20 de nov de 2008

Meu feriado 'consciente'

Hoje a cidade de São Paulo parou!
Não, ela não parou com mais um mega-engarrafamento ou um mega-desabamento de obras, muito menos parou com um sequestro cinematográfico, a cidade parou para os paulistanos curtirem mais um feriado inútil imposto por políticos sem causa no seu calendário.
Leia bem, eu disse "feriado inútil" e não 'causa inútil'! O politicamente correto não permite que se discutam seriamente certos temas hoje em dia sem causar celeumas, processos judiciais, antipatias ou até mesmo crimes passionais, mas seria de bom tom para a sanidade geral da nação questionar algumas decisões políticas tomadas para agradar entidades, ongs e minorias loucas para 'dar visibilidade' a certos temas.

Ninguém se lembrou que ontem foi o Dia da Bandeira, homenagem criada quatro dias após a nossa Proclamação da República em 1889, aliás como o 15 de novembro caiu num sábado nem mesmo eu me dei conta que era 'feriado'. Como num sábado qualquer, acordei tarde e fui sonolento nadar na minha academia, dei com a cara na porta. Que patriotismo o meu, ignorar a 'república proclamada'!

Acho um absurdo e incrível que uma cidade rica como São Paulo possa se dar ao luxo em perder um dia precioso de trabalho e produção para se 'conscientizar sobre os negros', os índios, os gays, nossa senhora da aparecida, etc..., aliás acho um absurdo mesmo que um País pobre possa ter mais feriados do que os Países ricos.
Pensei que o atual Governo já havia resolvido o 'problema da consciência das minorias' quando inflou seus ministérios criando o politicamente correto Ministério da Integração Racial, que com seu pomposo título 'neo-nazista', serviu apenas para sabermos que uma ministra negra é exatamente igual e 'integrada' a qualquer ministro branco 'aloprado'. São Paulo já sabia disso há tempos, afinal 'empixamos' Pitta, não é mesmo?


Na história moderna nós brasileiros não vivemos um segregacionismo como os negros americanos, mas ao contrário deles nos contentamos com um feriado para 'conscientizar' nossos corpos cansados longe da cidade. Faça um teste: abra qualquer jornal nos EUA (vale internet também) no feriado nacional americano em homenagem ao nascimento (e não morte, entendeu?!) de Martin Luther King, na terceira segunda-feira de janeiro, e guarde-o para comparar com o paulistano Dia da Consciência Negra, você entenderá exatamente o que eu digo.

Para mim o 'slogan' "luta negra" em pleno século XXI, e fora da Somália, soa tão 'demodé' quanto, "luta de classes" ou imperfeitos como "um torneiro mecânico no poder". É um círculo que não se fecha nunca, sempre haverá um 'oprimido' esquecido e o politicamente correto manda: invente um neologismo qualquer para disfarçar o seu preconceito e tenha certeza, ninguém irá discutir e você encerrará rapidamente o assunto.
Ou não foi assim que a sigla GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) mudou para GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e travestis, transexuais e transgêneros) e agora LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros). Sim porque como é um movimento de minoria comportamental e como as lésbicas são as mais 'oprimidas' deram então a elas o direito de 'abrir' a ala do acrônimo título, certo?

Pois eu acho então que as lésbicas negras e deficientes são mais minorias do que as minorias oprimidas pelo 'sistema inconsciente' e acho que todas elas deveriam se juntar e exigir que o título politicamente correto seria LNDGBT. Ou você será preconceituoso e discordará?
Bom feriado para todos e assunto encerrado.

5 comentários:

Pedrita disse...

eu acho que seria interessante se criassem o dia do zumbi, sem ser feriado. mas o dia da consciência negra é estimular o preconceito e a divisão das raças. e se é feriado, teríamos que ter ao menos dois feriados, o dia da consciência branca e o dia da consciência amarela. eu acho péssimo segregar raças dessa forma. que os negros precisam de uma causa, sim, que as escolas precisam incluir a história dos negros em seu currículo escolar, sim. mas daí a segregar dessa forma, é inadmissível. beijos, pedrita

Sandra disse...

Concordo. Geralmente, o que menos fazemos num feriado é dedicarmo-nos ao motivo do feriado.

viralata disse...

Meninas, onde eu assino!? Concordo na íntegra!
Bjos

Ricardo disse...

Posso apostar uma coisa, vcs que fizeram cometários são brancos, clásse média-alta ou alta! Acertei não é, sem comentários.

Falar em preconceito sem sentir na pele é, pelo menos, ser hipócrita ou demagogo.

Vale a pena lembrar que o negro sofreu e sofre discriminação sim.

Merece destaque que, na primeira vez que vcs se sentiram discriminados, ficaram absurdamente revoltados protestaram, os meios de comunicação bombardearam. Que discriminação foi esta! Sistema de cotas nas universidades.

Doói, não dói, imagina essa dor sendo sentida a vida inteira.

Parem e pense um pouco, ou melhor, nem tentem vcs não terão a menor idéia do que é o preconceito sofrido pelos negros, então, não pensem, respeitem e só, sem comentários pseudo morais, o teor desta coluna é o famoso racismo velado, sou mas argumento de forma sagaz para parecer que não sou.

Triste, muito triste.

viralata disse...

Ricardo, embora eu tenha "encerrado este assunto" no final do post, não quero parecer mal educado, costumo responder a todos comentários que são postados aqui. Sendo assim repito: releia o primeiro parágrafo.
Preconceito? Pfui, sou gay, já recebi pedradas (LITERALMENTE, quero dizer) qdo era adolescente de um grupo de negros (por acaso evidente, poderiam ser amarelos ou albinos não importa!), tenho um irmão adotivo negro (poderia ser loiro ou ruivo, tb não importa!) que era discriminado quando criança na escola, já que vivia sempre com a minha irmã mais nova (branca e de olhos verdes, mas tb não vem ao caso!) e ah... essa minha irmã branca e de olhos verdes casou com um negro e deu a luz ao meu sobrinho-afilhado Gabriel (seria ele, sei lá mestiço, pardo ou negro?) que eu tanto amo e torço para que ele seja muito feliz e esteja longe desta discussão tosca e provinciana.
E do que nós estavamos falando mesmo? Ah, da ladainha do sofrimento milenar escravo, cotas, feriados, subserviência, ignorância, pedantismo, luta de classes, ...
Bah, deixa pra lá!