant...

..."La Pica de Clinton"! Anotou?

Publicado simultaneamente no "Viralata Reloaded"

27 de nov de 2008

Homem Mandioca!

Aos que estão em São Paulo (e aos que virão) marquem na agenda este compromisso imperdível. Trata-se da eleição do "Homem Mandioca", detalhe: prêmio em dinheiro!!!
Não pude deixar de notar que próximo ao meu lar a boite "Planet G", na Rego Freitas, irá realizar um certame (ou será inhame?) tão fino para toda a sociedade.
Aos que quiserem se inscrever fica dado o serviço e olha que eu nem tô cobrando representação, kkkkkkkk

24 de nov de 2008

O ar nonchalance dos existencialistas sem causa (ou: mais um filme com Louis Garrel)

Começou na sexta passada, e vai até esta quinta, o mini Festival Varilux de Cinema Francês no cine Belas Artes/SP (o 'banco patrocinador' que me perdoe mas não consigo chamar este cinema por outro nome!), o filme mais aguardado na estréia da mostra ficou retido em Curitiba e não chegou a tempo de abrir a sessão, decepção geral e revolta do 'mundinho' já que se tratava de "La Belle Personne/A Bela Junie" nova direção de Christophe Honoré com o seu 'alter ego' Louis Garrel (que participa também do comentado "Atrizes" dirigido por Valeria Bruni, sim a irmã francesa 'menos famosa'!). Compreensível a revolta tratando-se do moço!

Hoje, segunda, o filme foi programado em duas sessões não tão concorridas assim, e não 'causou' decepcionando um pouco quem está acostumado com o 'cinema vintage' de Honoré. Estão lá todos os seus maneirismos que lhe são caros: o amor não correspondido, o rompante trágico, a 'novellevaguice', os triângulos amorosos heteros e gays, a 'truffausice', o pedantismo literário, a narrativa musical, etc...
Faltou apenas charme. E um pouco de carisma também.

Toda a história gira em torno da menina do título a 'belle'
Junie (Léa Seydoux) e se baseia num romance francês do século 17, não sei se a 'parte gay' da história é do romance original ou faz parte do 'pacote Honoré' na adaptação para os nossos dias. Caso seja, é a melhor parte do filme, menos explícito que "Les Chansons D'Amour/Canções de Amor", quebrando um pouco aquele ar 'nonchalance' de toda aquela molecada 'fazendo os existencialistas sem causa'.

O 'jovem werther' da vez é o 'beau bretão' de "Canções de Amor" Grégoire Leprince-Ringuet (acima com a 'bonita') interpretando Otto, também apaixonado pela mocinha blasé. O lance é acreditar naquela molecada na escola (o filme se passa praticamente todo dentro de um colégio tradicional) desinteressada nas aulas de matemática, inglês, russo (!) e italiano (!!!).
O doce Garrel faz um professor de italiano risível e inverossímel (who cares?) que dá aulas estimulando os alunos com audições de Maria Callas e 'interpretação do texto' da ária da loucura trágica/patética da ópera "Lucia de Lammermoor" (
"Il dolce suono me colpi")! Não é a toa que os alunos mooooorrem de tédio, eles não entendem a analogia... e a platéia 'aussi'.

Honoré é ótimo quando dispõe de ótimos atores para credenciar os 'fiapos estilísticos' do seu roteiro, não é o caso deste filme. Mas foi o caso da sua trilogia: "Ma Mere", "Dans Paris" e "Les Chansons D'Amour".
Em breve entrará em circuito comercial e se for para escolher assistir Garrel entre este ou "A Fronteira da Alvorada", do seu pai Phillipe Garrel, corra para este "A Bela Junie" 's'il vous plaît'.

A Droga, o Racismo e a Falsa Moral Brasileira

Do Blog do Gerald Thomas, o resto você lê lá:

Tudo velado. Economia velada, vícios velados, governos velados e uma economia falida num sistema que (agora) se repensa. Que bom! Sou capitalista. E o capitalismo sempre teve que se repensar. Karl Marx, se lido a sério, examina o problema da mais-valia e acha necessário mesmo que o “tratamento de choque” na sociedade industrial que ele foi examinar na Inglaterra precisa mesmo ser reestruturado. E isso quebra muito ego. E ego precisa de psicanálise. Muita análise precisa de droga. Muita droga é legal. Muita droga legal também leva ao mesmo “escapismo” que a ilegal. Muita droga legal nos leva a crer que estamos CONTENDO as compulsões que queremos ter porque TUDO em volta está CAINDO aos PEDAÇOS. Tudo bem, se a farsa é pra ser farsesca, qual o problema em torná-la uma Comedia Dell’Arte? Para que minimizá-la e sorrir amarelo e ficar em constante ESTADO de DENIAL – de negação - dizendo para nossa quarta parede interior: “Não somos um país racista. Esse Gerald é uma merda mesmo, volta pro seu pais!

...

Leia no "Viralata Reloaded" o post "O pior da Democracia é saber lidar com as diferenças"

23 de nov de 2008

"Jogai por Nós"

Antes desta imagem ao lado (clicada por André Lessa/AE) para o "Estadão" eu já havia eleito a camisa com que os jogadores corinthianos entraram em campo ontem contra o Avaí (com fotos 3x4 dos torcedores) para receber o trófeu de ascensão para a Série A, mas confesso que este sorridente torcedor me comoveu com a sua 'faixa messiânica'.

Meus amigos leitores podem me estranhar neste momento sabendo que o meu time do coração é o São Paulo, de tantos posts escritos por aqui, mas gosto tanto de futebol que não imagino a série A sem o Corinthias como adversário. Tomara que o time não venha com a arrogância dos 'falsos injustiçados', se caiu, caiu pelos erros cometidos e a desorganização generalizada dos seus dirigentes. Espero também que não chegue com a violência demonstrada em campo nesta tarde de sabado, realmente aquilo foi triste de se ver.

Sei que é pedir muito mas se der para deixar a 'marquetagem' dos mega projetos arquitetônicos para o seu futuro (e bota futuro nisso) estádio seria ótimo. Já está mais do que bom ver em campo um dos maiores times do país, com uma das maiores torcidas, rezando por uma vitória.

Agora vem cá, que negócio é esse de querer contratar o Ronaldo?
Tst, tst, tst, ah esses corinthianos não tem jeito mesmo, sempre com essa mania de grandeza!

20 de nov de 2008

Meu feriado 'consciente'

Hoje a cidade de São Paulo parou!
Não, ela não parou com mais um mega-engarrafamento ou um mega-desabamento de obras, muito menos parou com um sequestro cinematográfico, a cidade parou para os paulistanos curtirem mais um feriado inútil imposto por políticos sem causa no seu calendário.
Leia bem, eu disse "feriado inútil" e não 'causa inútil'! O politicamente correto não permite que se discutam seriamente certos temas hoje em dia sem causar celeumas, processos judiciais, antipatias ou até mesmo crimes passionais, mas seria de bom tom para a sanidade geral da nação questionar algumas decisões políticas tomadas para agradar entidades, ongs e minorias loucas para 'dar visibilidade' a certos temas.

Ninguém se lembrou que ontem foi o Dia da Bandeira, homenagem criada quatro dias após a nossa Proclamação da República em 1889, aliás como o 15 de novembro caiu num sábado nem mesmo eu me dei conta que era 'feriado'. Como num sábado qualquer, acordei tarde e fui sonolento nadar na minha academia, dei com a cara na porta. Que patriotismo o meu, ignorar a 'república proclamada'!

Acho um absurdo e incrível que uma cidade rica como São Paulo possa se dar ao luxo em perder um dia precioso de trabalho e produção para se 'conscientizar sobre os negros', os índios, os gays, nossa senhora da aparecida, etc..., aliás acho um absurdo mesmo que um País pobre possa ter mais feriados do que os Países ricos.
Pensei que o atual Governo já havia resolvido o 'problema da consciência das minorias' quando inflou seus ministérios criando o politicamente correto Ministério da Integração Racial, que com seu pomposo título 'neo-nazista', serviu apenas para sabermos que uma ministra negra é exatamente igual e 'integrada' a qualquer ministro branco 'aloprado'. São Paulo já sabia disso há tempos, afinal 'empixamos' Pitta, não é mesmo?


Na história moderna nós brasileiros não vivemos um segregacionismo como os negros americanos, mas ao contrário deles nos contentamos com um feriado para 'conscientizar' nossos corpos cansados longe da cidade. Faça um teste: abra qualquer jornal nos EUA (vale internet também) no feriado nacional americano em homenagem ao nascimento (e não morte, entendeu?!) de Martin Luther King, na terceira segunda-feira de janeiro, e guarde-o para comparar com o paulistano Dia da Consciência Negra, você entenderá exatamente o que eu digo.

Para mim o 'slogan' "luta negra" em pleno século XXI, e fora da Somália, soa tão 'demodé' quanto, "luta de classes" ou imperfeitos como "um torneiro mecânico no poder". É um círculo que não se fecha nunca, sempre haverá um 'oprimido' esquecido e o politicamente correto manda: invente um neologismo qualquer para disfarçar o seu preconceito e tenha certeza, ninguém irá discutir e você encerrará rapidamente o assunto.
Ou não foi assim que a sigla GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) mudou para GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e travestis, transexuais e transgêneros) e agora LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros). Sim porque como é um movimento de minoria comportamental e como as lésbicas são as mais 'oprimidas' deram então a elas o direito de 'abrir' a ala do acrônimo título, certo?

Pois eu acho então que as lésbicas negras e deficientes são mais minorias do que as minorias oprimidas pelo 'sistema inconsciente' e acho que todas elas deveriam se juntar e exigir que o título politicamente correto seria LNDGBT. Ou você será preconceituoso e discordará?
Bom feriado para todos e assunto encerrado.

18 de nov de 2008

O 'Bond' da Ópera!

Com um certo atraso assisti ao novo 007 "Quantum of Solace" dirigido pelo alemão Marc Forster, o mesmo diretor do chato e esquemático "O Caçador de Pipas". Bem, já se disse que esta continuação de "Cassino Royale" não tem a famosa frase "My Name is Bond. James Bond" e também não tem fulgurosas cenas de sexo com 'bond girls', sabemos também que o 'über' Daniel Craig foi vestido pelo fashionista Tom Ford e que o vilão francês é interpretado pelo excelente Mathieu Amalric ("O Escafandro e a Borboleta").

O que eu não sabia é que a montagem da ópera "Tosca" de Puccini (se você é um 'neófito lírico' pronuncia-se 'tÓsca', com o 'ó' aberto e agudo) encenada no Festival de Bregenz/Áustria (foto acima, alguns personagens saem da Bolívia num jatinho direto para assistir a ópera na Áustria !!!) faz parte do enredo quando os vilões tramam um 'golpe continental'. Não é surpresa nenhuma personagens indo à ópera enquanto desenrolam suas ações como pano de fundo, surpreendente é mesmo esta montagem acachapante dirigida por Philipp Himmelmann (tenho o dvd importado com extras sobre a montagem do cenário, incrível!), e terem escolhido justo a obra de Puccini exatamente quando neste ano comemoram-se os 150 anos do nascimento do compositor. Para dizer a verdade dúvido mesmo que algum roteirista tenha se dado conta disto uns dois anos atrás quando escreveram o enredo do filme, faz mais sentido pensar que o enredo de Tosca cai como uma luva para esse Bond mais passional que nos outros filmes.

Tenho uma dificuldade enorme em entender esses enredos intrincados de filmes de ação, embora posso falar de Tosca sem engasgar, penso trinta vezes antes de resumir "Quantum..." ou qualquer coisa do gênero de ação - que eu adoro por sinal - como por exemplo todos os "Bourne's" ou ficção - que eu detesto, sorry - como as infindáveis 'jornadas ou guerras' em qualquer que seja as 'estrelas', todas estão fora do meu cardápio cinematográfico!
Mesmo não me lembrando de muita coisa de "Cassino...", entendi a angústia e a sede de vingança de Bond só depois da cena da ópera, pode ser que para quem não tenha referência nenhuma isso seja apenas uma 'viadagem' para filmar pancadaria de um outro ângulo.

Pois "Quantum of Solace" para mim já é um clássico de ação, guardarei na memória essa cena de "Tosca" assim como guardo as do 'shakespeariano' Francis Ford Coppola que popularizou a cavalgada das Valquírias (III ato da ópera "A Valquíria" de Wagner), em "Apocalipse Now" num coreográfico ataque de helicópteros ou do mesmo Coppola na já clássica 'homenagem' ao russo Sergei Eisenstein na cena da escadaria de Odessa em "O Poderoso Chefão 3", em que num tiroteio entre mafiosos nas escadarias de um teatro após assistirem "Cavalleria Rusticanna" de Mascagni, morre Maria a filha de Michael Corleone (onde Al Paccino reage com seu 'operístico grito mudo').
Menos 'profundo' e bem divertido é a versão pop do 'maneirista' Luc Besson para "Lucia de Lammermoor" (ópera de Donizetti) em "O Quinto Elemento" em que a cantora é uma 'coisa com tentáculos azuis' que gorgeia a ária da loucura de Lucia numa versão 'techno-dance', enquanto a pancadaria corre solta (os puristas líricos se arrepiaram quando o filme foi lançado!), no excelente "O Talentoso Ripley" o personagem Ripley, interpretado por Matt Damon, sente uma atração (sexual também) doentia pelo amigo Dickie (Jude Law) que acaba matando. Na minha interpretação esse plano ficou em sua cabeça depois de uma ida dos 'amigos' à ópera para assistir "Eugene Onegin" do russo Tchaikovsky sobre dois amigos que se amam (no sentido 'amigo' mas também homoerótico, lembrando também que o compositor era um dos mais enrustidos entre os seus pares, apaixonado pelo sobrinho compôs a ópera como uma 'saída do armário'!) e acabam duelando até que um mata o outro.

Tenho dezenas de exemplos e lembranças que posso falar depois numa mesa de bar, mas sobre o que eu estava falando mesmo? Ah, o novo filme do James Bond... hummm tem uma cena de ópera né?

14 de nov de 2008

Não perca este capítulo da BlogNovela!

Pra você que perdeu ontem ao vivo vai aqui embaixo o link da BlogNovela na íntegra, dirigida pelo Gerald e que comentei nos dois posts abaixo! Enjoy:

http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/2008/11/15/agora-voces-vao-poder-assistir-sim/

...

'Nonada' com Gerald Thomas (*ou: 'Não demorou muito para eu descobrir o que as pessoas querem dizer com a minha destruição')

Nonada!
Como diria Guimarães Rosa no início do livro-painel "Grande Sertão: Veredas" ficamos literalmente "no nada" após o último 'enter' da BlogNovela apresentada por Gerald Thomas/Cia. de Ópera Seca no Sesc Paulista com transmissão simultânea pelo portal Ig.

No post anterior alguns amigos me 'apertaram o piercing' dizendo que nada disso era inédito, que até filme baseado em Blog já havia estreado assim como outras produções também foram transmitidas pela internet. Sei disso, inclusive participei de dezenas! Dirigi com Marcelo Tas - o 'rei da multimídia' - uma ópera e uma peça que foram transmitidas ao vivo pela rede, sei de projetos de amigos que se conectaram entre três países e simultâneamente apresentaram um espetáculo com links ao vivo em fuso horários diferentes, também assisti na Europa experiência semelhante com Robert Lepage, etc, etc..., o que conta aqui é a DRAMATURGIA que Gerald propõe.

Quem acompanha o seu Blog sabe que a participação dos leitores é uma ferramenta à parte no diálogo que Gerald propõe com eles. Às vezes pode até parecer que são um bando de 'xiitas culturais' perigosíssimos (por vezes são sim, até eu já tive comentário 'clonado' por lá), mas não conheço outro espaço na internet que provoque tantas 'teses dramatúrgicas' como lá.
E nisso a experiência beckettiana de Gerald é indispensável para tornar esse material 'adaptável' para os palcos.

Mais uma vez Fabiana Gugli comanda o caos tendo, dentre outros companheiros, os excelentes Duda Mamberti (às vezes um Vladimir e por outras um Estragon do clássico beckettiano) e Pancho Cappeletti (o reverso do travestismo, concentrando todo o universo masculino sempre presente na obra de Gerald, principalmente depois da ópera Mattogrosso, parceria com Philip Glass).
O que vemos e ouvimos é o cotidiano disfarçado em acasos, a interação cyber refletida nos conflitos mundiais e uma universalidade que pode parecer simplista quando se lê os comentários para os posts escritos por Gerald. É simples sim, mas poucos são capazes de interpretar esses simples sinais.

O regionalismo universal de Guimarães Rosa, o 'newspeak' de Orwel e a 'dramaturgia online' de Gerald sempre serão difíceis para os menos atentos. ARTE é difícil, TEATRO é difícil, LITERATURA é difícil de se fazer, assistir ou produzir! Claro que não estou falando isso 'para' o Brasil que tem um ministério da Cultura 'aculturado' em que se exige "contrapartida social" do artista.
Contrapartida Social? E qual é a contrapartida cultural que os brasileiros recebem? O tombamento da receita do acarajé, da capoeira, dos quilombolas (de repente viramos uma nação de quilombolas!); é sobre tudo isso e muito mais que os leitores do Blog do Gerald falam, discutem, brigam, e não só pelo prazer de discordar mas de unir, propor, combater,...
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Mais uma vez Gerald usa Led Zeppelin como 'leitmotiv' de um espetáculo, compreensível, afinal o que mais podemos dizer depois dos versos de Black Dog:
- "(...) watch your honey drip, can't keep away (...)
*Didn't take too long before I found out, what people mean my down and out..."


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Alguns clics que fiz do último ensaio que fizemos para a equipe do Ig, para ajustarem as imagens com os 'camera-men', antes de abrir para o público, enjoy!



13 de nov de 2008

Gerald Thomas e o Desmoronamento da Arte!

Gerald dirige Pancho numa cena da primeira BlogNovela do teatro brasileiro

Agora faltam poucas horas para a estréia do happening/performance/acontecimento ou seja lá que nome os 'pseudos' darão para mais um espetáculo da Cia. de Ópera Seca, digo Gerald Thomas!
O lance começou assim, meio que devagarinho, logo que o Gerald foi convidado pelo portal Ig a transferir o seu Blog para lá. Pois não é que milhões de acessos (de fúria, ódio, amor e inteligência!) depois veio a idéia de uma BlogNovela tendo como base os comentários publicados pelos internautas e replicados pelo próprio Gerald (que aliás deram origem a novos posts)! Tudo seria 'cotidiano e banal' não fosse Gerald o próprio dramaturgo desta versão epistolar, e que, claro, torna tudo bem mais interessante.

Ou vai me dizer que você imaginaria desabafos de leitores de um blog contextualizados com o som de Led Zeppelin, ou o próprio Gerald tocando uma guitarra e 'distorcendo' não só o som mas a própria narrativa que se abre em múltiplas camadas de entendimento ou em simples constatações elementares pós-Obama:
- "(...) Política da paixão pode ser perigosa em países subdesenvolvidos ou em desenvolvidos".

Se você acha que o título "O cão que insultava mulheres, Kepler the dog" é muito obscuro para a sua inteligência, saiba que muito se falará e escreverá ainda sobre esse tipo de dramaturgia embrionária, pra variar será mais fácil imitar pela enésima vez o próprio Gerald enquanto essa 'dramaturgia online' ainda engatinha.

P.S.: Acompanhei os ensaios finais e com muito amor me envolvi no desenho de luz junto com o Gerald, mais uma vez e a cada vez que nos reencontramos sinto que nunca nos separamos.
MERDA!

Foto do ensaio que tirei nesta madrugada com Pancho segurando o 'Santo Graal'.
Para prepará-los para esta noite transcrevo o indefectível off narrado por Gerald:
- "Não, não... não, não é o que vocês estão pensando... não é não, não é isso. De certa forma... quero dizer de alguma forma é o que vocês estão pensando sim... é não posso negar. De alguma forma o que vocês estão vendo é isso (...) confirma também o que vocês estão pensando... engraçado e triste. O desmoronamento ..."
...

Se joga:
Apresentação ao vivo pelo portal Ig nesta quinta feira às 21h30, direto do Sesc Paulista para os poucos sortudos que conseguiram os ingressos.
O espetáculo tem 1 hora de duração, portanto preparem suas ba(u)ndas largas, já que não precisarão sair de casa.

10 de nov de 2008

Eu também sou!

Gente juro que estava me segurando, mas essa história do Obama mostrar a sua 'verdadeira face' após as eleições foi um choque para mim!
Nós VIRALATAS também somos democratas! kkkkkkkkkk

Daí...

Leia no "Viralata Reloaded" sobre as memórias da minha infância, rolou uma 'corrente' por lá entre os vips e muita gente de bem que 'já foi criança' conta pequenas lembranças. O post é "Em Algum Lugar do Passado".

6 de nov de 2008

Eu acho que vi um gatinho... e tive sorte!

Ganhei num sorteio da Abril.Com, onde o "Viralata Reloaded" está hospedado, esta 'tchutchuca' de 8.1 megapixels da Nikon. Sabe com o quê? Minhas fotos de graffiti pela cidade.
Se antes eu tinha os 5 megapixels do meu Nokia N-95 e os 2 megapixels do meu Lg Prada agora eu tenho muuuuiito mais! Foram 20 os blogueiros e fotógrafos premiados e esse Viralata tirou um 'honrroso' terceiro lugar. A foto abaixo do gatinho na Consolação foi a escolhida num post que eu fiz por lá e todas as fotos foram (e continuarão a ser) publicadas no meu álbum PinFotos da Abril que você pode visitar aqui.

Aliás dá uma olhada nos álbum dos outros vencedores aqui e em especial no do Adriano Vieland que tem um blog chamado "Panorama São Paulo" apenas com fotos da cidade em p&b que é uma coisa linda, todos nós por lá sabíamos que ele tiraria o primeiríssimo lugar.

4 de nov de 2008

YMA SUMAC (1922-2008)


Perdemos a Deusa Peruana, Yma Sumac! Morando num asilo em Los Angeles sua morte foi anunciada ontem e o seu velório será para poucos, como ela fazia questão.
Descobri Yma apenas nos anos 80 quando sua fama já havia ultrapassado a admiração de uma grande cantora lírica dos anos 50 (alcançando escalas vocais além da imaginação!) para uma Diva Camp. Tenho alguns discos incríveis de ambas as épocas.

Se a 'tradução' do seu nome em quechua quer dizer "Que Linda" seu nome completo,
Zoila Augusta Emperatriz Chavarri del Castillo, não precisa de tradução: perdemos nossa EMPERATRIZ!
...

Adoro este video em que numa 'apresentação-homenagem' ela não se contenta com pouco e interrompe os musicos reclamando do volume de um instrumento e dizendo: "eu estou aqui para dar um bom espetáculo e isto está barulhento demais!", e claro, recomeça coberta de flores! Brava!


2 de nov de 2008

Magnoli fala sobre a esquerda no poder

Leia no "Viralata Reloaded" sobre a entrevista que o sociólogo Demétrio Magnoli concedeu às páginas amarelas da revista "Veja", trecho:

"- (...) O debate político não deve impedir as pessoas de se tratar decentemente, mas a atividade intelectual pressupõe o exercício da crítica. Intelectuais que elogiam governos têm algum problema. Provavelmente querem um emprego."

Mais, aqui!

1 de nov de 2008

Diwali - Festival das Luzes!

LAKSHIMI, Deusa da Prosperidade e da Abundância, abro meu coração e meu lar com muito amor e exuberante alegria para recebê-la no meu Templo interno e no Templo da minha morada.
Que suas bênçãos cheguem a mim trazendo a pureza da flor de lótus, a harmonia nos meus relacionamentos e a prosperidade em tudo o que eu executar com fé, entusiasmo e altruísmo.
Que o aspecto feminino de Deus em todas as suas manifestações me tragam intuição, percepção, dedicação e receptividade, para que eu possa realizar todas as minhas atividades com alegria e felicidade.
Que sua majestosa beleza se reflita em meus pensamentos para que eu possa sentir, falar, ouvir e agir somente com a consciência da minha Presença Divina.
Que a sua Luz me envolva dentro de um campo magnético de Abundância para que eu possa ter tudo o que necessito e expandir essa minha Prosperidade para todos.
Tudo o que me for ofertado eu abençôo e consagro para a realização do Plano Divino.
Amada LAKSHIMI, bem vinda à minha vida e ao meu lar!
Eu Sou, Eu Sou, Eu Sou a manifestação de tudo o que desejo neste instante, hoje e sempre!

SHRIM!
Que as bênçãos de Prosperidade e Abundância de LAKSHIMI iluminem você, seu lar e seu trabalho, hoje e sempre.